Estudar a biodiversidade é atuar na preservação da vida e do meio ambiente

Mestrado e doutorado em Ecologia e Evolução da Biodiversidade fornecem conhecimentos fundamentais para a conservação dos ecossistemas

30/09/2020 - 14h58
Ecologia e Evolução da Biodiversidade, onça-pintada, meio ambiente

Onça-pintada (Panthera onca) está entre as espécies vulneráveis de extinção devido as alterações ambientais causadas pela humanidade / Foto: iStock

Nos últimos anos, estudos vêm apontando a preocupante diminuição da biodiversidade mundial. Uma pesquisa internacional realizada sobre o tema, publicada em 2016 na revista Science, alertou que a perda da biodiversidade ultrapassou o “limite seguro” em 58% da superfície terrestre. A supressão da fauna e da flora tem impactos não só no meio ambiente, como também na saúde da humanidade. 

Neste momento em que o planeta enfrenta uma crise de extinção em massa (com perda acelerada de espécies e ecossistemas inteiros), causada por ações humanas que precisam ser revertidas e/ou mitigadas urgentemente, é crítica a necessidade de mais estudos sobre a biodiversidade, pois é isso que embasa toda a tomada de decisão neste contexto”, destaca o professor Eduardo Eizirikcoordenador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade (PPG-EEB), da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da PUCRS. 

Eizirik ainda ressalta que o cenário brasileiro é um exemplo preocupante da extinção de espécies. “A perda de biodiversidade e de ecossistemas é um problema muito sério no País, vide o que estamos presenciando no momento com relação ao desmatamento e queimadas na Amazônia, no Pantanal e no Cerrado, mas também incluindo os demais biomas. Temos uma gigantesca biodiversidade e grande parte dela é ainda desconhecida (muitas das nossas espécies não foram sequer descritas para a ciência). Por isso, a destruição acelerada dos nossos ambientes está causando a extinção de várias espécies que ainda nem foram descobertas pela humanidade”, alerta o professor. 

Conhecimento interdisciplinar e internacional 

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Estudantes de mestrado e doutorado adquirem conhecimento interdisciplinar com possibilidades de internacionalização / Foto: iStock

O PPG-EEB possui como área de concentração a Ecologia e Evolução da Biodiversidade e desenvolve estudos nas linhas de pesquisa Ecologia AplicadaEcologia e Conservação, e Sistemática e Evolução. Estudantes de mestrado e doutorado podem realizar estudos que envolvem a descoberta, descrição e caracterização de espécies, as relações ecológicas entre si e com o ambiente, além de ameaças à sua sobrevivência. Os projetos de pesquisa podem se enquadrar em áreas como ecologia, história evolutiva, genética, genômica, morfologia, paleontologia, fisiologia, comportamento e biologia da conservação, e focam em diversos grupos de animais, plantas e microrganismos. 

“Na PUCRS temos um PPG que integra as diversas áreas das ciências da biodiversidade, incluindo disciplinas formativas, seminários e outras atividades inovadoras que preparam o pós-graduando para uma visão interdisciplinar, o que é cada vez mais a realidade no mundo atual”, comenta Eizirik. 

Além de laboratórios avançados, o Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade conta com docentes altamente qualificados, vinculados a redes internacionais de pesquisa. A internacionalização dos estudos viabiliza aos estudantes visitas e estágios em laboratórios de ponta de diversos países, bem como a interação com alunos/as do exterior dentro da PUCRSfavorecendo a construção de uma experiência acadêmica de excelência. Devido a atratividade do PPG-EEB, mais de 20% dos mestrandos e doutorandos matriculados no Programa nos últimos anos são provenientes de vários países da América Latina, Ásia e Europa. Com nota 5 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o PPG-EEB está com inscrições abertas para os cursos de mestrado e doutorado até o dia 30 de outubro.

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Pesquisas promovem a conscientização e a prevenção 

Segundo Eizirik, a pandemia do novo coronavírus evidenciou os problemas causados pela interação humana descontrolada e destrutiva com os ambientes naturais do planeta. “Esta pandemia teve origem a partir de um mamífero silvestre capturado e manipulado para consumo humano sem os cuidados sanitários adequados, e sem preocupação de sustentabilidade desta atividade de caça”, aponta o professor. 

Ele ainda destaca a importância das pesquisas científicas para conscientização da sociedade e prevenção de novas pandemias. “É fundamental que sejam intensificados os esforços para educar a humanidade sobre a compreensão da biodiversidade. Caso mantivermos comportamentos atuais, é provável o surgimento de outras pandemias, desse nível ou até piores”, avalia. 

Ecologia e Evolução da Biodiversidade, meio ambiente, bugio-ruivo

Macho adulto de bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans) / Foto: Júlio César Bicca-Marques

O estudo do doutorando Marco Antonio Barreto Almeida, do Laboratório de Primatologia do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade, sobre o espalhamento da febre amarela silvestre no Rio Grande do Sul é um ótimo exemplo. A pesquisa reuniu dados coletados durante o surto de 2008 e 2009 no Estado para entender fatores que influenciaram o espalhamento da doença entre os primatas não-humanos durante o surto, que matou nove pessoas e milhares de bugios (ruivos e pretos). 

Durante o surto de febre amarela, o Laboratório de Primatologiacoordenado pelo professor Júlio César Bicca-Marquestambém lançou a campanha online Proteja seu Anjo da Guarda, com o intuito de explicar o papel dos macacos na identificação de locais com a presença do vírus e parar as agressões sofridas pelos animais em decorrência da desinformação da população. “Os macacos são mais sensíveis ao vírus do que as pessoas e, portanto, são as principais vítimas da doença. Como eles começam a morrer antes do que as pessoas, são eficientes sentinelas da chegada do vírus da febre amarela em uma região. Isso permite que as autoridades de saúde disparem campanhas de vacinação pública”, ressalta Bicca-Marques. 

O coordenador do Laboratório de Primatologia também aponta que a febre amarela, assim como a Covid-19, é uma doença viral. No entanto, ele destaca que a febre amarela é conhecida há séculos pela humanidade e a infecção com o seu vírus ocorre via picada de um mosquito. O professor ainda salienta que outra diferença entre as duas viroses é a existência de uma vacina contra a febre amarela desde a década de 1930. “Apesar do alto nível de segurança dessa vacina e de sua disponibilidade gratuita no sistema de saúde nacional, mais de mil brasileiros, principalmente homens com idades entre 20 e 40 anos, morreram durante o surto de febre amarela silvestre que acometeu o sudeste do país entre 2016 e 2019. Infelizmente, muitas dessas vítimas menosprezaram a doença ao se negarem a receber a vacina, perderam a aposta contra o vírus e a própria vida, conclui Bicca-Marques.

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