Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Cursos,Especialização,Extensão,MBA,Idiomas,Educação,Vestibular,Pós-Graduação,Educação

Cursos

Graduação

Pós-Graduação

MBA

Vestibular

Estudo analisa a expansão do vegetarianismo entre os jovens

Pesquisa realizada na Famecos aponta que a preocupação com o meio ambiente é a maior motivação para a adesão de hábitos alimentares sem carne

16/10/2020 - 15h43
vegatarianismo, famecos, pesquisa

Vegetarianismo tem se destacado entre as novas gerações / Foto: iStock

Cerca de 14% da população brasileira se declara vegetariana de acordo com levantamentos realizados em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). A porcentagem representa um aumento de 75% desde 2012, chegando a aproximadamente 30 milhões de pessoas que passaram a aderir hábitos alimentares sem carne no País. No Rio Grande do Sul, 10% da população é adepta à alimentação vegetariana ou vegana, e o Estado já é o 3º com mais inscritos no site Mapa Veg.  

Comemorado nesta sexta-feira, 16 de outubro, o Dia Mundial da Alimentação busca conscientizar a população sobre a importância da nutrição e alimentação adequada. Dentre os hábitos alimentares que ganharam popularidade nos últimos anos, o vegetarianismo tem se destacado, principalmente entre as novas gerações. Para entender a expansão desse cenário, estudantes da Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos desenvolveram uma pesquisa que analisa as tendências de comportamentos alimentares de jovens. 

“Sabemos que a comida tem um grande papel social. Família, amigos e tradições locais influenciam diretamente no comportamento alimentar. O que vimos com o estudo é que os hábitos estão mudando e essa tendência é muito forte. Os respondentes da pesquisa acreditam nisso e afirmaram que o consumo de carne vai diminuir bastante nos próximos anos”, comenta Fernanda Koiky, aluna do curso de Publicidade e Propaganda e uma das responsáveis pelo desenvolvimento do levantamento.  

estudo foi realizado pelas estudantes Cristiane Andrade, Fernanda KoikyGabrielly Souza, Julia Rocha, Laura Giordani e Maria Luiza Olsson, na disciplina de Projeto de Pesquisa em Publicidade e Propaganda, ministrada pelo professor Ilton Teitelbaum. A pesquisa contou com a participação de mais de 250 pessoas entre 18 e 24 anos, moradores de Porto Alegre e da região metropolitana. 

Motivações e dificuldades 

vegatarianismo, famecos, pesquisa

Consumo de carne pela família é o principal empecilho para a adesão de hábitos alimentares vegetarianos / Foto: iStock

O levantamento apontou que para 86,30% dos jovens entrevistados principal motivação para adesão ao vegetarianismo é a preocupação com o meio ambiente. Outra causa destacada pelo estudo é a proteção aos animais – 80,82% dos jovens apontam que retiraram as carnes das refeições para diminuir os maus tratos. A preocupação com a própria saúde, porém, não está entre as maiores motivações. Apenas 33,56% dos jovens responderam que a relação entre a dieta sem carne e a saúde é um dos motivos para a aderência ao vegetarianismo. 

A pesquisa também destacou que para a maioria dos jovens (60,87%) o principal empecilho para que se tornem vegetarianos é o consumo de carne pela família. A falta de vontade de aderir ao vegetarianismoo apego à culinária tradicional da região e a dificuldade de cozinhar ou encontrar alimentos sem origem animal também são empecilhos ressaltados. 

Apesar das dificuldades, mais de 86% dos jovens consideram importante o aumento da adesão ao vegetarianismo, principalmente por questões relacionadas ao meio ambiente. 

Pela causa ambiental 

A pesquisa destaca que entre os problemas ambientais causados pela atividade pecuária estão o efeito estufa, as mudanças climáticas, o desmatamento e a poluição das águas. Segundo os dados, para produzir apenas um quilo de carne bovina, são utilizados de 10 mil a 20 mil litros de água. A minha maior motivação para optar pelo vegetarianismo foi a causa ambiental. Gasto de água e poluição na camada de ozônio são consequências que a indústria bovina causa para o mundo”, destaca um dos jovens entrevistados durante o estudo realizado pela Famecos. 

vegatarianismo, famecos, pesquisa

Mídias sociais ampliaram o acesso a conteúdos de conscientização / Foto: iStock

Maior acesso à informação favorece a mudança de hábitos 

De acordo com o levantamento, para os jovens o vegetarianismo não se trata de um modismo, e sim de uma identificação com princípios. Para os entrevistados, o aumento da adesão às dietas sem carne é resultado de uma construção, visto que o tema é uma pauta presente há bastante tempo. A pesquisa também ressalta que o fácil acesso à informação, ampliado pelas plataformas digitais, favorece que a população encontre conteúdos que promovem a conscientização.  

Entre os jovens vegetarianos, as mídias sociais são a principal fonte de informação (76,7%). Outras fontes com destaque são os profissionais de saúde (50%), sites de busca (41%) e canais do YouTube (37,7%). 

A pesquisa ainda aponta que a presença de influenciadores digitais, artistas e ativistas da causa vegetariana nas redes sociais pode ser um fator que contribui para a mudança no comportamento alimentar dos jovens. 

Saúde física e financeira 

Segundo dados do estudo, o impacto financeiro da adesão ao vegetarianismo é positivo. A maioria dos participantes ressaltaram que a eliminação da carne, um dos produtos com maior peso financeiro dentro da alimentação, tem diminuído gastosEntre as dificuldades relatadas pelos jovens vegetarianos, a questão financeira representa apenas 15,75%. Já entre os entrevistados declarados carnívoros, somente 11,3% apontaram que não possuiriam condições financeiras para aderir a dieta sem carne. 

A saúde física também é um benefício destacado pela pesquisa. De acordo com os dados, diminuir o consumo de produtos de origem animal reduz o risco de diabetes, pressão alta e dores de artrite. Além disso, pessoas que optam pelo vegetarianismo têm 42% menos chance de morte em decorrência de doenças cardíacasPorém, o estudo salienta que é necessário manter uma orientação profissional frequente, checando os níveis de vitaminas e nutrientes. Sem acompanhamento médico adequado e uma alimentação balanceada, a dieta vegetariana sozinha não é sinônimo de saúde. 

Leia também: Sustentabilidade cresce entre os jovens brasileiros, aponta estudo