08/05/2019 - 12h59

Tarifa Branca: uma realidade para os consumidores residenciais brasileiros

Medidores de múltipla tarifação, postos tarifários, normas e mais: confirma mais informações sobre a área de medidores

A tarifa branca é uma novidade na modalidade tarifária no Brasil. Implementada em 2018, inicialmente ela era destinada para consumidores cujo consumo anual com média mensal acima dos 500 kW/h. De acordo com o engenheiro do LABELO José Teodoro, em 2019 quem tem consumo acima de 250 kW/h pode utilizar a tarifa branca. A partir de 2020 todas as unidades consumidoras podem aderir ao serviço.

A adesão ao sistema é voluntária. Quem não quiser a tarifa branca, continuará pegando um valor único durante o dia. Aqueles que optarem pela substituição, será necessária a troca do medidor de energia elétrica.

A realização de ensaio para os medidores elétricos

O medidor eletrônico de energia elétrica, conforme explica José Teodoro, deve ser ensaiado de acordo com a portaria Inmetro nº587 de 2012. Porém, ela é passível de ensaios adicionais destinados a verificação do relógio (base de tempo) dos medidores de energia elétrica, baseados pela portaria Inmetro nº 520 de 2014). “Para ter ideia, a Portaria nº520 nas condições de referência solicita que o medidor tenha uma exatidão melhor ou igual a mais ou menos 5,78 µs/s”, explica o engenheiro.

Antes da implementação da tarifa branca existia apenas uma tarifa, chamada de convencional, para o grupo residencial convencional (Grupo B). A tarifa convencional não distingue a diferença durante o dia no valor de energia (R$/kWh). “Nós, consumidores residenciais, entramos no Grupo B, com fornecimento de tensão inferior a 2,3 kV”, explica José Teodoro. Segundo ele, os consumidores do Grupo A (aqueles que não são residenciais) não possuem opção de aderir ou não aos sistemas de múltipla tarifação, sendo obrigados a aderir. Eles se enquadram em outro modo tarifário (Tarifa Azul ou Tarifa Verde) que possuem um valor de energia mais caro no horário de ponta.

Como funcionam os postos tarifários?

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) define três postos tarifários para o Grupo B em áreas urbanas. Existe, ainda, um quarto ponto destinado aos consumidores da subclasse rural ou agrícola.

Horário (posto) de ponta refere-se ao período composto por três horas diárias consecutivas definidas pela distribuidora, considerando a curva de carga do sistema elétrico, aprovado pela ANEEL para toda a área de concessão, com exceção feita aos sábados, domingos e feriados nacionais;

Horário (posto) fora de ponta refere-se ao período composto pelo conjunto das horas diárias consecutivas e complementares àquelas definidas no horário de ponta e intermediário (no caso da Tarifa Branca);

Horário (posto) intermediário refere-se ao período de horas conjugadas ao horário de ponta, aplicado exclusivamente as unidades consumidoras optantes pela Tarifa Branca.

Cada distribuidora, conforme relata José Teodoro, determina o horário e o custo de energia em cada posto tarifário. No site da Aneel é possível encontrar esses dados facilmente.

Valor da energia em cada posto tarifário CEEE-D (maio/2019)

Posto horário Hora inicial Hora final Valor energia (R$/kWh)
Fora Ponta 00:00 16:59 0,475
Intermediário 17:00 17:59 0,642
Ponta 18:00 20:59 0,987
Intermediário 21:00 21:59 0,642
Fora Ponta 22:00 23:59 0,475
Tarifa convencional 0,548

Pelo exemplo da CEEE-D é possível entender a implementação da tarifa branca pelo governo brasileiro. Ela surgiu, portanto, para incentivar os consumidores residenciais a consumirem energia fora da ponta quando os picos de consumo são mais elevados. Nos últimos anos, contudo, os picos de consumo se apresentaram fora dos horários de ponta da concessionária.Comparando o valor da energia elétrica convencional ao considerar os exemplos da CEEE-D, o valor fora da ponta é em torno de 13% mais barato e o valor da ponta é 80% mais caro.

Vale a pena aderir à tarifa Branca?

José Teodoro defende a ideia de que a resposta é complexa e aberta a diferentes discussões. “Cada caso precisa de um estudo preliminar”, afirma. A tarifa branca pode ser válida às pessoas que passam muito tempo em casa e utilizam de forma frequente diferentes eletrodomésticos, como máquina de lavar, aspirador de pó, ferro de passar roupa, entre outros no mesmo dia. Caso contrário, o engenheiro não recomenda a substituição dos medidores de energia elétrica, visto que a conta provavelmente aumentará.

Ao analisar os números da Aneel, pode-se notar que a adesão à tarifa branca está abaixo do esperado, conforme exemplos da CEEE-D. Apenas 24 consumidores utilizam o modelo tarifário. A distribuidora que mais instalou medidores de múltipla tarifação foi a ELETROPAULO (agora pertencente ao grupo ENEL) com 638 adesões, um número considerado baixo para o tamanho da concessionária de energia, a maior do Brasil. “Para se ter mais adesões na modalidade tarifária branca, serão necessários valores mais atrativos para os consumidores ou até mesmo uma obrigatoriedade na adesão”, conclui José Teodoro.

Compartilhe

Leia Mais Veja todas

Últimas Notícias

Veja todas notícias