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"Evolução molecular e suas
implicações na Astrobiologia"
Prof. Dr. Walter Filgueira de Azevedo Jr.
PUCRS |
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O jovem Darwin, após graduar-se em Teologia em Cambridge com 22 anos, partiu para uma viagem de mapeamento no navio britânico HMS Beagle (1831-1836), que serviu de base para ele propor, anos depois, a teoria da evolução, em seu livro “A origem das espécies por meio da seleção natural”, publicado em 1859. As bases teóricas da evolução das espécies serviram de paradigma para uma análise além da biologia, com reflexos na química, física, medicina e filosofia. Sua revolução teórica passou por constante confirmação no nível de espécies e relações dessas espécies com a evolução. Com a elucidação da estrutura tridimensional da molécula de DNA, em 1953, por Watson e Crick, estava estabelecido o arcabouço molecular para a confirmação da evolução, agora num nível mais fundamental, o nível molecular. No mesmo ano de 1953, outra revolução no nosso entendimento dos fundamentos da vida, no nível molecular, estava para acontecer. Um jovem estudante de doutorado propôs um elegante experimento de simulação da química pré-biótica. Neste experimento, Stanley Miller simulava as condições da jovem Terra, onde a vida ainda não havia dado seus primeiros sopros. Neste cenário havia gases como metano, amônia, gás hidrogênio e vapor d´água. A combinação desses gases, com a introdução de faíscas elétricas, aplicadas durante uma semana, foi capaz de produzir moléculas orgânicas, entre elas aminoácidos (Miller, 1953), o tijolo básico de uma das macromoléculas fundamentais para a manutenção da vida, as proteínas. Era a primeira vez que aminoácidos eram produzidos, num experimento simples que simulava as condições provavelmente presentes na Terra há mais de 3 bilhões de anos atrás. Mais recentemente, uma análise físico-química detalhada da composição das moléculas resultantes do experimento de Miller, indicou um perfil de aminoácidos, dependentes de pequenos ajustes nas condições do experimento (Johnson et al., 2008). O que fortalece a hipótese da formação de moléculas necessárias para o surgimento da vida a partir das condições prébióticas presentes na jovem Terra. A presente palestra discutirá as condições necessárias para o surgimento da vida e os cenários moleculares possíveis para o aparecimento das primeiras formas de vida. A confirmação da presença de aminoácidos em meteoros e a identificação de mais de 200 exoplanetas estabelecem novos cenários para a peça da vida. A ubiqüidade desses cenários favoráveis ao surgimento da vida leva a propor a presença da vida em outros planetas, objeto de estudo da astrobiologia. .
Referências: Johnson, A.P. , Cleaves, H.J. , Dworkin, J.P., Glavin, D.P., Lazcano, A., Bada, J.L. Science, 322, 404 (2008). Miller, S.L. Science, 117, 528 (1953). http://astrobioquest.net
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