26/01/2021 - 14h09

Apple Developer Academy já formou mais de 500 alunos

O Programa visa formar desenvolvedores de aplicativo para iOS

A PUCRS é a única Universidade do Rio Grande do Sul a contar com o Apple Developer Academy, programa que é fruto de uma colaboração entre o Parque Científico e Tecnológico (Tecnopuc), Instituto de Pesquisas Eldorado e Escola Politécnica da Universidade, em parceria com a Apple. O Programa oferece aos alunos de graduação, principalmente dos cursos de tecnologia da informação, a oportunidade de aprender e desenvolver novos aplicativos para iOS. A ideia é capacitá-los para que se tornem desenvolvedores de aplicativos.

A Universidade e a Apple desenvolvem a parceria desde 2013, quando o Tecnopuc foi convidado pela Apple a sediar um dos centros de formação em tecnologias iOS no país. Na época o gestor da Apple do Brasil, Ricardo Barbosa, conduziu as negociações iniciais com o Prof. Jorge Audy. O projeto piloto foi o Brazilian Education Program for iOS Development (BEPiD), que foi reformulado e passou a se chamar Apple Developer Academy. Desde então, 543 alunos já se formaram e 15 startups surgiram no Academy em Porto Alegre.

Afonso Sales, professor da Escola Politécnica da PUCRS e coordenador do Programa, destaca: “São poucos os cursos de graduação que têm um currículo que permite um contato com esse tipo de tecnologia da Apple. Atualmente, existem muitos cursos de extensão à parte da graduação, onde os alunos pagam para complementar a carreira, e são caros. O Apple Developer Academy oportuniza que os estudantes tenham uma formação de ponta, de excelência”, ressalta Sales.  

O Superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e do Tecnopuc, Jorge Audy, destaca: “O Apple Developer Academy é muito importante para o ecossistema de inovação da Universidade e do Estado do Rio Grande do Sul, principalmente no contexto da Rede Gaúcha de Ambientes de Inovação (Reginp), pois o Academy está aberto aos nossos parceiros e oferece oportunidades de formação para jovens de diversas Instituições de nosso Estado”.  

Sales conta que o Programa iniciou no Brasil em cinco locais, e hoje está em dez, distribuídos nas regiões do País. “Na região Sul, temos em Porto Alegre, no Tecnopuc, e em Curitiba. Com o sucesso do Programa, ele foi instalado também na Itália, depois na Indonésia e, há pouco tempo, a Apple anunciou o primeiro Academy nos Estados Unidos. E nós fomos um dos primeiros, então é bem importante ter uma parceira neste nível”, explica.

De acordo com Sales, o Programa iniciou com grandes turmas, compostas por 100 alunos, e o curso tinha a duração de um ano. “Vimos que era pouco tempo para ensinar muito de programação e para que os alunos iniciassem um projeto grande, que costuma levar mais de três ou quatro meses. Então, em 2017, a chave virou, reduzimos a turma para 50 alunos e o curso ficou em dois anos, foi uma grande mudança”, explica.

Com o passar do tempo, observando os projetos dos alunos, o Programa foi passando por outras mudanças. Segundo Sales, nos anos anteriores, os participantes aprendiam com a metodologia proposta, mas os responsáveis pelo Programa perceberam uma dificuldade quando os aplicativos chegavam à App Store. “Nós víamos que os alunos conseguiam se desenvolver bem, mas saía um aplicativo que não era tão bem acabado. Então tivemos a ideia de incorporar e trazer designers para dentro do Programa. Das 50 vagas que temos hoje, reservamos dez para designers, um em cada grupo”, explica.

O Programa usa a metodologia Challenge Based Learning (CBL), que consiste em aprender por meio de desafios. Para Sales, o método usado no Academy é um dos grandes diferenciais do curso. “Uma metodologia criada pela Apple e que é utilizada há um bom tempo em alguns lugares do mundo, mas que teve um grande sucesso quando implementamos no Academy. Tivemos liberdade para mexer, adaptar para o ensino de desenvolvimento de aplicativos. O grande diferencial dessa metodologia é que o aluno é o centro do processo de ensino-aprendizagem. Ele é o protagonista”, destaca.

Case de sucesso

Muitos alunos que se formam no Programa estão dispostos a empreender. Rafael Chanin, professor da Escola Politécnica da PUCRS, do Tecnopuc Startup e instrutor de empreendedorismo do projeto, chama atenção para o caso dos participantes que fundaram a empresa Kobe.  “O grupo participou de uma das primeiras turmas do Academy. Eles saíram do programa e montaram uma empresa. Hoje, a organização conta com mais de 30 funcionários, e já tem um faturamento milionário. Eles desenvolvem projetos para os Estados Unidos e outras partes do mundo”, conta Chanin.

Mais sobre a formação

A capacitação tem duração de dois anos, mas há programas em que o período é menor. O Academy funciona em duas fases: na primeira, os alunos recebem capacitação avançada em iOS. Já na segunda, um grande projeto final é desenvolvido.

No Brasil, estava notável a distância nos números entre as importações e as exportações na área dos aplicativos. Uma das justificativas era a baixa capacitação dos brasileiros para o desenvolvimento dos recursos. Foi para reverter o cenário que o Academy surgiu. O Programa, por meio de treinamento e capacitação dos alunos, tem o propósito de tornar o País uma das referências em desenvolvimentos de aplicativos para iOS.

Para Chanin, participar do Academy é uma oportunidade para que os alunos conheçam toda a tecnologia Apple e estejam prontos para o mercado de trabalho. “Seja desenvolvendo suas próprias startups ou sendo desenvolvedores de soluções Apple, eles se conectam com a equipe, com o time da Apple, com outros alunos do Programa em outras cidades e países do mundo. Eles crescem muito não só tecnicamente, mas também pessoalmente, e isso faz com que estejam no topo dos desenvolvedores para essas tecnologias”, explica Chanin.

Durante o Programa, os alunos têm contato com diferentes equipamentos da Apple. Assim como Chanin, Sales também destaca as diversas habilidades que o Academy procura desenvolver nos participantes. “O curso oferece ainda treinamento de apresentação, comunicação, marketing, vendas, e técnicas de como expor o produto. Isso dificilmente se encontra em um curso de graduação na área de tecnologia. Então os alunos que se inscrevem para o Academy enxergam que estão dando um grande salto na própria formação”, explica.

Os projetos desenvolvidos durante o Programa englobam todas as áreas. “Os alunos trabalham dentro de uma tecnologia chamada Challenge Based Learning, onde eles aprendem desenvolvendo projetos que impactam a vida deles. Muitos gostam de jogos, outros de projetos de impacto social ou ambiental. Essas são as duas verticais que mais tem destaque. Mas claro, já tivemos projetos em praticamente todas as áreas. Eles são livres para desenvolver ideias com as quais tenham algum tipo de engajamento e ligação”, conta.

Durante as edições do Programa, percebeu-se que, na grade curricular, alguns alunos não tinham contato com disciplinas de desenvolvimento de aplicativos. Por isso, o Academy também oferece atividades extracurriculares para auxiliar na adaptação daqueles que não tiveram contato com as tecnologias. Além disso, os alunos que já têm mais informações em relação aos recursos usados são convidados a compartilhar as experiências com os demais. Um dos pontos centrais do Apple Developer Academy é o foco na evolução dos alunos durante o processo de capacitação. Além do desempenho dos alunos, o Programa procura dar atenção à performance dos instrutores, isso ocorre por meio de levantamento de indicadores e atividades de avaliação e feedback.

 

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