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Prazer e responsabilidade nas relações sexuais

     Hoje os adolescentes iniciam a vida sexual muito cedo, sem entender bem o porquê. Às vezes por problemas familiares, às vezes por descoberta do próprio corpo, para descobrir o outro. Mas isto vem acontecento de uma forma muito precoce. Eles ainda não têm a maturidade para discernir que o ato sexual é um ato que deve ser amoroso, que deve trazer felicidade para a vida do jovem e por isso deve ser encarado com responsabilidade com o próprio corpo e com o corpo do(a) parceiro(a).

     Em relação à educação sexual, existem sérias distorções. Alguns jovens, principalmente mulheres, carregam uma concepção negativa do sexo. Aprendemos que aquilo é negativo, sujo, não pode ser realizado... Já o homem é incentivado desde cedo a ter relações sexuais, a se masturbar, a observar o corpo. Aí encontra-se a primeira dificuldade no ato sexual. Às vezes a mulher sente um pouquinho de dor, não sabe exatamente como e onde sentir prazer.

     É preciso conversar com os jovens que isso é um processo natural e que, aos poucos, eles vão se encontrando, como casal. Por isso é importante a intimidade. O que está acontecendo, hoje, é que as pessoas nem se conhecem e já têm a primeira relação sexual. É importante conviver, conhecer o aspecto psicológico, a personalidade do outro para enfrentar o primeiro momento que, muitas vezes, poderá ser difícil para um deles. Às vezes um parceiro tem experiência e o outro não tem.

     Quando começa a namorar, o jovem se depara com um mundo que quer vender o prazer. Existem os sexshops, as formas de você ter prazer... Só que não vinculam isso ao conhecimento de si próprio, ao conhecimento do corpo e ao amor, que é fundamental para ter uma relação sexual. Muitos jovens estão adotando o conhecimento, o namorar, o se conhecer, o conversar, o abraçar, o beijar, a troca de carinho para depois ter a primeira relação sexual. Acredito que seja o mais aconselhável para acontecer com maturidade, porque a gente não ama o que não conhece. A gente só conhece uma pessoa depois de conviver alguns anos com ela. E a partir daí brota o sentimento de amor.

     Então, o jovem que posterga a primeira relação sexual é porque quer conhecer o outro, quer adotar este sentimento de amor, que é o mais importante na nossa vida. A gente tem tantos religiosos que adotam a castidade e vivem bem e felizes porque amam e praticam a caridade. O sexo não é o ponto mais importante num relacionamento a dois; ele é um complemento que deve ser sadio e encarado com maturidade.

Conhecer para cuidar

     Mesmo hoje os jovens, principalmente a partir dos 11-12 anos, quando estão começando a apresentar transformações do corpo, vêem o sexo como tabu. É difícil para o jovem se aceitar como um homossexual, por exemplo, ou querer conversar sobre relação sexual, sobre o que está acontecendo com o organismo dele, por que está ficando mais excitado em certo momento da vida. Ele, muitas vezes, não sabe que é uma fase de grande produção de hormônios.

     Os profissionais da Educação ensinam Geografia, História, Matemática, Língua Portuguesa etc., mas o jovem precisa também ser orientado sobre sexualidade, quando não tem isso em casa. E na escola isso é importante.

     Deveria ser ensinado na escola que cada um se conheça. A menina precisa saber o seu ciclo fisiológico, o que acontece quando ovula... Sabendo isso, ela saberá adotar medidas, entenderá que no momento da ovulação ela fica mais excitada, pois é o período fértil. A educação sexual ainda está sendo pouco adotada na escola e também nas famílias o assunto pode e deve ser mais discutido.
Luciana Virginia Tempesta Múhe,
ginecologista e obstetra, Brasília, DF.
Endereço eletrônico: lux.tempesta@uol.com.br
Artigo publicado na edição nº 381, jornal Mundo Jovem, outubro de 2007, página 17.

Dinâmica

Ouvi dizer que...

Objetivo: Levantar dúvidas, tabus e informações do grupo em relação à sexualidade.

Material: Folhas de papel metro e canetas ou pincéis.

Desenvolvimento:
1) Espalhar nove folhas de papel metro pelas paredes da sala. Todas as folhas têm o cabeçalho “Ouvi dizer que...”, seguido de um dos tópicos: pênis - vulva - masturbação - virgindade - ato sexual - menstruação - primeira vez - homossexualidade - DST/Aids.
2) Dividir o grupo em nove subgrupos. Cada subgrupo dirige-se a uma das folhas de papel metro distribuídas pela sala e escreve tudo o que já ouviu dizer (em casa, na escola, na rua, na tv, nos livros etc.) sobre o tópico que nela se apresenta.
3) Fazer o rodízio de todos os subgrupos pelos tópicos, de modo a completar as informações que o grupo possui sobre o assunto.
4) Plenário: leitura das frases escritas em cada tópico; esclarecimentos do facilitador sobre o assunto; debate sobre tabus e concepções divergentes que aparecem nas frases.

Fonte: Margarida Serrão e Maria Clarice Baleeiro, Aprendendo a ser e a conviver, Fundação Odebrecht, FTD, 1999.


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