Dia da Sobrecarga da Terra alerta para a necessidade de ações sustentáveis

A partir deste sábado, 22 de agosto, o planeta entra em déficit ecológico pelo alto consumo dos recursos naturais

21/08/2020 - 17h48
Dia da Sobrecarga da Terra

Fonte: Público / Global Footprint Network

Você já se questionou sobre como o seu consumo impacta o uso dos recursos naturais do planetaAnualmente, a Terra tem sido sobrecarregada pela aceleração no ritmo de utilização dos bens fornecidos pela natureza, entrando em déficit ecológico. Dia da Sobrecarga da Terra é uma data mundial que marca o momento em que a humanidade consumiu todos os recursos naturais que o planeta é capaz de renovar durante um ano. Em 2020, o déficit acontece a partir deste sábado, 22 de agosto.

O uso dos recursos é monitorado pela Global Footprint Network (GFN)de acordo com as Contas Nacionais de Pegada e Biocapacidade (NFA) baseadas em conjuntos de dados da Organização das Nações Unidas (ONU), com 15 mil pontos por país e por ano. Segundo a GFN, atualmente, para sustentar o consumo médio da humanidade, são utilizados os recursos de 1,6 planetas – o equivalente a 60% a mais da capacidade de renovação da Terra.

Há 15 anos o Dia da Sobrecarga da Terra não acontecia tão “tarde”. Em 2019, a data foi em 29 de julho – mais cedo que em todo o histórico do índice, medido desde 1970. A razão desse do “atraso” ocorrido em 2020, está na pandemia provocada pela Covid-19O distanciamento social contribuiu para diminuição da extração de madeira e das emissões de gás carbônico resultantes da combustão de combustíveis fósseis, ocasionando a mudança na trajetória da Pegada Ecológica (métrica de contabilização de recursos biológicos mais abrangente disponível). No entanto, ainda é preciso que a humanidade se direcione para ações sustentáveis a longo prazo. Confira o vídeo divulgado pela GFN sobre o Dia da Sobrecarga da Terra.

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O equilíbrio ecológico e social exige ações coletivas 

Para a Diretora Executiva da Global Footprint NetworkLaurel Hanscom, a pandemia tem demonstrado a necessidade de mudanças efetivas na busca pelo equilíbrio ecológico e social. “A humanidade tem estado unida pela experiência comum da pandemia e demonstrou como as nossas vidas estão interligadas. Ao mesmo tempo, não podemos ignorar a profunda desigualdade das nossas experiências nem as tensões sociais, econômicas e políticas que foram exacerbadas por esta catástrofe globalTornar a regeneração um elemento central dos esforços de reconstrução e recuperação tem o potencial para resolver desequilíbrios tanto na sociedade humana como na nossa relação com a Terra”, afirmou Laurel em um comunicado da GFN.

Na visão da a professora da Escola de Negócios Maira Petrini, coordenadora do Grupo de Pesquisa sobre Sustentabilidade e Negócios com Impacto Social, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Administração, para alcançarmos a sustentabilidade é preciso repensar as estruturas e os padrões adotados mundialmente. “O que a pandemia faz é descortinar as disfuncionalidades dos modelos econômicos atuais e nossos altos níveis de desigualdade e pobreza. Precisamos questionar alguns pontos que podem ter levado a issocomo o individualismo e a competição em detrimento da colaboração. Isso vale para as empresas, para as nações e para as sociedades, avalia.

Maira ainda destaca que construção de uma economia mais sustentável também passa pela ressignificação dos negócios. “A necessidade de as empresas encontrarem um propósito vinculado com o coletivo se tornou exponencial. O propósito engaja colaboradores, fideliza consumidores e constrói marcas fortes. Cada vez mais os negócios precisam mobilizar as pessoas, criando significados e laços de coletividade. E essa pressão vem da sociedade, da nova sociedade, das novas gerações que já nascem provocando e questionando um propósito maior”, aponta.

Seguiremos Juntos na busca pela sustentabilidade

Vista aérea da sede do Pró-Mata / Foto: Divulgação IMA

Vista aérea da sede do Pró-Mata / Foto: Divulgação IMA

A PUCRS, em consonância com seu Marco Referencial e de acordo com sua Missão, estabelece como princípios norteadores para a busca da sustentabilidade ambiental o contínuo estímulo à educação ambiental, envolvendo a comunidade em geral; a promoção de ambiente acadêmico-científico favorável para o desenvolvimento e disseminação de tecnologias para a redução dos impactos ambientais; e a contínua melhoria de seus procedimentos técnico-administrativos para a mitigação e prevenção dos impactos ambientais provenientes das suas ações, em concordância com a legislação ambiental vigente.

Atualmente, a Universidade conta com 84 projetos de pesquisa com foco no desenvolvimento Sustentável, além de realizar a capacitação de professores e técnicos administrativos por meio de 67 programas de eficiência energética.

Entre as ações, também se destaca a implementação e manutenção do Centro de Pesquisas e Conservação da Natureza P-Matauma área de conservação ambiental da PUCRS localizada em São Francisco de Paula, na serra gaúchaCom área aproximada de três mil hectares, o Pró-Mata recebe anualmente centenas de pesquisadores, professores e estudantes de diferentes instituições, brasileiras e internacionais. Desde a sua inauguração, são promovidas atividades de ensino, pesquisa e extensão sob a condução do Instituto do Meio Ambiente da PUCRS (IMA). “Através da conservação de campos e matas em área tão ampla, a PUCRS de destaca dentre as universidades de todo o mundo no seu compromisso com o meio ambiente, contribuindo de forma importante para a minimização do efeito estufa através da fixação de carbono atmosférico”, destaca o professor Nelson Fontoura, diretor do IMA.

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Fontoura também ressalta que a PUCRS é co-coordenadora de um projeto que visa melhorar o desempenho ambiental de instituições de ensino superior. Financiada pela Comunidade Europeia, através do Programa Erasmus+, a iniciativa reúne 14 instituições latinoamericanas e europeias. “Este projeto, iniciado em 2020, visa medir a pegada de carbono das universidades participantes, promover o ensino transversal de sustentabilidade, assim como mapear processos que possam ampliar a qualidade da gestão ambiental das instituições de ensino superior”, explica.

A Universidade ainda conta com um Comitê de Gestão Ambiental, com ações em 10 eixos principais no campus. “Nos últimos anos foram desenvolvidas inúmeras ações para a diminuição do consumo de água, a diminuição do consumo de energia, assim como a destinação adequada dos resíduos sólidos, que são separados em central específica e encaminhados para reciclagem. Todos os resíduos químicos e perigosos também são encaminhados para o descarte adequado. São ações que, em conjunto, refletem um grande compromisso com a sustentabilidade ambiental”, afirma o diretor do IMA.

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