Ana Maria Marques da Silva

ANAMARIAAna Maria Marques da Silva, professora e diretora da Faculdade de Física, ministrante das disciplinas de Processamento e Análise de Imagens Médicas e Física da Medicina Nuclear (ambas da graduação em Física Médica), além de atuar no programa de pós-graduação em educação em Ciências e Matemática, é usuária do Laboratório de Alto Desempenho.

Ana Maria iniciou a vida acadêmica em 1980 na Universidade de São Paulo (USP), instituição na qual também cursou o mestrado e o doutorado em Física. A docente, que pensava em cursar Engenharia, optou pela graduação em Física, pois foi influenciada por um professor do Ensino Médio. A proximidade com a informática começou na graduação quando cursou cadeiras de programação, mas só foi significativa durante o doutorado. “Quando entrei na Universidade, a informática era muito diferente do que é hoje. Nós não tínhamos computadores pessoais, mas no curso de Física eu comecei a fazer disciplinas de programação Fortran. Elas eram muito diferentes, pois como não possuímos computadores pessoais, nós precisávamos digitar cada linha do programa em um cartão perfurado. Aquilo era realmente um sofrimento. Eu não diria que foi aquilo que me levou a trabalhar com a informática, acho que foi bem depois”, brinca a professora.

Ana Maria, atualmente, coordena o Núcleo de Pesquisa em Imagens Médicas (NIMed), no qual desenvolve duas linhas de pesquisa: em processamento e análise de imagens e em simulação computacional em imagens médicas. A primeira linha corresponde ao desenvolvimento de métodos para melhorar a visualização de imagens por médicos. Para essas imagens são desenvolvidas também metodologias para que os profissionais possam realizar medidas quantitativas. Conforme menciona a professora, as medidas obtidas a partir das imagens permitem que o médico possa realizar um diagnóstico mais preciso. O Núcleo desenvolve trabalhos com a área de neurologia e odontologia, por exemplo. Apesar dos processamentos serem feitos localmente, as imagens médicas utilizadas nas pesquisas são armazenadas no Laboratório de Alto Desempenho, devido ao tamanho dos arquivos.

A respeito da linha de simulações computacionais em imagens médicas, a professora revela que o desenvolvimento depende fortemente do LAD. Nessa linha, a equipe simula equipamentos médicos de diagnóstico por imagens, ou seja, o NIMed modela um equipamento, por exemplo, uma tomografia computadorizada, criando um modelo matemático virtual que reproduz de modo muito similar um equipamento hospitalar. Também são criados pacientes virtuais e todo o processo físico de produção da imagem é simulado. Os benefícios da simulação giram em torno da possibilidade de testar os efeitos de problemas no equipamento e a melhoria das técnicas de reconstrução tomográfica e de correção das imagens, sem a necessidade de utilizar pacientes e equipamentos reais em testes.

Com o objetivo de sempre gerar a melhor imagem possível para um melhor diagnóstico, a equipe da Física Médica realiza as simulações no LAD e aprova a estrutura do laboratório da PUCRS. “Para mim o LAD é extremamente importante, porque eu já trabalho alguns anos nessa área. Eu tinha outro modelo de laboratório, auto-sustentável, com armazenamento próprio e com computadores gerenciados por minha equipe. Isso é possível quando você tem com um número pequeno de trabalhos e imagens. A partir do momento que você precisa de uma capacidade computacional de cálculo e de armazenagem maior, isso se torna extremamente complicado, não só por causa do gerenciamento, mas também da segurança dos dados e também da capacidade”.

A pesquisadora destaca os serviços que o LAD oferece ao grupo e os avanços que ele gera nos estudos. “A existência e a possibilidade do LAD de armazenamento, de computação e de apoio técnico para a questão da paralelização de alguns programas que utilizamos, acabou desenvolvendo o grupo de maneira geral. Nos últimos anos, temos produzido mais e com maior sofisticação do que produzíamos antes da cooperação”.

Ana Maria Marques da Silva finaliza a entrevista mencionando o principal diferencial do Laboratório: a rapidez da resposta apresentada pelas máquinas. “Não tem nenhuma comparação. É muito mais rápido. A gente ganhou tempo, dinheiro, eficiência, capacidade para fazer um maior numero de simulações. Foi um ganho em todos os sentidos. Inclusive em produzir um modelo que não existe em muitos lugares. No país não conhecemos nenhum modelo desse tipo, um modelo de laboratório que realize simulações em cooperação com um laboratório de alto desempenho e que faça isso com tranqüilidade. O resultado tem sido excelente”.