História da Literatura em Portugal e no Brasil: Gonçalves de Magalhães e o Teatro
Ivete Huppes Fates
FATES
O poeta e dramaturgo brasileiro Domingos José Gonçalves de Magalhães (1811-1882) assegurou lugar nas Letras nacionais principalmente por atualizar nossa literatura em relação às novidades européias. O pioneirismo de sua produção é a qualidade mais exaltada pela crítica. Em 1836, com a publicação de duas coletâneas de poemas, Suspiros Poéticos e Saudades, inaugura o estilo romântico, não obstante tê-las escrito na Europa e publicado em edição parisiense de Dauvin et Fontaine. Em 13 de março de 1838, faz estrear no Teatro Constitucional Fluminense uma tragédia de sua autoria. Trata-se de Antônio José ou o Poeta e a Inquisição que, segundo as palavras do Autor no Prólogo, foi a primeira de assunto nacional e teve o mérito de promover a reforma da arte dramática no Brasil. 1
De acordo com Gonçalves de Magalhães e de acordo com a crítica, a representação da peça sinalizava o início do Romantismo na esfera da dramaturgia. O louvor ao pioneirismo se mantém, embora a obra seja ambientada em Lisboa e focalize o final da vida do advogado e comediógrafo Antônio José da Silva, cuja ligação com o Brasil limitava-se ao nascimento no Rio de Janeiro, onde também passara os primeiros anos da infância. A apreciação à vanguarda da produção persiste também indiferente ao fato de outros dramaturgos terem precedido Magalhães na composição e estréia de peças de tom romântico.
É peculiar o caso de Domingos José Gonçalves de Magalhães no âmbito da História Literária escrita em Portugal e no Brasil durante o século XIX e início deste século. Seu exame possibilita acompanhar um percurso descendente. A posição inicial extremamente favorável é sucedida pelo silêncio, que substitui o louvor ao espírito patriótico; e pela reprovação à tonalidade romântica imprimida às tragédias, que abala a consagrada reputação do nosso primeiro romântico.
1 – O nacionalismo
Percorrendo os historiadores, é possível constatar que o prestígio de Magalhães desloca-se de uma posição mais favorável para outra inferior, como já dissemos. A mobilidade liga-se principalmente a um incremento do rigor analítico, além de sinalizar a transformação do conceito de nacionalismo.
No que concerne às virtudes nacionalistas da peça de estréia, é tão caloroso quanto breve o aplauso da História. O elogio incondicional, liderado, aliás, pelo próprio Autor no prefácio da primeira edição de Antônio José em 1839, evolui para o silêncio geral em relação a esse item.
Ao tempo de Gonçalves de Magalhães, os dramaturgos brasileiros servem-se de assuntos portugueses com a naturalidade de quem os encontra em casa. Por outro lado, a freqüência com que o fazem, permite afirmar que em seus anos iniciais o teatro considerava menos precisos os limites entre a antiga metrópole e a colônia do que a separação política há anos efetivada permitiria imaginar. 2
O primeiro a focalizar a contribuição que Magalhães dá ao teatro nacional é um companheiro seu, Joaquim Norberto de Sousa e Silva. O ensaio escrito em 1841 com o título "Bosquejo da história da poesia brasileira" contém cinqüenta e cinco páginas, sendo que três delas são dedicadas a comentar a participação do amigo para o avanço da literatura brasileira. Falando do sucesso da peça Antônio José, conclui que o público fez-lhe inteira justiça, não favor, acolhendo-a com entusiasmo. Ao descrever as qualidades merecedoras do justo aplauso, destaca o patriotismo demonstrado na escolha do tema. 3
Em 1860, um crítico vienense, Ferdinand Wolf, passa a organizar ensaios sobre Magalhães e a literatura brasileira que alcançariam grande repercussão entre nossos historiadores, particularmente a partir da publicação em língua francesa, em 1863 4. No prefácio a esta edição, Wolf refere o valioso auxílio recebido de escritores brasileiros para a realização de seu trabalho, sem revelar incômodo por receber informações de autores que viria a contemplar no próprio trabalho. Diz assim:
eu tive a boa sorte de travar relações com muitos escritores distintos do Brasil. Quero referir-me aos Srs. Domingos José Gonçalves de Magalhães, Manuel de Araújo Porto-Alegre e Ernesto Ferreira França, que me forneceram materiais de toda a espécie e me ajudaram com seus conselhos.
Em que pese a escassa isenção das fontes, Ferdinand Wolf não economiza elogios à obra de Gonçalves de Magalhães. Afirma que o fato de haver Magalhães escolhido para herói da primeira tragédia brasileira o primeiro poeta cômico nacional, faz grande honra do seu patriotismo.
Nova análise, esta assinada pelo conterrâneo Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro em 1862, comenta o ingresso de Gonçalves de Magalhães no quadro da dramaturgia nacional. Credita o aplauso recebido pela peça de estréia à focalização da figura do advogado fluminense, nosso desditoso compatriota, Plauto brasílico, dramaturgo fluminense. 5 Onze anos depois, a edição do Resumo de História Literária, do mesmo historiador, mostra que houvera espaço para revisar a posição anterior. Fernandes Pinheiro agora julga mais adequado considerar português a Antônio José da Silva. Em nota de rodapé explica que o local de nascimento não pode ser o único critério para a divisão das literaturas. Mais importantes são as idéias que os escritores representam, e arremata: ninguém nos contestará que foi Antônio José genuíno intérprete da sociedade em cujo gênio educou-se e viveu. 6
No ano de 1893, o Dicionário Bibliográfico Brasileiro ocupa-se de vida e obra de Gonçalves de Magalhães. Em relação ao nacionalismo de Antônio José registram-se principalmente dúvidas. Seu autor, Sacramento Blake, comenta a propósito: É o primeiro drama, se não me engano, de assunto brasileiro e de pena brasileira. 7 É este o último registro de que dispomos sobre as virtudes nacionalistas da peça. Os comentários subseqüentes omitem qualquer referência ao assunto. Preferem se fixar na exaltação dos méritos renovadores do dramaturgo.
2 – A renovação no teatro brasileiro
Quando a crítica se cala em relação ao nacionalismo revelado pela peça com que Gonçalves de Magalhães estréia no teatro nacional, o Autor não perde a aura de pioneiro. Àquela altura seu nome se encontra fortemente associado ao ímpeto renovador que chega ao Brasil com o Romantismo. A vanguarda é assegurada pelas virtudes estilísticas do texto e da encenação proposta.
No tocante à encenação, consta que Magalhães e o amigo Manuel de Araújo Porto-Alegre ao retornarem de longa estada na Europa aproximam-se do principal ator e empresário teatral do Rio de Janeiro, João Caetano dos Santos, e o instruem sobre novidades técnicas.
O resultado não tarda em aparecer. Em setembro de 1838, ao divulgar a representação de Otelo, peça traduzida por Magalhães e dirigida por ele e Porto-Alegre, o reclame do Diário do Rio de Janeiro, nos dias 11 e 12 de setembro, sobrevaloriza as técnicas modernas em relação a tudo o mais, seja o texto, o escritor, o tradutor ou o elenco. 8
Em comentário datado de 1852, o amigo Manuel de Araújo Porto-Alegre reconhece que a arte dramática só fez legítimos progressos naquela época em que o Sr. Dr. Magalhães se uniu ao Sr. João Caetano. 9 O depoimento eleva os méritos do companheiro e omite qualquer participação que ele mesmo pudesse ter tido nos acontecimentos.
Se Porto-Alegre prefere silenciar a respeito da própria contribuição, há testemunhos de que o trabalho da dupla de amigos teria sido decisivo para a renovação da cena dramática. Magalhães teria agido em parceria com Porto-Alegre, conforme refere, entre outros, o empresário português, Antonio de Sousa Bastos, ao publicar em Lisboa A Carteira do Artista no ano de 1898. Além de registrar a contribuição de ambos para a atualizar o estilo de João Caetano, destaca a colaboração emprestada à introdução do Romantismo no Brasil. 10
A qualidade principal de Magalhães não pode ser associada com o patriotismo na escolha de temas, conforme já vimos. O papel desempenhado na renovação técnica não garante, igualmente, o elogio sem reservas. Se o nosso primeiro romântico teve parte na reforma da cena dramática, não agiu sozinho. Contou com o efetivo auxílio do amigo, o artista plástico e também escritor, Manuel de Araújo Porto-Alegre, cujo nome não se encontra, talvez, suficientemente destacado em relação ao caso.
3 – A comparação com Almeida Garrett
Durante o século XIX não se registram contestações ao merecimento artístico de Gonçalves de Magalhães. Afora o louvor ao tom nacionalista da tragédia Antônio José, que desaparece a partir da década de 70, o Autor se mantém solidamente no topo. Os encômios alcançam o ponto máximo quando o brasileiro é comparado a Almeida Garrett. A semelhança é apontada inicialmente por Manuel de Araújo Porto-Alegre.
No elogio fúnebre a Garrett proferido no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1855, em honra do sócio falecido no ano anterior, Porto-Alegre declara:
Depois da reforma do teatro brasileiro, pelo Sr. Dr. Gonçalves de Magalhães, em 1837, apareceu a do teatro português pelo nosso finado colega. 11
Gonçalves de Magalhães devia concordar com a comparação. Atuando como conselheiro de Ferdinand Wolf para a elaboração do já citado ensaio sobre a Literatura brasileira, O Brasil Literário, permite que se afirme a seu respeito ter tido a honra de ter precedido Garrett, que teve mais tarde a mesma influência sobre a cena portuguesa (p. 328).
Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro, de sua parte, ratifica esse entendimento. No Resumo de História Literária, antes referido, destaca o papel semelhante dos dois escritores, que, por sinal, não chegaram a se conhecer pessoalmente. Segundo a obra publicada em 1873 – cada um em sua pátria – ambos foram responsáveis pelo reerguimento da cena dramática nacional (v. 2, p.462).
Os historiadores portugueses também analisam a obra de Gonçalves de Magalhães. Fazendo-o com mais rigor analítico, eles resistem à comparação com Garrett. Os tomos II, V e IX do Dicionário Bibliográfico de Inocêncio Francisco da Silva, publicados entre os anos de 1859 e 1870, ocupam-se da vida e obra de Magalhães. Revelando efetivo contato com as peças produzidas, Inocêncio aprofunda a crítica estética e indica influências literárias colhidas pelo dramaturgo brasileiro. É sóbrio no elogio, contudo. O verbete de 1870 afirma que, se as tragédias fossem subtraídas da produção de Magalhães, o poeta não ficaria valendo menos por isso. 12
O conhecido estudioso da obra de Almeida Garrett, o português Henrique de Campos Ferreira Lima aborda o caso em Garrett e o Brasil. 13 Examina semelhanças entre versos dos Suspiros Poéticos e de Camões e Dona Branca, os dois últimos publicados nos anos de 1825 e 1826, respectivamente. Não obstante sugerir a influência literária do escritor português sobre o nosso conterrâneo, destaca a primazia de Gonçalves de Magalhães na renovação do teatro brasileiro, antecedendo a reforma empreendida pelo outro. Em relação aos méritos dos dois escritores, Ferreira Lima simplesmente se abstém de opinar.
No Brasil, com o desaparecimento da geração contemporânea de Gonçalves de Magalhães rareia a comparação com Almeida Garrett e vai desaparecendo o hábito de igualar a ambos na reforma da cena artística nos respectivos países.
José Veríssimo, no início do século XX, conhece a idéia que circulava na época de aproximar os dois dramaturgos. Julga preferível, no entanto, preocupar-se em indagar quais influências de Garrett se poderiam identificar na literatura brasileira. Acaba constatando que a assimilação foi pequena e se fez mais notória sobre a segunda geração romântica. Em relação a Magalhães não identifica a influência e observa que se tivesse ocorrido, isso poderia ter beneficiado muito o nosso conterrâneo. 14
Em obra de 1903, 15 Veríssimo desenvolve a análise sobre a importância de Gonçalves de Magalhães para a literatura brasileira, com a qual concluímos nossa investigação. Um exame do período subseqüente pode acrescentar novos dados e, eventualmente outra interpretação. No período focalizado, é nítida a variação do prestígio do primeiro romântico, de cujo ocaso o pensamento de José Veríssimo dá um claro testemunho. Ao falar da participação do autor dos Suspiros Poéticos para a reforma do teatro nacional, o historiador observa que ao desempenho de João Caetano deve ser creditado grande parte do sucesso da peça Antônio José. A simples leitura, hoje, dificilmente justificaria o aplauso que a tragédia mereceu na estréia.
Não bastasse a dúvida em relação às qualidades dramáticas da obra de Magalhães, Veríssimo avança mais fundo. Ataca o posto que ninguém questionara até o momento. Para ele, o modelo da vanguarda romântica no Brasil deve ser buscado em lugar diferente, pois não estaria na obra de Gonçalves de Magalhães. À página 9 diz o seguinte:
Lendo-o hoje, mal compreendemos a impressão que ele fez no seu tempo, e como a crítica, quase unânime, e não só a crítica mas a nação, que podemos dizer que ainda não lia os seus autores, o consagrou como o grande poeta nacional, o criador da literatura brasileira.
Para arrematar, na página 11:
Nem Magalhães, nem Porto-Alegre foram verdadeiramente românticos. São dois temperamentos clássicos, de clássicos de decadência, perdidos no Romantismo. Achando-se no foco do Romantismo na Europa, no momento do seu apogeu, eles, não duvido dizer, não o compreenderam.
4 – Conclusão
O exame da posição de Domingos José Gonçalves de Magalhães na historiografia do Brasil e de Portugal, durante o século XIX e início deste, revela uma importante transformação. Da festiva repercussão experimentada nos anos mais próximos às publicações, observa-se a progressiva diminuição de prestígio. Cessa primeiro o louvor às virtudes nacionalistas da tragédia de estréia. Depois, decresce o apreço pelas qualidades estéticas da obra dramática. Por último, a fama de introdutor do Romantismo no Brasil é abalada pela demonstração do tom clássico prevalente na produção que se desejava considerar inovadora. Em anos mais recentes, não alcançados pela presente análise, também foi afastada a primazia de Magalhães na tarefa de iniciador do teatro romântico. 16
Desenvolvido esse percurso, não é difícil concluir que, se Magalhães ainda hoje encabeça a lista dos dramaturgos românticos, em nove entre dez manuais de literatura brasileira, isto se deve principalmente à demora da historiografia em proceder às necessárias revisões.
Notas:
1. Na introdução à Antonio José ou o poeta e a Inquisição, Gonçalves de Magalhães atribui a si a reforma da arte dramática nacional, dado que suas instruções ao ator e empresário João Caetano dos Santos produziram a substituição da monótona cantilena com que os atores recitavam seus papéis pelo método natural e expressivo, até então desconhecido entre nós. Também destaca o fato de tematizar assunto nacional. MAGALHÃES, Domingos José Gonçalves. Breve notícia sobre Antônio José da Silva. In: ___. Antônio José ou o Poeta e a Inquisição. Rio de Janeiro: F. de Paula Brito, 1839.
2. Uma análise mais detalhada sobre os laços culturais entre Portugal e Brasil no teatro durante a primeira metade do século XIX é encontrada no livro de minha autoria: Gonçalves de Magalhães e o teatro do primeiro romantismo. Porto Alegre: Movimento; Lajeado: FATES, 1993.
3. SILVA, Joaquim Norberto de Sousa e. Bosquejo da história da poesia brasileira. In: ___. Modulações poéticas. Rio de Janeiro: Francesa, 1841. p. 49.
4. Ferdinand Wolf escreveu vários ensaios sobre o assunto, como: WOLF, Ferdinand. Zum Antônio José da Silva, o Judeu, publicado em 1860, onde há referência à tragédia de Gonçalves de Magalhães, demonstrando que a essa altura Ferdinand Wolf já travara contato com os escritores brasileiros. Ueber Domingos José de Magalhães. Ein Beitrag zur Geschichte der brasilianischen Literatur. Wien: Luduwig Mayer, 1861. 40 p. Le Brésil littéraire – Histoire de la littérature brésilienne. Trad. Dr. Van Muyden. Berlin: A.Asher & Co., 1863. Deste último ensaio utilizamos aqui a edição seguinte: WOLF, Ferdinand. O Brasil literário: história da literatura brasileira. Tradução, prefácio e notas de Jamil Almansur Haddad. São Paulo: Nacional, 1955. As citações transcritas a seguir encontram-se à página 4, a primeira, e à página 302, a seguinte.
5. PINHEIRO, Joaquim Caetano Fernandes. Curso elementar de literatura nacional. Rio de Janeiro: Garnier, 1862. p. 441-453.
6. ___. Resumo de história literária. Rio de Janeiro: Garnier, 1873. v. 2. p. 228.
7. BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Dicionário bibliográfico brasileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1893-1902. v. 3. p. 217-221.
8. A referência aparece em: GOMES, Celuta Moreira e AGUIAR, Tereza da Silva. William Shakespeare no Brasil. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura; Biblioteca Nacional, 1961. p.102.
9. PORTO-ALEGRE, Manuel de Araújo. O nosso teatro dramático. Guanabara, Rio de Janeiro, v. 2, p. 97-104, 1852. O texto citado aparece à página 97.
10. BASTOS, Antonio de Sousa. A carteira do artista. Apontamentos para a história do teatro português e brasileiro. Lisboa: s.n., 1898. p. 478.
11. PORTO-ALEGRE, Manuel de Araújo. Discurso pronunciado no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, v. 18, p. 511-53, 1855. O texto citado aparece às páginas 519 e 520.
12. SILVA, Inocêncio Francisco da. Dicionário bibliográfico português. Lisboa: Imprensa Nacional, 1870. v. 9. p. 143-144.
13. LIMA, Henrique de Campos Ferreira. Garrett e o Brasil. Notas biográficas por Henrique de Campos Ferreira Lima. Revista de Língua Portuguesa, Rio de Janeiro, n. 22, p. 103-137, mar. 1923.
14. VERÍSSIMO, José. Garrett e a literatura brasileira. In: ___. Estudos de literatura brasileira. 2.série. Rio de Janeiro: Garnier, 1901. p.165-182.
15. ___. Um século de literatura. In: ___. Estudos de literatura brasileira. 3. série. Rio de Janeiro: Garnier, 1903. p. 1-12.
16. Compulsando textos dramáticos e registros da época, além de historiadores, demonstro que Gonçalves de Magalhães não é o pioneiro do teatro romântico no Brasil no meu livro Gonçalves de Magalhães e o teatro do primeiro Romantismo, indicado na Nota 1.