Da graduação para o doutorado em Ciência da Computação: conheça a história de Julia Kubiak

A estudante conquistou esse espaço a partir dos bons resultados de sua pesquisa e o reconhecimento pelo excelente trabalho

16/05/2023 - 11h36
júlia kubiak, da graduação para o doutorado

Júlia atuou como bolsista de iniciação científica e reuniu experiência necessária para fazer o doutorado, sem passar pelo mestrado. / Foto: Winnie Ferreira

E se você pudesse concluir a graduação e logo em seguida entrar no mundo da pesquisa científica? Essa é a história de Julia Kubiak, que se formou em Ciência da Computação pela PUCRS e, durante a graduação, participou do Programa G-PG, que permite que estudantes antecipem disciplinas de mestrado e doutorado, dando um passo além na sua formação. Durante o curso, ela também participou do programa de Iniciação Científica. Esses fatores foram determinantes para seu desenvolvimento acadêmico: atualmente, está cursando Doutorado em Ciência da Computação – isso logo após concluir a graduação, sem a necessidade de passar pelo Mestrado, como é o habitual.  

Durante a faculdade, Julia integrou o grupo de pesquisa de sua atual orientadora, a professora Soraia Musse. Lá, ela descobriu o mundo da pesquisa na área de computação gráfica e se encantou tanto com o processo de pesquisa quanto com a ideia de poder trabalhar com desenvolvimento na indústria de entretenimento no futuro, que é seu sonho.  

“Assim, eu seria capaz de unir duas coisas que eu gosto de fazer como profissão: pesquisar e fazer descobertas científicas, mas também implementá-las e desenvolvê-las em situações práticas”, conta Julia, que sempre teve vontade de cursar uma pós-graduação. 

Segundo ela, os bons resultados de sua pesquisa e o reconhecimento pelo seu excelente trabalho foram sua principal motivação para se candidatar direto para o Doutorado. Além disso, o incentivo também veio da orientadora, professora Soraia, que disse que o trabalho de Julia como bolsista de iniciação científica já daria a ela a experiência necessária para fazer o doutorado, sem precisar cursar um mestrado antes.

“O que me levou a querer investir nessa ideia, além do fato de que um doutorado me deixaria ainda mais qualificada para seguir o meu objetivo de carreira com pesquisa e desenvolvimento, foi a minha vontade de morar no exterior e ter experiências em universidades e empresas estrangeiras, um processo que é mais fácil de realizar a partir do doutorado do que do mestrado”, explica Julia. 

da graduação para o doutorado

Com o Programa G-PG é possível antecipar disciplinas de mestrado e doutorado, ainda durante a graduação. / Foto: Bruno Todeschini

Além da orientadora, a estudante também recebeu apoio de outros professores que conheciam seu trabalho, colegas, amigos e família. “Isso me trouxe mais confiança para seguir adiante com a ideia e realmente me dedicar para que isso se tornasse realidade”, comenta. 

Pesquisa estuda expressões faciais e computação gráfica 

Durante a graduação, o foco da pesquisa de Julia foram expressões faciais – mais especificamente, o desenvolvimento de métodos computacionais para identificar diferentes estilos das pessoas ao expressar emoções. Ela explica que a forma de uma pessoa expressar felicidade, por exemplo, pode ser diferente da de outra pessoa, mas sempre entendemos que elas expressam a mesma emoção. O passo seguinte, após entender esses diferentes estilos, foi tentar aplicá-los em personagens virtuais e validar se essas diferenças continuavam sendo percebidas em humanos de computação gráfica.  

Ao ingressar no doutorado, o intuito inicial de Julia era expandir a pesquisa para trabalhar com estilos de movimento do corpo todo, não só da face. Porém, o foco da pesquisa acabou mudando um pouco: em fevereiro, a estudante foi visitar um grupo de pesquisa em animação computadorizada na França. Lá, ela estabeleceu uma parceria com o grupo em um estudo sobre animação de movimento de personagens e como eles interagem com o ambiente onde se encontram. 

“Com a minha experiência em expressões faciais e animação da face, nós tivemos a ideia de criar uma visão e uma percepção para esse personagem. Assim, atualmente o tema da minha tese tem sido procurar formas de simular a atenção e a visão humana em personagens virtuais, de forma que o personagem saiba onde ele deve olhar e o que o chama a sua atenção no seu ambiente de acordo com diversos fatores: o que ele encontra no ambiente, seus objetivos, emoções, e entre outros possíveis estímulos. A ideia tem sido se aproximar o máximo possível do comportamento de atenção de um humano real”, explica a doutoranda. 

Todo o processo exigiu muita dedicação de Julia: ela conta que começou a estudar a fundo sobre seu tópico de pesquisa e trabalhar na proposta de projeto cerca de dois meses antes da abertura das inscrições. Além disso, ela também entrou em contato com professores conhecidos para pedir cartas de recomendação e praticou a apresentação alguns dias antes da entrevista.  

“Fiquei muito feliz que a ideia de pular direto para o doutorado pode se tornar realidade, e de saber que meu esforço e dedicação foram reconhecidos e deram resultados. Sinto que estou mais próxima de atingir o meu objetivo de carreira e estou bem empolgada com o futuro”, diz. 

Mulheres são maioria na área da pesquisa – e minoria na TI 

da graduação para o doutorado

Na PUCRS, número de alunas de graduação matriculadas em cursos de TI vem aumentando a cada ano. / Foto: Giordano Toldo

Segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), atualmente as mulheres representam a maioria – 54,2% – dos matriculados em cursos strictu sensu (mestrado e doutorado) atualmente no Brasil. O número de mulheres atuando na área de tecnologia da informação (TI), no entanto, deixa a desejar: apenas 20% da força de trabalho nessa área é feminina, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

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Sendo parte de ambas as estatísticas e a primeira mulher do ramo da TI a ingressar diretamente no doutorado, Julia afirma estar muito feliz em poder fazer a diferença na área. Para ela, é de extrema importância trazer mais diversidade de gênero para essa área, que atualmente é predominantemente masculina. “Acredito que devemos seguir encorajando mais mulheres a buscarem essa área enquanto construímos um espaço mais diverso e respeitoso para podermos nos sentir confortáveis para seguir trabalhando nessa área que certamente não é só para homens”, ressalta. 

Na PUCRS, temos um número cada vez maior de alunas de graduação matriculadas em cursos de TI e isso, para a área, é uma grande evolução. Porém, ainda não é tão expressivo o número de estudantes que seguem a vida acadêmica: há alunas que ainda têm receio de ingressar na pós-graduação e até mesmo desistem da graduação. A mensagem que Julia deixa para essas estudantes é de motivação e coragem: 

“Não deixem sua ambição e paixão serem afetadas pela nossa minoria. Eu passei a graduação inteira quase nunca tendo colegas mulheres para compartilhar experiências, e por mais que tenha me sentido sozinha em muitos momentos e passado por experiências negativas com o machismo, não desisti. Afinal, eu sabia que essa era a área que queria seguir independente das circunstâncias, e também contei com um apoio muito grande de amigos e professores. Certamente não devemos nos conformar com a situação atual, devemos seguir lutando para tornar essa área mais acessível e aberta para todos os gêneros.”

ESTUDE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO NA PUCRS


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