Análises de Solventes, Gases e Pesticidas em Amostras Biológicas
A preocupação em evitar o surgimento de doenças decorrentes da exposição dos indivíduos a agentes químicos no ambiente de trabalho conduziu à tomada de medidas de prevenção. Estas são a base da monitorização biológica e consistem em verificar se a concentração destes agentes ou de seus metabólitos no organismo dos trabalhadores está dentro dos níveis estabelecidos por órgãos governamentais ou pela comunidade científica. Os indicadores biológicos de exposição e os índices biológicos máximos permitidos são determinados por meio de estudos epidemiológicos, experimentais e casos clínicos. No Brasil, a Norma Regulamentadora nº 7 (NR-7) de 29 de dezembro de 1994 da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho, estabelece os parâmetros biológicos para controle da exposição a agentes químicos. Conforme esta Portaria, todos os empregados e instituições que admitam trabalhadores como empregados são obrigados a elaborar e implementar o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). O referido programa tem por objetivo promover e preservar a saúde dos trabalhadores.
A monitorização biológica complementa o monitoramento ambiental e a vigilância à saúde, considerando-se que determina a exposição global diretamente no indivíduo e detecta efeitos precoces e reversíveis, proporcionando uma melhor estimativa de risco.
Análises Laboratoriais
Agentes Químicos
Anilina
Chumbo Inorgânico
Diclorometano
Estireno
Etilbenzeno
Fenol
Monóxido de Carbono
n-Hexano
Nitrobenzeno
Pesticidas Organofosforados e Carbamatos
Tolueno
Tricloroetano e Tricloroetileno
Xilenos
Agente Químico
Anilina
Indicador Biológico
Metemoglobina
Toxicidade:
A absorção ocorre principalmente pelas vias respiratória e dérmica. Produz hipóxia devido à formação de metemoglobina. Atua como depressor do sistema nervoso central e, nas exposições crônicas, pode produzir lesão de córnea, cefaléia, debilidade, irritabilidade, sonolência, dispnéia e perda dos sentidos.
Coleta:
Colher amostra de sangue após jornada de trabalho (pode-se fazer a diferença entre pré e pós-jornada). Utilizar tubo a vácuo com heparina. Não manipular a amostra.
Volume necessário:
5 ml
Conservação:
Manter a amostra sob refrigeração a 4°C. Enviar ao Laboratório imediatamente após a coleta.
Método Analítico:
Espectrofotometria
Valor de Referência da Normalidade:
Até 2,0 % (NR-7)
Índice Biológico Máximo Permitido:
5,0% (NR-7)
Agente Químico
Chumbo Inorgânico
Indicador Biológico
ALA-U (Ácido Delta-aminolevulínico Urinário)
Toxicidade:
As vias de absorção do chumbo são respiratória, dérmica e digestiva; em relação à exposição ocupacional, a via mais importante é a respiratória. Apresenta efeito cumulativo no organismo. Intoxicações crônicas causam anemia, cefaléia, fadiga, irritabilidade, distúrbios visuais, alterações sensoriais e renais, além de dores nos ossos e músculos. Podem surgir dores abdominais semelhantes ao quadro de abdômen agudo, acompanhadas de náuseas, vômitos e perda de peso. Nas intoxicações agudas ocorre cefaléia intensa, convulsões e delírios, podendo provocar a morte.
Coleta:
Colher urina a partir de um mês de exposição. Não coletar amostras às segundas-feiras. Horário de coleta não é crítico.
Volume necessário:
50 mL em frasco de vidro âmbar ou de polietileno.
Conservação:
Manter sob refrigeração a 4oC.
Método Analítico:
Espectrofotometria
Valor de Referência da Normalidade:
Até 4,5 mg/g de creatinina (NR-7)
Índice Biológico Máximo Permitido:
10 mg/g de creatinina (NR-7)
Agente Químico
Diclorometano
Indicador Biológico
Carboxiemoglobina
Toxicidade:
O diclorometano é facilmente absorvido pelas vias respiratória e dérmica. É um depressor do sistema nervoso central e irritante de mucosas. Produz monóxido de carbono no organismo, o que impossibilita o transporte do oxigênio para os tecidos, provocando hipóxia. Possui potencial mutagênico.
Coleta:
Colher amostra de sangue após jornada de trabalho (pode-se fazer a diferença entre pré e pós-jornada). Utilizar tubo a vácuo com heparina para coleta. Não manipular a amostra.
Volume necessário:
5 mL
Conservação:
Colocar a amostra sob refrigeração a 4oC, imediatamente após a coleta.
Método Analítico:
Espectrofotometria
Valor de Referência da Normalidade:
Até 1,0% para não-fumantes (NR-7)
Índice Biológico Máximo Permitido:
3,5% para não-fumantes (NR-7)
Agente Químico
Estireno
Indicadores Biológicos:
Ácido Mandélico e Ácido Fenilglioxílico
Toxicidade:
A principal via de absorção é a respiratória, porém também pode ocorrer penetração pela pele. Em uma intoxicação aguda, o estireno atua principalmente sobre o sistema nervoso central, e a exposição crônica pode provocar câncer.
Coleta:
Colher urina no final da jornada de trabalho.
Volume necessário:
50 mL em frasco de polietileno
Conservação:
Manter sob refrigeração a 4oC.
Método Analítico:
Cromatografia a Gás
Valor de Referência da Normalidade:
Geralmente não encontrados na urina de indivíduos não-expostos (NR-7)
Índice Biológico Máximo Permitido:
Ácido Mandélico: 0,8 g/g de creatinina (NR-7);
Ácido Fenilglioxílico: 240 mg/g de creatinina (NR-7)
Agente Químico
Etilbenzeno
Indicador Biológico
Ácido Mandélico
Toxicidade:
A principal via de absorção é a respiratória. Na forma líquida pode penetrar através da pele. Tem ação irritante e o contato repetido pode provocar dermatite, diminuição das habilidades manuais e prolongamento do tempo de reação. A exposição aguda pode produzir irritação das vias aéreas superiores seguida de narcose, calafrios e parada respiratória.
Coleta:
Colher urina no final da jornada de trabalho.
Volume necessário:
50 mL em frasco de polietileno
Conservação:
Manter sob refrigeração a 4oC.
Método Analítico:
Cromatografia a Gás
Valor de Referência da Normalidade:
Geralmente não encontrado na urina de indivíduos não-expostos (NR-7)
Índice Biológico Máximo Permitido:
1,5 g/g de creatinina (NR-7)
Agente Químico
Fenol
Indicador Biológico
Fenol
Toxicidade:
O fenol é facilmente absorvido através das mucosas e da pele. Como é corrosivo, pode causar severa ulceração e queimaduras de até terceiro grau. Após exposições repetidas, a pele pode apresentar uma despigmentação localizada. Os efeitos sistêmicos podem ocorrer como conseqüência de qualquer via de exposição e, em casos graves de intoxicação aguda e crônica, incluem transtornos digestivos, disfunção do sistema nervoso, palidez, sudorese, cefaléia, vertigens e fraqueza. Lesão renal tem sido igualmente descrita.
Coleta:
Colher urina no final da jornada de trabalho (pode-se fazer a diferença entre pré e pós-jornada).
Volume necessário:
50 mL em frasco de vidro âmbar ou de polietileno
Conservação:
Manter sob refrigeração a 4oC.
Método Analítico:
Cromatografia a Gás
Valor de Referência da Normalidade:
Até 20 mg/g de creatinina (NR-7)
Índice Biológico Máximo Permitido:
250 mg/g de creatinina (NR-7)
Agente Químico
Monóxido de Carbono
Indicador Biológico
Carboxiemoglobina
Toxicidade:
A via mais importante de absorção é a respiratória. O monóxido de carbono se une a hemoglobina do sangue formando carboxiemoglobina, provocando hipóxia. A exposição crônica pode provocar efeitos decorrentes da hipóxia, como cefaléia, fadiga, náuseas, dificuldade respiratória e taquicardia.
Coleta:
Colher amostra de sangue após jornada de trabalho (pode-se fazer a diferença entre pré e pós-jornada). Utilizar tubo a vácuo com heparina. Não manipular a amostra.
Volume necessário:
5 mL
Conservação:
Colocar a amostra sob refrigeração a 4oC, imediatamente após a coleta.
Método Analítico:
Espectrofotometria
Valor de Referência da Normalidade:
Até 1,0% para não fumantes (NR-7)
Índice Biológico Máximo Permitido:
3,5% para não fumantes (NR-7)
Agente Químico
n-Hexano
Indicador Biológico
2,5-Hexanodiona
Toxicidade:
As principais vias de absorção são a respiratória e a dérmica. Pode provocar irritação dérmica (eritema e hiperemia) e das vias aéreas superiores (tosse e dificuldade respiratória). É depressor do sistema nervoso central, e a exposição crônica pode provocar neuropatia periférica, diminuição da memória e da função visual, confusão mental e tonturas.
Coleta:
Colher urina no final da jornada de trabalho.
Volume necessário:
50 mL em frasco de polietileno
Conservação:
Congelar amostra logo após a coleta.
Método Analítico:
Cromatografia a Gás
Valor de Referência da Normalidade:
Geralmente não encontrado na urina de indivíduos não-expostos (NR-7)
Índice Biológico Máximo Permitido:
5,0 mg/g de creatinina (NR-7)
Agente Químico
Nitrobenzeno
Indicador Biológico
Metemoglobina
Toxicidade:
O nitrobenzeno pode ser absorvido pelas vias respiratória e dérmica. Atua como depressor do sistema nervoso central e apresenta ação metahemoglobinizante, provocando cianose. Em exposições crônicas pode produzir irritação ocular, lesões de baço e fígado e quadro de anemia.
Coleta:
Colher amostra de sangue após jornada de trabalho (pode-se fazer a diferença entre pré e pós-jornada). Utilizar tubo a vácuo com heparina. Não manipular a amostra.
Volume necessário:
5 mL
Conservação:
Manter a amostra sob refrigeração a 4oC. Enviar ao Laboratório imediatamente após a coleta.
Método Analítico:
Espectrofotometria
Valor de Referência da Normalidade:
Até 2,0 % (NR-7)
Índice Biológico Máximo Permitido:
5,0% (NR-7)
Agentes Químicos:
Pesticidas Organofosforados e Carbamatos
Indicador Biológico
Colinesterase Plasmática
Toxicidade:
A absorção se dá por todas as vias uma vez que são, em sua maioria, líquidos e altamente lipossolúveis. São inibidores da colinesterase, sendo que a exposição excessiva a estes pesticidas provoca um quadro de intoxicação colinérgica caracterizada por náuseas, vômitos, diárreia, sudorese, salivação, broncoespasmo, tremores e convulsões. Os pesticidas organofosforados são inibidores irreversíveis da acetilcolinesterase, enquanto os carbamatos são inibidores reversíveis.
Coleta:
Colher amostra de sangue total heparinizado, após exposição mínima de quatro semanas. Utilizar tubo a vácuo ou seringa plástica com heparina.
Volume necessário:
5 mL
Conservação:
Colocar a amostra sob refrigeração a 4oC, imediatamente após a coleta. Enviar ao laboratório em um prazo máximo de 12 horas
Método Analítico:
Espectrofotometria
Valor de Referência da Normalidade:
Determinar a atividade pré-ocupacional
Índice Biológico Máximo Permitido:
Depressão de 50% em relação a atividade inicial da enzima (NR-7)
Agente Químico
Tolueno
Indicador Biológico
Ácido Hipúrico
Toxicidade:
O tolueno penetra no organismo principalmente por via respiratória, onde atua como irritante. Sua ação predominante é depressão do sistema nervoso central. Manifestações sistêmicas decorrentes da exposição cutânea a vapores de tolueno são pouco prováveis. O contato prolongado com a pele provoca ressecamento, fissuras e dermatites. A exposição crônica pode causar distúrbios psíquicos e doenças neurológicas. Na literatura existem relatos de casos de anemias que reverteram após cessada a exposição.
Coleta:
Colher urina no final da jornada de trabalho (pode-se fazer a diferença entre pré e pós-jornada).
Volume necessário:
50 mL em frasco de vidro âmbar ou de polietileno
Conservação:
Manter sob refrigeração a 4oC.
Método Analítico:
Cromatografia a Gás
Valor de Referência da Normalidade:
Até 1,5 g/g de creatinina (NR-7)
Índice Biológico Máximo Permitido:
2,5 g/g de creatinina (NR-7)
Agentes Químicos:
Tricloroetano e Tricloroetileno
Indicador Biológico
Triclorocompostos Totais
Toxicidade:
São absorvidos por via respiratória e cutânea e possuem ação irritante e depressora do sistema nervoso central. De acordo com a exposição, o tricloroetano determina conjuntivite moderada e o tricloroetileno instala neuropatia periférica.
Coleta:
Colher urina após o final do último dia de jornada semanal.
Volume necessário:
50 mL em frasco de polietileno
Conservação:
Manter a amostra sob refrigeração a 4oC.
Método Analítico:
Espectrofotometria
Valor de Referência da Normalidade:
Geralmente não encontrados na urina de indivíduos não-expostos (NR-7)
Índice Biológico Máximo Permitido:
40 mg/g de creatinina para exposição ao tricloroetano e 300 mg/g de creatinina para exposição ao tricloroetileno (NR-7)
Agente Químico
Xilenos
Indicador Biológico
Ácido Metil-Hipúrico
Toxicidade:
A principal via de penetração é a respiratória, mas também é absorvido através da pele íntegra nas formas líquida e de vapor. Exerce ação tóxica sobre o sistema nervoso central e fígado, sendo ainda irritantes para as mucosas, pele e olhos. A exposição crônica da pele provoca fissuras e dermatites. Os distúrbios hematológicos encontrados são anemias, com diminuição da hemoglobina e das hemácias.
Coleta:
Colher urina no final da jornada de trabalho.
Volume necessário:
50 mL em frasco de vidro âmbar ou de polietileno
Conservação:
Manter sob refrigeração a 4oC.
Método Analítico:
Cromatografia a Gás
Valor de Referência da Normalidade:
Geralmente não encontrado na urina de indivíduos não-expostos (NR-7)
Índice Biológico Máximo Permitido:
1,5 g/g de creatinina (NR-7)
Glossário:
Indicador Biológico - compreende todo e qualquer agente químico ou seus produtos de biotransformação, assim como qualquer alteração bioquímica, cuja detecção no ar exalado, fluidos ou tecidos avalie a intensidade da exposição, absorção, acumulação ou efeito do agente químico.
IBMP - Índice Biológico Máximo Permitido- é o valor máximo do indicador biológico para o qual se supõe que a maioria das pessoas ocupacionalmente expostas não corre risco de danos à saúde. A ultrapassagem deste valor significa exposição excessiva.
Monitorização Biológica - medida e avaliação de agentes químicos ou produtos de biotransformação nos tecidos, secreções, excreções ou qualquer combinação destes para estimar a exposição e o risco à saúde, por comparação com uma referência apropriada.
NR-7 - Norma Regulamentadora nº 7, que regulamenta a implantação do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional.
PCMSO - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
VR - Valor de Referência da Normalidade, valor possível de ser encontrado em populações não-expostas ocupacionalmente.