Pesquisa encontra pedidos de fiéis em peças barrocas de 300 anos

Projeto será apresentado nesta sexta-feira em Alegrete

Por: Redação Ascom

17/11/2016 - 11h43
Pesquisa encontra pedidos de fiéis em peças barrocas de 300 anos

Fotos: Cristiane Weber – InsCer/RS / PUCRS

O Projeto de Arte Sacra-Jesuítico-Guarani da PUCRS, liderado pelo pesquisador e professor da Escola de Humanidades Edison Hüttner, acaba de realizar mais uma descoberta: a presença de ouro e pedidos de fieis em imagens sacras com idade estimada em 300 anos ou mais, pertencentes ao Museu de História Natural do Centro de Pesquisa e Documentação (Cepal) de Alegrete. A pesquisa foi apresentada à comunidade da cidade na sexta-feira, 18 de novembro, às 19h, no Cepal. As imagens foram analisadas no Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (InsCer/RS), em técnica de tomografia computadorizada, e no Laboratório Central de Microscopia e Microanálise da Universidade, para identificação de elementos como o ouro.

Pesquisa encontra pedidos de fiéis em peças barrocas de 300 anos

Analisando o percurso da arte sacra jesuítico-guarani do Rio Grande do Sul, o pesquisador afirma que a atual etapa compreende a análise das imagens de Santo Antônio e Imaculada Conceição, peças de aproximadamente 20 centímetros que se caracterizam por esculturas missioneiras, ambas confeccionadas em madeira cedro. As peças foram analisadas a partir de 2015, quando se iniciou a investigação sobre suas origens. “As características apontam para uma arte barroca, em policromia, muito bem confeccionadas. E essas análises comprovam nossa tese de que são missioneiras”, afirma Hüttner.  Ao trazer as peças para Porto Alegre, ele observou os indícios de ouro analisados no laboratório e posteriormente, no InsCer, foram encontrados outros sinais. “Nesta tomografia, observou-se a parte oca das peças. Dentro de Santo Antônio, encontramos papéis com nomes de pessoas, entre pedidos como bênçãos, casamentos e encontro de objetos perdidos”. Já na imagem de Imaculada Conceição foram encontrados orifícios que indicam uma origem missioneira, como pontos que abrigavam a luz crescente, presente nessas peças.

Segundo Hüttner essas imagens eram andarilhas, levadas para diferentes lugares como forma de extensão do espaço sagrado. “Eles passeavam com essas imagens entre casas ou mesmo nas Igrejas”.