Pesquisa sobre saúde mental busca melhorar a qualidade de vida da terceira idade

Estudos do pesquisador Alfredo Cataldo Neto auxiliam profissionais da saúde no manejo de problemas de depressão, sono e alcoolismo no envelhecimento

04/07/2022 - 16h06
Respeito não tem idade: o combate à violência contra idosos - Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa reforça a importância de promover ações de cuidado para este público - Unati PUCRS

Foto: Diego Cervo/Envalo Elements

O envelhecimento populacional brasileiro vem se acentuando consideravelmente nos últimos anos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE-2019), o número de idosos no Brasil chegou a 32,9 milhões, o que vem causado um aumento nas demandas sociais e econômicas. Pesquisas apontam que este movimento implica inclusive na mudança no perfil de adoecimento e traz repercussões para atenção à saúde e para políticas públicas, que enfatizam a promoção da saúde, a manutenção da autonomia e a valorização das redes de suporte social para esta população.  

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no Relatório Mundial de Saúde e Envelhecimento, o índice de pessoas com mais de 60 anos no Brasil deverá crescer muito mais rápido do que a média internacional. Além disso, enquanto a quantidade de idosos duplicará no mundo até o ano de 2050, ela quase triplicará no Brasil.  

Na PUCRS, o pesquisador da Escola de Medicina Alfredo Cataldo Neto desenvolve diversos estudos sobre envelhecimento saudável e patológico. O docente atua nas áreas de Psiquiatria e Psicanálise no Programa de Pós-Graduação em Gerontologia Biomédica e no Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS (IGG). Em países emergentes como o Brasil, ele explica que tem notado esse aumento populacional de pessoas idosas principalmente por conta das melhorias socioeconômicas, dos avanços da medicina, da eficácia das vacinas e do tempo de vida como um todo.  

Cataldo coordena o Grupo de Pesquisa Envelhecimento e Saúde Mental (GPESM), que se propõe a estimar a prevalência e a incidência de transtornos mentais, identificando manifestações clínicas, psicológicas, de personalidade e comportamentais que integrem fatores preditores, e manifestações precoces desses transtornos.

“Precisamos entender e compreender estes contextos para assegurar a qualidade de vida dos idosos que tem em um de seus pilares a saúde mental”, comenta. 

Envelhecimento e patologias psiquiátricas 

Quando a memória falha, é Alzheimer? - Atividade online promovida pela PUCRS abordará como retardar o avanço da doença, ter qualidade de vida e os novos tratamentos

A ciência tem sido uma importante aliada na busca por novos tratamentos para Alzheimer / Foto: Anna Schvets/Pexels

Na terceira idade, acontecem diversas mudanças na vida pessoal e profissional das pessoas, além disso, alguns sintomas físicos e psíquicos começam a surgir como a diminuição da visão, a perda ou aumento de peso, maior dificuldade para se locomover, perdas cognitivas e outros. De acordo com Cataldo, por mais que esse processo seja natural, vivenciar essas mudanças no corpo e no âmbito social podem afetar a saúde mental das pessoas idosas.  

Em um projeto multiprofissional, com a participação de pesquisadores da PUCRS em diferentes áreas da saúde e com uma amostra de idosos da comunidade de Porto Alegre, foram investigadas as principais patologias neuropsiquiátricas e constatado altos índices de depressão (30%), ansiedade (9%), alcoolismo (6,5%) e risco de suicídio (15%).  

Os estudos foram realizados com 578 indivíduos de 60 anos ou mais, participantes do programa Estratégia Saúde da Família (ESF) de Porto Alegre. Agentes de saúde treinados realizaram coleta de dados dos indivíduos durante as visitas domiciliares e o processo de avaliação diagnóstica psiquiátrica foi realizada por psiquiatras, no Hospital São Lucas da PUCRS.  

Dentre as conclusões da pesquisa, Cataldo destaca a associação significativa de que idosos com aumentado risco de suicídio e/ou depressão geriátrica tiveram em sua infância abusos e/ou negligência de seus cuidadores demonstrando mais uma vez a importância da infância “suficientemente boa” como pré-requisito para um ciclo de vida mais saudável. Esse trabalho orientado por Cataldo foi realizado em co-autoria com pesquisador suíço Armin Von Gunten e publicado no periódico International Psychogeriatrics e Child Abuse & Neglect. 

Ambulatório de Psiquiatria Geriátrica no Hospital São Lucas  

O Programa de Envelhecimento e Saúde Mental (PESM) é um programa assistencial, desenvolvido a partir de uma parceria entre o GPESM, Serviço de Psiquiatria do Hospital São Lucas e o IGG da PUCRS, para monitoramento e assistência da saúde mental de indivíduos a partir dos 60 anos. 

O trabalho acontece em parceria com os médicos que prestam assistência aos pesquisadores do GPESM, realizando uma avaliação ampla da saúde mental dos idosos. Novas áreas de pesquisas estão sendo desenvolvidas, como, por exemplo, a desprescrição de benzodiazepínicos utilizados inapropriadamente pelos idosos, assim como a influência de traços de personalidade e a adesão dos idosos aos medicamentos prescritos.   

Um exemplo destas novas áreas  está sendo desenvolvida em parceria  com o pesquisador da Escola Politécnica César Marcon, do PPG em Ciência da Computação da PUCRS, que é o desenvolvimento de um detector  de situações de risco para idosos (dispositivo eletrônico vestível tipo relógio).  

Pesquisas na PUCRS 

O professor Alfredo Cataldo possui uma trajetória de contribuições na área com pesquisas sobre depressão, ansiedade, alcoolismo, qualidade do sono, risco de suicídio entre outros. Nessa linha de pesquisa, Envelhecimento e Saúde Mental foram desenvolvidas 19 dissertações de mestrado, quatro teses de doutoramento, publicados 28 capítulos e dois livros em dez anos de atividade do Grupo de Pesquisa. De acordo com o docente, no Programa de Pós-Graduação em Gerontologia Biomédica, já concluíram seus estudos 19 mestres e 4 doutores neste programa com conceito 7 junto a CAPES.  

“Já realizamos muito e temos muito ainda a desenvolver para proporcionar qualidade de vida e saúde mental para os idosos brasileiros”, finaliza o pesquisador. 


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