08/06/2020 - 18h04

Por que é preciso mergulhar no conhecimento sobre os oceanos?

Dia Mundial dos Oceanos reforça a importância da preservação das águas

Um ecossistema que cobre dois terços da superfície da Terra e que gera a maior parte do oxigênio que respiramos. De acordo com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, o ecossistema oceânico é uma das principais fontes de vida do planeta. “Contamos com os oceanos para alimentação, meios de subsistência, transporte e comércio. E, enquanto pulmões do nosso planeta e o seu maior meio de absorção de carbono, os oceanos desempenham um papel vital na regulação do clima global”, declarou Guterres nesta segunda-feira, em mensagem ao Dia Mundial dos Oceanos.

Comemorada desde 1992, a data tem como tema central neste ano a inovação para um oceano sustentável. A ONU ressaltou que as mudanças climáticas e a poluição, especialmente de plástico nos oceanos, colocam em risco a biodiversidade marinha e a vida de mais de três milhões de pessoas que dependem desse ecossistema para sua subsistência.

De acordo com o pesquisador da PUCRS e do  Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR)Luiz Frederico Rodrigues, estudos apontam que as mudanças climáticas e o aquecimento global são efeitos da ação humana no meio ambiente. “Atualmente, tem-se discutido muito sobre a intensificação do aumento da temperatura média dos oceanos devido à ação do homem. Uma das linhas de pesquisa mais trabalhadas procura entender se o aquecimento oceânico é um produto direto do aquecimento global”, afirma o pesquisador. Segundo ele, as pesquisas demonstram que o aquecimento global é consequência da emissão de gases estufas na atmosfera, os quais são provenientes da queima de combustíveis fósseis, desmatamento e processos industriais. “O acúmulo desses gases na atmosfera impede que o calor da Terra se dissipe para o espaço, assim, os níveis globais da temperatura aumenta, inclusive dos oceanos”, explica.

Pioneirismo nas águas

Frederico Rodrigues, GeoScientes, Instituto do Petróleo, Rio Amazonas

Pesquisador Luiz Frederico Rodrigues durante a Missão Tucuxi / Foto: Arquivo Pessoal

Rodrigues foi um dos pesquisadores da Missão Tucuxi, uma parceria entre o IPR e a empresa SeaSeep, com o objetivo de amostrar e caracterizar as possíveis áreas contendo hidratos de gás ao norte do oceano brasileiro. Durante a missão, os pesquisadores desenvolveram um estudo pioneiro sobre origem da composição dos gases na Foz do Rio Amazonas. Os resultados do trabalho foram apresentados no artigo, Molecular and Isotopic Composition of Hydrate-Bound, Dissolved and Free Gases in the Amazon Deep-Sea Fan and Slope Sediments, Brazil, publicado na revista Geosciences, da Suíça.

Os hidratos são estruturas cristalinas compostas por gelo e gás, encontradas no subsolo marinho. Devido a sua grande concentração de gás metano, os hidratos podem ser uma alternativa energética (apesar de ser um recurso natural finito). Países como os Estados Unidos, Japão e Canadá já atuam em fases pilotos para produção dessa fonte de energia. No Brasil, o Projeto Conegas (que reúne três missões oceanográficas realizadas ao Sul do país e contou com a participação de pesquisadores da PUCRS e do IPR) e Missão Tucuxi foram pioneiras na descoberta e caracterização dos reservatórios de hidratos.

Para o pesquisador do IPR, o aquecimento oceânico pode contribuir para a desestabilização dos hidratos de gás e a liberação do metano na atmosfera. “Alguns pesquisadores acreditam que há milhões de anos houve uma extinção em massa devido a uma enorme quantidade de metano na atmosfera. Pressupõe-se que tenha sido dos hidratos. Esperamos que esse episódio não se repita, mas para isso devemos cuidar do nosso planeta”, alerta Rodrigues.

Além do risco de desestabilização dos hidratos, o pesquisador aponta que o aquecimento global desencadeia uma série de efeitos de grande impacto, como o aumento do nível do mar, mudanças na salinidade, bem como prejuízos à biodiversidade devido a mudança de oxigenação. Rodrigues também destaca que, em relação ao clima, poderão ocorrer interferências nos padrões de ventos e chuvas, ou então, intensificação dos episódios de clima extremo, como os tufões. “Essas consequências podem atuar em conjunto, potencializando seus efeitos e afetando todo o planeta”, declara.

Para o pesquisador, ainda é necessário ampliarmos o entendimento sobre os oceanos para que a preservação se torne mais efetiva. “O oceano, apesar da evidente importância no complexo sistema de equilíbrio da Terra, é um dos elementos menos entendidos. Portanto, conhecer sua importância na dinâmica da vida seria um dos principais sentidos da conservação da vida na Terra”, conclui.

Sobre o IPR

O Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR), criado em 2014, tem por objetivo fomentar, dar visibilidade e proporcionar um crescimento sustentado das ações da universidade em pesquisa, desenvolvimento e inovação na área de petróleo e recursos naturais. Constitui uma iniciativa conjunta da Petrobras e da PUCRS e representa a consolidação e ampliação do Centro de Excelência em Pesquisa e Inovação em Petróleo, Recursos Minerais e Armazenamento de Carbono (Cepac), inaugurado em 2007. Saiba mais clicando aqui.

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