21/05/2020 - 08h49

Teste da Covid-19: Fapergs fomenta parceria entre CPBMF e Quatro G, localizadas no Tecnopuc

A união tem como propósito desenvolver teste com produtos e tecnologias nacionais

WhatsApp Image 2020-05-20 at 14.50.06Centro de Pesquisas em Biologia Molecular e Funcional (CPBMF) da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da PUCRS e a empresa Quatro G, que desenvolve e comercializa produtos de biologia molecular, fecharam uma parceria para desenvolvimento de um kit de detecção do Coronavirus por PCR em tempo real com produtos e tecnologias nacionais. As duas organizações estão localizadas no Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc).

O diretor do Tecnopuc, Rafael Prikladnicki, afirma que “a pandemia tem gerado diversas oportunidades para inovar, em especial para as startups e centros de pesquisa localizados no Tecnopuc. Diversos projetos estão surgindo e conectando as empresas, as startups e centros de pesquisa no Parque, em especial no Biohub PUCRS. O projeto entre o CPBMF e a Quatro G é mais um exemplo do que a união entre Universidades, empresas, governo e sociedade é capaz de fazer, gerando um teste de Covid-19 nos mais altos padrões de qualidade internacional”. Jorge Audy, Superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS, ainda destaca que estão sendo feitos todos os contatos e esforços no sentido de viabilizar uma parceria com o Hospital São Lucas da PUCRS (HSL) para o desenvolvimento dos testes no laboratório do Hospital.

Como surgiu a iniciativa?

O movimento iniciou a partir de um convite do diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs), Odir Dellagostin, para que o CPBMF participasse de estudos de virologistas sobre SARS-CoV-2, por ser o único grupo de pesquisa no Estado que possui um laboratório com nível de biossegurança 3 (NB3) em funcionamento. Esse nível diminui o risco de contaminação por parte dos operadores, e destina-se ao trabalho com agentes de risco biológico de classe 3, ou seja, com microorganismos que geram elevado risco individual.

O que é a NB3?

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Pesquisador no interior da NB3

Um laboratório com certificação de biossegurança nível 3 (NB3) possui o maior grau de dificuldade para o procedimento de certificação. Isso porque existem muitas particularidades sobre sua operação e estrutura. Uma das obrigatoriedades é a certificação anual para que se possa garantir que essas particularidades sejam continuamente regularizadas. Entre os procedimentos de segurança exigidos para um laboratório com a certificação NB3 estão: controles de engenharia, equipamentos de proteção individuais, integridade do estabelecimento e do sistema, protocolo de operação e procedimento, e controles administrativos. Todos os tópicos anteriores minimizam os riscos biológicos de infecção e contaminação aos seres humanos e ao meio ambiente.

O desenvolvimento

O Conselho Técnico-Administrativo (CTA) da Fapergs autorizou a utilização de recursos financeiros do orçamento destinado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Tuberculose (INCT-TB), que foi criado no final de 2008 pelo programa INCT do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para que fossem realizadas as adaptações necessárias para possibilitar o cultivo simultâneo do Mycobacterium tuberculosis e SARS-CoV-2 no CPBMF.

De acordo com Luiz Augusto Basso, coordenador do Centro, as adaptações proporcionam infraestrutura para o crescimento do vírus SARS-CoV-2 em células eucarióticas em um ambiente totalmente seguro. “As implicações práticas destas adaptações são, por exemplo, o fornecimento de material genético para ser utilizado como controle positivo em técnicas de diagnóstico que utilizam amplificação de ácidos nucléicos, plataforma para a avaliação antiviral de compostos candidatos a fármacos para o tratamento da Covid-19 identificados pelos grupos de pesquisa, e servir de suporte para fornecimento de material genético para sequenciamento total propostos por grupos de  pesquisas que investigam, por exemplo, os aspectos epidemiológicos da COVID-19”, explica.

Além disso, o coordenador frisa que o ecossistema do Tecnopuc “permite que seja oferecido o padrão-ouro para teste de diagnóstico do vírus SARS-CoV-2, o chamado real-time RT-PCR, ou seja, transcrição reversa seguida da reação em cadeia da polimerase monitorada em tempo real”.

O que é RT-PCR?

Funciona como uma resposta precisa sobre a presença do vírus na amostra analisada. Foi com ele que o primeiro caso de Coronavírus no Brasil foi identificado. A sigla em inglês traduzida para o português significa transcrição reversa seguida de reação em cadeia de polimerase e amplificação de ácido nucleico monitorado em tempo real. Ele transforma o RNA do vírus em DNA em fita simples, utilizado como molde para a produção de DNA fita dupla; a amplificação de cópias é de cerca de 100 milhões de vezes; observa-se se há material genético do vírus; se sim, é confirmada a presença do SARS-Cov2. 

Qual é a solução?

Os pesquisadores do CPBMF e da Quatro G adaptaram o método do Centers for Disease Control and Prevention (CDC)  dos Estados Unidos, utilizando insumos produzidos pelas empresas brasileiras para detectar o Sars-Cov-2 (agente causador da Covid-19) em amostras clínicas. O protocolo é baseado na técnica de PCR em tempo real. A metodologia utilizada permite que os processos de amplificação, detecção e quantificação do material genético sejam realizadas em uma única etapa, agilizando a obtenção dos resultados.

A farmacêutica Ana Christina de Oliveira Dias, que é responsável técnica na Quatro G, explica que o que está sendo realizado é a padroniação de um kit de detecção de SARS-CoV-2 por PCR em tempo real. A ideia é produzir um teste nacional, com produtos brasileiros, unindo as forças nacionais do CPBMFTecnopuc Quatro G”, comenta. Ela ainda destaca que “com todo o conhecimento e expertise da organização, não podemos deixar de servir em um momento como o atual”.

A Quatro G

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Interior da QUATRO-G, instalada no Tecnopuc

É uma empresa que produz e comercializa insumos para biologia molecular. Ana Christina destaca que um deles é o MasterMix para PCR em tempo real, um dos reagentes utilizados no teste para detecção da Covid-19. “Nós produzimos todos os insumos utilizados na montagem do kit, e temos também a parte de conhecimento e diagnóstico por PCR dentro do nosso quadro de colaboradores, entre doutores, pós-graduandos, alunos de graduação. Existe um enfoque bem marcante em pesquisa. É uma empresa que está há muito tempo no panorama de pesquisa e desenvolvimento de biofármacos”, explica.

A parceria

Basso esclarece como funciona a parceria: “O CPBMF é o único laboratório do Rio Grande do Sul que possui estrutura com nível de biossegurança 3 (NB3), o que diminui o risco de contaminação por parte dos operadores, além de ter colaboradores totalmente especializados. A Quatro G entra na parceria com insumos para biologia molecular e pessoal especializado. E o Tecnopuc como um ambiente para interação entre laboratórios de pesquisa, empresas e poder público”.

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