Geração Z: estudo analisa comportamento de “jovens quarentenados”  

Rotina pessoal, trabalho e estudos, família e amigos e percepção do futuro foram os temas analisados na pesquisa da PUCRS

21/10/2020 - 13h28

Foto: Nappy

61% dos jovens discordam que a sociedade estará preparada para uma situação futura semelhante, no caso, em relação à pandemia da Covid-19. Este é um dos levantamentos do Jovens Quarentenados, estudo desenvolvido pelo Projeto de Pesquisa de Mercado em Publicidade e Propaganda da Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos da PUCRSA pesquisa completa pode ser conferida neste link.

Com a coleta de dados realizada durante o mês de junho, o estudo visa entender como o jovem de 18 a 24 anos percebe as suas principais relações no período de isolamento social e como se darão as mudanças das relações para o futuro pós-isolamento. Os temas foram divididos em rotina pessoal, trabalho e estudos, familiares e amigos e percepção de futuro.   

Neste estudo participaram 250 jovens da Geração Z (nascidos entre a segunda metade dos anos 1990 até o início do ano 2010) residentes em Porto Alegre e região metropolitana. “Foi interessante entender todas as adaptações que o isolamento social exige, como também traçar o perfil de comportamento dos jovens. Esperamos que essa pesquisa possa servir como base para que o mercado de trabalho compreenda e esteja a par da grande capacidade que o jovem tem de se adaptar”, destaca Vinicius Silveira, um dos alunos da PUCRS envolvidos no levantamento. Também participaram deste levantamento os estudantes Artur Neves, Bruna Ribeiro, Gabrhyel Torma, João Pedro Moritz, Pietro Demichei e Thiarles Muniz.  

Para o professor da Universidade e orientador do estudo, Ilton Teitelbaumessa geração apresentou uma mudança radical de rotina, tendo uma necessidade de permanecer em casa mais tempo do que costumam (ou até desejam), mesmo que sejam “nativos digitais”. “Pessoas que estão no início de suas trajetórias veem sonhos sendo adiados, têm uma sensação de ano perdido e um crescimento ainda mais acentuado das dúvidas que naturalmente povoam suas mentes sempre efervescentes. O resultado disso é um sentimento ainda maior de indefinição quanto ao futuro e uma descrença na possibilidade de que o mundo seja melhor, mais saudável ou respeitoso quando tudo isso passar”, aponta.   

Foto: StartupStockPhotos

Rotina pessoal   

50% dos jovens se consideram mais “rolezeiros”, ou seja, preferem exercer atividades fora de casa. Somados com os 38%, que consideram gostar igualmente de ficar em casa e de sair, o total é de 88% de jovens que pautam as suas relações diárias em atividades externas. Apenas 11% preferem passar o seu tempo em casa.   

As cinco atividades mais praticadas antes do isolamento estão: bar e restaurante (51%), festas (37%), shopping (33%), esportes (28%) eparques (25%). Já as cinco menos praticadas antes do isolamento são filmes com amigos (18%), dormir (15%), videogames (15%),museus (7%) e ler jornal e revista (3%).    

75% das pessoas entrevistadas concordam que estão passando mais tempo em redes sociais. A busca por novas formas de entretenimento fez com que, além de assistir uma grande variedade de lives, muito jovens criaram contas em mídias sociais para se distrair e informar.  

Trabalho e estudos   

97% dos entrevistados exercem atividades remuneradas e precisaram se adaptar em virtude da pandemia, sendo que, destes, 95% trabalham e estudam. Esses números apontam que existe uma adaptação total na rotina, o que exige mais tempo de conexão com colegas de trabalho e faculdade.   

90% dos respondentes adotaram o trabalho remoto durante o período de isolamento social. Considerando uma rotina média de seis horas de trabalho, três horas em aula e mais uma hora em estudo extraclasse, estima-se que o jovem passa, em média, 10 horas em frente ao computador. 

78% dos jovens apontam instabilidade em relação a gestão de pessoas nas empresas em que trabalham. Os participantes também indicaram alguma angústia ou medo em relação ao seu desempenho profissional.   

Foto: Nappy

Amigos e família   

48% revelaram que a relação familiar não mudou. Mais de 30% apontaram que a convivência alterou para melhor e 16% mudou para pior.   

A grande maioria dos jovens revelaram que estão passando o isolamento social em família, com pais, irmãos e outros integrantes da família. Com os pais são 79% e namorados 25%, contra 3% com amigos.   

62% dos participantes responderam que a sua privacidade foi afetada no isolamento, 22% invadida de forma mediana e 16% de maneira mínima.   

Mais de 60% dos jovens revelaram que a relação com os amigos continua a mesma. A falta de contato físico não afetou as amizades, já que pode ser compensado com as mídias sociais.   

97% revelaram utilizar redes sociais para manter contato com seus amigos. A falta de manter contato, saber o que se passa nas vidas de seus amigos, faz com que o uso de aplicativos seja muito importante para a interação social no presente momento em que não se pode ter contato físico. 

Para se comunicar, o WhatsApp, o Instagram e as videochamadas são os meios mais utilizados entre os jovens para manter o contato.   

Percepção do futuro   

73% dos jovens acreditam que não a sociedade não sairá dessa situação da mesma forma a qual entrou. Em relação às medidas mais adotadas nesse período, com o uso do álcool gel, uso de máscaras e higienização e dos ambientes e objetos, 50% dos entrevistados acreditam que será uma herança que a pandemia irá deixar para a sociedade.   

De forma geral, após a pandemia, as relações serão afetadas para melhor, com 46% concordando, 42% nem concordando e discordando e 12% discordando. O que pode significar que, independente do distanciamento social, as relações permanecem as mesmas, provavelmente pelo uso das redes sociais.

Questionados sobre o pós-pandemia, se o mundo será um lugar melhor para viver, 49% discordaram, 40% acreditam que não sofrerá alteração e 11% indicaram que haverá uma mudança positiva. Sobre a economia brasileira, 80% dos entrevistados possuem a crença de que será recuperada entre cinco a 10 anos.