Artigo: Atuação preventiva e coletiva: uma via ao combate da LER/DORT

Artigo produzido por Patrícia Flores Magnago, professora de Ergonomia da Escola Politécnica

29/02/2024 - 18h16

Foto: Envato Elements

Por: Patrícia Flores Magnago
Doutora e professora de Ergonomia da Escola Politécnica da PUCRS

Nesta semana, foi celebrado o Dia Internacional de Combate às Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort): afecções do sistema que agrupa ossos, nervos, músculos e tendões – entre elas tendinites e lombalgias. Estas lesões podem ser causadas por repetitividade, ritmo acelerado, excesso de esforço ou carga, postura estática e/ou incorreta, além de fatores ambientais, organizacionais, psicossociais e doenças crônicas. 

De acordo com dados do Sinan, mais de 103 mil casos foram notificados no Brasil de 2007 a 2021. Majoritariamente acometem trabalhadores de 30 a 49 anos (62%) na produção de bens e serviços industriais (43%), mulheres (52%), gerando afastamento (57%) e incapacidade temporária (53%). 

Estas evidências geram consequências econômicas, mas é prioritariamente a saúde do trabalhador que está em risco e deve estar no cerne da prevenção. A dor e a notificação são a ponta do iceberg. É sobre a ação preventiva que precisamos agir coletivamente, visando reduzir a probabilidade de exposição aos fatores de risco. Vendo os projetos de postos mais ergonômicos e seguros como investimento e não como gastos. 

Existe a Análise Ergonômica Preliminar (AEP) e do Trabalho (AET) previstos na recente atualização da NR17 para um processo analítico, além de pesquisas e manuais com recomendações para mitigar riscos, as quais precisam ser analisadas quanto a viabilidade e adaptação em cada caso. Envolvem, por exemplo: técnicas, mecanismos, layout, rodízios, pausas, ginástica laboral, ajuste antropométrico, mudanças de sistema e proteção de membros. 

O compartilhamento de conhecimentos e a capacitação de pessoas neste processo de análise de riscos deve ser maximizado. Assim, poderemos cuidar mais um dos outros, tanto nas interações da atuação autônoma como nas organizações, e criar uma rede de atenção para termos a construção de uma corrente em busca da melhoria contínua e ambientes de trabalhos mais saudáveis. 

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