Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Cursos,Especialização,Extensão,MBA,Idiomas,Educação,Vestibular,Pós-Graduação,Educação

Cursos

Graduação

Pós-Graduação

MBA

Vestibular

Artigo: Fotojornalismo como objeto do terrorismo

Artigo do professor Eduardo Seidl

Por: Eduardo Seidl - jornalista e professor de Fotojornalismo da PUCRS

01/03/2016 - 15h22
Foto: Joana Berwanger/Famecos/PUCRS

Foto: Joana Berwanger/Famecos/PUCRS

Quando vemos fotografias de violência, como as de atentados terroristas, nos perguntamos, ou nos perguntam: é ético publicar cenas explícitas de violência?

A fotografia tem vocação testemunhal. Mesmo com a consciência da possibilidade de manipulação da imagem, vemos a fotografia, como as dos atentados em Jacarta em janeiro, de Ancara agora em fevereiro, com a convicção de que “isso aconteceu”.

Sobre a questão ética do uso dessas fotos, deveríamos pensar na condição da vítima que agoniza no asfalto da capital da Indonésia? Ou na integridade emocional de quem lê o jornal no conforto da sua casa?

A imagem da fotógrafa Nilüfer Demir do menino sírio Aylan precisava ser vista ou foi sensacionalismo, por conta de um intrínseco fetiche humano diante da dor dos outros, como aponta Susan Sontag em livro homônimo?

Sensacionalismo é fotojornalismo sem contextualização. É propagar estereótipos comuns. É combater extremismo religioso com nacionalismo patriótico. Um mundo globalizado deve ser no sentido amplo, solidário. Precisamos ser conscientes de que o consumo aqui influencia a qualidade de vida no outro lado do mundo. Basta olharmos as etiquetas de roupas vendidas em Porto Alegre ou em outra parte. Fabricadas na China, Vietnã, Índia, sem condições humanas de trabalho, como mostrou a fotografia de Taslima Akhter, da indústria têxtil desmoronada em Bangladesh, premiada no Word Press Photo 2014.

Se essas imagens incomodam, o acontecimento que as gera também tem que incomodar. A fotografia contextualizada cumpre a função social do jornalismo. O terrorismo em si é um ato de comunicação. Deixar essas fotografias propagarem medo sem informação de quem, por que e quem querem atingir especificamente é deixar que o fotojornalismo seja parte do ato terrorista, com maior alcance do que estilhaços. O ataque às Torres Gêmeas não queria atingir os prédios especificamente.

Queria a imagem do WTC em chamas caindo em Manhattan. Não depende de aceitar as imagens ou repudiá-las. Devemos utilizá-las como ferramenta de conscientização e nos perguntar com profundidade: por que isso está acontecendo?