Como ser feliz no trabalho e na vida? Confira os ensinamentos da professora Carla Furtado

Em palestra à Feira de Carreiras da PUCRS, Carla abordou a integração entre trabalho e vida pessoal

21/10/2021 - 16h25
Carla Furtado fala sobre felicidade no trabalho e na vida

Carla Furtado/Foto: reprodução PUCRS Online

O objetivo de vida de toda pessoa é ser feliz. No Brasil, costuma-se trabalhar durante oito horas diárias, o que representa um terço das 24 horas de um dia completo. Portanto, para alcançar a felicidade, também é necessário ser feliz no trabalho. Pensando nisso, a Feira de Carreiras da PUCRS realizou uma palestra com Carla Furtado, diretora-executiva do Instituto Feliciência e professora do PUCRS Online, sobre a integração entre vida pessoal e profissional. Confira alguns ensinamentos dela para atingir esse ideal:  

O mundo é complexo 

Carla, apoiada na teoria do sociólogo, antropólogo, historiador e filósofo francês e pai do pensamento complexo, Edgar Morin, ressalta que o mundo em que vivemos não é simples, mas extremamente complicado. Para explicar essa ideia, recorre ao caleidoscópio, um objeto que forma imagens, mas, qualquer movimento realizado por ele, altera completamente a figura representada. 

Para a professora, o planeta é assim: qualquer ação em um local específico pode alterar toda a configuração global. É o caso da pandemia. Por isso, não podemos esperar regressar à vida anterior a esse momento histórico, somos convidados a nos adaptar aos novos contextos, muitos dos quais se mostrarão como mudanças permanentes.  

O otimismo pode ser cultivado 

Para atingir a felicidade no trabalho e na vida, é importante se manter otimista. Carla não se considera uma otimista “por nascimento”, pois o otimismo é uma habilidade socioemocional que pode ser fomentada. Carol Dweck, professora de Psicologia na Universidade de Stanford, acredita que a mente humana navega num contínuo entre o mutável e o imutável, o sistema nervoso se desenvolve durante toda a vida. Isso se chama neuroplasticidade. Se estamos nos transformando constantemente, que utilizemos isso para sermos mais otimistas.  

A felicidade, no trabalho e na vida, depende de equilíbrio 

É importante ter um propósito para ser feliz/Foto: Pexels

O bem-estar é sustentado, de acordo com a Psicologia Positiva apresentada por Carla, por dois pilares: a hedonia e a eudaimonia. A primeira representa as emoções de valência positiva, é o que gostamos de sentir. Isso é extremamente positivo, é bom que nos sintamos bem, mas apenas isso não basta para atingir a felicidade. É importante, além disso, cultivar o outro pilar, o da eudaimonia, que significa desenvolver um propósito. Viktor Frankl, escritor que vivenciou o holocausto, afirma que as vítimas dos campos de concentração que eram mais capazes de resistir eram aquelas que sabiam o que gostariam de fazer no futuro.  

Leia também: O sentido da vida em tempos de pandemia 

Treine o seu cérebro 

Somos estimulados a reconhecer nossas falhas, mas não nossas habilidades. Por isso, a professora sugere fazer a pergunta o que há de certo comigo?, reconhecer as forças individuais é algo que faz parte, inclusive, do treinamento para que soldados desenvolvam a capacidade de resiliência nos Estados Unidos. Também é importante ter em mente que crises são impermanentes e que passarão em algum momento. Em meio às adversidades é possível aprender. O cérebro humano possui um viés negativo, mas precisamos aprender a driblar isso.  

Precisamos ser menos caçadores e mais jardineiros 

Os outros importam, construa uma rede de apoio!/Foto: Pexels

Para o sociólogo Sigmund Bauman, vivemos em um tempo de caça, de sempre olhar para o que está fora, precisamos dar um passo para trás e assumirmos um olhar de jardineiro. Ou seja, ter atenção às decisões, mostrar dedicação, selecionar as sementes que fazem mais sentido, zelar pelo solo e ter um caminho a ser seguido.  

As pessoas são fundamentais  

“Os outros importam na nossa existência, uma vida significativa precisa de pessoas”, afirma a palestrante, relembrando que, para garantir uma felicidade no trabalho e na vida, é necessário manter uma rede de apoio.  

“Não podemos nos afundar na carreira, por mais que a amemos, sem prestar atenção em quem nos rodeia. Uma vida bem vivida precisa de afeto”, complementa.  

Carla ressalta que quando estamos amparados, não apenas nos recuperamos de quedas que possam ocorrer no percurso, mas, por vezes, crescemos ainda mais, o que é chamado efeito trampolim 

Tenha autocompaixão 

Apresentando um quadro de Frida Kahlo, produzido em um momento no qual a artista passava por dificuldades, dentre elas o divórcio com o também pintor Diego Rivera, a professora promove a ideia de que é importante cultivar a autocompaixão. “Precisamos acolher nosso sofrimento, a nossa própria dor”, comenta.  

Para estimular uma reflexão final, a palestra foi concluída com uma frase do poeta Jorge de Lima: “A distância entre a raiz e a flor é o tempo”. 

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