Doutoranda da PUCRS desenvolve programa para motivação da prática de atividades físicas

Com metodologia científica, a psicóloga Marcela Alves Sanseverino propõe o exercício físico como aliado no autoconhecimento e amor-próprio

21/07/2023 - 17h43

Marcela Alves Sanseverino é Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Psicologia na PUCRS. / Foto: Arquivo pessoal

A doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da PUCRS Marcela Alves Sanseverino desenvolveu um projeto que estimula a motivação para a prática de atividades físicas. Intitulado Programa para Adesão do Comportamento de Exercitar-se (PACE), tem formato de terapia breve – já que tem início, meio e fim, e foca em estratégias comportamentais e motivacionais que promovem autoconhecimento por meio do exercício físico.  

Com orientação do professor e pesquisador da Escola de Ciências da Saúde e da Vida Wagner de Lara Machado, a doutoranda realizou, durante oito semanas, encontros individuais com os participantes, abordando um conjunto de temas e metas a serem cumpridas. Para compartilhar os resultados das atividades, a Marcela criou o Instagram @exercíciocomsentido, onde relata a mudança de visão dos participantes em relação ao momento do exercício físico. 

O trabalho da doutoranda se conecta com o primeiro relatório global lançado em 2022 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre os impactos do sedentarismo para a população mundial. Até 2030, espera-se que 500 milhões de pessoas desenvolvam doenças não transmissíveis (DNTs), como problemas cardiovasculares e diabetes, resultando em custos anuais de US$ 27 bilhões, caso não sejam implementadas pelos governos ações para incentivar os exercícios. 

Em 2018, a OMS também lançou o Global Action Plan on Physical Activity 2018-2030: More Active People for a Healthier World (Gappa), uma campanha para que os países incentivassem a população a tornar-se mais ativa. De acordo com dados divulgados pela organização, cerca de 3,2 milhões de pessoas morrem todos os anos ao redor do mundo em decorrência de problemas relacionados à inatividade física, número que enquadra o sedentarismo como quarto principal fator de risco de morte. A meta global da OMS é atingir uma redução de 15% na prevalência de inatividade física até 2030. No sul do Brasil, um estudo evidenciou que o número de pessoas que são inativas foi de 48%, com o agravamento da pandemia da Covid-19.  

Exercício físico como uma oportunidade de autoconhecimento 

Para desenvolver o PACE, a doutoranda revisou a literatura para encontrar técnicas pautadas em evidências científicas. O programa original reúne técnicas comportamentais e motivacionais para pessoas que queiram iniciar uma prática de exercício físico, seja aquela pessoa que já faz algum exercício e precisa complementar sua prática, seja aquela que não faz nenhum exercício e precisa começar. O PACE oferece suporte durante a jornada inicial para facilitar o encontro de uma modalidade que combine com a pessoa iniciante e contemple seus objetivos com a prática de exercício.  

De acordo com Marcela, a partir do avançar das conversas semanais, os participantes conseguiram identificar porque praticar exercício é importante para si. Atualmente, com sua tese finalizada, autora busca incorporar os aprendizados no mercado de trabalho, levando a possibilidade de mais pessoas encontrarem sua motivação para prática e desenvolverem estratégias comportamentais fundamentais para manutenção do exercício físico a longo prazo. Para então, poder desenvolver mais pesquisas sobre a efetividade do programa e contribuir para que um manual possa ser criado para que mais pesquisadores e profissionais da psicologia possam colocar o PACE em prática. 

“O exercício passou de uma obrigação e sim um momento de conexão consigo mesmo ou uma prática que ajudaria a alcançar suas aspirações de vida. Além disso, os participantes mencionaram que adquiriram estratégias que levariam para o resto de vida, se sentido capazes de manter algum nível de atividade física, mesmo frente a mudanças nas suas rotinas”, finalizou a doutoranda. 

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