08/07/2021 - 11h13

5 livros disponíveis na Biblioteca da PUCRS para conhecer escritoras negras brasileiras

No mês que marca o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, conheça autoras que compartilham suas histórias, lutas e conhecimentos por meio da literatura

Conheça obras de cinco escritoras negras brasileiras

Conceição Evaristo participa ativamente de movimentos de valorização da cultura negra no Brasil/ Foto: Camila Cunha

Este mês é marcado pelo Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, lembrado em 25 de julho. Em um país como o Brasil, onde a maioria da população é negra (54%, segundo o IBGE) e as desigualdades sociais, raciais e de gênero são gritantes, datas como essa são um convite não para celebrar, mas para refletir sobre esses problemas e conhecer e apoiar a luta de quem diariamente sente na pele a dor do preconceito. 

Dados divulgados em 2020 pelo IBGE mostram que as mulheres negras têm uma média salarial 56% menor que a de homens brancos. Elas também são mais as mais afetadas pela agressão doméstica, bem como por outros tipos de violência. 

Mudar esse cenário está nas mãos de todos e todas, e um dos caminhos para combater o preconceito é conhecer mulheres negras e o trabalho produzido por elas. Relembrar suas histórias e conquistas, mas também reconhecer os desafios que seguem enfrentando é essencial – e a literatura é um campo muito rico nesse sentido. Confira algumas dicas de livros de escritoras negras que estão disponíveis na Biblioteca da PUCRS. 

5 livros para conhecer escritoras negras brasileiras 

1. Pequeno manual antirracista, de DjamilaRibeiro 

Djamira Ribeiro participa de cursos do Pós PUCRS Online

Djamila Ribeiro é uma das 100 pessoas mais influentes do mundo abaixo dos 40 anos / Foto: Jefferson Bernardes/ Agência Preview

O livro trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em onze capítulos curtos, a autora apresenta caminhos de reflexão para quem deseja aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas. Para a escritora, a prática antirracista é urgente e se dá nas atitudes mais cotidianas. E mais ainda: é uma luta de todas e todos. 

Djamila Ribeiro é filósofa, pesquisadora e uma importante voz brasileira no combate ao racismo e ao feminicídio. Já recebeu premiações como o Cidadão SP em Direitos Humanos e Dandara dos Palmares, além de ter sido a primeira brasileira a receber o BET Awards, maior prêmio da comunidade negra estadunidense. Djamila também está entre as 100 pessoas mais influentes do mundo abaixo de 40 anos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). 

A autora integra alguns cursos do Pós PUCRS Online. 

2. Becos da memória, de Conceição Evaristo

Nesse importante romance memorialista da literatura contemporânea brasileira, a autora traduz, a partir de seus muitos personagens, a complexidade humana e os sentimentos profundos dos que enfrentam cotidianamente o desamparo, o preconceito, a fome e a miséria; dos que a cada dia têm a vida por um fio. Sem perder o lirismo e a delicadeza, a autora discute, como poucos, questões profundas da sociedade brasileira. 

Conceição Evaristo é escritora e participante ativa dos movimentos de valorização da cultura negra do Brasil. Nascida em Belo Horizonte, ganhou prêmios como o Jabuti de Literatura de 2015, na categoria Contos e Crônicas; e Literatura do Governo do Estado de Minas Gerais de 2018 pelo conjunto de sua obra. 

Em 2020, Conceição participou de um episódio da série Ato Criativo, promovido pela PUCRS Cultura. A gravação está disponível no YouTube: 

3. Quarto de despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus

O livro tem origem no diário da autora, à época catadora de papel e moradora da favela do Canindé, em São Paulo. A obra apresenta um relato feito a partir do olhar sensível e realista da escritora, contando o que viu, viveu e sentiu nos anos em que viveu naquela comunidade. 

O livro foi o primeiro de Carolina Maria de Jesus, publicado em 1960. A obra foi vendida em 40 países e traduzida para 16 idiomas. A autora, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, ainda publicou mais dois livros e, após sua morte, em 1977, outras seis obras póstumas foram lançadas. 

4. Um olhar além das fronteiras: educação e relações raciais, de NilmaLino Gomes (Organização) 

O diálogo proposto pelo livro está alicerçado em um dos ensinamentos de Paulo Freire: de que uma das nossas brigas como seres humanos deve ser dada no sentido de diminuir as razões objetivas para a desesperança que nos imobiliza. Nesse sentido, a obra aponta uma recusa ao fatalismo imobilizante pregado pelo contexto neoliberal, pela globalização capitalista e pela desigualdade social e racial, que deve se pautar em uma postura epistemológica e política criticamente esperançosa. 

Nilma Lino Gomes é uma pedagoga brasileira, doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2013, tornou-se a primeira mulher negra a ocupar o cargo mais importante de uma universidade no Brasil ao assumir como reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab). Deixou o cargo em 2015 para ser ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (incorporada naquele ano ao recém-criado Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos), cargo no qual permaneceu até 2016. Entre suas publicações estão livros e artigos originados de suas pesquisas até narrativas de ficção para crianças e jovens. 

5. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil (Consciência em debate), de Sueli Carneiro

O livro reúne, pela primeira vez, alguns dos artigos da autora publicados na imprensa brasileira entre os anos de 2001 e 2010. Nos textos, Sueli promove uma reflexão crítica sobre a sociedade brasileira, explicitando como o racismo e o sexismo têm estruturado as relações sociais, políticas e de gênero. A coleção Consciência em debate tem o objetivo de discutir assuntos que interessam não somente aos movimentos negros, mas a todos os brasileiros. 

Filósofa, escritora e ativista do movimento negro, Sueli Carneiro é doutora em Educação pela USP e fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, primeira organização negra e feminista independente de São Paulo. Criou o único programa brasileiro de orientação na área de saúde física e mental específico para mulheres negras, pelo qual mais de 30 mulheres são atendidas semanalmente por psicólogos e assistentes sociais. 

Sobre o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha 

A data faz menção ao dia 25 de julho de 1992, quando grupos femininos negros de 32 países da América Latina e do Caribe se reuniram na República Dominicana com o objetivo de denunciar opressões e debater soluções na luta contra o racismo e o sexismo. O encontro ficou marcado na história e foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e da Diáspora. 

No Brasil, 25 de julho também é marcado pelo Dia Nacional de Tereza Benguela e da Mulher Negra, em homenagem à líder quilombola no século 18 e exemplo de luta e resistência contra a escravização e a opressão. 

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