10/07/2020 - 19h11

Estudo revela alvos potenciais para inibir a recordação de memórias de medo

Pesquisa de pós-doutoranda revela que a modulação de um grupo de enzimas cerebrais é capaz de facilitar o processo de extinção de memórias de medo.

A recordação frequente de memórias de medo pode desencadear um conjunto de sintomas físicos, psíquicos e emocionais que causam dor e sofrimento ao indivíduo. No Transtorno do Estresse Pós-Traumático e em diversos outros transtornos de ansiedade, as manifestações acima se tornam tão recorrentes a ponto de dificultar ou até mesmo impedir que o indivíduo tenha uma vida normal. Visto que o tratamento farmacológico para as condições clínicas acima inclui medicamentos cuja eficácia é mínima e limitada, o tratamento padrão atual consiste na chamada terapia de exposição, uma técnica comportamental baseada na extinção de memórias de medo. Esse processo consiste em inibir a recordação de uma memória previamente armazenada, porém, nem todos os pacientes obtém sucesso com essa terapia.

Na busca por alternativas farmacológicas capazes de potencializar a extinção de memórias de medo, o estudo em questão demonstrou que a ativação das anidrases carbônicas é capaz de facilitar esse processo. Esse grupo de enzimas possui um papel fundamental em diversos processos fisiológicos, sendo amplamente distribuídas em regiões cerebrais essenciais para o processamento da memória. Os achados da pesquisa demonstram que ativadores das enzimas anidrases carbônicas são alvos potenciais para o futuro desenvolvimento de fármacos capazes de facilitar a extinção de memórias de medo e, assim, auxiliar no tratamento de diversos distúrbios psiquiátricos.

A pesquisa foi desenvolvida através da colaboração internacional entre a PUCRS e a Università degli Studi di Firenze, na Itália. Seus achados, de extrema relevância para a área da neurociência, acabam de ser publicados no renomado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences of United States of America.

O estudo foi desenvolvido pela pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação de Gerontologia Biomédica, Drª Scheila Daiane Schmidt, pesquisadora do Centro de Memória do Instituto do Cérebro do RS da PUCRS, que esteve na Itália a fim de realizar parte dos experimentos comportamentais e bioquímicos. O estudo teve a colaboração dos Professores da Escola de Medicina Dr. Ivan Izquierdo, Drª Jociane de Carvalho Myskiw e Drª Cristiane Regina Guerino Furini, além do auxílio da doutoranda em Gerontologia Biomédica, Eduarda Godfried Nachtigall, e dos pesquisadores do Centro de Memória.

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