07/01/2019 - 17h56

Efeitos da Ocitocina Intranasal na atividade cerebral em usuárias de cocaína/crack

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Coordenador: Prof. Dr. Rodrigo Grassi-Oliveira

Integrantes: Prof. Dr. Alexandre Rosa FrancoProf. Dr. Augusto BuchweitzMe. Breno Sanvicente (doutorando)Me. Natália Bianchhini Esper (doutoranda), Renata Rodrigues (graduanda), Gabriela Jacoby (graduanda).

Os pesquisadores do InsCer Rodrigo Grassi-Oliveira, Alexandre Rosa Franco, Augusto Buchweitz e Breno Sanvicente lideram no instituto um estudo, em fase clínica, para avaliar um novo tipo de intervenção para auxiliar as mulheres usuárias de crack. De acordo com os pesquisadores, os tratamentos atuais destinados a usuárias são muito pouco eficientes e não levam em conta as particularidades de gênero e outros fatores individuais que levam as pessoas a tornarem-se usuárias. Segundo eles, a mulher sofre mais durante a desintoxicação e acaba sendo exposta a situações de trauma, como morar na rua ou mesmo se submeter à prostituição. “A mulher progride para a doença mais rápido e os prejuízos associados são mais intensos”, revela o pesquisador Breno.

A intervenção utilizada neste projeto de pesquisa, pioneiro no mundo, é o uso de ocitocina intranasal para redução de fissuras e do aumento do controle da vontade do uso. Cerca de 50 mulheres usuárias recentemente internadas em uma unidade de desintoxicação de Porto Alegre estão sendo convidadas a participar desta pesquisa. Nesta fase, as pacientes recebem um análogo do hormônio via inalação e são avaliadas, em seguida, através de exames de ressonância magnética funcional no instituto, permitindo mapear a atividade cerebral. Como a fissura é muito associada a pistas do ambiente, durante o exame, são apresentadas imagens (fotografias) de crack (da droga) e de pessoas usando o crack, em um monitor instalado na sala do exame.

Enquanto as imagens estão sendo mostradas, são mapeadas as atividades cerebrais destas mulheres. Para garantir a correta interpretação dos dados, em outro momento a mesma paciente repete o procedimento, porém utilizando um spray de solução fisiológica para estudo de efeito placebo. Se trata de um estudo duplo cego, onde nem os pesquisadores e nem os pacientes sabem se a substância inalada seria solução fisiológica ou o hormônio. Em uma fase piloto, onde ainda o cegamento não havia ocorrido, foi possível constatar aquelas que usaram ocitocina apresentaram um aumento da atividade cerebral em regiões do cérebro responsáveis pelo controle emocional e tomada de decisão. Se isso for de fato confirmado ao fim da pesquisa, que deve estar concluída em dois anos, um novo alvo de intervenção terapêutica para o tratamento de crack em mulheres poderá ter sido descoberto.

Pesquisa na mídia:

Jornal do Almoço – RBS TV – 22 de dezembro de 2016

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