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Uma visão da adolescência

     Quando definimos a adolescência, estamos definindo significações, interpretando a realidade a partir de realidades sociais e de marcas que serão referências para a constituição dos sujeitos (OZELLA In JEFERRY, 2002).

     O conceito de adolescência, como fenômeno social e fisiológico, tem suas raízes na antigüidade (CHIPKWITCH, 1995). Platão em seus diálogos mencionava os jovens apaixonados e emotivos. Aristóteles, seu aluno, discutia sobre o desenvolvimento humano, no qual os estágios progressivamente mais altos da alma culminavam aos 14 - 21 anos de idade. Durante a idade média, crianças e adolescentes eram visto como adultos em miniatura, sendo descartados no que se refere às pesquisas de cunho científico.

     Nos séculos XVIII e XIX, época de urbanização, industrialização e comunicação de massas, Rousseau e Darwin foram os pensadores dominantes. No século XX, Hall e, mais tarde Freud, Erikson, Gessell e Piaget deram grande impulso aos conceitos de adolescência vigentes na atualidade.

     Fatos importantes dos séculos passados influenciaram na construção da identidade dos jovens (CHIPKWITCH, 1995). A Revolução Industrial foi pioneira neste sentido, imprimindo as primeiras mudanças à sociedade nos séculos XVIII e XIX. A industrialização levou à progressiva urbanização da sociedade, ao surgimento da burguesia e da família nuclear, do ensino obrigatório, dos meios de comunicação de massa e dos progressos científicos e tecnológicos. A melhoria do nível de vida se refletiu no padrão demográfico das populações, diminuindo as taxas de natalidade e mortalidade infantil, aumentando a expectativa de vida. Estes aspectos contribuíram para uma maior valorização da infância durante a Revolução Industrial. A mudança de família extensa e predominantemente rural para a família nuclear criou novas divisões entre os papéis sexuais e entre diferentes grupos etários e maior intimidade entre pais e filhos. Os adolescentes passaram a ser mais percebidos e valorizados.

     Porém, foi, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial que a formação da cultura jovem ganhou um pronunciado relevo social, cultural e político. A população adolescente aumentou significativamente em muitos países, tanto em números absolutos como em proporção da população geral, em virtude da queda de mortalidade infantil e aumento da fecundidade que produziu uma explosão demográfica - a chamada geração “baby boom”.

     A escolarização e a segregação etária engendraram o fenômeno mais proeminente que marcou a evolução da adolescência no século XX - o nascimento da cultura jovem. A convivência prolongada em grupos de pares dentro da escola e em situações sociais paralelas (clubes, festas, atividades esportivas) propiciaram o desenvolvimento da “subcultura” adolescente, caracterizada por roupas, linguagem, modismos, atitudes e comportamentos específicos, que a distinguem do mundo adulto. A oposição ao mundo adulto se tornou um dos objetivos básicos da cultura jovem.

     Atualmente, a concepção adolescente constitui-se uma séria preocupação política e social. Comportamentos de risco como o uso e abuso de drogas, gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis, HIV e suas conseqüências médico-sociais têm alta prevalência entre adolescentes, e o mito da adolescência como um período saudável já não pode mais ser sustentado.


Viviane Luzia Prestes Anchieta,
Psicóloga.
Endereço eletrônico: vivianeanchieta@yahoo.com.br


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