A coleção de Anfíbios e Répteis compreende uma documentação irrefutável da herpetofauna do sul do Brasil. Possui, a título de exemplo, registros históricos sobre áreas hoje profundamente alteradas pela ação do homem, como a grande região metropolitana de Porto Alegre e os remanescentes de Mata Atlântica do Estado. É também depositária de espécimes-tipo, de exemplares de espécies raras, endêmicas e ameaçadas de extinção. Atende também às funções de ensino em todos os níveis (primordialmente através dos programas de pós-graduação), sendo também depositária de material-testemunho de publicações em diversas áreas do conhecimento. Essa coleção desempenha importante papel na documentação sobre aspectos morfológicos, de variabilidade cromática e de distribuição geográfica de espécies de anfíbios e répteis de interesse científico, médico e farmacológico.
A coleção científica de répteis está representada por 18.844 exemplares (465 espécies), numerados individualmente e mantidos em vidros ou bombonas plásticas com álcool 70º GL.
A coleção de anfíbios consta de 11.403 exemplares de 271 espécies, numerados individualmente e mantidos em vidros com álcool 70º GL.
A coleção de anexos é constituída por peças ósseas (em especial crânios), embriões, parasitas e conteúdos estomacais de répteis e anfíbios, e por hemipênis de serpentes, lagartos e anfisbenas. Esta coleção consta de 2.050 peças.
O banco de tecidos é constituído por 756 amostras de tecidos de répteis e anfíbios, destinadas a estudos moleculares.
ALCANCE GEOGRÁFICO
As coleções de répteis e anfíbios contam com exemplares de 27 países, e de 23 estados brasileiros. Constituem-se num acervo bastante regionalizado, com 61,2% do material procedente do Rio Grande do Sul; neste contexto, seguem-se os estados de Santa Catarina, com 10,7%, Goiás com 8,8% e demais estados do Brasil e outros países, com 19,3%.
PRINCIPAIS GRUPOS REPRESENTADOS
Entre os grupos representados na coleção de répteis, predominam as serpentes (73,8 %), seguidas pelos lagartos (20,6%), anfisbenas (4,9%), tartarugas (0,6%) e jacarés (0,1%). Entre as serpentes, predominam os representantes da família Dipsadidae (61,6%), e Viperidae (22,0%) e, seguidos por Colubridae (7,1%), Elapidae (7,0%) e demais famílias (2,3%).
Na coleção de anfíbios estão representadas 22 famílias, das quais predominam: Hylidae (45%), Leptodactylidae (12,7%), Bufonidae (12,4%), Leiuperidae (12,2%) e demais (17,7%).
MATERIAL-TIPO
Holótipos: 16
Parátipos: 104
A COLEÇÃO E O ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
A coleção herpetológica é uma mostra bastante regionalizada da fauna de répteis e anfíbios do RS, contando com espécies endêmicas e pouco amostradas em coleções. Como exemplo podemos citar uma espécie de cobra-coral (Micrurus silviae) descoberta recentemente por um pesquisador da PUC que, até o momento, só foi registrada no noroeste do RS. Por tratar-se de uma serpente peçonhenta e de interesse médico sua descoberta foi de extrema importância não só para a ciência como também para a saúde pública. Outro exemplo a ser citado pertence a uma espécie de sapinho (Elachistocleis erithrogaster) proveniente do município de São Francisco de Paula, ainda não encontrada em nenhum outro município. Ambas as espécies possuem os exemplares tipos depositados em nossa coleção.