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Vigor aos 70 anos

Ao completar sete décadas, PUCRS se renova para o futuro

POR MAGDA ACHUTTI - Final da série sobre os 70 anos da Universidade

Na história, 1978 foi marcado pela posse de João Paulo II como o terceiro papa em três meses e pelo milagre na medicina: o nascimento do primeiro bebê de proveta no mundo. A Argentina levantava a taça de campeã mundial de futebol e as pistas das discotecas ferviam, inspiradas em John Travolta. Naquele ano, a PUCRS dava um passo importante para alcançar a excelência que tem nos dias atuais.

Sob a mão firme de seu novo reitor, Ir. Norberto Rauch, a Universidade começou a traçar o caminho seguro para realizar grandes projetos de futuro, hoje presentes. Com incrível capacidade empreendedora, Rauch levou a cabo obras grandiosas das quais os gaúchos se orgulham: o Tecnopuc, referência como Parque Tecnológico; o Museu de Ciências e Tecnologia, destaque por seus experimentos interativos em várias áreas do conhecimento; o Parque Esportivo, por sua capacidade de agregar inúmeras modalidades esportivas; a nova Biblioteca Central, uma das mais completas da América Latina, além de outros espaços  destinados ao desenvolvimento do saber.

MIL PARA 2000

Nos seus 26 anos de reitorado (1978-2004), a PUCRS deu um salto qualitativo. O foco no quadro docente, de pesquisadores e técnicos administrativos foi outro fator decisivo. Depois de enfrentar um desequilíbrio financeiro no período do regime militar, foi possível corrigir a defasagem no salário dos colaboradores, proporcionar benefícios e avançar para uma profunda transformação.

Um programa de titulação e qualificação docente teve início na década de 1980. O movimento tomou grandes proporções e, em 1991, foi lançado o desafio Mil para Dois Mil. A meta era chegar ao ano 2000 com mil professores titulados mestres e/ou doutores. No livro Trajetória de um período: 1978-2004, Rauch comenta sobre o sucesso do plano. “A resposta do corpo docente foi ótima. Ultrapassamos a meta estabelecida antes do prazo estipulado.”

MUNDO CONTEMPORÂNEO

Ao avistar o século 21, o esforço coletivo dos responsáveis pela formação dos que escolhem estudar na PUCRS passou a centrar-se também no compromisso por formar pessoas e não apenas profissionais. Pessoas capazes de respeitar princípios e valores imprescindíveis à construção de uma sociedade justa e fraterna, marca do fundador do Instituto Marista, São Marcelino Champagnat.

Em 2004, frente aos grandes desafios do novo milênio e com a missão de manter os  fundamentos da instituição educativa, Ir. Joaquim Clotet assumiu como reitor (2004-2016) e começou a revisar prioridades, ajustadas ao mundo contemporâneo. Quatro linhas nortearam sua gestão: qualidade; empreendedorismo; integração ensino, pesquisa, extensão; e relacionamento com a sociedade.

Ao completar 70 anos, o reitor Ir. Evilázio Teixeira conduz uma PUCRS robusta, legado dos reitores que o antecederam e onde reside uma centelha do sonho dos fundadores. Em 2017, ele lançou o movimento PUCRS 360º – Universidade em transformação, que busca mais autonomia para os estudantes durante sua trajetória universitária, novos eixos formativos para uma experiência acadêmica diferenciada e mais espaços de convivência e estudo no Campus, como a Rua da Cultura.

PUCRS em números

  • Cursos de graduação: 55, com opções de linhas de formação que ampliam as possibilidades de escolha dos estudantes
  • Cursos de especialização: 88 em andamento
  • Mestrado: 24
  • Doutorado: 22
  • Estudantes (graduação e pós-graduação) em 2018/1: 27.349
  • Diplomados até 2017/2 na graduação: 166.807

FONTES: PROGRAD, PROPESQ E EDUCON

Tecnopuc, 15 anos de inovação

Parque abriga 150 empresas e 6,5 mil pessoas

Foto: Bruno Todeschini

O Parque Científico e Tecnológico (Tecnopuc) completa 15 anos e lança uma meta audaciosa: atrair e gerar mil novas startups em dez anos. Prevista no plano estratégico da área de Inovação e Desenvolvimento, reflete uma tendência dos principais ecossistemas de inovação do mundo, que direcionam seus esforços para a geração de startups de alto desempenho e impacto social.

O Parque abriga mais de 150 organizações, entre gigantes globais, empresas nacionais, institutos e centros de pesquisa, além de diversos mecanismos de geração de empreendimentos, com mais de 200 startups graduadas ao longo desse período. A mais nova integrante é a multinacional norte-americana Oracle, que começou a operar em outubro.

Em seus espaços, o Tecnopuc conta com mais de 6,5 mil pessoas trabalhando, em uma estrutura construída para gerar sinergia entre as empresas e a Universidade. Além disso, possui convênios de colaboração e interação com mais de 150 países. Desde a sua fundação, em 2003, quadriplicou sua área construída, passando dos iniciais 20 mil metros quadrados para mais de 90 mil.

Outro marco desses 15 anos é o novo modelo de governança da área e de gestão do Tecnopuc. A PUCRS conta com uma Superintendência de Inovação e Desenvolvimento, responsável por todo o ecossistema de inovação. Já o Parque agrupa as áreas de gestão do ambiente físico, geração de startups, criatividade, ações de impacto social, gestão de projetos e prospecção e negociação. “O Tecnopuc é uma das mais importantes ações de aproximação com a sociedade, propiciando aos nossos alunos, da graduação e da pós-graduação, oportunidades únicas de contribuição para o desenvolvimento econômico e social de nossa região”, observa o reitor, Ir. Evilázio Teixeira.

Visão de futuro

Desde a sua inauguração, o Tecnopuc é uma das referências latino–americanas em ecossistemas de inovação, sendo o Parque Científico e Tecnológico mais premiado e reconhecido do País. “Ao longo desses 15 anos, a visão de futuro do Ir. Norberto Rauch concretizou-se”, constata o superintendente de inovação e desenvolvimento, Jorge Audy.

Na gestão do Ir. Joaquim Clotet, a trajetória de realizações avançou, traçando as bases de uma grande Universidade de pesquisa, em que a inovação e a transformação do conhecimento geram desenvolvimento social e econômico. Agora, sob a liderança do Ir. Evilázio Teixeira, o Tecnopuc se prepara para vencer os novos desafios e aproveitar as oportunidades que irão se apresentar.

Museu, interação com a ciência há 20 anos

Exposição recebe 200 mil visitantes por ano

Foto: Bruno Todeschini

Inaugurado em 1998, nas comemorações do cinquentenário da Universidade, o Museu de Ciências e Tecnologia (MCT) caiu no gosto de crianças e adultos. Criado para despertar a curiosidade e o apreço pelas ciências, os equipamentos do acervo permanente e suas exposições proporcionam experiências lúdicas e interativas em 700 experimentos, desempenhando papel fundamental na popularização do conhecimento.

Premiado pelo TripAdvisor com o Travellers’ Choice, é considerado o 10º melhor museu do Brasil e o 16º melhor da América do Sul. Também ocupa a segunda posição entre os melhores do País, segundo a revista Viagem e Turismo, em ranking de 2017. Por ano, percorrem sua área de exposição de 9 mil metros quadrados, cerca de 200 mil visitantes.

No subsolo do MCT, existe um museu à parte pouco conhecido. Fósseis, espécimes da fauna e da flora (atuais e extintos), artefatos e objetos de valor histórico e científico são divididos apenas por pesquisadores e funcionários. O acervo, que soma mais de 3,5 milhões de peças, auxilia a pesquisa desde a iniciação científica e pós-graduação até a atuação de especialistas brasileiros e do exterior.

Biblioteca, 40 anos de informação

Prédio fica no coração do Campus

Foto: Bruno Todeschini

Com um acervo superior a 1,5 milhão de obras, entre físicas e eletrônicas – livros, periódicos, teses, dissertações e materiais digitais, apoiados por serviços e recursos multimídia, a Biblioteca Central Ir. José Otão completa 40 anos como um moderníssimo centro de acesso à informação (impressa e eletrônica, de qualquer dispositivo, em qualquer lugar).

Em um imponente prédio de 21 mil metros quadrados, distribuídos em 14 andares, no coração do Campus, toda a sua organização está baseada na maior autonomia e acesso facilitado dos usuários aos conteúdos.  O acervo está dividido em quatro grandes áreas do conhecimento: Humanas, Sociais Aplicadas, Ciência e Tecnologia e Linguagens e Artes.

Parque Esportivo, 15 anos a serviço do bem-estar

Ampla estrutura conta também com um estádio

Foto: Bruno Todeschini

O Parque Esportivo chega aos 15 anos com uma excelente estrutura que atende tanto a Universidade quanto a comunidade da Capital, com foco na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida. Destinado à prática de diversas modalidades, os serviços da Academia de Ginástica e da Escola de Natação são oferecidos em várias opções e para diferentes faixas etárias. Locações esportivas estão disponíveis para quadras poliesportivas, de tênis, de areia, campos e quadras de futebol, piscina térmica olímpica, entre outros.

O complexo do Estádio Universitário, com um campo de futebol de dimensões oficiais e grama natural, pista de atletismo, arquibancadas e áreas de apoio, também está à disposição para locações e eventos. O Parque dispõe, ainda, de uma pista de caminhada, playground e áreas de lazer e contemplação junto à natureza, distribuídos ao longo da área externa ao prédio poliesportivo, de 22 mil metros quadrados.

Revista PUCRS, 40 anos de histórias

Formatos da publicação ao longo dos anos

Em quatro décadas, a Revista PUCRS mudou tanto quanto a Universidade, passando de boletim a jornal até chegar ao seu formato atual. Na essência, mantém características básicas que nasceram com ela. Continua dinâmica e influente. O reconhecimento vem pelo expressivo retorno de seus leitores e a conquista de prêmios de destaque em comunicação.

Com a missão de registrar a trajetória da Instituição, foram publicadas em suas páginas – e desde 2000 também em seu site www.pucrs.br/revista –, grandes momentos. Alguns revestidos de solenidade, outros de conquistas científicas, acadêmicas e inúmeros de iniciativas sociais, ambientais e inovadoras.

A Revista PUCRS acompanhou cada um deles, descrevendo os fatos e, mais recentemente, interpretando-os. Sua linha editorial se caracteriza por traduzir a linguagem acadêmica para a jornalística, o que proporciona a qualquer pessoa ter acesso ao saber produzido na Universidade.

Transformação pela pesquisa

Aos 70 anos e com os novos desafios do futuro, um dos caminhos é se tornar um ambiente internacional

POR VANESSA MELLO

Ao longo dos últimos 20 anos, a PUCRS fortaleceu sua pesquisa e elevou muitos de seus Programas de Pós-Graduação ao nível internacional. Valorizou a produção de conhecimento e compreendeu que seu papel vai além de formação de profissionais, mas também a transformação da sociedade, por meio do seu posicionamento estratégico de inovação e desenvolvimento.

Dentre os fatores que conferem o alto patamar da pesquisa, o programa de mil mestres e doutores para o ano 2000 permitiu a qualificação dos docentes, uma pesquisa mais robusta e parcerias nacionais e internacionais.

Ainda, uma estrutura com institutos, centros, núcleos, laboratórios, equipamentos e pessoas altamente qualificadas dão suporte aos pesquisadores. “Somos uma Universidade com protagonismo de pesquisa e pós-graduação no País, temos um Campus da Saúde voltado ao atendimento da comunidade e o ambiente de inovação e desenvolvimento do Tecnopuc. Tudo isso fez com que tivéssemos um posicionamento de transformação”, destaca a Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Carla Bonan.

Desafios para o futuro

A trajetória da pesquisa na PUCRS continua, com desafios de um mundo cada vez mais globalizado. A proposta é se tornar um ambiente internacional, consolidando as parcerias no exterior, recebendo mais pesquisadores de outros países e um número crescente de alunos estrangeiros.

A conexão com o ecossistema de inovação, de forma a preparar o aluno para um mercado que requer habilidades de relacionamento, liderança e empreendedorismo é outro desafio. Esses dois movimentos geraram o Plano de Internacionalização, que norteará as ações da Universidade em todas as áreas nos próximos quatro anos, e a Política de Inovação, que abre uma série de possibilidades para a cultura empreendedora e a geração de empreendimentos no ambiente acadêmico.

Novo fôlego com Capes/Print

Meta: aumentar o número de estudantes estrangeiros

Foto: Bruno Todeschini

A PUCRS tem reconhecimento nacional e internacional pela qualidade do ensino ofertado e relevância científica, tecnológica e social das pesquisas desenvolvidas pela sua comunidade acadêmica, figurando entre as melhores instituições da América Latina em rankings internacionais. Possui convênios com universidades da Ásia, África, Europa e América, possibilitando a mobilidade acadêmica in e out e o estabelecimento de parcerias importantes.

Em agosto de 2018, foi contemplada, junto a outras instituições, pelo Programa Institucional de Internacionalização (Capes/Print) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Os recursos permitirão investir na crescente internacionalização do currículo, tanto da graduação quanto da pós-graduação, estratégia utilizada para preparar os estudantes a atuarem profissionalmente em um mundo internacional e multicultural.

Iniciativas importantes têm sido realizadas para a internacionalização abrangente, conceito adotado pela Universidade, através do engajamento das lideranças institucionais, dos docentes e discentes, dos pesquisadores e técnicos das unidades de apoio acadêmico. Dentre elas, o lançamento do site PUCRS Internacional, que divulga pesquisas de relevância local e global e ações de voluntariado. “Num futuro próximo, a PUCRS estará ainda mais fortalecida e adaptada às exigências globais de internacionalização, impulsionada pela conquista alcançada através do Print. Na pós-graduação, a formação de redes de pesquisa internacionais favorecerá o aperfeiçoamento da produção acadêmica para o benefício da sociedade”, afirma a assessora-chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, Heloísa Delgado.

Um Campus para a saúde

Estruturas unidas: interinstitucional e multidisciplinar

Foto: Henrique Amaral

Com aporte do Estado, a PUCRS investe no Campus da Saúde, iniciativa inovadora no Sul do Brasil voltada ao ensino, à assistência e promoção da saúde, de maneira integrada e multidisciplinar. O Campus congrega as Escolas de Ciências da Saúde e Medicina, com outros seis empreendimentos: o Instituto do Cérebro do RS (Inscer), o Hospital São Lucas, o Parque Esportivo, o Centro de Reabilitação, o Centro Clínico e o futuro Healthcenter Care, um centro com serviços diferenciados voltados à saúde e bem-estar. Dessa forma, reúne pesquisa, ensino e assistência na promoção e na proteção da saúde da população. A Universidade valoriza ainda mais a estrutura dessas unidades por meio de reformas, ampliações e construções, na aquisição de equipamentos, na qualificação do atendimento e em ações multidisciplinares, enriquecendo a formação dos estudantes e atuando na sociedade pela prevenção de doenças, diagnóstico, tratamento e reabilitação, mas sobretudo na promoção da saúde.

O vice-reitor Jaderson Costa da Costa destaca que o Campus da Saúde é interinstitucional e multidisciplinar, reunindo diferentes áreas do conhecimento. Como um de seus elementos, o InsCer oferece suporte a todas as Escolas, recebendo alunos de graduação, de iniciação científica e de pós-graduação para conhecer novas tecnologias. O Instituto é interdisciplinar e dialoga com diversas áreas do conhecimento, como Letras, Teologia e Filosofia por meio de grupos de pesquisa e terá ainda mais possibilidades de interação a partir da sua ampliação, iniciada em setembro.

InsCer ampliado

Novo prédio, três vezes maior, ficará pronto em 2020

Imagem: Gerência de Infraestrutura

O projeto original do InsCer contempla sua construção em duas fases. Com recursos da Finep, ampliará a área dos atuais 2.549 metros quadrados para 9.335 metros quadrados e tem conclusão prevista para 2020, com aumento nos espaços de pesquisa, assistência e gestão. São novos laboratórios, equipamentos, consultórios, área para exames de ponta e para acolhimento. “Haverá uma área clínica para atender quem faz parte de protocolo de pesquisa, como pacientes em tratamento de Alzheimer ou Parkinson e acompanhantes de crianças com problemas de aprendizagem, de leitura, ou de desenvolvimento e que integram projetos como o Acerta”, revela Jaderson Costa da Costa.

Para o vice-reitor e diretor do InsCer, mais importante que os equipamentos são os cérebros. “A ampliação permitirá que mais pesquisadores desenvolvam seus estudos. Poderemos ter, simultaneamente, um número maior de projetos e ampliar o portfólio para além das doenças neurológicas e neuro-oncológicas já estudadas”, prevê.

Outro espectro de pesquisa que se fortalece com a ampliação do espaço é a de biomarcadores, que antecipam a ocorrência de doenças e permitem o diagnóstico mais adequado. Uma área muito sensível a isso, a síntese de novos radiofármacos também ganhará destaque.

INTERNACIONAL

A internacionalização é outro aspecto que enriquece com a ampliação do InsCer, aumentando possibilidades de parcerias com instituições do exterior. Com ao menos dez convênios internacionais, interage com grandes centros de pesquisas no mundo e terá mais áreas de compartilhamento e discussões de projetos. “Essas parcerias contribuirão para grandes descobertas que vão beneficiar a população. Temos o compromisso de realizar pesquisa translacional, que culmine no atendimento a todos os pacientes, do SUS, de convênio e particular”, reforça o vice-reitor.