O Projeto
PROJETO INTEGRADO DE PESQUISA
Egiptomania no Brasil: O caso do Rio Grande do Sul. (séculos XIX e XX)
Prof. Drª. Margaret Marchiori Bakos (PUCRS)
E-mail: cejha@pucrs.br
CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA
Há milênios, o Egito tem fascinado o mundo ocidental, e uma das razões é a permanência, até a atualidade, de suas construções monumentais, mais especificamente as pirâmides, as únicas entre as sete grandes maravilhas da antigüidade hoje disponíveis. Outra, é a magia que emana de tudo aquilo que permanece - vestígios daquela civilização: obeliscos, objetos do cotidiano, funerários, textos de todos os gêneros: poesias, contos e até registros de práticas curativas e de administração pública. Desafiando o tempo, ainda nos encantam as inúmeras tumbas escavadas nas rochas de pedra calcária, que margeiam o rio Nilo, embelezadas com inscrições, cujas cores e plasticidade são conservadas pelas técnicas, desenvolvidas a partir de critérios que valorizam muito a vida após a morte e, por isso, estimulam criações perenes. Assim, ao longo dos milênios, encanta-nos o olhar egípcio sobre a imortalidade.
Há, também, uma qualidade na arquitetura faraônica e, de modo geral, nas outras formas de criação daquela sociedade que, a despeito do ambiente, sociedade, crenças e métodos distintos que temos no século XXI, nos fascina mais e mais. É surpreendente constatar a dificuldade de se dar uma simples explicação para a atração que essas pirâmides, monolitos, templos e outros objetos exercem sobre os homens ainda hoje. Sobressai o fato de que os homens, nos tempos faraônicos, empregaram os seus materiais com uma autoridade, uma força e uma sofisticação que nunca foi ultrapassada. (BREUER, S/D,3).
A busca pelo conhecimento do pensamento racional, que promove o desenvolvimento das técnicas e da produção e pelas formas de apropriação e reutilização das coisas do antigo Egito, valorizando o sentido mágico dessas criações, são, respectivamente, os objetos específicos de interesse da egiptologia e da egiptomania.
A egiptologia é a ciência que trata de tudo quanto se relaciona ao antigo Egito. Soldados, do alto destas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam... é a célebre frase de Napoleão Bonaparte, pronunciada em 21 de julho de 1798. Ela inicia o texto de Descrição do Egito, obra da missão cultural que o conquistador leva para o Egito, de consulta indispensável, quando se trata de Egito antigo. Desde então, uma plêiade de sábios ajuda a dar os substratos científicos à egiptologia. O marco primordial deve-se a Jean-François Champollion, através da decifração dos hieroglifos, analisando a Pedra de Rosetta, com sua inscrição bilingüe, e das obras magistrais: Précis du système hyéoglyfique, Panthéon égyptien, Cartas, Monuments de l´Egypte et de la Nubie, Notices descriptives1 (SAUNERON, S. 1970, p.18). O conhecimento da escrita provocou, então, a criação e o desenvolvimento da egiptologia.
A seguir, pode-se citar Auguste Mariette (1821-81), que organiza, no Egito os serviços essenciais com o intuito de salvaguarda dos monumentos antigos: o serviço das Antigüidades e o Museu, e Richard Lepsius, que dirige a expedição prussiana, de 1842 a 1845. A expedição cobre todo o território egípcio, vale e desertos e executa levantamentos de textos, planos e desenhos. Seguem-se outros pioneiros, igualmente importantes: Heinrich Brugsch (1827-94), seu filho Émile (1842-1930), Émile Jean Maspero (1846-1916) e Jean Pierre Erman (1854-1937) , Alexander Rhind (1833-63) W.M.F. Petrie (1853-1942), entre muitos outros. Através dos trabalhos desses homens, principalmente, constrói-se essa ciência nova: a egiptologia2 (BAINES, J. & MÁLEK, J, 1984, p. 22-29).
Sauneron expõe quatro gêneros extremamente precisos de atividade para caracterizar um projeto de egiptologia: deve empenhar-se em salvaguardar um patrimonio cultural, explorar o material que se encontra à sua disposição, ampliar o campo de pesquisas e, finalmente, publicar e difundir o resultado de seus trabalhos (SAUNERON, 1970, p.32).
Aos poucos, os pioneiros solidificam os princípios de uma atividade que será responsável pela conservação de substancial parte do grande patrimônio deixado pelos antigos egípcios à humanidade. A luta deles será, em muitos casos, dificultada pela ação dos aventureiros que vão para o Egito, principalmente a partir de finais do século XVIII e no decorrer do XIX, em busca de objetos antigos para vendê-los a colecionadores, desejosos de possuírem peças do antigo Egito.
É fácil constatar o êxito da egiptologia e o sucesso daqueles que a seguiram como profissão ou a sustentaram, o que é atestado pelo entusiasmo mundial despertado pela descoberta da tumba de Tutankhamon, em novembro de 1922, por Howard Carter (1874-1939), financiado pelo milionário inglês - Lord Carnavon (1866-1923). As inúmeras publicações em periódicos e revistas, feitas nessa ocasião, no mundo todo, inclusive no Brasil, propiciam um substancial testemunho da paixão pela história, beleza plástica e significados das coisas antigas egípcias.
Atualmente, há cursos específicos em Universidades de todos os continentes, dedicados ao estudo científico sobre o Egito Antigo. No Brasil há, inclusive, dois programas de Pós-Graduação em História que incluem, em suas linhas de pesquisa, a possibilidade de estudos especializados sobre essa sociedade: Universidade Federal Fluminense e Universidade de São Paulo. Tais centros acadêmicos podem ser considerados como provas de reconhecimento da egiptologia neste País.
A egiptomania refere-se a uma prática mais antiga que a da egiptologia, mas esse termo, que a designa, aparece na Europa apenas no decorrer da primeira guerra mundial.3 Segundo informa Antonia Lant, ele se refere a uma vasta reutilização de motivos do antigo Egito para a criação de objetos e de narrativas contemporâneos, em uma época desejosa de objetos antigos autênticos (LANT, 1996, p. 587).
Egiptomania, Revivificação Egípcia, Estilo do Nilo, Faraonismo são palavras diferentes para expressar o mesmo fenômeno, explica Humbert:
Ele consiste no tomar de empréstimo, dos elementos mais espetaculares, da gramática de ornamentos que é a essência original da arte Egípcia antiga; e dar a esses elementos decorativos nova vida através de novos usos.
É importante definir precisamente o que se entende por egiptomania e não aplicar indiscriminadamente a palavra a todas as coisas conectadas com o Egito. Uma pintura de uma paisagem egípcia com palmeiras e uma caravana no deserto sugerem Orientalismo e Exoticismo e não egiptomania. Viajar para o Egito, ter gosto por antigüidades, trazer de volta objetos e exibi-los em coleções de curiosidades são expressões de egitptofilia mais do que de egiptomania ( HUMBERT, 1996, p.11).
A egiptomania tem uma longa história na Europa, que começa com os Romanos. O Imperador Augusto inicia o translado de monumentos egípcios e os obeliscos, para Roma. Eram os restos de uma civilização que podiam ser usados para refletir uma cultura triunfante, explica Espesolin, primeiro a imperial romana e, posteriormente, a cristã. Ainda segundo esse autor
... la inclusión de Egipto en el Imperio romano favoreció la existencia de um gusto por lo egípcio, presentes desde la piramide de Caius Cestius Epulo (12 ªC.), hasta em la realización de réplicas de los obeliscos, sin olvidar el importante culto a Isis y los numerosos amuletos egipcios que, adscritos a su culto, fueron fabricados (ESPELOSIN, 1997, p.231)
A paixão pelo Egito ressurge na Renascença . Graças à criação da imprensa (1450), os livros se multiplicam e o saber circula, o humanismo desenvolve a curiosidade e os progressos técnicos facilitam a navegação. Graças às obras dos humanistas, o mundo letrado dos finais do século XV descobre o Egito através da admiração de viajantes e de historiadores antigos. Sábios e eruditos de toda a Europa se voltam para o Egito (BRUWIER, M.C. 1994, p.17).
Depois, novamente no século XVIII, bem antes da expedição de Bonaparte, a egiptomania, na Europa, sofre extraordinário momento de grandeza (LANT, 1996, p.587). Observa-se que:
El interés por Egipto corrió paralelo a la revolución de la política exterior de la potencias europeas, siendo por ello que en el tránsito al siglo XVIII, la situación politica del Imperio Mameluco y el papel que éste desempeñaba em el Mediterráneo, provoca que Francia y Inglaterra procedan al establecimiento de cónsules em Tuquía o Egitpto. Serán estos cónsules los que vayan acercando a sus países la riqueza cultural de estas tierras, bien com sus relatos y experiencias, bien com el envío de antigüedades a sus países (ESPESOLIN,1997,p.231).
A egiptomania surge em uma junção de ciências e imaginação, explica Jean-Marcel Humbert. Ela drena sua substância de conhecimentos acadêmicos sobre o antigo Egito, do saber popular, transmitido por viajantes e escritores, e do repertório de mitos e símbolos assim gerados (HUMBERT, 1994, p.608). De fato, essa fascinação pelo antigo Egito toca todas as artes no ocidente, desde a arquitetura, música, pintura, escultura até o cinema. Não há gênero que tenha escapado da sua influência. A escala de desvios toma tal proporção, informa Humbert, que desaconselha qualquer tentativa de dar exclusividade de gênero para classificar e sistematizar as práticas de egiptomania.
Esse interesse vem até a atualidade através, inclusive, da organização de Congressos Internacionais. Recentemente, ocorreu, por exemplo, uma magnífica mostra, denominada A Exposição Egiptomania, apresentada em Paris, Ottawa e Viena em 1994 e 1995 e obteve significativa repercussão no restante do mundo (HUMBERT, 1996, p.11).
Séculos de egiptomania deixaram um legado de objetos e produções de surpreendente variedade que um não-especialista poderá confundí-los com a genuína arte do antigo Egito. Em todos os países do ocidente, sem exceção, afirma Humbert (1996, p.21), tem-se tentado imitar a arte Egípcia. Obeliscos, pirâmides e esfinges são as formas mais populares visíveis em todo o lugar. O autor adverte que na pesquisa sobre egiptomania é preciso definir precisamente o seu sentido e não aplicar indiscriminadamente a palavra para todas as coisas conectadas com o Egito. O fator, para Humbert, que determinará o qualificativo de egiptomania a um trabalho é a antigüidade dada ao tratamento decorativo. No caso da representação da esfinge é preciso que porte o nemes. Além disso, qualquer moderna criação neo-Egípcia pode fazer parte da egiptomania se ela é reinterpretada e re-usada de maneira que lhe dê novo significado, como nos filmes ou em publicidades.
Em síntese, segundo Humbert, egiptomania é mais que uma simples mania pelo Egito. Não é suficiente se copiar formas egípcias - os artistas devem recriá-las no cadinho de sua sensibilidade e no contexto de suas épocas ou devem dar a elas uma aparência de vitalidade renovada, uma função diferente daquela para a qual foram originariamente criadas (HUMBERT, 1996, p.21).5
II - OBJETIVOS E METAS
Este projeto busca localizar e estudar as manifestações de egiptomania, no Brasil, sem perder de vista o contexto do país onde se processa o interesse pelo estudo do Egito antigo, do ponto de vista acadêmico, erudito e científico.
A idéia de pesquisar sobre a egiptologia/egiptomania no Brasil nos ocorreu, há cinco anos, a partir de leituras sobre relatos de investigações bem sucedidas, nesse sentido, realizadas na América do Norte e Austrália. Países de colonização européia, historicamente menos privilegiados que os componentes daquele continente, para esse tipo de estudo6, sendo esse exatamente o caso do Brasil, distante geograficamente dos pólos de surgimento e desenvolvimento de atividades da egiptologia.
Estudando a história do Brasil logo descobrimos que neste país existe, desde o início do século XIX, uma manifestação de interesse pelo Egito. Em 1824, D. Pedro I, Imperador do País, comprou, em hasta pública, no Rio de Janeiro, de um mercador italiano - Fiengo -, peças sobre o Egito antigo que planejara vender na Argentina. Esse foi o núcleo inicial do que é hoje o maior acervo do gênero, na América do Sul (KITCHENS, K, 1990, p.4)7. Mais tarde, na década de 70, seu filho, D. Pedro II, faz duas viagens ao Egito e enriquece a coleção com novas peças.
Assim, verificamos que a história da egiptologia, no Brasil, embora mais recente que a européia, não é menos importante, e merece ser estudada até mesmo pela importância dos seus desdobramentos: existência atual de cursos de pós-graduação, no País, que aceitam e incentivam a pesquisa sobre o Egito antigo.
Em 1995, elaboramos um Projeto Nacional de pesquisa8, registrado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, n. 103.224, que não chegou a ser implementado em sua totalidade por falta de suporte financeiro. Entretanto, tivemos o incentivo para continuar desenvolvendo uma pequena parte desse projeto através de duas bolsas de iniciação científica, concedidas pelo programa do BIPIC - CNPq, junto às Universidades: em 1995 e 1998. Em síntese, os projetos implementados são o que seguem:
1) Egiptologia no Rio Grande do Sul: simbologias e manifestações (1995-1998), Bolsista -Viviane Adriana Saballa, acadêmica de História.
O projeto busca identificar e questionar a reutilização de símbolos do Antigo Egito em nomenclaturas e/ou logotipos de estabelecimentos de cunho comercial. O problema central é entender as razões que levam os donos de estabelecimentos comerciais a usar nomes e/ou logotipos referentes à civilização egípcia.
A metodologia tem dois momentos fundamentais: levantamento sistemático dos nomes nos guias telefônicos, anos de 1995 a 1997, de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Contato telefônico e envio de questionário específico para as pessoas que se disponham a colaborar. Solicitação de entrevistas pessoais. O segundo momento é relativo à realização das entrevistas.
Entre os resultados da pesquisa salienta-se a forma com que ela evidencia o papel da escola na formação da consciência de historicidade nos cidadãos. A apropriação dos nomes e objetos do Egito antigo visando uma reutilização atualizada dos mesmos para fins de publicidade. E, finalmente, outro dado significativo dessa pesquisa é quanto à precocidade do contato dos entrevistados com a civilização egípcia. Inicialmente, esse contato ocorre em casa, com os pais. Porém mais freqüentemente nas escola e somente mais tarde os entrevistados se atualizam por iniciativa própria.
O segundo subprojeto implementado é o que segue:
2 - A influência da História Antiga na revista do Globo (1929-1939).
Bolsista - Leticia Andrade Pires, acadêmica de História.
O projeto busca selecionar e catalogar matérias relativas á história antiga com ênfase no Egito, publicadas na Revista do Globo. A Biblioteca da PUCRS abriga a coleção completa dessa revista, de 1929 -1976, (942 fascículos, 42 páginas) e tem o IPCT - Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas - que oferece condições para a retirada das imagens através da digitalização e impressão.
Entre os resultados, aponta-se a transcrição e/ou reprodução dos textos sobre o antigo Egito e sua sistematização, conforme sugere Cardoso, indicando Robert Scholes, destacando o narrador e os tipos de narrativas diferenciadas: a ficcional, a lírica e aquelas com finalidade persuasiva:
Usando nossa terminologia crítica habitual, poder-se-ia dizer que uma narração é mais ficcional se enfatizar os eventos narrados, mais lírica se enfatizar sua própria linguagem, mais retórica se usar a linguagem ou os eventos para alguma finalidade persuasiva (CARDOSO, 1996, p.6).
O material dessa investigação ainda está para ser analisado para permitir estabelecer a importância e relação dessas narrativas com o contexto histórico do Rio Grande do Sul, uma vez que a Revista do Globo foi a mais representativa no Estado em termos de circulação e pela composição do grupo responsável pela editoração, tendo como pressuposto que
"...a função narrativa " é prática antes de ser cognitiva ou estética" , razão pela qual, longe de poder negar-se qualquer relação entre o discurso narrativo e a realidade, a narrativa histórica mantém relações necessárias e estreitas com o seu objeto social real" (CARDOSO, C. & VAINFAS,R, 1997,p. 21).
A partir destas experiências bem sucedidas, desenvolvi teorica e metodologicamente o projeto, que submetido a este Conselho Nacional de Pesquisa, foi generosamente agraciado com uma Bolsa de Produtividade ( Processo n.o 308118/88, com vigência de dois anos, início em 1/08/2001 e término em 31/07/2003). O entusiasmo com o aval desta importante instituição nada mais natural que expandir a realização desta pesquisa, do nível regional, para o nacional, como segue:
III - OBJETIVOS
A partir das pesquisas previamente realizadas, que resultaram na publicação de alguns artigos e apresentações em simpósios e jornadas, este projeto pretende dar continuidade à constituição e sistematização de um corpus9 de práticas que podem ser considerados de egiptomania no Brasil, ao longo do século XIX e XX, e efetuar análises pontuais dessas práticas na arquitetura, nas artes e na publicidade.
IV - MÉTODOS E TÉCNICAS
Valoriza-se a posição de Jean-Marcel Humbert, que desaconselha qualquer tentativa de exclusividade de gênero para classificar e sistematizar a egiptomania. Ele comprova que a fascinação pelo antigo Egito toca todas as artes no ocidente, desde a arquitetura, música, pintura, escultura até o cinema. Não há gênero que tenha escapado da sua influência. Isso estimula considerar uma pesquisa de cunho materialista, firmemente apoiada na teoria das formações econômico-sociais e em particular na análise de classes como sugere Ciro Flamarion Cardoso, que integre aos estudos históricos de base materialista quanto à egiptomania, uma perspectiva adequada à sociedade brasileira (CARDOSO, 1988, p.88).
Na continuidade da pesquisa pretende-se efetuar análises pontuais, em especial, sobre os tipos de elementos da cultura egípcia mais encontrados no Brasil, sobre as razões das escolhas, bem como sobre as formas e materiais empregados para a criação dessas representações, ao longo do tempo.
Tal metodologia materialista, que vem sendo utilizada na operacionalização da pesquisa sobre práticas de egiptomania no Rio Grande do Sul, conforme apontado, está subjacente aos projetos que devem ser desenvolvidos pelos Bolsistas de Iniciação Científica. Ela poderá frutificar no quadro de uma cooperação inter e transdisciplinar mais estreita, inclusive, face a diversidade de regiões e de Universidade, de origem dos acadêmicos, que vão participar do projeto. Eles serão estimulados 'a discussão das metas, das estratégias de execução do projeto, entre si, e através dos professores orientadores.. Até este momento há um excelente número de contatos efetivados para a colaboração no projeto, em diversas unidades da Federação, como segue: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Brasília, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
- Plano de trabalho para o bolsista do Rio Grande do Sul.
- Plano de trabalho para o bolsista de Santa Catarina.
- Plano de trabalho para o bolsista de Paraná.
- Plano de trabalho para o bolsista de São Paulo.
- Plano de trabalho para o bolsista de Rio de Janeiro.
- Plano de trabalho para o bolsista de Espírito Santo.
- Plano de trabalho para o bolsista de Brasilia.
- Plano de trabalho para o bolsista de Minas Gerais.
- Plano de trabalho para o bolsista de Rio Grande do Norte.
- Plano de trabalho para o bolsista de Pernambuco.
1 - Ler e analisar os números da coleção da Revista do Globo de 1939 a 1965, em continuação ao projeto parcialmente desenvolvido;
2 - Fazer uma revisão da bibliografia disponível sobre o Egito Antigo nos seguintes acervos do Rio Grande do Sul:
- Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul;
- Biblioteca da PUCRS;
- Biblioteca da UFRGS;
- Biblioteca de Rio Grande - RS (o acervo antigo público mais significativo do Estado);
- Biblioteca de Pelotas;
- Biblioteca de Santa Maria;
- Biblioteca do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul;
- Revisão dos catálogos de Bibliografia Brasileira e Boletim Bibliográfico editados pela Fundação Biblioteca Nacional;
3 - Atualizar a pesquisa sobre o uso de imagens do antigo Egito existentes na publicidade das Listas Telefônicas do Rio Grande do Sul;
4 - Localizar e inventariar os obeliscos existentes nas principais cidades do Rio Grande do Sul (em Porto Alegre já está feito esse inventário).
5 - criar um site na Internet, solicitando contribuições sobre egiptomania;
6 - criar um banco de dados utilizando o software Access 2000;
7 - sistematizar e analisar as informações através do banco de dados
COMENTÁRIOS FINAIS
É importante esclarecer que diante da diversidade das manifestações de egiptomania existentes na arquitetura, nas artes e na publicidade desde o século XIX até os nossos dias, várias são as metas deste projeto:
Solidificar e formalizar a adesão a este projeto de profissionais extremamente competentes da área de História Antiga que, através de contatos verbais, ainda na primeira fase desse projeto, manifestaram interesse de participação. Entre eles, saliento o Dr. Ciro Flamarion Cardoso, Professor Titular de História Antiga da Universidade de Niterói, pessoa indispensável para o desenvolvimento desse projeto a nível de Brasil. Cito, também os seguintes professores doutores que indicaram os estudantes de História candidatos às bolsas de pesquisa que estão sendo solicitadas neste projeto: André Chevitarese (UFRJ) Gilvan Ventura (UFES) , José Antonio Dab Dab (UFMG) e Fábio Cerqueira (UFPRS). Aponto ainda a parceria fundamental com o Laboratório de História Antiga da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com o Dr. Pedro Paulo Funari, professor livre-docente em História Antiga e vice-diretor do Centro de Pensamento Antigo da UNICAMP e de Raquel dos Santos Funari, professora do ensino médio e fundamental e autora de livro sobre o Egito Antigo voltado para a escola fundamental.
É importante mencionar ainda a possibilidade de colaboração para com este projeto de ex-alunos do Programa de Pós-graduação em História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul que, na condição de Mestres, não tem possibilidades de oficializar, neste momento, a sua adesão à pesquisa, mas, verbalmente, se engajaram na mesma através do estabelecimento de metas e formas de trabalho cooperativo.
2) Formação e supervisão de pesquisadores habilitados a trabalhar com o Programa de Comutação Bibliográfica (COMUT) - que dá acesso a mais de 900 Bibliotecas Brasileiras;
3) A realização da VIII Jornada de Estudos do Oriente Antigo na Pontificia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, tendo a Egiptomania no Brasil como tema central;
4) A publicação sob a forma de livro dos trabalhos apresentados na Jornada e os resultados dessa pesquisa, para divulgação não somente na comunidade acadêmica como também para o público em geral.
V - CRONOGRAMA
| Período previsto - Agosto de 2001 a Agosto de 2003 |
1. Correções e adaptações do projeto. Formalização de adesões a ele. |
Agosto a outubro de 2001 |
| 2. Pesquisa inicial e constituição do corpus de dados. |
Outubro de 2001 Maio de 2002 |
| 3. Realização da VIII Jornada de Estudos do Oriente Antigo sobre Egiptomania, para mostrar resultados e motivar adesões. |
Maio de 2002 |
| 4. Continuação da pesquisa, com a crítica constante, com vistas à elaboração e sistematização dos dados |
Maio de 2002 a Maio de 2003 |
| 5. Revisão, ampliação e correção dos textos para fins de publicação |
Maio de 2003 a Agosto de 2003 |
VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A) Artigos publicados relativos ao projeto:
BAKOS, M. (1996) a Coleção Egípcia do Museu Nacional do Rio de Janeiro. IN: BAKOS, M. Fatos e Mitos do Antigo Egito. Porto Alegre, EDIPUC.
BAKOS, M. (1998) Three Moments of Egyptology in Brazil.Proceedings of Seventh International Congress of Egyptologist. Cambridge, 3-9 September. Leuven Uitgeverij Peeters, pp 87-91.
SABALLA, V.(1998) Egiptologia no Rio Grande do Sul. In.BAKOS, M., POZZER, K. III Jornada de Estudos do Oriente Antigo. Porto Alegre, EDIPUC.
B) Referências fundamentais do projeto:
BAGNALL, R. (1993). Egypt in late antiquity, Chichester: Princeton University Press.
BAINES, J. & MÁLEK, J. (1984). Atlas of Ancient Egypt. Oxford: Equinox.
BREUER, M. The Contemporary Aspect of Pharaonic Archicteture. In: CENIVAL, J.L., STIERLEN, H. (s/d). Egypt, Lausanne. Compagnie du Livre d'Art.
BURKET, W. (1992) The orientalizing revolution.Cambridge: Harvard University Press.
BRUWIER, M.C, (1994).Présence de L´Égypte. Namur: Bibliothèque Universitaire Moretus Plantin.
CARDOSO, C & MALERBA, J. (2000).Representações. Contribuição a um debate transdisciplinar.Campinas: Papirus.
--------------------, VAINFAS, R. (1997).Domínios da História, Rio de Janeiro: Campus.
--------------------- (1996).Narrativa, Sentido, História. Rio de Janeiro, Mimeo. --------------------- (1982).Uma introdução à História. São Paulo, Brasiliense.
---------------------(1988).Ensaios racionalistas. Filosofia, Ciências Naturais e História. Rio de Janeiro,Campus,.
CRISCUOLO, L, Geraci, G. (ORG.). (1987). Egitto e storia antica dall´ellenismo all´etá araba. Atti del colloquio internazionale, Bologna: Editrice Gueb.
DONADONI, S. (1990). Egypt from Mytht to Egyptology, Torino: Gruppo Editoriale.
ESPELOSÍN, F., LARGACHA, A (1997). Egiptomania, Madrid, Alianza Editorial.
FAZZINI,R. (1996). L´éyptomanie dans l´architecture américaine. In.: HUMBERT,J.M. (org.) l´Égyptomanie à l´épreuve de l´archéologie. Bruxelles: Éditions du Gram.
FUNARI, P.P.(1998). O manifesto e o estudo da antigüidade: a atualidade da crítica marxista.Crítica Marxista, 6, p.106-114.
HELLER, A. (1993) Uma Teoria da História. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.
HUMBERT,J.M. (org.) (1996) l´Égyptomanie à l´épreuve de l´archéologie. Bruxelles: Éditions du Gram,.
-------------------------------(1994). Egyptomania. Egypt in Western Art .Ottawa: Éditions de la Réunion des Musées Nationaux.
KITCHENS, K., BELTRÂO, M.C. (1990)Catálogo da Coleção do Egito Antigo existente no Museu Nacional, Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Wiltshire, Aris & Phillips.
MERRILLEES, R. (1990)Living with Egypt´s Past in Australia, Melbourne: National Library Australia.
PERNIGOTTI, S. (1991)L´Egitto Fuori DellÉgito. Archeo. Attualità Del Passato. N. 79, settembre.
SAID, E. (1990). Orientalismo, São Paulo, Ed. Schwarcz.
SAUNERON, S. (1970) A egiptologia, São Paulo, DIFEL.
SILVA, C.F.P. Victor Silva. In.: BAKOS, M. & PIRES, L. (1999).Os escritores que dirigiram a Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, EDIPUC, STIERLEN,H. (ed) Egypt, Lausanne, Editions Office d´Art, s/d.
STOREY, J. (1996). Cultural studies & The study of popular culture. Theories and methods, Georgia: The University of Georgia Press.
TASCHEN, B.(ed.) (1994) Description de l´Egypte , Germany.
1. Ver a obra clássica de Serge Sauneron, (1970) A egiptologia, São Paulo: DIFEL.
2. Breve informação biográfica sobre esses pioneiros pode ser lida em BIERBRIER, M.L. (ed) (1995) Who was who in Egyptology.London, The Egypt Exploration Society.
3. " Le terme d"egyptomanie" est apparu en Europe pendant la première guerre mondiale. Il désignait une vaste réutilisation de motifs de l´Éypte ancienne dans la création d´objets et de récits contemporains, à une époque friande d´objets antiques authentiques. Cette pathologie (car c´est bien ce que suppose le suffixe "manie" ) a connu um très long parcours, en commençant par les Romain pour resurgir à la Renaissance, puis à nouveau au XVIII siècle, bién avant l´expédition de Bonaparte. Elle a touché beaucoup d´arts occidentaux, sinon tous: musique, peinture, architecture, sculpture et divers arts décoratifs." (LANT,1996:587)
5. A egiptomania inclui duas formas de expressão, frequentemente indistiguíveis entre si: o estilo neo-egípcio, uma revitalização da arte Egípcia antiga, que reutiliza seus temas em um novo contexto, e o estilo neo-egipicianizante, que adapta e apropria as formas de uma egiptomania mais antiga.( HUMBERT, 1996:21)
6. Ver, por exemplo:
MERRILLEES, R. Living with Egypt´s Past in Australia, Melbourne: National Library Australia, 1990.
HUMBERT, J.M.(org.) Egyptomania. Egypt in Western Art .Ottawa: Éditions de la Réunion des Musées Nationaux, 1994.
Mais especificamente para o caso de egiptomania fora da Europa destacam-se os artigos:
FAZZINI, R. L´egyptomanie dans l´architecture américaine, HUMBERT, 1994, p.227-279; CARROT,R . The Neo-Egyptian.
Style in American Architecture, Antiques, XC: 4 (Oct. 1996), pp. 482-88.
GERDTS, W. Egyptian motifs in nineteenth-century American painting and sculpture, Antiques, XC:4 (Oct.1966) pp495-501;
SIEGLER, B. The Egyptian Movement in American Decorativ Arts 1865-1935, in Yonkers 1990, pp.111-119;
7. No Brasil a primeira manifestação conhecida de interesse pelo Egito antigo é feita pelo Imperador D. Pedro I, um português, que seduzido por um mercador italiano, Fiengo, dele comprou algumas peças trazidas do Egito, que ele não conseguiu vender na Argentina.
8. projeto, intitulado, A egiptologia no Brasil - Projeto de Pesquisa Nacional foi registrado no protocolo da Fundação Biblioteca Nacional com o número 103.224, Livro 149, Folha 326.
9. conjunto global de materiais a serem trabalhados CARDOSO,1988:84)