Conhecer química: uma arma contra o coronavírus

Existem vários agentes químicos usados para combater diferentes tipos de microrganismos, como que se dividem segundo sua ação em desinfetantes, esterilizantes, antissépticos e antimicrobianos. Antes de saber quais são esses agentes, vamos entender melhor o que significa essa divisão.

  • Desinfecção: processo que elimina a maioria dos microrganismos, exceto os esporos bacterianos de superfícies e artigos hospitalares. Esse processo elimina agentes infecciosos que se encontram fora do corpo.
  • Esterilização: visa à eliminação de todas as formas de vida de um material ou ambiente, por meio de métodos físicos ou químicos.
  • Assepsia: conjunto de medidas para impedir a entrada de microrganismos em local que não os contenha.
  • Antissepsia: inativação ou redução do número de microrganismos presentes em um tecido vivo, por meio de produtos antissépticos.
  • Ação antimicrobiana: ocorre geralmente pela administração de medicamentos que matam microrganismos ou inibem seu crescimento. Esses medicamentos correspondem aos antibióticos (usados contra bactérias), os antifúngicos (contra fungos) e os antivirais (contra vírus).

 

Agentes químicos comumente utilizados

  • Sabões/detergentes: sabões são sais que se formam pela reação de ácidos graxos (tipos de gorduras vegetais e animais) com metais ou radicais básicos (sódio, potássio, amônia etc.).
    Tanto sabões quanto detergentes pertencem a um mesmo grupo de substâncias químicas, os tensoativos, que são redutores da tensão que existe na superfície dos líquidos. Os tensoativos agem dissolvendo a camada de gordura que envolve e protege vírus e bactérias.
  • Álcoois: atuam contra bactérias, vírus, micobactérias e fungos, mas não são efetivos no combate a esporos e alguns vírus muito resistentes. Em apresentação líquida (álcool etílico e isopropílico), em concentração de 70%, são usados na limpeza de superfícies, materiais hospitalares e objetos diversos. Na forma de gel (álcool etílico) é usado para antissepsia da pele.
  • Halogênios (cloro e iodo): o iodo e seus derivados matam bactérias, vírus e fungos, causando danos membrana celular desses microorganismos e levando-os à perda de material intracelular. O cloro tem boa ação contra fungos, algas, protozoários, vírus e formas vegetativas de bactérias. Entretanto, os halogênios e seus compostos não são tão efetivos contra esporos bacterianos.
  • Peróxido de hidrogênio (água oxigenada): é bastante utilizado como agente desinfetante em cortes e ferimentos, pois sua ação oxidante é um inibidor de crescimento de bactérias. Por ser uma molécula pequena, atravessa a parede de membranas celulares, ocasionando a destruição de componentes dentro das células.
  • Compostos fenólicos: derivados do Fenol (molécula de hidrogênio e carbono), agem contra bactérias e fungos. São eficazes em desinfecção de pisos.
  • Metais pesados (mercúrio, prata e cobre): a maior parte desses compostos é utilizada como agrotóxicos com ação fungicida nas lavouras e são altamente tóxicos. O nitrato de prata impede a multiplicação das bactérias e já foi muito usado para prevenir infecções oftálmicas em bebês na hora do parto (hoje usam-se antibióticos). O mercúrio em soluções comerciais é usado para desinfecção de ferimentos. O cobre, utilizado para recobrir algumas superfícies em hospitais, reduz as infecções em pacientes por criar uma espécie de “buraco” na membrana dos microrganismos, matando-os em, no máximo 5 horas (mais rápido do que outros materiais que revestem superfícies, como plástico e aço inoxidável).
  • Agentes químicos esterilizantes: são desinfetantes muito potentes usados em ambientes específicos, como hospitais, por exemplo. Sua manipulação requer muitos cuidados, pois são tóxicos para humanos e outros animais. Fazem parte desse gurpo o Formaldeído (formol), o glutaraldeído, o ácido peracético e o óxido de etileno, ambos com ação efetiva contra todos os microrganismos e esporos bacterianos.

 

E contra o coronavírus? Quais são mais eficientes?

Os coronavírus são uma família de vírus patogênicos, que possuem membranas lipídicas, isto é, uma espécie de capa de gordura que os envolvem. Essa membrana é chamada de envelope e tem como função proteger o vírus do ambiente. Portanto, os agentes químicos mais eficientes em seu combate são:

  • Sabões: a molécula do sabão possui uma parte hidrofílica, que tem afinidade com a água, e outra parte hidrofóbica, que prefere se ligar a óleos e gorduras. Quando você lava as mãos, a parte hidrofóbica, que evita a água, se liga com as capas de gordura de todos os vírus presentes em suas mãos e rompe-as. Assim eles perdem sua proteção e são destruídos.

 

 

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Fonte: Google Imagens

 

  • Álcoois etílico e isopropílico: desidrata as células dos vírus quase que imediatamente, se a concentração de álcool for de 70% a 92%. Contudo, os álcoois não têm nenhuma ação residual e ressecam a pele em repetidas aplicações.

 

 

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Fonte: Google Imagens

 

  •  Hipoclorito de sódio: produto obtido da reação do cloro com uma solução de soda cáustica, usado frequentemente como desinfetante e como agente alvejante.  Faz com que as proteínas do vírus se desnaturem (se “desmontem”), eliminando-os.

 

 

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Fonte: Google Imagens