Uma pessoa jogando enquanto milhares assistem: 5 passos para se tornar streamer

A área de streaming de jogos tem ganhado cada vez mais espaço entre quem decide começar a trabalhar com a internet

19/08/2021 - 16h13
Uma pessoa jogando enquanto milhares assistem: 5 passos para se tornar streamer - A área de streaming de jogos tem ganhado cada vez mais espaço entre quem decide começar a trabalhar com a internet

A área de streaming de jogos tem crescido e gerado bilhões de reais todos os anos / Foto: Pexels

Streaming é a distribuição de conteúdo ou dados via internet. No mundo dos games, quem trabalha nessa área é conhecido como streamer, uma profissão que ficou ainda mais popular nos últimos anos graças às transmissões de pessoas jogando ao vivo enquanto conversam com a audiência. E essa atividade se tornou algo tão sério que, além de profissão, também já virou tema de pesquisa e eventos acadêmicos. Conheça mais sobre a área e como ingressar nela: 

Primeiro, é importante saber que também existem outros formatos de streaming, como as plataformas de séries, filmes, vídeos, podcasts e até mesmo exposições virtuais. No caso dos jogos, o meio mais popular de assistir às lives é a Twitch.tv, muito utilizada pois o conteúdo é quase todo consumido ao vivo e não em uma biblioteca. Só em 2019, a plataforma gerou 1,54 bilhão de dólares de receita. 

Mas o que é preciso para começar no mercado de streaming de jogos? Segundo a publicitária Letícia Dallegrave, que pesquisou sobre Streaming de jogos como sistema de performances durante o seu mestrado, na Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos, existem 5 pontos essenciais para isso:  

1. O que levaria alguém a não jogar para assistir a sua transmissão?

Essa pergunta foi norteadora para o trabalho de dissertação de Letícia e também pode servir para pensar qual é o diferencial do seu canal ou projeto. Mas calma, pois com certeza existem muitos motivos para você alcançar um bom número de visualizações. Basta inverter a pergunta: o que você mais gosta de ver em outras transmissões? Com essas respostas, parta para os próximos passos: se preparar para as lives e construir a sua comunidade. 

2. Teste as suas habilidades multitasking

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Alysson Augusto, mestrando em Filosofia e YouTuber, em entrevista com Letícia Dallegrave no canal da PUCRS / Foto: Reprodução

Jogar, transmitir, interagir com quem tá assistindo, cuidar o enquadramento da câmera, performar bem… Uffa! São tantas tarefas realizadas ao mesmo tempo que para “bombar” como streamer a capacidade de ser multitasking precisa estar em dia. Mas lembre-se de respeitar o seu tempo, pois, com a prática, a pressão começará a diminuir e todo o processo ficará mais simples e intuitivo. 

3. Construa a sua comunidade

Um dos principais pontos a serem pensados é a sua audiência. Para a transmissão fazer sentido, alguém precisar estar assistindo. Por isso é importante estudar sobre qual público ou nicho se quer atingir para construir a sua comunidade. Por exemplo: o Ninja, que é o maior streamer do mundo, com quase 17 milhões de seguidores na Twitch, ficou famoso jogando o game Fortnite. 

4. Jogue melhor do que qualquer pessoa, ou, seja a melhor pessoa

Letícia ressalta que, apesar de muitos/as streamer ganharem fama por jogarem de forma excelente, nem sempre esse é o caso. Várias pessoas que se dedicam à profissão também acabam conquistando a audiência por saberem se relacionar muito bem com o público, terem carisma ou encontrarem novas maneiras de estabelecer essa identificação e conexão. Não ser o melhor jogador para alguns não significado que você não possa ser a melhor pessoa para outras <3 

5. Atenção às questões técnicas

Após pensar sobre os tópicos anteriores, lembre-se de que, mesmo não sendo necessariamente o mais importante, ter qualidade estética e técnica na sua transmissão fará toda a diferença. Se coloque no lugar de quem assiste: que tipo de cenário e iluminação ou qualidade de áudio e vídeo você gosta mais? A partir disso, tenha em mente que em algum momento investir em equipamentos e/ou em ambientação pode ajudar a alavancar o seu canal. 

Dicas bônus: o resumão e um convite especial 

Para mandar bem na sua live você precisará: 

  • Escolher a plataforma de streaming. As mais conhecidas são Twitch, Youtube e Facebook.   
  • Criar um canal ou perfil oficial para realizar as transmissões. 
  • Do streamer em si, no caso você. Afinal, sem a persona nada aconteceria, certo?  
  • Do jogo. E esse pode ser online, offline e até de tabuleiro. Sim, até de tabuleiro! 
  • Por fim, do chat. E esse pode ser o ponto mais legal. Ele faz com que a audiência interaja entre si e com quem está jogando. 

E para aprender com quem leva essa carreira a sério, no dia 25 de agosto, às 19h30, acontece um novo evento da série Papos PUCRS, dessa vez sobre eSports é coisa séria. Os eSports, em uma definição mais direta, são competições organizadas de jogos eletrônicos, principalmente entre profissionais. 

O encontro reunirá o ex-jogador profissional de eSports Gabriel (Kami) Bohn e o empresário e produtor cultural Ricardo Chantilly para conversar sobre a profissionalização dos games, os desafios tecnológicos e a falta de oportunidades para jovens de baixa renda. O bate-papo será mediado pelo professor André Pase (Famecos) e transmitida pelo perfil da PUCRS Cultura no Facebook e no canal da PUCRS no YouTube – onde ficará disponível para acesso posterior. 

Como é trabalhar com streaming de jogos na prática 

Talvez você não conheça André Meneguzzi, mas provavelmente o @Squallzera sim, o seu nome de streamer. Também formado em Publicidade e Propaganda pela Famecos, hoje André se dedica exclusivamente à transmissão de jogos e conta com 238 mil inscritos só no YouTube. 

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André Meneguzzi, o @Squallzera / Foto: Reprodução

Ele conta que desde novo sempre esteve envolvido no universo de games e cultura nerd ou geek. Por ser muito curioso, acabou inclusive recebendo prêmios em competições da área, como de criação de melhor vídeo, de história e de composição musical. 

Mas a paixão pela profissão começou após André ganhar uma bolsa para estudar um semestre da graduação no México. No tempo livre, ele assistia muitas lives de outros jogadores. Com apenas um computador, começou a carreira de @Squallzera, que gravava as suas partidas e publicava alguns conteúdos. Em um espaço médio de tempo, alguns resultados surgiram, ganhando pequenas quantias pelas lives que fazia. 

“Quando se começa a receber pelo que faz, aumenta a motivação, porque já que eu deixo de ter um trabalho formal para me dedicar a isso, então é natural que eu queira ser remunerado pelo que eu faço”, explica. E a monetização pode acontecer de diferentes formas: pela própria plataforma, que acontece de acordo com o alcance de cada live; por meio de parcerias com empresas ou até mesmo vendendo produtos da sua própria marca. 

Seja um ou uma Jedi você também 

Jedi é o nome do Grupo de Pesquisa sobre Jogos e Entretenimento Digital Interativo da Famecos. Com a combinação entre a informação e o entretenimento sendo cada vez mais presente, o grupo se propõe a compreender estas produções, seus suportes e fluxos. Conheça os trabalhos realizados no projeto e seja Jedi você também! 

Ah, e se quiser aprender mais sobre o tema, assista à entrevista com a Letícia e o @Squallzera sobre o mundo do streaming de jogos no canal da PUCRS no YouTube: 


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