Como escolher quem vai te orientar no mestrado ou doutorado?

Confira dicas e aprendizados de profissionais que já passaram por diferentes processos na pós-graduação da PUCRS

23/09/2020 - 17h53

Como escolher quem vai te orientar no mestrado ou doutorado? Uma das decisões mais importantes ao ingressar na pós-graduação é a escolha de qual docente vai acompanhar sua trajetória. Ficou com dúvidas? Quer saber o que pode e o que não pode? A professora que você queria não está disponível? Para responder essas e outras perguntas recorrentes, duas pessoas que entendem do assunto compartilham alguns aprendizados: Eduardo Eizirik, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade; e Litiéle dos Santos, mestranda em Engenharia e Tecnologia de Materiais. 

Mas antes, você sabe a diferença de mestrado e doutorado, que são cursos Stricto Sensu e estão com inscrições abertas até 30 de outubro, neste link; e MBA e especialização, do Lato Sensu? Os primeiros são focados em uma formação mais exploratória dos conhecimentos, enquanto os segundos são voltados para a aprendizagem de forma mais objetiva e aplicada. Ambos são diferenciais no currículo e, em alguns casos, exigências no mercado para profissionais. Preparamos um comparativo bem prático sobre o que muda de uma modalidade para a outra, confira: Pós-graduação Lato Sensu X Stricto Sensu: quais as diferenças?. 

Por onde começar? 

O primeiro passo é entrar em contato com o professor ou professora de interesse. Em alguns PPGs, a aceitação ou acordo prévio com quem vai te orientar é um critério para a aprovação no ingresso de mestrado e doutorado. Acesse a página do PPG e, na linha de pesquisa que você quer seguir, confira a lista de docentes que integram os projetos. 

Mesmo nos casos em que o pré-aceite não é necessário, conhecer o corpo docente e colegas é uma ótima maneira de entender o trabalho que é realizado na prática e alinhar expectativas. Outra sugestão é acessar algumas publicações do PPG e o currículo Lattes de docentes do programa para conhecer quem tem interesses de pesquisa mais alinhados aos seus. 

Leia também: Como funciona o processo seletivo de mestrado e doutorado

O papel de quem orienta 

A orientação influencia diretamente no desenvolvimento da pesquisa e dos/as estudantes. É o orientador ou a orientadora quem contribui – e frequentemente direciona em todas as etapas do processo, como: 

  • Escolha do tema de pesquisa; 
  • Delineamento do projeto; 
  • Obtenção de verbas para viabilizar a execução do projeto; 
  • Coleta, análise e interpretação dos dados; 
  • E até mesmo a redação da dissertação ou tese e a publicação de artigos, que podem ser veiculados em periódicos nacionais e internacionais. 

Isso varia entre os PPGs e tem diferenças para o mestrado e o doutorado. No mestrado é comum que estudantes tenham mais direcionamentos em várias etapas, enquanto no doutorado geralmente se espera mais autonomia dos/as alunos/as. 

O que levar em consideração 

Como escolher quem vai te orientar no mestrado ou doutorado?

Foto: Unsplash

Assim como mencionado no primeiro tópico, o diálogo é indispensável. Quanto mais informações você tiver, melhor. Afinal, serão anos de convivência e aprendizado em conjunto. Para saber se o seu projeto seria viável no momento, você pode tirar dúvidas sobre exemplos de trabalhos já realizados, metodologias, verbas já captadas, materiais disponíveis, entre outros aspectos. 

Leia também: Mestrado e doutorado: desvende o edital e entenda o processo seletivo

Posso escolher docentes de qualquer área? 

Se você cursou a graduação em uma área, mas quer fazer a pós-graduação em outra, não tem problema. Isso é bem frequente. Mas se você quer estudar em um PPG e ter a orientação de um professor ou professora de outro PPG, talvez isso não seja possível. É necessário que quem for responsável pela sua orientação esteja credenciado no mesmo PPG que você, mas também é comum que professores e professoras estejam credenciadas em mais de um PPG. 

Posso ter mais de uma pessoa me orientando? 

Você pode ter um orientador ou orientadora, do próprio PPG, mas também pode convidar alguém para coorientar o seu trabalho, que não precisa ser do PPG ou da Universidade. Há inclusive a possibilidade de convidar alguém de instituições do exterior, por exemplo.  

Em alguns casos existem comitês de acompanhamento, compostos pelo/a orientador/a e mais dois docentes que acompanham o desenvolvimento do projeto.

Leia também: 5 dicas: como expandir o conhecimento durante o mestrado e doutorado

Quero trocar de orientação… 

É possível. A coordenação do PPG avalia caso a caso e, em algumas situações, encaminha a troca de orientador ou orientadora. Não há um prazo limite para fazer a solicitação e é uma decisão que precisa ser muito bem pensada, mas o quanto antes for sinalizada, melhor será a solução 

É importante lembrar que, dependendo da área do PPG, trocar quem está te orientando significa trocar de projeto e tema de pesquisa, o que obrigaria você a ter que recomeçar 

Quem eu escolhi não está disponível, e agora? 

Isso também varia em cada PPG. Se a aceitação prévia for um critério de seleção, você pode ficar com a matrícula pendente, até que um/a docente aceite o seu projeto. Em outros casos, algum professor ou professora pode ser indicado para você, de acordo com a afinidade com o seu tema e pesquisa. 

Outro fator importante é que há um limite de vagas por orientador e orientadora. Por isso o quanto antes você entrar em contato com o PPG de interesse, maiores são as suas chances. Além de tirar uma boa nota na classificação, é claro. 

E afinal, é legal ter alguém para orientar? 

“A minha experiência está sendo bastante interessante e enriquecedora, estou aprendendo muito. As discussões são importantes e, na minha opinião, a orientação impacta diretamente no trabalho final. A experiência de quem é docente é um grande norteador em diversos momentos do processo. Isso sem falar que às vezes, por construir uma relação, acaba sendo também um suporte emocional, já que nem sempre as coisas funcionam como na teoria”, conta Litiéle. 

Ela enfatiza que o processo precisa fluir de forma prazerosa, eficiente e com base no respeito, como em qualquer outra relação. “A pós-graduação também nos torna profissionais mais independentes, pois o aluno ou aluna é quem deve puxar o movimento e ter proatividade”. 

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