07/01/2019 - 17h42

Alzheimer´s Team

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Pesquisador líderJaderson Costa da Costa, MD, PhD;

Demais integrantes: Alexandre Rosa Franco, PhDAna Maria Marques da Silva, PhDCelia Ribeiro da Silva Carlini, PhDCristina M. Moriguchi Jeckel, PhDCristina Sebastião Matushita, MDMScDaniel Marinowic, PhDDiogo Ribeiro Demartini, PhDEduardo Zimmer, PhDEliete Biasotto Hauser, PhDEvandro Manica, PhDGraciane Radaelli, MScLeonardo PisaniLouise Mross Hartmann, MScLucas Schilling, MD, MScMichele Alberton Andrade, MScMirna Wetters Portuguez, PhDRicardo Bernardi Soder, MD, PhDSamuel Greggio, PhDSilas ReznicekWyllians Vendramini Borelli; e Zaquer Costa-Ferro, PhD.

Instigado pelos mistérios e pela crescente importância da Doença de Alzheimer no Brasil e no mundo, o Instituto do Cérebro conta com um grupo especializado em neurodegeneração cerebral: o Alzheimer’s Team. O grupo é liderado pelo Prof. Dr. Jaderson Costa da Costa, diretor do InsCer, e reúne-se a cada 2 semanas com foco no estudo da Doença de Alzheimer através de projetos de pesquisa clínico e pré-clínico. Um grande diferencial do grupo é o trabalho em equipe interdisciplinar, envolvendo estudantes de pós-graduação, físicos, químicos, farmacêuticos, bioquímicos, matemáticos, biólogos, neuropsicólogos e médicos. Nas reuniões são abordados tópicos relevantes para a pesquisa em novos biomarcadores da doença, através de neuroimagem estrutural (Ressonância magnética) e funcional, além do desenvolvimento de radiofármacos que auxiliam o diagnóstico dessa patologia, como o PET-CT associado ao PIB-C11 e FDG.

Entendendo o PIB-C11

 A medicina nuclear é uma especialidade médica que utiliza a injeção de material radioativo na veia de um paciente para estudar o funcionamento de um determinado órgão. Esse material é chamado de radionuclídeo. Para que esse radionuclídeo alcance o órgão almejado para estudo, necessita de um fármaco que imite uma substância fisiológica do nosso organismo e leve esse radionuclídeo para o órgão. A junção desse fármaco com o radionuclídeo é chamado de radiofármaco. O PIB-C11 (Pittsburg Compound B, marcado com carbono 11) é um radiofármaco que marca as placas beta-amiloides que se concentram em algumas partes do encéfalo (na região temporo-parietal associativa e cíngulo posterior) em pacientes com Alzheimer. A dificuldade com os radiofármacos que utilizam o carbono 11 é a sua duração, isso é, a meia-vida. Assim, o carbono 11 perde atividade (decaimento) em 20 minutos. Portanto, há a necessidade que sua produção no cíclotron esteja muito próxima da sua aplicação (utilização no paciente).

Importante: o que se sabe é que em pacientes que tenham o MCI (Mild Cognitive Impairment, ou seja, déficit cognitivo mínimo) ocorrem alterações cognitivas sutis, sem impacto significativo na realização nas atividades de vida diárias e na fase pré-clínica não apresenta qualquer sintoma, mas é possível documentar através de biomarcadores alterações patológicas que evidenciem o processo fisiopatológico da doença de Alzheimer e precedem os primeiros sintomas como o acúmulo das placas beta-amiloides no cérebro.

Sabe-se que um precursor importante na doença de Alzheimer é a deposição de um derivado da proteína beta-amiloide, que gera essas placas no cérebro. Atualmente, o método de referência que se tem para comprovar a deposição amiloide-cerebral é o exame através da Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) em associação como radiofármaco PIB-C11 que se liga especificamente nas placas amiloides. O que se pretende no Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul é a realização de exame de Ressonância Magnética morfológica e funcional associado ao exame de PET-FDG neurológico e PET-PIB. O PET-FDG marcado com flúor 18 permite avaliar o metabolismo das diversas áreas do cérebro e o PET-PIB avalia o depósito da substância beta-amiloide.

A diminuição da captação do FDG nas áreas mencionadas (região temporo-parietal associativa e cíngulo posterior), através dos exames de PET-FDG, por exemplo, já é um padrão de diagnóstico estabelecido na doença de Alzheimer. Com o PIB, que deverá ser produzido no Centro de Produção de Radiofármacos do próprio InsCer, é um marcador específico das placas beta-amiloides sabe-se de sua retenção nas áreas de concentração de tais placas no cérebro, ajudando assim em conjunto com o PET-FDG um diagnóstico de Alzheimer.

UC-Irvine e InsCer-PUCRS

Em 2015, o InsCer promoveu a Escola de Altos Estudos, um evento que, com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e da Fundação de Apoio à Pesquisa no Rio Grande do Sul (FAPERGS) contou com a participação do renomado neurocientista Howard Federoff, MD, PhD, da UC-Irvine (EUA). Com sua equipe e com Michael Nalls, PhD, cientista do National Institutes of Health, Federoff abordou tópicos em neurociências para alunos e profissionais que atuam não só no Instituto como em outras universidades gaúchas. Os pesquisadores internacionais desenvolvem suas pesquisas com biomarcadores encontrados em testes de sangue. O grupo de Irvine (ex-Georgetown University) identificou no sangue periférico biomarcadores (fosfolipídios) que predizem a conversão de um indivíduo com déficit cognitivo mínimo para doença de Alzheimer em 2 a 3 anos.

Esse painel de biomarcadores foi ampliado com maior acurácia em 2015. Mais recentemente, o grupo conseguiu identificar em extratos de exosomas (pequenas vesículas inseridas no terminal do nervo) derivados do cérebro mas obtidos no sangue periférico de indivíduos normais e de pacientes com doença de Alzheimer biomarcadores que antecipam diagnóstico da doença de Alzheimer em até dez anos. Em mais um acordo de cooperação internacional, o uso de biomarcadores oriundo do time UC-Irvine e do PET-PIB pelo InsCer-PUCRS eleva a pesquisa da doença de Alzheimer a um novo patamar de importância, pois permite a detecção de estágios assintomáticos da doença (diagnóstico precoce da doença de Alzheimer).

Foto: Bruno Todeschini/Arquivo Fotográfico/ASCOM/PUCRS

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