Dia Internacional da Mulher: o desafio da representatividade

08/03/2022 - 18h09

Para pessoas que não atuam em áreas como comunicação e design, pode ser natural imaginar que na área há forte representatividade de gênero. Pelo menos é o que o imaginário do senso comum nos faz pensar. Afinal, são áreas constantemente associadas com movimentos jovens, de vanguarda, plurais.

Mas, na prática, as coisas são mesmo desse jeito?

Ana Cecília Bisso Nunes, professora da Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos da PUCRS, vê algumas semelhanças entre as dificuldades enfrentadas por mulheres na comunicação e em outras áreas. “O principal desafio, muitas vezes, é enfrentar a solidão. No âmbito da pesquisa em comunicação focada em tecnologia e negócios, é comum ter grupos de pesquisadores majoritariamente masculinos ”, comenta a professora.

Bárbara da Silva Pinto, formada em Design de Produto PUCRS e atualmente estudante de Design de Comunicação na Famecos, vê em sua área uma certa disparidade entre homens e mulheres. “Infelizmente ainda enfrentamos o desafio do reconhecimento feminino na área, são poucas designers mulheres que são reconhecidas a nível mundial, e ainda vemos que designers homens são muito mais lembrados, reconhecidos, estudados e até mesmo admirados” comenta.

A professora Ana Cecília vai ao encontro da visão de Bárbara. Para ela “já superamos muita coisa, mas a questão da representatividade em algumas áreas ainda é desbalanceada. Então, este ainda é um ponto para prestarmos atenção”.

Mas os desafios não dizem respeito apenas à representatividade. Por mais ultrapassado que possa parecer, há ainda quem espere das mulheres uma série de padrões de comportamento irreais, como optar por não vestir uma determinada peça de roupa. “É comum passar ainda em nossas cabeças o pensamento de que precisamos de um código de vestir específico -terninhos e cores sóbrias- para demonstrar autoridade sobre um tema. Por que isso? Estar vestida de preto com calça social ou com um vestido social florido não deveria ser um tópico essencial que passasse na cabeça das mulheres antes de uma apresentação formal, nem algo que influenciasse a forma como a mensagem que iremos passar será recebida”, relata Ana Cecília

No entanto, ambas são unânimes ao reconhecer que, com muito empenho e luta, alguns comportamentos já estão sendo transformados.

“Felizmente já vemos que esse problema (reconhecimento) vem sido discutido e diminui dia após dia, com o esforço constante de professores, acadêmicos, influenciadores, mentores e profissionais mulheres e homens que estão investidos em divulgar conhecimento e conscientização sobre o tema”, destaca Bárbara. “Conquistamos muito e ainda temos o que conquistar na minha opinião”, valoriza Ana Cecília.

No universo da Produção Audiovisual, os desafios também são grandes. Clique aqui e confira o artigo “Representatividade feminina em frente e atrás das câmeras”, escrito por de Carina Schroder, doutoranda em Comunicação Social no Programa de Pós-Gadruação da Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos.

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