11/07/2019 - 19h35

Pesquisa é apresentada no Ministério da Cidadania

Rodrigo Grassi abordou estudo feito com usuárias de crack

Quando as pesquisas realizadas no âmbito acadêmico chamam a atenção do poder público é um significativo aceno de que os estudos extrapolaram as paredes da Universidade e podem ser úteis na construção de políticas públicas voltadas para toda a sociedade. No início de junho, o professor do curso de Medicina da PUCRS e pesquisador do Instituto do Cérebro do RS, Rodrigo Grassi-Oliveira, foi convidado a participar de um seminário no Ministério da Cidadania, em Brasília. Ele abordou o estudo “Alvos de proteção à mulher usuária”, realizado desde 2010 pelo grupo interdisciplinar de Neurociência Cognitiva do Desenvolvimento (DCNL), que faz parte da Escola de Medicina da Universidade.

O estudo mostrou dados coletados com 1344 usuários, sendo que 546 eram mulheres consumidoras de crack. Elas apresentaram uma taxa de HIV de 20%, percentual consideravelmente mais alto que a média da população geral, que é de 0,8%. “A rede precisa levar em consideração que a doença da dependência química é mais grave nas mulheres porque, de acordo com o estudo, elas consomem mais pedras por dia, sofrem mais na desintoxicação, geralmente são vítimas de abusos sexuais e carecem de estratégias de planejamento familiar e serviços específicos”, apontou Grassi.

Cada uma das mulheres tem de dois a três filhos, e essas crianças que se desenvolvem nesse contexto de vulnerabilidade também são alvo da preocupação dos pesquisadores. “Com as crianças se desenvolvendo nesse contexto, estimamos que eles sofram maus tratos, como negligência na primeira infância. Para evitar que eles virem os próximos usuários, é preciso focar em prevenção”, enfatizou.

Ao fim do painel, o secretário de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania, Quirino Cordeiro Júnior, que estava mediando o painel, ressaltou o nível elevado do debate ao unir pesquisas com práticas clínicas – importante para a implementação de políticas públicas. “Quanto mais dados, melhor para entendermos as necessidades, para fortalecer o trabalho e para a busca por alternativas concretas para enfrentar essas questões e melhorar os cuidados e os tratamentos”, concluiu.

O Seminário Intersetorial de Prevenção, Conscientização e Combate às Drogas contou com a participação do secretário executivo adjunto do Ministério da Saúde e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Erno Harzheim, gestor geral da Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas, Pablo Kurlander. O evento foi realizado em parceria com os ministérios da Justiça e Segurança Pública, Defesa, Infraestrutura, Educação, Saúde e Mulher, Família e Direitos Humanos.

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