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GT JORNALISMO
Coordenador: Prof. Dr. Jacques A. Wainberg
Dia 03 de novembro
MESA 1 - Jornalismo e internet
SALA - 314
Coordenador: Prof. Dr. Jacques A. Wainberg
- Bourdieu e Wolton: propostas para a análise da relação entre TV e Internet na sociedade contemporânea
Camila Garcia Kieling - Mestranda - PUCRS
O artigo tem como objetivo examinar algumas das relações entre TV e Internet na sociedade contemporânea, tomando como base as discussões dos autores Pierre Bourdieu e Dominique Wolton. Procuramos entender as forças presentes no campo jornalístico televisivo, além de analisar, em face das novas tecnologias, o preponderante papel da televisão como laço social. Para tanto, realizamos um estudo do caso da participação da cantora Mallu Magalhães, reconhecida como um fenômeno da Internet, no programa Domingão do Faustão, da Rede Globo, espaço tradicional da grade televisiva. Através do case, focamos a discussão na relação entre a TV e a Internet baseada nas perspectivas dos autores citados: por um lado, uma análise voltada aos conflitos (Bourdieu) e por outro, um pensamento agregador das diferenças.
- Tecnologias digitais e movimento Pro-Am no campo do jornalismo
Vivian Belocho - Doutoranda - UFRGS
Luciana Mielniczuk - Doutora - UFSM
A utilização das tecnologias digitais de comunicação para a produção de conteúdos colaborativos de interesse jornalístico nas redes digitais evidencia marcas do movimento Pro-Am no jornalismo. O presente artigo discorre sobre as tensões que surgem no campo do jornalismo a partir da complexificação dos papéis atribuídos às fontes jornalísticas no ambiente das redes digitais. O texto parte da descrição do perfil das tecnologias que potencializam a troca entre jornalistas e amadores no ciberespaço para problematizar aspectos desta relação em tempos digitais.
- Desafios para a análise do jornalismo internacional
Fhoutine Marie Reis Souto - Mestre - PUCSP
Este trabalho tem por objetivo debater os desafios para a pesquisa sobre Jornalismo Internacional, considerando as especificidades deste tipo de cobertura no Brasil – o uso cada vez maior da Internet, entrevistas à distância, assim como a relação dos profissionais que trabalham nessas editorias com as agências de notícias. E também os entraves para o trabalho de correspondente, como a dependência de fontes oficiais e o controle de informações por parte de governos nos casos de conflitos bélicos. A proposta apresentada é considerar o jornalismo com um campo de regras próprias, onde estão em jogo múltiplas relações de força. Por isso as escolhas que se fazem nele e os efeitos delas são sempre políticos e é desta forma que devem ser analisados.
- Contribuições do interacionismo sociodiscursivo para o debate da interação hipertextual no jornalismo digital
Laura S. Storch - Doutoranda - UFRGS
O presente trabalho busca discutir o interacionismo sociodiscursivo (ISD) como subsídio teórico para a análise das transformações que sofre o discurso jornalístico quando estruturado na dinâmica da linguagem hipertextual digital. O ISD pode permitir analisar as interações entre agentes comunicativos, entre leitores e escritores, por exemplo, levando em conta não só os aspectos formais dos textos, mas a grande liberdade de associação com e para o conhecimento. Contextos objetivos e subjetivos colaboram para a organização da capacidade de aprender, que se efetiva nos textos através das trocas sociais entre diferentes sujeitos de linguagem. Na virtualidade da Rede os debates sugeridos pelos estudos do ISD se apresentam materialmente, através de contatos relacionais e conversacionais explícitos, no corpo de textos abertos, dinâmicos e interconectados, de forma que a postura epistemológica do ISD se apresenta como reveladora do movimento instaurador do discurso hipertextual digital.
- O clipping como gênero jornalístico na internet
Otávio José Klein - Doutor - UPF
João Vicente Kurtz - Bacharel - UPF
O presente artigo se propõe estudar o clipping como uma nova manifestação jornalística dos blogs. O interesse surgiu a partir de um estudo anterior, em blogs, onde constatamos diversas manifestações que não tinham referência na teoria sobre os gêneros jornalísticos. O debate é construído a partir das contribuições de Beltrão, Melo e Chaparro. Não encontrando neste circuito referencial teórico para a compreensão do clipping, ousamos introduzi-lo como novo gênero jornalístico para a internet, num novo quadro explicativo dos gêneros para esta nova realidade.
- Cidadão ou ‘funcionário’? A autonomia do leitor que participa da construção jornalística em webjornais de referência
Maria Joana Chiodelli Chaise - Mestranda - UNISINOS
O presente texto busca colaborar com as discussões acerca das possibilidades disponíveis nos webjornais de referência para que leitores sejam incorporados ao processo de produção jornalístico. Ao mesmo tempo em que convidam à participação o público, estes veículos seguem detentores do protocolo de sentido dos enunciados. Por meio de processos de seleção e mediação, definem pela inclusão ou não dos conteúdos, mesmo em canais denominados participativos ou colaborativos. Este cenário, que possui aporte significativo na internet e na crescente mobilidade das tecnologias de registro de conteúdos, confere novo status aos leitores. Buscaremos refletir acerca da autoridade do lugar de fala destes leitores participantes (Silva, 2002), protagonistas (Fausto Neto, 2008), cidadãos (Targino, 2009) ou, ainda, funcionários (Flusser, 1983), tendo em vista a autonomia deles no processo de circulação da informação. Tomaremos como objeto de observação o canal Leitor-Repórter, do jornal online Zero Hora.
- As Elites no Jornalismo Online Brasileiro
Ani Mari Hartz Born - Doutoranda - UNISINOS
Este artigo foi norteado pela seguinte questão: como o termo elite é empregado no jornalismo online? Para tanto, buscou-se discutir a noção de elite como também os discursos sobre as elites no jornalismo online. Dessa forma, o corpus de análise foi constituído pelos jornais online Folha de São Paulo e O Globo; pelas revistas online Veja e Época e pela televisão online Globo Vídeos até outubro de 2008. Para análise dos dados, adotou-se a técnica de análise de conteúdo. Portanto, encontrou-se um total de 2.384 notícias com o termo elite(s) classificadas em 20 categorias temáticas, como por exemplo, elite esportista, política e geográfica. Dentre os principais resultados encontrados, apareceu a predominância do emprego do termo elite de uma forma geral, tornando essa noção naturalizada, porém notou-se fortemente o seu emprego no âmbito político. Percebeu-se também que o termo é utilizado tanto de maneira positiva quanto negativa.
- Convergência de Mídias: a estrutura e a rotina da produção de conteúdo on-line da Rede Brasil Sul de Comunicação (RBS)
Ariela Dedigo e Susan Liesenberg - Mestranda - FEEVALE
O trabalho é uma pesquisa exploratória acerca da estrutura e da rotina da produção de conteúdo on-line do Grupo RBS diante da convergência de mídias. Trata-se da convergência tecnológica e também da integração humana dos profissionais nesse processo. A metodologia traz uma pesquisa bibliográfica que tem como marcos teóricos Salaverría (2009), Palacios (2003) e Lemos (2008). Passa por uma análise de pontos convergentes entre os objetos de estudo e finaliza com entrevistas abertas com diretores e editores de internet do Grupo RBS. Analisando os dados verificou-se que a RBS segue o modelo de jornais como o Daily Telegraph buscando executar uma nova forma de fazer jornalismo de acordo com Salaverría (2009). A integração humana dos profissionais da redação é uma das propostas da empresa, porém ainda existem muitos ruídos nesse processo.
MESA 2 - Jornalismo e cultura
SALA - 315
Coordenadora: Profª. Dra. Beatriz Dorneles
- Ações da crítica: um estudo de recepção da crítica jornalística
Rodolfo Stancki Silva - Mestrando - UEPG
Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa realizada com acadêmicos de um curso de Jornalismo na cidade de Curitiba, cujo objetivo foi analisar modos de recepção da crítica jornalística de cinema. Os dados foram coletados em entrevistas com 12 estudantes, realizadas entre setembro e outubro de 2008. Partindo do pressuposto de que a assimilação de críticas depende do processo de consumo, busca-se entender articulações destes textos em seus leitores. Separados em quatro grupos, os entrevistados foram submetidos a experiências distintas: assistir a um filme e depois ler críticas produzidas sobre ele e ler críticas de um filme para então assisti-lo. Essas diferenças no consumo mostraram influências da crítica nos olhares sobre a obra. De um lado, os sujeitos que leram os textos antes de assistir ao filme mantiveram as impressões do crítico, de outro, os que fizeram o processo contrário afirmaram que as críticas esclareceram sentidos na obra.
- Jornalismo na recuperação
Mary Weinstein - Doutoranda - UFBA
Ao abordar o patrimônio histórico, o jornal se aproxima da cultura do lugar em que atua. Como o jornal, o patrimônio é reconhecido por quem o legitima. Esse estudo analisa a cobertura feita pelo jornal A Tarde (Bahia), em 1993, quando toma impulso a recuperação do Pelourinho, a qual se prolonga até hoje, agora em sua sétima etapa, contando com novos meios e formas de interação comunicacional. Observamos a mediação feita pelo jornal impresso tradicional, com base nos 251 artigos, notas, reportagens e editoriais veiculados naquele ano considerando que o meio de comunicação é um dos responsáveis pelo entendimento da realidade e que este integra a esfera pública. Com base nesses princípios esta é uma análise da prática do jornalismo durante a controvertida recuperação do Centro Histórico de Salvador, território que faz parte do imaginário cultural da cidade.
- Jornalismo Cultural – um estudo através da análise global de processos jornalísticos (AGP)
Aline Strelow - Doutora - UFRGS
O presente trabalho tem como objetivo estudar o processo jornalístico em um periódico especializado em cultura. Através da Análise Global de Processos Jornalísticos (AGPJ), estratégia metodológica desenvolvida em nossa tese de doutorado, pretendemos compreender os principais momentos desse processo e suas relações. Tendo como objeto de estudo a revista Aplauso, editada no Rio Grande do Sul, verificamos o modo como se constitui o discurso no jornalismo cultural nesta publicação e os principais conflitos que o circundam, em uma análise que contempla estudos das rotinas produtivas, do texto jornalístico e da apropriação do mesmo por parte dos leitores. Por meio deste olhar global detectamos as tensões do processo produtivo; o caráter polifônico do texto da revista, com a presença de diferentes pontos de vista; e o diálogo dos leitores com a publicação, permeada pelo conflito de idéias.
- Jornalismo cultural e política – uma análise das revistas de cultura publicadas pelo governo gaúcho
Caren Adriana Machado de Mello - Mestranda - PUCRS
O presente estudo visa analisar as revistas de Cultura e Literatura Vox e Arquipélago, publicadas pelo governo gaúcho em duas gestões diversas através da parceria com o Instituto Estadual do Livro (IEL) e a Companhia Riograndense de Artes Gráficas (Corag). A revista Vox teve o seu lançamento em 2000, durante o governo de Olívio Dutra (PT), e a Arquipélago, em 2003, no governo Germano Rigotto (PMDB). Este trabalho busca as motivações para o lançamento dos títulos, bem como os conceitos de cultura envolvidos. Serão analisadas as intergerências, se é que houve da ideologia partidária na definição de cultura e sua tradução nas páginas das revistas: quais as políticas culturais adotadas por ambas, quais os subsídios para a publicação, como era definido o conteúdo e as fontes a serem ouvidas, qual o público alvo e como se deu a construção do projeto editorial.
- Herbert Caro: um crítico-cronista no mundo dos discos clássicos
Ana Laura Colombo de Freitas - Mestranda - UFRGS
O artigo apresenta resultados parciais de pesquisa sobre a coluna Os melhores discos clássicos, assinada pelo tradutor alemão radicado em Porto Alegre, Herbert Caro (1906-1991), no Caderno de Sábado (1967-1981) do Jornal Correio do Povo. O objetivo é investigar o papel que esse espaço assumiu ao avaliar discos de música erudita em meio à consolidação das indústrias culturais no Brasil. Percebe-se que a coluna valeu-se da produção fonográcia em prol de um projeto iluminista de formação do leitor: o crítico ‘homem de letras’ tomou como missão orientar os leitores no mundo dos discos e incentivas a escuta da música de concerto. Para tanto, fez uso de estratégias discursivas da crônica brasileira, tendo os lançamentos como ganchos para reflexões que traçaram um panorama da cena musical da época, baseadas nas vivências pessoais e nos conhecimentos gerais do autor.
- Com a palavra, Zero Hora: a voz do jornal sobre o feminino nas eleições de 2006
Laura Elise de Oliveira Fabrício - Mestre e Professora - UNIFRA
Este artigo apresenta um recorte da dissertação de mestrado que analisou a representação do feminino – derivada da figura da candidata Yeda Crusius – em fotografias jornalísticas de Zero Hora na campanha eleitoral de 2006. Tendo em vista que o campo político gaúcho sempre foi predominado por atores masculinos, o contexto das eleições de 2006 foi novidadeiro para o campo jornalístico no Rio Grande do Sul: uma mulher ganhou projeção nas pesquisas e, consequentemente, ganhou mais espaço no conteúdo da editoria de política de Zero Hora. Sendo assim, o presente artigo traz fragmentos da entrevista semi-estruturada que compôs os procedimentos metodológicos do texto dissertativo. Tal entrevista, realizada com a jornalista responsável pela cobertura de pautas da campanha de Yeda Crusius, demonstra o olhar da instância da produção jornalística sobre a figura da mulher candidata, carregando consigo indícios de como o jornal representa o feminino de Yeda Crusius durante o pleito eleitoral de 2006.
- Comunicação comunitária: uma revisão conceitual
Antonio Carvalhal - Mestrando - PUCRS
O trabalho se propõe a fazer um estudo sobre o que é o corpus de pesquisa da comunicação comunitária. Para isso está sendo feita uma revisão bibliográfica dos autores relacionados ao tema, com o intuito de mapear as noções de comunidade que são utilizadas como ponto de partida do projeto de comunicação comunitária. Está sendo feito também um estudo sobre as releituras do conceito sociológico de comunidade criado por Ferdinad Tönnies, juntamente com o estudo da teoria de Roberto DaMatta, que traz as especificidades da sociabilidade brasileira. Através disso, estamos tentando entender quais são as características comunitárias que fornecem uma base mínima para um trabalho de comunicação social, pois caso não exista nenhum elo entre as pessoas que vivem em uma dada localidade não será possível conceber a idéia de um projeto de comunicação que esteja voltado para o social, e no caso da comunicação comunitária, voltado para um núcleo de pessoas que devem, no mínimo, se reconhecer como parte de um todo.
MESA 3 - Jornalismo e temas contemporâneos
SALA - Auditório FAMECOS
Coordenador: Profª. Drª. Dóris Haussen
- Roteiros do Estranhamento
Manfred Froere Matos - Mestrando - UFSC
O ensaio apresenta o conceito de estranhamento, tal qual definido pelo historiador italiano Carlo Ginzburg – significando, grosso modo, um procedimento capaz de desvelar noções pré-concebidas, caminhos cognitivos trilhados com demasiada persistência ou representações imprecisas da realidade – e almeja problematizá-lo no âmbito dos estudos em jornalismo. Recorrendo ao material conceitual de teóricos da análise narrativa, como Roland Barthes e Gérard Gennete, realiza-se um estudo da reportagem "Dentro do Caveirão", publicada na edição de abril de 2008 na revista Piauí, colocando-se a hipótese de que o estranhamento, como procedimento e técnica literária, é verificado também em certos textos jornalísticos.
- Do papel à mente dos leitores: como os jornais Zero Hora e Correio Braziliense constroem o imaginário sobre os refugiados instalados no Brasil
Anelise Zanoni Cardoso - Doutoranda - UFRGS
Já não basta consumir o jornal como um produto do dia a dia. É preciso repensar a prática jornalística como construtora de imaginários e subterfúgios da realidade. O mesmo papel que informa pode deformar a realidade e transformar a opinião de seus seguidores. Com este pensamento aliado ao cotidiano do mundo global, das diferenças e da exclusão, o presente artigo tem a finalidade de discutir como os jornais Zero Hora e Correio Braziliense mostram a imagem de grupos ainda pouco reconhecidos no país: o dos refugiados. Se tem a capacidade de apresentar um enquadramento da realidade, o jornal, dentro do panorama escolhido, demonstra também um leque de possibilidades e de variações que fazem parte da construção imaginária que temos do que é ser refugiado. Além de mostrar as diferentes nuances utilizadas nos dois veículos, o artigo tem o objetivo de apresentar o modo de produção jornalístico dentro desse contexto, revelando o que está sendo oferecido aos leitores no processo comunicacional.
- Rotinas e critérios de noticiabilidade: um estudo sobre a produção jornalística da BBC Brasil
Jamile Gamba Dalpiaz - Doutoranda - ULBRA
Este artigo descreve e analisa a produção jornalística da BBC Brasil na internet a partir de duas leituras. Uma delas está diretamente relacionada as rotinas de produção e aos critérios de noticiabilidade, considerando que esta produção nos permite refletir sobre as representações do mundo narradas por meio de seu noticiário. A outra versa sobre as novas tecnologias da comunicação, que potencializam a articulação dos modos de produção e circulação de mensagens. O objetivo principal é identificar de que modo a BBC Brasil representa o mundo no seu noticiário. Para tanto, busca-se compreender dois contextos: a trajetória do Serviço Brasileiro e a estrutura atual, centrada no espaço on-line e em políticas editoriais para divulgação cultural.
- Um “auto” retrato dos e/imigrantes em Veja e Newsweek
Larissa Barros de Alencar - Mestranda - UFP
Os impactos políticos, econômicos, sociais e culturais causados pela migração internacional têm se multiplicado nos últimos anos. A forma tomada por esse movimento de pessoas através das fronteiras, quando reconstruído pelo jornalismo no Brasil e nos Estados Unidos, é o tema deste artigo. Trabalhamos com duas revistas semanais de notícias: Veja e Newsweek. Procuramos perceber, neste trabalho, de que maneira os migrantes internacionais são retratados nas páginas dessas revistas. Se aparecem, com que freqüência isso ocorre e que espaços lhes são dedicados? Que discursos são mobilizados e que efeitos de sentido são criados no tratamento do assunto? Para tanto, nos concentramos nas edições de Veja e Newsweek publicadas entre janeiro e março de 2009. Para nos auxiliar na análise, utilizamos os conceitos bakhtinianos de discurso, enunciado e dialogismo.
- Sociedade Civil e sua reconfiguração no capitalismo moderno
Paola Madeira Nazário - Mestre - UNISINOS
O artigo em questão formula-se pela necessidade de pesquisar teorizações e constituições de conceitos sobre a sociedade civil, ao longo da história e, principalmente, nos dias atuais onde existe uma ação do ambiente mercadológico. Em um segundo momento, devido ao período histórico social contemporâneo, é necessário ter-se o objetivo de analisar a inserção dos meios de comunicação como um agente importante para a análise das novas configurações da sociedade civil. Realiza-se também uma abordagem da institucionalização da sociedade civil, isto é, a institucionalização de uma categoria sociológica pelos agentes mercadológicos e governamentais. Além disso, trata-se do conceito do espaço público e dasproblemáticas do espaço público midiático e suas conjecturas no desenvolvimento das ações da sociedade civil.
- Construção de opinião no texto informativo: estratégias discursivas de Veja, Época, Isto É, e Carta Capital
Janaíne dos Santos - Mestre - UFRGS
Problematizo o jornalismo das principais revistas semanais de informação brasileiras: Veja, Época, Isto É, e Carta Capital, objetivando compreender como seu discurso funciona ao introduzir, no texto informativo, efeitos de sentido valorativos. Busco identificar as principais estratégias verbais utilizadas na construção da opinião, e as discuto na perspectiva de que o jornalismo é um gênero discursivo construído na moldura de um contrato de comunicação. No âmbito teórico, trabalho com conceitos como discurso, campo jornalístico, objetividade, contrato de comunicação, gênero e subgênero. Empiricamente, trabalho com 16 edições das revistas, aplicando na análise os procedimentos metodológicos da Análise do discurso de linha francesa. O resultado apresenta o uso de adjetivos, de alguns tipos de advérbios e de determinadas figuras de linguagem como as principais estratégias discursivas verbais de construção da opinião no interior dos textos informativos.
- Testemunha do cotidiano: a participação do cidadão comum no telejornalismo
Lidiane R. de Amorim - Mestre - PUCRS
Na contemporaneidade, o fazer jornalístico multiplica-se, adapta-se, sai das mãos das redações e ganha novas feições e novos parceiros para narrar as realidades do mundo. Surgem modalidades como Jornalismo Participativo, em que cidadãos comuns, leigos com relação à prática jornalística ou técnicas de filmagem, estão presentes na construção de produtos noticiosos, através do fornecimento espontâneo ou estimulado, gratuito, de imagens por eles captadas. Gradualmente o jornalismo vai (re)descobrindo outros papéis para o cidadão-comum, que deixam de estar apenas “do outro lado”, no papel de leitores, telespectadores, ouvintes ou internautas, e passam a relacionar-se com mais frequência com um jornalismo ávido por registros imagéticos da realidade, sobretudo os que mostram fatos que não estão ao alcance de sua equipe de reportagem. O presente artigo traz alguns apontamentos acerca dessa nova realidade, sobretudo com relação ao que chamamos de telejornalismo participativo, prática que vem ressignificando o olhar do telespectador sobre as notícias de TV.
- Ambivalência entre fronteiras e favelas: reconstrução sóciosemiótica
da cobertura jornalística sobre as periferias
Ada Cristina Machado da Silveira - Doutora e Professora - UFSM
A cobertura jornalística realizada por mídias nacionais sobre o cotidiano das periferias nacionais (fronteiras internacionais do Brasil) as mantém atreladas a um imaginário de situações recorrentes articulados pela ausência de estado, caos e violência que persiste mesmo com o fim da Ideologia de Segurança Nacional e da Guerra Fria. A mídia nacional observa prática semelhante quanto à cobertura de acontecimentos ocorridos nas periferias metropolitanas o que, em certa medida, acaba por contaminar a cobertura que as mídias locais fronteiriças realizam de seu cotidiano. O agenciamento jornalístico mantém a noticiabilidade sobre as periferias numa condição ambígua que enquadra seus acontecimentos indistintamente ou como alarmes de incêndio ou dispositivos panópticos que alertam continuamente a comunidade nacional/local para seus perigos. A investigação estuda como a reconstrução sócio-semiótica pode ajudar na compreensão da questão da ambivalência significacional interposta.
Dia 04 de novembro
MESA 4 - Jornalismo e história
SALA - 314
Coordenadora: Profª. Drª. Cristiane Finger
- Erico Verissimo: um repórter da Vida
Eduardo Ritter - Mestrando - PUCRS
O jornal Gazeta de Notícias publicou em 1904 pesquisa realizada pelo jornalista João do Rio que visava entender a relação entre jornalismo e literatura, perguntado para escritores-jornalistas se o trabalho nas redações ajudava ou atrapalhava a criação literária. Um século depois, Cristiane Costa repetiu a pesquisa e fez um mapeamento de escritores-jornalistas que se destacaram no Brasil entre 1904 e 2004. Entre esses nomes, destaca-se Erico Verissimo. Nesse estudo, apresentamos a trajetória do escritor no jornalismo: desde as brincadeiras que resultaram na produção de jornais primários, passando pelo seu ingresso no jornal do Colégio Cruzeiro do Sul, até 1930, ano em que ele é admitido pela Editora e Revista do Globo. Mais tarde, Erico chega à presidência da ARI (1935), e à consagração literária, que lhe permite abdicar do trabalho nas redações em 1940. Após essa pesquisa, podemos afirmar que Erico foi mais que um jornalista: foi um repórter da vida.
- Biografologia: história, jornalismo e literatura convergentes na construção do conhecimento
Alexandre Nonato - Mestrando - UFSC
A biografia é gênero recorrente desde a Antiguidade, quando o intuito era “edificar a imagem de alguém pela glória de Deus”. Os primeiros biógrafos não eram “enciclopédicos” e omitiam informações importantes no estudo da personalidade. A partir da segunda metade do século XVIII a produção de biografias aumentou, destacando intelectuais, cientistas, artistas e “indivíduos comuns”. Até a primeira metade do século XX, a biografia está associada a historiadores. Os jornalistas dos Estados Unidos começaram a popularizar este gênero a partir da década de 50 (no Brasil, década de 90). O maior objetivo da narrativa biográfica é gerar conhecimento sobre o passado de alguém ou de alguma coisa. Trata-se de um gênero interdisciplinar que converge pelo menos três áreas: história, jornalismo e literatura. A partir de Vilas Boas (2002), Pena (2004) e Bakthin (1997) discutiremos a escassez de estudos sobre este gênero na Comunicação, embora a relevância do tema e o fato de cada vez mais jornalistas se dedicarem a atividade.
- Biografias e jornalismo: memória e narratividade na construção de identidades
Karine Moura Vieira - Mestranda - UFRGS
O presente artigo tem por objetivo propor uma observação inicial sobre a biografia como objeto empírico do jornalismo, a partir da confluência do gênero com a literatura, por meio da narratividade, e com a história por meio da memória. Entende-se aqui a configuração da biografia como um gênero híbrido entre a literatura e a história, mas que na sua evolução encontra no jornalismo uma nova perspectiva para o seu objetivo inicial: narrar a história de uma vida. A partir desse pressuposto, pretende-se analisar a construção de um valor de memória na produção biográfica jornalística brasileira, com o efeito da transversalidade da ficção e da realidade, para a produção de identidades, discursos, sentidos.
- Jornalismo de facções no Rio Grande do Sul no advento da República
Luis Antônio Farias Duarte - Doutorando - PUCRS
Este trabalho busca refletir sobre os papéis desempenhados pelos jornais porto-alegrenses A Reforma e A Federação como instrumentos de duas facções em luta pelo poder nos anos finais do Século XIX – a governista pró-Império, liderada por Gaspar Silveira Martins, e a revolucionária pró-República, por Júlio Prates de Castilhos. Surgidas na segunda metade dos anos 1900, ambas as publicações alinham-se ao chamado jornalismo publicista, que antecedeu sua prática informativa hoje hegemônica. Sustentam teoricamente esse exercício acadêmico os estudos sobre os efeitos do Jornalismo. A análise sócio-histórica lhe dá o apoio metodológico, acrescido das pesquisas documental e bibliográfica.
- Brizola, Correio do Povo e a Privatização da CRT
Ana Paula Bragaglia Acauan - Mestranda - PUCRS
Roberto Ramos - Doutor - PUCRS
O trabalho visa a discorrer sobre a Hermenêutica, de suas origens à concepção de John Thompson – Hermenêutica de Profundidade. Na segunda parte, é feita a aplicação da teoria numa matéria jornalística publicada no jornal Correio do Povo em 22 de junho de 1998. Na Análise Formal ou Discursiva, há a opção pelas Estratégias da Ideologia, também de Thompson. O discurso trata da privatização da Companhia Rio-Grandense de Comunicação (CRT), sob a ótica de Leonel Brizola, o ex-governador do Rio Grande do Sul que criou a empresa em 1962 ao cassar a permissão da Companhia Telefônica Nacional, cujo controlador acionário era a norte-americana International Telephone and Telegraph Corporation. A análise traz à tona o cenário de conflito entre o então governador Antônio Britto e dono do jornal na época, Renato Bastos Ribeiro, e suas implicações jornalísticas.
MESA 5 - Jornalismo e imagem
SALA - 315
Coordenador: Prof. Dr. Jacques A. Wainberg
- Estereótipos do britpop através dos enquadramentos da revista New Musical Express
Bruna do Amaral Paulin - Mestranda - PUCRS
O presente trabalho nos apresenta uma análise da cobertura jornalística da revista inglesa New Musical Express sobre o movimento musical British Pop durante a década de 1990. As reportagens selecionadas estão reunidas na publicação NME Originals, coletânea das matérias divulgadas pela New Musical Express entre os anos 1990 e 1998, caracterizando o período como surgimento e queda do Britpop no Reino Unido e no mundo. O objetivo deste estudo é encontrar estereótipos de personagens participantes do movimento Britpop construídos através das imagens apresentadas pelas matérias da publicação. Para a análise das reportagens e catalogação destes estereótipos serão utilizadas as teorias de enquadramento e moldes mediáticos.
- Os processos de comunicação e o fotojornalismo: a produção imagética no contexto das novas tecnologias
Adair Caetano Peruzzolo - Doutor - UFSM
Angélica Lüersen - Mestranda - UFSM
Os processos de comunicação atuais podem ser pensados a partir de um novo traçado nas relações entre os sujeitos. Assume-se a comunicação como uma força que rege a vida, impulsionada pelas formas de interação social. As tecnologias de comunicação vêm para ampliar as possibilidades de encontro entre os sujeitos, estabelecendo novas formas de interação social. Daí que a visualidade é um dos pontos fortes dos processos de comunicação atuais. Sendo assim, o fotojornalismo, inserido nos processos de comunicação, amplia a oferta de valores de vivência ao tornar abundante os registros e a difusão de imagens em nossa sociedade. Contudo, compreender como ocorre a relação entre sociedade e imagem na atualidade é uma possibilidade instigante que se percorre investigando os processos de produção do fotojornalismo sob a influência da evolução tecnológica.
- Da câmara obscura à digital: a mudança na rotina produtiva do fotógrafo em Zero Horanos últimos 20 anos
Mariângela Recchia - Mestranda - UFSM
O presente artigo aponta as alterações provocadas pela incorporação das tecnologias digitais nas rotinas produtivas do repórter fotográfico do jornal gaúcho Zero Hora. Entre as principais transformações, o uso da máquina fotográfica digital, que começou a ser incorporada em meados da década de 1990 e foi adotada de forma integral no ano 2000, foi a mais significativa. O trabalho mostra os tipos de tecnologias usadas para a produção e o envio de fotografias em três momentos distintos. O primeiro deles é durante a fase da chamada redação analógica, antes da informatização da redação. O segundo inicia em 1988, com o uso dos computadores pela redação e, por fim, o último inicia com a redação integrada, quando os jornais impresso e online começam a trabalhar em parceria, em 2007.
- A crítica e o jornalismo musical e a cobertura do rock nacional nas revistas musicais brasileiras dos anos 70
Cassiano Scherner - Doutorando - PUCRS
O trabalho apresenta uma análise da crítica e também do jornalismo musical brasileiro, ambos voltados para o rock brasileiro e publicados ao longo dos anos 70 no Brasil. O período cobre desde o início daquela década, quando o gênero musical conhecido como rock era algo marginalizado pela mídia, até a consolidação de um mercado voltado para a música (não só para LPs e afins, mas também para aparelhos de som, instrumentos musicais, etc.). Especificamente, nas revistas ditas contraculturais e comportamentais, voltadas para um mercado dirigido aos jovens, como na “Rolling Stone”, na “Bondinho” e na “Pop”, ou para um mercado mais amplo, como o de profissionais ligados à música, na homônima revista “Música”. Ou, ainda, para consumidores de aparelhos de som e apreciadores de outros gêneros musicais, como no caso da revista “Somtrês”. Neste processo, o rock brasileiro ganhará um lugar de destaque na indústria cultural somente a partir da segunda metade dos anos 80.
- O Leitor Imaginado nas Revistas Ambientais: Análise das Marcas Discursivas sobre o Público Presumível
Eloisa Beling Loose - Mestranda - UFGRS
Toda empresa jornalística está interessada em atingir um público. Mas quem é esse público? Para quem os jornalistas escrevem? Embora existam hoje pesquisas que busquem mapear os perfis dos públicos, geralmente a audiência é desconhecida pelos jornalistas, o que os fazem escrever para o que eles creem que sejam seus leitores. A partir disso, o objetivo do trabalho é mostrar como, através do rastreamento de certas marcas discursivas dos editoriais de duas revistas ambientais (Mãe Terra e Terra da Gente), é possível notar formas como um leitor imaginado pode ser identificado nos textos jornalísticos. Por meio dos discursos os contornos de uma recepção imaginada já podem ser traçados. A maneira com que o jornalista se refere ao leitor, seu tipo de interpelação e o modo de enunciação propiciam indícios de um imaginário sobre os leitores. Assim, articulam-se os estudos do imaginário com a idéia de leitor presumível para detectar quem são os leitores de acordo com essas duas revistas.
- A influência das inovações tecnológicas nos telejornais brasileiros
Luciana Paim - Pós-Graduada - UMESP
A linguagem telejornalística passou por várias alterações ao longo dos anos e modificou a maneira de produzir e consumir conteúdos informativos. Esse artigo tem como objetivo apresentar como a tecnologia influenciou as mudanças dos telejornais ao longo dos anos e como o inicio da TV Digital no Brasil vem mudar novamente a maneira de assistir e produzir conteúdo jornalístico para televisão brasileira. Com base nas discussões sobre as mudanças que a linguagem televisiva diante das novas tecnologias, este artigo apresenta alguns dados de como as emissoras Bandeirantes e Globo estão se preparando para as novas transmissões de conteúdos, bem como referências bibliográficas sobre o tema. O texto também aponta para as possíveis alterações que os jornais televisivos passarão com a implantação da TV Digital e seus recursos. A possibilidade de interação e a convergência com as novas mídias fazem com que se altere e muito a maneira do principal meio informativo do país: o telejornal brasileiro.
MESA 6 - Jornalismo e tópicos variados
SALA - Auditório FAMECOS
Coordenadora: Profª. Dra. Cristiane Finger
- A agenda do câncer de mama na ciência e no jornalismo
Sonia Regina Schena Bertol - Doutora - UPF
Este estudo investiga a ênfase com que o câncer de mama aparece em periódicos científicos internacionais indexados e em jornal de circulação diária, utilizando-se para tanto de um protocolo de busca fornecido pelas bases de dados Pub Med e Lexis Nexis, respectivamente. O esquema interpretativo fornecido pela teoria da Agenda Setting foi útil tanto para verificar a proeminência deste tema de saúde na mídia – foco central da pesquisa em Agenda Setting, quanto para argumentar que cientistas e jornalistas comunicam as novidades da Ciência de modos diversos, como uma proposta secundária do estudo. As implicações do agendamento deste tema e destas diferenças entre a comunicação primária (interpares) e a comunicação secundária (público leigo) para a comunicação da saúde são discutidas, às vezes apresentando-se como convergências, às vezes como divergências.
- Que Fazer? As questões palpitantes da imprensa popular alternativa na era da midiatização
Daniel Barbosa Cassol - Mestrando - UNISINOS
A compreensão dos elementos que caracterizam o processo de midiatização da sociedade é o ponto de partida para a análise do lugar da imprensa popular alternativa na contemporaneidade. Noções como circularidade e ambiência, que caracterizam a passagem da sociedade dos meios para a sociedade midiatizada, são confrontadas com a visão linear do jornalismo como ferramenta de ampliação da voz das organizações políticas, tal como preconizado por textos clássicos da esquerda marxista. Desse modo, o presente trabalho analisa três sites de jornalismo popular alternativo – Brasil de Fato, Adital e CMI – com o objetivo de compreender a relação destes com as transformações do jornalismo na era da midiatização. Espera-se, assim, contribuir com o aprofundamento de uma reflexão que supere a mera descrição das possibilidades geradas pelo desenvolvimento das tecnologias e leve em conta a complexidade dos objetos de comunicação na era da midiatização.
- O coloquialismo como estratégia de sedução do leitor
Gustavo Serra Nogueira de Paula - Mestrando - UFSC
Nos tablóides populares brasileiros, a linguagem desempenha papel central como recurso de aproximação com os leitores das classes C e D. Essa estratégia de criação de um senso de pertencimento acaba por romper com os tradicionais manuais de redação, consagrando expressões populares e gírias. É esta ruptura com o mainstream e seus mecanismos que procuramos demonstrar e analisar. Tendo como referência autores que se dedicam à semiótica, entre os quais Luiz Gonzaga Motta e Roland Barthes, examinamos 100 capas do jornal Meia Hora. Em nosso estudo, observamos a ocorrência de formas coloquiais em 60% das manchetes e chamadas, principalmente nas notícias sobre crime ou violência. Para o tablóide carioca, criminoso é safado, vagabundo ou pilantra. Assassinos são monstros, animais e covardões. O plural de bandido é bandidagem. O plural de polícia é poliçada. Criminosos e policiais não atiram; eles metem bala ou largam o aço. Bandido quando morre vai pro saco. Quando é preso, vai pra jaula.
- Jornalismo investigativo na mídia impressa santa-mariense
Daiana de Oliveira Martins - Mestranda - UNISINOS
O trabalho analisa a ausência dos procedimentos do jornalismo investigativo nas editorias de polícia dos jornais A Razão e Diário de Santa Maria. Pré-determinamos a cobertura dos casos Alex Sandro de Mello e Juliana Rodrigues da Cruz. O período observado foi de janeiro a junho de 2007. O objetivo foi identificar os fatores que justificassem a ausência das referências da investigação jornalística. Realizamos um estudo teórico sobre o jornalismo investigativo, a importância como função social e as teorias da comunicação que embasam a construção da notícia. Para a análise, realizamos observação prática dos casos delimitados, englobando matérias, fontes, estratégias de investigação e valores notícia, através do método da análise de conteúdo. Para completar, elaboramos entrevistas com os editores responsáveis pelas coberturas observadas. O estudo revelou a importância da prática investigativa para atender as necessidades da comunidade e assim proporcionar mudanças de comportamentos.
- Jornalismo em Quadrinhos: território de linguagens
Iuri Barbosa Gomes - Mestrando - UFMT
Num período em que as imagens desbotadas e gastas pelo tempo são devoradas por novas imagens que as reciclam (Baitello Junior, 2005), o presente trabalho visa investigar a prática jornalística que explora a linguagem dos quadrinhos na construção de grandes reportagens. Há uma convergência entre a comunicação e as artes (Santaella, 2005) na qual o fazer jornalismo é re-significado ao ser agregado aos quadrinhos. Se o progresso das idéias nasce quase sempre da descoberta de relações impensadas, de ligações inauditas ou mesmo de redes nunca antes imaginadas (Calabrese, 1987), a união entre jornalismo e quadrinhos dá um passo nessa direção. Cria-se um território de linguagens ao imprimir um ritmo próprio à prática jornalística, há um reagrupamento das forças (Deleuze, Guattari, 2005), tanto do jornalismo como dos quadrinhos. O foco para essa análise são as obras de Joe Sacco, que é considerado o precursor do jornalismo em quadrinhos, e os livros-reportagem de um trio francês, O Fotógrafo.
- Representação social e agendas ambientais
Claudia Herte de Moraes - Mestranda - UFSM
Levando-se em consideração a crucial importância das mídias informativas junto à constituição do espaço público, é justo afirmar que o jornalismo assume caráter preponderante na construção de cenários, de imaginários, de representações e consensos ofertados à sociedade. A reflexão sobre o Jornalismo Ambiental é ancorada em diferentes pesquisas que relatam sobre a percepção social de meio ambiente e desenvolvimento, tendo-se o ambientalismo associado apenas à defesa da natureza, alijando o debate sobre a qualidade de vida. O aparato teórico compõe-se de autores que defendem o jornalismo como um lócus privilegiado de construção social da realidade, do imaginário social e da própria sociabilidade, ultrapassando a simples transmissão de informações. Dentro dessas perspectivas, confirma-se tendência de ampla “divulgação” de protocolos ambientais em escala global que, muitas vezes, encobrem as questões do cotidiano, as quais continuam tendo menor aparição nos jornais locais e regionais.
Dia 05 de novembro
MESA 7 - Jornalismo segmentado
SALA - 314
Coordenadora: Profª. Drª. Beatriz Dorneles
- Por um conceito de Jornalismo Segmentado
Mara Ferreira Rovida - Mestranda - FACASPER
Existe uma grande confusão entre o processo de segmentação da comunicação jornalística como um fenômeno social e as questões de segmentos de mercado. Normalmente o termo segmento é empregado com uma conotação estreitamente ligada à idéia de fatia de mercado, mas essa não é conotação que utilizamos aqui. Nossa idéia de segmento social está engajada com uma noção de grupos sociais com identidades singulares que, em geral, tem a ver com atividades profissionais. Essa noção de segmento social, baseada na sociologia durkheimiana, é o ponto de partida para a análise de um tipo de jornalismo que se diferencia como um formato de comunicação cuja especificidade se estabelece pela estreita relação com o público. Por meio da utilização do método das variações concomitantes, metodologia durkheimiana de pesquisa, pretendemos demonstrar porque o Jornalismo Segmentado pode ser considerado um formato de comunicação diferenciado.
- Jornalismo infantil para crianças leitoras ou consumidoras?
Thaís Helena Furtado - Doutoranda - UFRGS
Uma das fortes características da produção cultural do século XX foi a segmentação, que hoje se consolida. Este trabalho trata do jornalismo segmentado - especialmente para crianças - e propõe um olhar sobre a seção Para o Seu Filho Ler, do jornal Zero Hora, produzido pelo Grupo RBS, em Porto Alegre. A seção tem o formato de um pequeno texto e está sempre associada a uma notícia no corpo do próprio jornal. Trata-se de um conteúdo proposto como jornalístico, e não de entretenimento, em um jornal diário, para o público infantil. O objetivo é relacionar as rotinas de produção da seção com conceitos da Economia Política da Comunicação e com reflexões sobre a própria concepção de infância na atualidade, considerando que as crianças estão em constante transformação e que hoje são reconhecidas na sociedade como um grupo consumidor.
- A construção do real na revista piauí
Géssica Gabriel Valentino - Mestranda - UFSC
A revista piauí tem apresentado uma cobertura diferenciada – sem a imposição de pautas e prazos –, um esforço de humanização dos personagens, entre outras características. Ao contrário de vários veículos de comunicação, além do objetivo de informar e a preocupação com a função social do jornalismo, há o empenho por textos distintos – criativos e interessantes. Em menos de três anos, este propósito conquistou cerca de 50 mil leitores mensais. Porém, o que torna realmente a revista diferente da mídia tradicional? O objetivo da pesquisa que desenvolvo atualmente é identificar quais são os fatores determinantes no processo de produção de suas reportagens e, assim, perceber aspectos que constituem a identidade do veículo e de suas matérias como tal. Através de observações e um estudo de caso, entrevistas com seus profissionais e com leitores procuramos entender o diferencial proposto pela publicação e sua contribuição para os estudos do jornalismo.
- Relações com a imprensa: um olhar sobre a divulgação jornalística dos hotéis
Maria Cristina Viñas Gomes da Silva - Doutora - SENAC
Carolina Wiedemann Chaves - Especialista - SENAC
Andréia Vecchio Moreira - Graduanda - SENAC
Este trabalho é parte da pesquisa que vem sendo desenvolvida no Senac-RS intitulada Comunicação no Setor Hoteleiro: as práticas das unidades em Porto Alegre. É um estudo qualitativo e exploratório, que se utiliza, como via de acesso aos dados desejados, entrevistas em profundidade com os responsáveis pelas áreas de comunicação e marketing dos hotéis e a análise dos instrumentos de comunicação utilizados pelos mesmos. Considerando as áreas da comunicação integrada propostas por Kunsch (2003), a assessoria de imprensa integra a comunicação institucional, “responsável pela construção e formatação de uma imagem e identidade corporativas fortes e positivas de uma organização” e, portanto, este relacionamento deveria ser bastante valorizado. Embora o estudo ainda esteja em uma fase inicial, já foi possível observar que a maioria das unidades hoteleiras terceiriza essa atividade e que, os espaços obtidos por meio de mídia espontânea, estão principalmente nas colunas e na mídia digital.
- As marcas da intolerância na linguagem jornalística do Diarinho
Vera Lúcia Sommer - Mestre - UNIVALI
Este artigo apresenta as marcas da intolerância na linguagem jornalística do Diário do Litoral, a partir da análise de conteúdo de seis edições – dias 1º, 9, 17 e 25/26 de agosto (edição conjunta), 3 e 11 de setembro de 2008 , respectivamente, quarta-feira, quinta feira, sexta-feira, sábado/domingo, segunda-feira e terça-feira. Trata-se de uma amostragem não probabilística de semanas compostas, tipo normalmente usado em estudos de imprensa. Como o objetivo desta pesquisa é aprofundar o conteúdo das notícias (textos internos) relativas às manchetes de cada edição do corpus, procedemos a uma análise qualitativa para identificar as marcas da intolerância na linguagem jornalística do Diarinho. Esta publicação tem 30 anos de existência e diferencia-se dentro do mercado da imprensa regional em Santa Catarina pelo abuso da linguagem coloquial, exagero gráfico, tratamento dos protagonistas das matérias e postura de seus repórteres/redatores/editores.
- As fontes de informação no caso Isabella: o discurso produzido pela revista Veja
Jaqueline da Silva Torres Cardoso - Mestranda - UNISINOS
Este texto busca observar como a revista Veja organizou-se para atender seu próprio tempo em termo de fontes de informação, quando relatou em suas páginas o caso Isabella. As relações conflituosas presentes entre a mídia e a justiça no que se refere à dimensão temporal de cada instituição, ou seja, as formas de aparição do tempo (nas rotinas jornalísticas e nas rotinas jurídicas, como também no interior do relato jornalístico e do discurso jurídico), modificam a produção do discurso. Centrada na observação das reportagens referentes aos dias 9, 16, 23 e 30 de abril de 2008, pretende-se apontar quem a revista fabricou na ausência das fontes ditas oficiais, com que freqüência compareceu ao discurso e quais discursos foram produzidos.
MESA 8 - Teorias do Jornalismo
SALA - 315
Coordenadora: Profª. Dra. Beatriz Dorneles
- A circulação circular entre o Diário de Notícias e a Última Hora na cobertura do Caso Kliemann
Fábio Rausch - Mestrando - PUCRS
O presente trabalho visa a aplicar o conceito da circulação circular de Pierre Bourdieu (1997) para analisar a cobertura que os jornais Diário de Notícias e Última Hora prestaram ao famoso Caso Kliemann. O trágico assassinato de Margit, esposa do deputado estadual Euclides Kliemann, do PSD, a 20 de junho de 1962, foi um fait divers que abasteceu intensa cobertura sensacionalista. Entende-se que, nos meses subsequentes ao crime, as folhas pautaram-se a partir do jogo de espelhos proposto pelo sociólogo francês. Segundo ele, os veículos de comunicação fundamentam o próprio trabalho naquilo que o concorrente faz. A 31 de agosto de 1963, é Euclides que morrerá, assassinado com um tiro no peito, durante debate político, na Rádio Santa Cruz, em Santa Cruz do Sul. Na oportunidade, reagira à citação do vereador local, Floriano Peixoto Karam Menezes, do PTB, que relembrou hipótese sustentada pelos jornais, de que o parlamentar teria sido o responsável pela morte da esposa.
- Sigilo da fonte: um debate necessário
Paula Cundari - Doutora - FEEVALE
Marial Alice Bragança - Mestre - FEEVALE
Com o fim da Lei de Imprensa, revogada pelo STF, em 30 de abril, e a desregulamentação da profissão de jornalista criou-se um campo para dúvidas sobre o direito de sigilo da fonte. A Constituição garante o sigilo da fonte no artigo 5º, inciso XIV: “É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”. Com o fim da exigência de diploma de formação específica para o exercício do jornalismo, votado pelo STF, há a possibilidade de qualquer brasileiro que se apresente como jornalista poder invocar o sigilo de fonte na Justiça em sua defesa. Com o fim da exigência do diploma, quem vai dizer o que é exercício profissional do jornalismo? A quem cabe esse sigilo? Há também um vácuo jurídico quanto aos jornalistas que escrevem em blogs. A questão é complexa e exige uma análise a partir do campo da Comunicação e do Direito, permitindo uma abordagem ampla do tema. É necessário clarificar a abrangência do direito de sigilo da fonte, invocado, às vezes, de forma polêmica.
- Caso vôo 3054 da TAM: reflexões sobre a apresentação da morte no Jornal Nacional
Michele Negrini - Doutoranda - PUCRS
Este estudo tem como objetivo analisar o tratamento dado à morte na cobertura do Jornal Nacional, apresentado pela Rede Globo de Televisão, ao acidente com o vôo 3054 da TAM, ocorrido em São Paulo, no dia 17 de julho de 2007. Também observamos como o JN abordou questões ligadas à tragédia, como a ênfase às dimensões destruidoras do acidente, a exaltação das emoções e do sofrimento dos parentes das vítimas e da sociedade, a reação das testemunhas do ocorrido, o acompanhamento do processo de reconhecimento dos corpos das vítimas e possíveis explicações para a ocorrência do caso. Tomamos como objeto de estudos a edição do telejornal que foi ao ar no dia 18 de julho de 2007. Como a morte é um tema bastante polêmico, pode-se dizer que a cobertura do Jornal Nacional ao acidente com o avião da TAM se deu de forma simplista, sem nenhuma preocupação com os espectadores e com as famílias das vítimas que foram expostas no ar.
- Jornalismo e imaginário social: reflexão sobre as estratégias discursivas de produção de sentidos em mídias jornalísticas
Daiane Bertasso Ribeiro - Mestranda - UFSM
Maria Ivete Trevisan Fossá - Doutora - UFSM
O imaginário social constitui-se um conjunto de representações, onde circulam crenças, símbolos, mitos, ideologias e concepções de uma coletividade. É por meio dele que as organizações buscam seu reconhecimento. Assim, objetivamos estudar sobre o investimento das mídias jornalísticas no imaginário social, por meio da reflexão teórica a respeito das estratégias de produção de sentidos presentes nos discursos jornalísticos. Nossos fundamentos teóricos estão subsidiados nos autores Castoriadis (1995), Maffesoli (2001), Durand (2004), Deleuze (1974), Foucault (1972), Verón (2004), Maingueneau (1997, 2008) e Charaudeau (2006). No artigo apresentamos como se dá a constituição do imaginário social e da produção de sentidos, refletindo sobre o investimento das mídias jornalísticas por meio de estratégias discursivas.
- Pesquisa em Jornalismo: produção e uso de informação nos artigos apresentados em congressos
Anelise Rublescki - Doutoranda - UFRGS
Estudo bibliométrico sobre a produção e o uso de informação em artigos científicos apresentados no NP Jornalismo do XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Intercom em 2007; no IV Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (2006), da SBPJor e no GT Estudos de Jornalismo nos XV (2006) e XVI (2007) Encontros Anuais da Compós. Os 213 artigos que compõem a pesquisa foram analisados por autoria e co-autoria, temática e modalidades metodológicas: empírica, teórica ou aplicada As 3835 citações contidas nos trabalhos foram analisadas pelo tipo de documento (livros, eventos, revistas científicas, teses/dissertações), acessabilidade online, e pelos critérios de obras mais consultadas, autores mais citados e pela vida média da literatura utilizada. Apresenta as tendências de pesquisa em jornalismo no contexto atual.
- Revisitando os conceitos de contrato de leitura
Antonio Fausto Neto - Doutor - UNIFRA
Sibila Rocha - Doutora - UNIFRA
Flavia Alli - Graduanda - UNIFRA
Laís Prestes Bozzetto - Graduanda - UNIFRA
Letícia Sarturi Isaia - Graduanda - UNIFRA
Maitê Vallejos - Graduanda - UNIFRA
O estudo se insere nas discussões teóricas sobre os principais conceitos de contratos de leitura/comunicação com o intuito de examinar os processos de trabalho de enunciação jornalística, ressaltando as transformações pensadas por diferentes autores. Discute-se a evolução dos “contratos” conforme a linha de pensamento de quatro autores: Umberto Eco, Eliseo Verón, Maurice Mouillaud e Patrick Charaudeau. Pretende-se na revisão destes conceitos, avançar posteriormente, para entender novos “pontos de vínculos” em ambientes/cenários de processos de midiatização. Trata-se de uma pesquisa de aprofundamento teórico, com intuito de registrar, transformações conceituais significativas em análise de objetos empíricos jornalísticos.
- O Fait Divers no jornalismo passo-fundense: Adriano da Silva assassino confesso de crianças
Roberto Ramos - Doutor e Professor- PUCRS
Bibiana de Paula Friedrichs - Doutoranda - PUCRS
Estudaremos o Fait Divers na discursividade de 01 reportagem ilustrada sobre o julgamento e condenação de Adriano da Silva, assassino confesso de 12 meninos com idade entre 08 e 13 anos na região do Planalto Médio, contemplando a produção de sentido, em nível verbal e não-verbal. A cobertura do caso foi realizada por Jackson Gosch e publicada em 23 janeiro de 2006 no jornal O Nacional – periódico mais antigo de circulação diária no município de Passo Fundo/RS. A sustentação teórica foi construída com base nos pressupostos de Roland Barthes, por intermédio de cinco categorias: Discurso (Pirâmides Normal, Invertida e Mista e Fotografia); Fait Divers; Mito; Poder e Socioleto (Encrático e Acrático). As reflexões propostas estão ancoradas pelo Método Dialético Histórico-Estrutural (DHE) e pela técnica metodológica da Semiologia.
MESA 9 - Teorias do Jornalismo II
SALA - 309
Coordenadora: Profª. Drª. Doris Haussen
- Os Estudos Culturais, o Pensamento Complexo e a pesquisa em Jornalismo: por uma intersecção teórico-metodológica
Vilso Junior Chierentin Santi - Doutorando - PUCRS
O presente trabalho versa sobre a aproximação teórico-metodológica entre os “Estudos Culturais Britânicos” e os postulados do “Pensamento Complexo” de Edgar Morin para a pesquisa em Jornalismo. No acostamento proposto utilizamos o modelo do “Circuito da Cultura” sugerido por Johnson (1999), em sua transposição analógica como “Circuito das Notícias”, para demonstrar que muitas das preocupações partilhadas pelos autores dos “Estudos Culturais” são contempladas e/ou observadadas por Edgar Morin quando este desenvolve as bases e os princípios do “Paradigma da Complexidade”. Tal vinculação além de possível faz-se necessária a fim de que possamos jogar mais luz aos fenômenos igualmente complexos que envolvem a Comunicação e o Jornalismo em processo, aqui nosso foco maior de interesse.
- Conselho de Leitores: uma visão diacrônica
Camila Arocha - Mestre - UNISINOS
Neste artigo, refletiremos sobre os conselhos de imprensa, seu histórico e conceituação, bem como sobre as razões para a sua criação e manutenção. Em sua concepção teórica, os conselhos de imprensa foram pensados para dar voz ao público e melhorar a qualidade da mídia, através de suas opiniões. Em ambiente de ampla liberdade de imprensa, nos termos em que foi pensada, esta ferramenta pode ser um instrumento da sociedade para contribuir com os veículos de comunicação. Verifica-se que este modelo é implementado principalmente por empresas jornalísticas que querem ter um retorno de seu “produto”. Este é o caso do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, que foi objeto de estudo na dissertação de mestrado que originou este artigo. Antes disso, porém, apresentaremos o surgimento desse tipo de fórum, no mundo e no Brasil, e algumas reflexões, encontradas na literatura, sobre o tema.
- A construção de “imagens” representativas nos editoriais da Folha de S. Paulo sobre a campanha das Diretas Já
Rosane Martins de Jesus - Mestranda - UFC
Este artigo tem como objetivo analisar como o jornal Folha de S.Paulo construiu discursivamente sua auto-imagem e a imagem da campanha das Diretas Já, em seus editoriais. Considerando Foucault (2009) para o qual o discurso é visto como acontecimento e os sujeitos sociais se constroem discursivamente, buscou-se apontar que lugar a Folha criou para si no contexto da Campanha; como o Jornal se constituiu discursivamente nos editoriais e que tipo de atributos ele elencou para os seus enunciatários e para a campanha. Tendo como referencial metodológico a análise de discurso da tradição francesa, foram analisados onze editoriais que tiveram como temática central as Diretas Já, publicados entre janeiro e abril de 1984. A partir dessas análises, percebeu-se que a Folha construiu uma imagem pacífica, democrática e popular para a Campanha; colocou-se num lugar de participante-ativa ao invés de simples enunciadora e definiu os “defensores” das Diretas como cidadãos repletos de “virtudes” cívicas.
- O discurso jornalístico e a crise do setor coureiro-calçadista dos anos 1990
Claudia Schemes - Doutora - FEEVALE
Denise Castilhos de Araújo - Doutora - FEEVALE
Nosso trabalho procura analisar a maneira como foram construídos os conceitos de emprego e desemprego através do discurso jornalístico do Jornal NH, maior diário em termos de assinaturas pagas do interior do estado do RS, abrangendo 52 municípios dos vales do Rio dos Sinos, Caí e Paranhana. Para isso, partimos do princípio de que os meios de comunicação de massa auxiliam na construção da realidade de seus públicos. O período escolhido foram os anos 1990, época da maior crise do setor coureiro-calçadista gaúcho, no qual questões como emprego/desemprego tornaram-se recorrentes na sociedade e nos veículos de comunicação. Para a referida discussão, utilizamos como teoria a Análise de Discurso, baseando-nos nos autores Eni Orlandi e Michel Pêcheux. É possível destacar que a visão que a comunidade construiu sobre as noções investigadas foi orientada pelo referido periódico, podendo ter influenciado a sua população e contribuído na construção/solidificação dos conceitos em análise.
- Jornalismo cidadão: a fonte amadora na produção telejornalística
Miro Bacin - Doutor - UNIPAMPA
O presente trabalho se baseia em pesquisa que propõe uma análise sobre a participação da fonte amadora ou cinegrafista amador na construção de realidades pelo jornalismo televisivo atual. Trata de identificar e categorizar as diversas produções de uma audiência “empoderada”, especialmente aquelas veiculadas pelo Jornal Nacional da Rede Globo. São explicitadas possibilidades de diferentes narrativas construídas por uma produção alheia às rotinas formais do telejornalismo. Entre essas possibilidades e para além das produções convencionais, estão as gravações das “câmeras de segurança”, tratadas aqui como captações feitas sem a “presença intencional” do homem entre o acontecimento e o aparato tecnológico. Desses modernos pontos de observação e apreensão de dados da realidade, é lançada a discussão sobre a interferência/“ajuda” do cidadão no “mundo” do jornalismo.
- A visibilidade (e ressignificação) de padrões de interação e de técnicas no telejornalismo
Eloísa Joseane da Cunha Klein - Doutoranda - UNISINOS
O texto trata dos atravessamentos da midiatização no telejornalismo, tendo em conta tensionamentos entre aportes teóricos (midiatização, jornalismo, televisão) e a sistematização da observação do telejornalismo por meio de três tipos de material (cobertura de um grande caso; programa Profissão Repórter; edições independentes de programas de reportagem). A técnica dando-se a ver no jornalismo é um dos indícios da transformação do campo midiático pela midiatização. Como instituição social e forma cultural, o jornalismo atualiza ou revitaliza de padrões de ação, mobilizado por transformações sociais. A midiatização é entendida como um fenômeno social caracterizado pela participação crescente da técnica na vida cotidiana, pela imbricação de campos sociais com a mídia, pela alteração na produção, circulação, arquivamento, compartilhamento e recepção de mensagens, pela ressignificação ou complexificação de processos sociais interacionais já existentes e criação de outros modelos interativos.
- Possibilidades da análise em fontes jornalísticas
Domingos Sávio Campos de Azevedo - Doutor - UNIPAMPA
Ronaldo Bernardino Colvero - Doutor - UNIPAMPA
Este artigo pretende estabelecer discussões sobre a metodologia que o cientista social poderá utilizar nas análises de notícias do jornalismo impresso, utilizando como corpus empírico, duas notícias de jornais uruguaios (El Dia y El Pais), que foram veiculadas no período de 26 ã 27 de agosto de 1954, e tinham como enfoque principal a morte do chefe do poder executivo brasileiro, presidente Getúlio Dornelles Vargas no contexto sócio-histórico uruguaio. Desta forma, tentamos contribuir, a partir das reflexões dos textos citados e com uma análise do discurso dos títulos das notícias, para refletir sobre as possibilidades de uso das metodologias da comunicação em estudos históricos que tomam como fonte o jornalismo impresso.
GT MÍDIAS SONORAS
Coordenadores: Prof. Dr. Luciano Klöckner e Prof. Dr. Cláudio Mércio
Dia 03 de novembro
MESA 1 - RÁDIO EDUCATIVA/COMUNITÁRIA, IDENTIDADE E MÚSICA
SALA - 312
14:00-14:15 - ABERTURA Coordenadores: Prof. Dr. Luciano Klöckner e Prof. Dr. Cláudio Mércio
14:15-14:30
- Emissoras educativas, culturais e universitárias brasileiras: resgates históricos e reflexões sobre a constituição do sistema público de rádio no país
Valci Regina Mousquer Zuculoto - Doutoranda - PUCRS
As rádios educativas, culturais e universitárias já contam mais de 70 anos de história na radiofonia do Brasil. Até a década de 90, operavam e eram referidas como integrantes do sistema educativo de rádio. A partir de então, passaram a se autoproclamar emissoras públicas. A proposta deste artigo é resgatar e refletir sobre os principais aspectos históricos que levaram estas rádios a se definirem como públicas, embora muitas delas, pela Constituição, devessem ser categorizadas como emissoras estatais. Hoje, dezenas destas emissoras já integram a ARPUB - Associação das Rádios Públicas do Brasil, e especialmente as estatais federais operam ligadas à superintendência de rádio da EBC – a Empresa Brasileira de Comunicação criada pelo governo Lula, que se propõe a constituir o sistema público de rádio no país. Neste trabalho, também evidenciamos questões e reflexões preliminares sobre o panorama atual de construção deste sistema na radiodifusão nacional.
14:30-14:45
- Arquivos sonoros na Educação a Distância: é possível aprender ouvindo?
Andrea Pinheiro - Mestre - Universidade Federal do Ceará
Paula Marques - Especialista - Universidade de Fortaleza
Natália Rodrigues - Pós-graduanda - Universidade de Fortaleza
O estudo discute a utilização do áudio em cursos à distância, a partir da experiência disciplina Criminologia, da Universidade de Fortaleza. A discussão toma como ponto de partida a compreensão de que o exercício de escuta favorece a aprendizagem, conforme proposição do filósofo grego Plutarco. A análise da experiência apresentada está ancorada na utilização do áudio como recurso didático principal e aponta para a importância da linguagem sonora nas propostas de Educação a Distância, considerando a utilização cada vez mais frequente das mídias móveis no cotidiano dos estudantes. Nesta reflexão apresenta-se também a avaliação dos alunos sobre a proposta de apresentação do conteúdo em formato de áudio.
14:45-15:00
- Literatura ao pé do ouvido: um estudo qualitativo sobre o sucesso do livro falado entre portadores de cegueira congênita
Marcelo Santos - Doutorando - PUCSP
Em estudo qualitativo realizado em 2008 com 46 sujeitos, constatou-se que pessoas portadoras de cegueira congênita preferiam “ler” obras literárias com os ouvidos, e não com os dedos: o chamado livro falado ou audiolivro, reprodução em áudio de textos escritos, foi apontado pelos entrevistados como mais divertido, fácil e agradável que o método Braille, normalmente ofertado aos portadores de deficiência visual. Neste artigo, essa preferência pela leitura sonora à tátil será discutida a partir da teoria semiótica peirceana. A sugestão é a de que o ouvido, assim como a visão, utilize uma lógica predominantemente dedutiva nos processos comunicativos, enquanto o tato seria guiado por processos preferencialmente indutivos. Em função disso, textos literários feitos para serem decodificados com os olhos, através de letras impressas, seriam melhor traduzíveis à audição que ao tato, pois, no primeiro caso, haveria a manutenção da linguagem dedutiva, ao passo que no segundo seria necessário recodificar o tipo de signo – de visual para tátil – e de lógica – da dedução à indução – aplicados.
15:00-15:15
- Oficina em Rádio: uma aproximação com a comunidade que mostra o rádio como aliado do ensino e aprendizagem
Leyla Maria Portela Coimbra Thomé - Mestre - PUCSP
O trabalho relata a experiência de ensino e aprendizagem realizada na disciplina de Projeto Experimental II – Rádio Comunidade, do Curso de Comunicação Social, habilitação Jornalismo, da Universidade de Caxias do Sul - UCS -, em Caxias do Sul, RS. A finalidade é registrar e socializar para a comunidade acadêmica que a Oficina de capacitação de agentes para trabalhar em rádio é uma das maneiras que os alunos encontraram de desenvolver a ementa da disciplina, que tem como principal objetivo fazer a aproximação do rádio com a comunidade. O artigo mostra também que as oficinas de rádio podem contribuir na formação do educador e do educando para que possam utilizar o rádio como valioso aliado no processo de ensino e aprendizagem. Além disso, relata a experiência da rádio interna do Colégio Estadual Santa Catarina, que foi implantada depois da realização da oficina de rádio.
15:15-15:30
- Para (re) pensar as rádios comunitárias na construção do mundo comum
Cristóvão Domingos de Almeida - Doutorando - UFRGS
Valdir José Morigi - Doutor - USP
O trabalho parte das relações entre mídia e espaço público, analisando matérias sobre as rádios comunitárias a partir da reportagem da TV Globo que acompanhou a apreensão dos equipamentos de duas emissoras em São Paulo. A matéria, que repercutiu nacionalmente, foi ao ar em maio de 2009. O objetivo é verificar a visibilidade das rádios comunitárias pelo viés do espetáculo, já que no enquadramento do tema elas foram identificadas como “rádios piratas” responsáveis pelas interferências no sistema aéreo brasileiro. Com esse discurso, a mídia oferece argumentações generalistas à opinião pública. Conclui-se, que as práticas comunicativas possibilitam e potencializam os sujeitos a aprenderem a construir um mundo comum através do uso das palavras num espaço público são representadas pela mídia tradicional como desestruturadoras da ordem social.
15:30-15:45
- Tensões entre proposta teórica e prática radiofônica: um estudo sobre a Rádio Terra Livre FM
Joel Felipe Guindani - Mestrando - Unisinos
O trabalho apresenta a problemática entre proposições teóricas sobre rádio elaboradas pelo Setor de comunicação do Movimento Sem Terra (MST) e a prática radiofônica desenvolvida em um assentamento. A partir da teoria dos campos de Pierre Bourdieu e Adriano Rodrigues, visa-se aprofundar o debate sobre a tensão percebida entre o documento “As Rádios do MST” e a “Rádio Terra Livre FM”. Percebe-se assim certa incompatibilidade entre o campo radiofônico, estruturado sob lógicas da sociedade em midiatização e o campo documental do MST fundamentado por uma racionalidade política mais rígida. Está tensão é identificada a partir de um questionamento deflagrado no ambiente de negociação entre os sujeitos em cena: fazer rádio para os projetos do MST e/ou para a comunidade?
15:45-16:00
- Programa Frequência Livre há sete anos no ar na ABC 900
Marcos Santuário - Doutor - PUCRS
O programa radiofônico Freqüência Livre está a sete anos sendo transmitido pela Rádio ABC 900 – do Grupo Editorial Sinos de Novo Hamburgo. Trata-se de um programa realizado por estudantes de Jornalismo do Núcleo de Rádio do Centro Universitário Feevale, e que tem veiculação diária, de 16h às 17h, pela emissora local e via Internet. O programa constitui-se no único produto radiofônico transmitido pela emissora sem ser realizado nos estúdios da mesma. Produzido e apresentado por, o programa consolidou-se como experiência radiofônica inédita na região ao manter-se no ar em emissora comercial. Do processo de elaboração de pautas, produção das mesmas, apresentação do programa e contato com a comunidade, o Freqüência Livre tem se constituído em um exemplo de produção radiofônica, tido, pelos próprios representantes da emissora, como um dos melhores produtos comunicacionais transmitidos pelo grupo de comunicação. Neste âmbito surge a discussão da programação radiofônica local e do fazer radiojornalístico desde a academia para uma emissora comercial, como experiência prática da aplicação teórica desenvolvida em sala de aula.
16:00-16:15
8 - Radiodifusão católica no Brasil: estratégias e políticas comunicacionais Lauri Heck - Doutorando - PUCRS
A Igreja Católica no Brasil tem um enorme potencial comunicativo tanto cultural como espiritual. No Brasil o rádio é uma das formas mais populares e prósperas que a Igreja descobriu, a partir dos anos 40, para divulgar a mensagem cristã. Percebeu depois de uma certa resistência o valor desse veículo de comunicação e providenciou sua primeira emissora: a Rádio Vaticana, em 1931. A Igreja Católica no Brasil optou e privilegiou o uso do rádio como instrumento de comunicação para a evangelização e as políticas e estratégias estão intimamente ligadas aos diversos documentos da Igreja brasileira, da América Latina e do Vaticano. Elas acompanham também as diferentes fases históricas da sociedade brasileira e consequentemente as maneiras diferentes de a Igreja entender o fenômeno comunicativo.
16:15-16:30
9 - Walter Benjamin remixado: a aura musical na era da arte atual Ticiano Paludo - Mestrando - PUCRS
Neste trabalho são estabelecidas relações entre as teorias propostas por Walter Benjamin (1936) em “A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica”, Raymond Moulin (2007) e Ticiano Paludo (2008) no que se refere à reprodução técnica da obra de arte e a sua suposta perda da aura. Busca-se ainda, refletir sobre a existência da aura na indústria musical, tomando como objeto de estudo a música pop. Após proporcionar um diálogo entre os autores e aplicar as teorias no objeto analisado, conclui-se que a migração do vinil para o MP3 enfraqueceu a aura musical, uma vez que a mesma escorreu no momento em que o meio físico foi excluído. Este meio físico desempenhava o papel de moldura para a obra. Sem esta moldura, o conteúdo escorre, se perde e enfraquece.
16:30-16:45
10 - Música, mídia e “massa”: o reggae no Maranhão e a “música-imagem” Marcus Ramúsyo de Almeida Brasil - Doutorando - PUCSP
O trabalho pretende iniciar uma discussão acerca da imbricação entre música e imagem na contemporaneidade. Também faz parte da tessitura do texto buscar as relações entre mídia e afetividade como catalisador de capital político, tendo como objeto principal o fenômeno cultural do reggae no Maranhão. Atualmente São Luís – MA é considerada a Jamaica brasileira e a partir desse grande poderio mercadológico e identitário empresários de reggae já ocuparam ou ocupam cargos eletivos na política institucional local. Como referencial teórico utilizou-se o conceito de afetividade de Muniz Sodré, a noção de poder em Michel Foucault e a categoria de “massa” em Gabriel Cohn, entre outros. Como metodologia utilizou-se pesquisa exploratória, histórica e observação direta.
16:45-17:00
11 - Mídia sonora e memória musical: um estudo de recepção do samba-exaltação na época da Segunda Guerra Mundial Alessander Kerber - Doutor - UFRGS
No presente trabalho, proponho apresentar algumas considerações acerca do projeto de pesquisa intitulado “Representações musicais e mídia sonora na construção de identidades ligadas ao espaço geográfico”, financiado pelo CNPq e em andamento na UFRGS. Especificamente, abordo as possibilidades do uso da História Oral em um estudo de recepção da música popular e da mídia sonora, bem como sua relação com a construção e massificação de uma versão acerca da identidade nacional brasileira em uma região específica do país durante o decorrer da Segunda Guerra Mundial.
17:00-17:15
12 - A mídia sonora como lugar de subversão discursiva das negritudes Deivison Campos - Mestre - ULBRA
As mídias sonoras constituem-se num importante espaço de subversão discursiva e de construção identitária dos negros na diáspora. A música urbana afro-brasileira, estruturada na hibridização das formas vernaculares (batuque) com novas sonoridades, tornou-se elemento de síntese da dialética racial do negro brasileiro. Como principal espaço de visibilidade na sociedade contemporânea, a mídia exerce o papel de sustentar e reforçar os discursos hegemônicos. No entanto, a lógica mercantilista, em sua busca por novidades, abre espaços para outros discursos. Esse espaço tem sido utilizado estrategicamente para disseminar referenciais de pertencimento afro-brasileiro. Artistas, como Happin Hood, têm produzido música a partir de sua posição étnica, entendendo o papel da arte como mediação da criatividade individual e da dinâmica social.
17:15 - 18:00 - Debates e reunião do Grupo
Dia 04 de novembro
MESA 2 -
MEMÓRIA, RADIOJORNALISMO, AUDIÊNCIA E TECNOLOGIA
SALA - 312
Coordenadores: Prof. Dr. Luciano Klöckner e Prof. Dr. Cláudio Mércio
14:00-14:15
1 - Rádio e ouvintes: alterações no contexto e no relacionamento Doris Fagundes Haussen - Doutora - PUCRS
A programação jornalística das emissoras radiofônicas na atualidade tem se deparado com novos desafios. Entre eles, a maior interferência do ouvinte através do envio de mensagens por meio de celulares e da internet, demonstrando a sua vontade de participar. Por outro lado, devido às emissoras estarem disponibilizando as suas programações na web, outro tipo de público também tende a se manifestar. E isto altera, inclusive, o próprio discurso dos apresentadores dos programas, além da rotina dos profissionais que já vem sofrendo modificações pela adoção de tecnologias que afetam o seu fazer jornalístico. Este artigo propõe-se, assim, por meio da análise da programação de quatro emissoras de Porto Alegre a investigar este fenômeno, procurando identificar de que maneira, efetivamente, o contexto globalizado, as novas tecnologias e a conseqüente maior participação do ouvinte têm alterado a rotina das rádios dedicadas ao jornalismo. Entre os autores que apóiam este estudo estão Cebrián Herreros (2007), Mattelart (2005) e Bustamante (2003).
14:15-14:30
2 - Trajetórias de escuta – a criação e manutenção de vínculos entre o rádio e seus ouvintes Graziela Bianchi - Doutoranda - UNISINOS
Relações de escuta radiofônica, desenvolvidas ao longo de uma trajetória de vida, incitam a busca pelo entendimento dos modos como se articulam esses arranjos. Nas palavras de Gómez Vargas (1994), não existem receptores iguais, ou “prontos”, pois todos eles se “fazem receptores” no decorrer da história que constroem com o meio. O trabalho busca refletir sobre os vínculos que se estabelecem entre o rádio e sua recepção. Para tanto, questões como linguagem radiofônica, formatos e gêneros utilizados pelo meio, estão relacionadas. A abordagem se dá a partir da análise e discussão da experiência de escuta vivida por ouvintes, hoje idosos, que acompanharam o desenvolvimento do rádio, desde seus primeiros anos de atividade, na primeira metade do século XX, até os dias atuais. Todas as experiências de escuta, que servem de base para as reflexões desenvolvidas, têm como característica primordial a escuta radiofônica que perdura por toda uma história vida.
14:30-14:45
3 - Rádio e vínculo social: narrativas do cotidiano como estratégia de captura da audiência Maicon Elias Kroth - Doutorando - UNISINOS
Na atualidade, diante do processo de globalização da economia, da política e da cultura, junto ao avanço tecnológico, configura-se o surgimento de um sistema de comunicação mais ligado a interesses sociais. Esta realidade se reflete em produção de programações de diversos gêneros, com comunicadores capazes de capturar o receptor por meio de um discurso carregado por elementos do cotidiano de quem está na sintonia. Nestas condições, o presente artigo pretende entender como o rádio volta-se para as individualidades, se apropriando de narrativas do cotidiano, mediante vários tipos de interação, como objetivo de concretizar novas formas de vínculos com a audiência. A partir deste questionamento, as reflexões apresentadas visam compreender a lógica produtiva de um programa radiofônico na cidade de Santa Maria – RS. A intenção é analisar as estratégias discursivas utilizadas pelo radialista João Carlos Maciel.
14:45-15:00
4 - A felicidade mora aqui: o jingle, slogan e versões musicais no varejo Lígia Teresinha Mousquer Zuculoto - Mestre - IELUSC
O estudo tem como proposta recuperar e analisar as aplicações do jingle na comunicação das Lojas Colombo nos anos 90 aos 2000. Seu slogan, gêneros e versões musicais. A utilização das linguagens publicitária, com as teorias de Iasbeck, musical, com o apoio de Morais e Kiefer e a radiofônica, com Balsebre. A estética de uma linguagem essencialmente sonora se apóia na peça radiofônica como um caminho inspirador em direção a um universo no qual palavras, sons, ruídos e a música, propõem “através de efeitos técnicos e/ou humanos, uma realidade criativa e até transformadora” (Balsebre, 2005, p. 334). Já o slogan, que significa “grito de guerra”, tem que ser de fácil percepção e memorização deixando nítida a idéia central da mensagem. “É certo que a publicidade vai revitalizar os slogans e dar-lhes destaque especial no contexto da sua tão eficiente e peculiar retórica persuasiva”. (Iasbeck, 2002, p. 49) A aplicação do jingle das Lojas Colombo talvez tenha ficado como uma nova arte, uma imaginativa tentativa para uma nova maneira de usar as possibilidades que a linguagem radiofônica, publicitária e musical oferecem. 15:00-15:15 5 - A peça radiofônica: voz, palavra e imaginação Mirna Spritzer - Doutora - UFRGS
Partindo da concepção da linguagem radiofônica como linguagem artística e o rádio como um meio expressivo, o estudo marca a presença, o encontro entre o ator e o ouvinte através da voz. Entende que os elementos que circunscrevem as práticas da palavra no rádio, tais como a escuta, o silêncio, a presença e a imaginação, criam as condições para a construção de uma obra única. Assim, ao rever as muitas vozes do ator e as imagens, sonoridades e sentidos do texto, pensa a peça radiofônica como experiência contemporânea em que os cruzamentos entre radiofonia, teatro, música e performance são uma realidade. Discute as idéias de memória, escuta, vocalidade e imaginação, associadas aos estudos de Paul Zumthor, Walter Benjamin, Ricardo Haye e Jerzy Grotowski, entre outros.
15:15-15:30
6 - A mulher no rádio do noroeste do Rio Grande do Sul Vera Lucia Spacil Raddatz - Doutora - UNIJUÍ
O rádio, no decorrer de sua história, tem se apresentado como um território predominantemente masculino no que diz respeito à ocupação das funções de maior visibilidade, como: apresentação de programas, reportagens externas, narrações esportivas, administração de emissoras. À medida que a mulher foi ampliando a sua participação no mercado de trabalho, esse quadro foi se alterando consideravelmente. A proposta deste estudo é apresentar um panorama do trabalho que as mulheres estão desenvolvendo nos microfones das emissoras de rádio em municípios do Noroeste do Rio Grande do Sul, abrangendo, inicialmente, as microrregiões de Ijuí, Santa Rosa, Santo Ângelo, Três Passos e Cerro Largo. A partir de um mapeamento das emissoras, da busca de documentos em arquivos e de entrevistas, esta pesquisa pretende levantar dados sobre quem foram as primeiras e quem são as mulheres ao microfone na região estudada, que tipo de programas elas realizam e quais as formas de execução desse trabalho.
15:30-15:45
7 - Áudio na internet. Um mapeamento preliminar do uso do som no contexto da multimídia.
Marcelo Lopes Freire - Doutorando - UFBA
O trabalho pretende de forma preliminar fazer um mapeamento do uso do áudio no jornalismo em ambiente de convergência. Pretendemos observar o contexto de veiculação, em associação com outras mídias como animações, imagens e texto. Para, com isso, identificar o desenvolvimento de novos formatos jornalísticos como o caso do áudio slideshow que conjuga áudio, imagens e texto ou as infografias que são construídas com animações interativas, áudio e texto. Além disso, o trabalho deverá observar especificamente como o som é veiculado: ao vivo através streaming, podcasts, redes sociais como no caso da last.fm, playlists etc. Desta forma, seria possível observar as potencialidades e limitações de cada forma de transmissão. Esse tipo de mapeamento pode servir para estudos de convergência que analisem a natureza do conteúdo veiculado tanto em Rádios como em outros suportes.
15:45-16:00 8 - Radiojornalismo hipermidiático: narrativa multimidiática e convergência tecnológica na Rádio France Info Debora Cristina Lopez - Doutoranda - UFSM
O trabalho discute formatos para jornalismo radiofônico multimídia, com foco na sua presença na internet. A proposta é, através do estudo de caso do site da rádio France Info, discutir linguagens sonoras e multimidiáticas para o radiojornalismo contemporâneo. A pesquisa toma como base as discussões sobre rádio hipermidiático, convergência tecnológica, narrativa multimidiática e jornalismo radiofônico para desenvolver sua observação. O site e o conteúdo sonoro da emissora foram acompanhados durante três dias não consecutivos. Entre os principais resultados estão a discussão sobre o papel da infografia como ferramenta de ampliação de conteúdo e a importância de rever fazeres e narrativas no rádio hipermidiático no que diz respeito à construção sonora e visual. O jornalismo multimídia desenvolvido no site assume, de acordo com os resultados, um papel variável de ampliação e de complementação do conteúdo original, de transmissão da informação via dial e retransmissão via streaming.
16:00-16:15 9 - Radiojornalismo: qual o futuro da síntese noticiosa? Leandro Olegário - Mestre - PUCRS
Radiojornalismo: qual o futuro da síntese noticiosa? – tem o objetivo de fazer uma reflexão sobre o caminho que segue esse modelo de noticiário no rádio brasileiro, partindo do ponto de vista de emissoras da capital gaúcha. E busca verificar se, nos dias atuais, a síntese noticiosa veiculada em rádios de Porto Alegre mantém as características introduzidas pelo Repórter Esso, noticioso que permaneceu no ar entre 1941 e 1968. Para isso, são analisados os principais noticiários das rádios Guaíba e Gaúcha, tradicionalmente focadas em jornalismo no Sul do país. A partir de autores que investigam o radiojornalismo, a pesquisa adota o método comparativo para dar o suporte à efetivação ao trabalho.
16:15-16:30 10 - Rádio Farroupilha: relações de solidariedade e audiência popular no estudo da mediação radio-sociocultural
Adriana Rigo Moraginski - Mestranda - UFRGS
O presente artigo tem o objetivo de compreender as relações de solidariedade na tradição dos estudos de recepção radiofônica, junto à audiência popular, no programa Comando Maior, da Rádio Farroupilha AM, líder em audiência entre as cinco maiores rádios do Brasil neste segmento. Tais relações, entendidas como vínculos estabelecidos na exploração de um sentido de solidariedade, são verificadas por meio da mediação radio-sociocultural, assim denominada pelo entendimento do meio rádio no contexto sociocultural a que está inserido, apropriando-se, dessa forma, do modelo das multimediações desenvolvido por Guilhermo Orozco Gómez na década de 80, como proposta teórico-metodológica aos estudos de recepção latino-americanos. Como técnica de investigação, utiliza-se a etnografia da audiência para possibilitar o alcance nos espaços onde estão inseridos os ouvintes.
16:30-16:45 11 - Morte anunciada? Um dia na programação da Rádio Guaíba AM pré-Record
Cláudio Mércio - Doutor - PUCRS
A Rádio Guaíba AM, de Porto Alegre, inaugurada em 1957 pela Companhia Jornalística Caldas Júnior, foi vendida em 21 de fevereiro de 2007 para a Rede Record, grupo de comunicação controlado pela Igreja Universal. O presente artigo tem por objetivo resgatar um dia na programação da emissora – 30 de março de 2006 – antes da mudança de proprietário. Desta forma, pretende-se apresentar quem são suas fontes e anunciantes. A investigação procura responder ainda se a rádio, quase cinco décadas depois, é “uma voz a serviço do Rio Grande”, como anunciado pelo primeiro diretor da emissora, Arlindo Pasqualini, em seu discurso de fundação. Por fim, a pesquisa procura localizar fragmentos identitários do gaúcho e das ditas “coisas do Rio Grande” em um dia normal de programação. 16:45-17:00
12 - A Retórica e o Radiojornalismo Luciano Klöckner - Doutor - PUCRS
A Retórica, como persuasão, argumentação e figuras de linguagem, apresenta-se como uma das bases do Jornalismo, especialmente o de Rádio. A pesquisa visa a apresentar as características principais entre as duas áreas e se propõe a refletir sobre os gêneros e formatos do Rádio Informativo, aplicando procedimentos metodológicos para averiguar os graus de retoricidade no discurso radiofônico.
GT COMUNICAÇÃO E INDÚSTRIA AUDIOVISUAL
Coordenador: Prof. Dr. João Guilherme Barone Reis e Silva
Dia 03 de novembro
MESA 1 - Cinema, indústria, tecnologia e mercado
SALA - 311
Coordenador: Prof. Dr. João Guilherme Barone Reis e Silva
- Cinema industrial no Rio Grande do Sul: filmes de longa-metragem entre 1997 e 2007
Mariângela Ribeiro Machado - Mestranda - PUCRS
A dissertação O cinema industrial no Rio Grande do Sul: filmes de longa-metragem entre 1997 e 2007 busca compreender a realidade da produção cinematográfica da região através dos filmes do período, voltados ao circuito comercial. O estudo pretende analisar a posição ocupada pela cinematografia do Estado no cenário nacional, através do desempenho no mercado exibidor nacional, localizado no contexto mundial das grandes transformações da sociedade da informação e do processo de globalização. E, finalmente, averiguar as condições para a sedimentação de uma indústria audiovisual no Estado: as principais barreiras e os possíveis avanços nesta direção. Autores de referência: Barone, Canclini, Ortiz e Oliven.
- Cinema Digital: reflexões sobre algumas perspectivas de mudanças para a indústria cinematográfica
Alexandre Rossato Augusti - Doutorando - PUCRS
O presente trabalho objetiva apresentar algumas reflexões a respeito das discussões que giram em torno das possibilidades do cinema digital. Partindo das evidências de transformação da materialidade física do suporte, diversos críticos e cineastas se revezam em apresentar vantagens e/ou desvantagens de abandonar a película e migrar para o digital. A partir desse cenário contemporâneo e suas perspectivas diversas, observo e estabeleço relações entre algumas posições que buscam compreender as preferências pela nova tecnologia ou as recusas de se trabalhar com o digital, atentando para questões que ligam os três elementos do núcleo central da indústria audiovisual – produção, distribuição e exibição.
- Marcos tecnológicos do cinema brasileiro contemporâneo
Eduardo Pires Christofoli - Mestrando - PUCRS
O presente estudo de projeto de dissertação do pesquisador vem com o objetivo de identificar quais são os principais marcos tecnológicos e suas implicações nos processos cinematográficos contemporâneo. O trabalho abordará as etapas de produção, distribuição e exibição filmes para entender como a tecnologia vêm transformando cada setor, estes que estão em fase de adaptações para o chamado cinema digital. O projeto busca entender o que ocorre com o cinema Brasileiro durante estes processos de transformações, tentando traçar para onde estamos indo. Seria este, o futuro do cinema, ou um presente ignorado?
- Desafios do longa-metragem nacional a partir da “retomada” sob a ótica do perfil das distribuidoras
Marcelo Gil Ikeda - Mestrando - UFF/ANCINE
Após o restabelecimento do apoio do Estado às produções cinematográficas em meados dos anos 90, os filmes nacionais voltaram a ocupar as telas dos cinemas brasileiros, ainda que sua participação tenha sido em níveis abaixo dos pretendidos pela política estatal. Nesse sentido, o objetivo do trabalho proposto é analisar os percalços enfrentados pelo filme brasileiro na reocupação de seu mercado interno, estudando o perfil das empresas distribuidoras ativas no período. De um lado, as majors naturalmente privilegiaram o blockbuster estrangeiro. Beneficiadas por um mecanismo de incentivo fiscal (o Art. 3º da Lei do Audiovisual) no lançamento de filmes brasileiros de grande bilheteria, aprofundaram suas vantagens comparativas para as distribuidoras nacionais que, por sua vez, salvo raras exceções, não tinham como atividade principal a distribuição do produto brasileiro. Por outro lado, a distribuidora estatal (RioFilme) contou com filmes relevantes, mas com pequenas possibilidades comerciais.
- A indústria do cinema brasileiro contemporâneo - reflexos internos e externos das maiores bilheterias
Karine dos Santos Ruy - Mestranda - PUCRS
Na última década, o cinema brasileiro, constituído historicamente como um modelo assimétrico, apresenta sinais de um desenvolvimento industrial acompanhado por uma maior penetrabilidade no mercado audiovisual interno. Entre 2003 e 2008, cresce o número de longas-metragens nacionais que conseguem fazer boas bilheterias nas salas brasileiras. Diante desse indício, a análise qualitativa dos dados fornecidos pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) sobre o mercado cinematográfico interno é o caminho proposto por esse projeto de pesquisa para conhecer a trajetória dos filmes que atingiram as maiores bilheterias nesse período e a relação dos resultados alcançados com as estratégias mercadológicas aplicadas. O trabalho também se interessa em perceber se a participação cada vez ais intensa de empresas estrangeiras no setor – as majors – resultou em um incremento da comercialização desses bens culturais no mercado externo.
MESA 2 - Cinema: imagem, tempo, gêneros e estéticas
SALA - 313
Coordenador: Prof. Dr. Carlos Gerbase
- Prática Social do Cinema na Contemporaneidade
Marcos Corrêa – PUCPR
Desde que surgiu em 1896, ir ao cinema se tornou um evento para a sociedade. As salas exibiam curtas-metragens em preto e branco. Na década de 1920, após a consolidação do longa-metragem como principal atração do cinema, o som foi inserido e utilizado como estratégia para atrair público. Na década de 70 descobriu-se a segmentação de mercado. Importante descoberta para a aquisição de espectadores para o cinema. Desde seu surgimento, o cinema aparece com uma forte carga de identificação com o público. Torna-se parte integrante de um processo formador da sociedade da imagem e do consumo. Sociedade esta formada a partir de processos como industrialização, urbanização e desenvolvimento do capitalismo. Entende-se ainda que o cinema possui forte influência no meio em que é recebido e passa a fazer parte de uma gama de produtos culturais com intuito de venda. O cinema nasce como um produto visual em um contexto de estímulo à visualidade e acaba influenciando hábitos culturais e de consumo.
- O gênero como empregado pela indústria cinematográfica: ontem e hoje
Gustavo Faraon - Mestrando - UFRGS
O objetivo do presente trabalho é verificar em que medida a indústria cinematográfica contemporânea ainda faz uso do gênero tal como compreendido pelo sociólogo alemão Theodor W. Adorno, e também desvendar através de que dispositivos isto se dá. Para tanto, é empreendida uma revisão do conceito de gênero tal como elaborado pelo pensador representante da Escola de Frankfurt, seguida de uma comparação entre algumas das práticas adotadas por esta indústria na chamada Era dos Estúdios e nos tempos atuais. Nota-se, por fim, uma alteração significativa da maneira como esta estratégia é empregada nos dois períodos, que se faz notar tanto sob o viés da economia da produção quanto pela ótica narrativa.
- Encenando o prazer: desafios éticos e estéticos das representações do sexo no cinema gaúcho
Cristina Kessler Felizardo - Mestranda - PUCRS
Apresentação do projeto de pesquisa em andamento sobre as representações do sexo no cinema gaúcho. A partir da análise das cenas de sexo contidas nos longas-metragens produzidos no Rio Grande do sul, busca-se desvendar como é tratada a temática da sexualidade nesta cinematografia. Que espécies de discursos sobe o sexo são engendrados? Como o ato sexual é mostrado – ou que subterfúgios são usados para não mostrá-lo? Que desafios tais cenas oferecem a atores e diretores e como são feitas suas escolhas éticas e estéticas? A pesquisa conta com referencial teórico amparado na ética hedonista de Michel Onfray e nos pensamentos sobre sexualidade, discurso e poder desenvolvidos por Michel Foucault. Além da revisão teórica e da análise da filmografia, serão colhidos depoimentos de autores e diretores envolvidos nas cenas.
- Cão sem dono? Nem tanto... Os métodos de fronteiras do cinema brasileiro na era da retomada
Mauro de Araújo Menine Jr. - Mestrando - UFRGS
Para Stuart Hall (1998), toda [in]formação identitária e “localiza” no espaço e tempo simbólicos. Logo, o conceito de fronteira é fundamental na constituição deste processo, visto que todo discurso opera através de dispositivos de reprodutibilidade histórica, identitária e interpretativa, como se uma ferramenta de sentido, tanto para o individuo quanto para o coletivo em que se inserem simbolicamente. A partir de Cão Sem Dono (2007), de Beto Brant e Renato Ciasca, pretende-se compreender como as geografias imaginárias (SAID, 1978) de reconhecimento e pertencimento cultural, gaúcha e brasileira, são “delimitadas” por “métodos de fronteiras” (MARTINS, 2007) que, pela “ordem” dos dispositivos representacionais fílmicos, operam a “localização” do cinema realizado no Rio Grande do Sul em relação a uma determinada identidade/alteridade nacional.
- Deleuze e Daney: as imagens e as idades do cinema
Marcelo Carvalho - Mestrando - UFRJ
Como dar conta, hoje, do legado teórico do cinema, arte (que determinou o imaginário / que foi determinada pelos eventos) do século XX? No início do século XXI, quando o cinema já se transforma em pós-cinema, em transcinema, como olhar para a prática e a teoria cinematográficas? O cotejamento entre posições aparentemente díspares do filósofo Gilles Deleuze e do crítico Serge Daney talvez traga algum subsídio para pensarmos a questão. Ambos empreendem cortes profundos no cinema. O primeiro invoca uma “história natural” a uma “história” do cinema, ao definir dois processos entre o atual e o virtual: de atualização de virtuais, característico da imagem-movimento; e de cristalização do atual e do virtual (imagem-cristal), onde se vê a apresentação direta do tempo (imagem-tempo). Enquanto Daney invoca três idades históricas do cinema: da montagem (o que há para ver por trás da imagem?); da imagem (o que há para ver na imagem?); e a do maneirismo (como deslizar para dentro da imagem?).
- Sangue como função: exercícios perversos e imaginários mórbidos
Frederico Antonio Cordeiro Feitoza - Doutorando - UFPE
A produção de imagens violentas é um tópico desgastado nos debates acerca dos limites ético-estéticos da cultura midiática. Peter Sloterdijk afirma que filmes como O massacre da serra elétrica vão aproximar a cultura de massas do nível de consumo de bestialidade de outros tempos. Tentar entender o porquê dessa fruição é uma questão que pode ser delineada pela teoria psicanalítica: o exercício perverso que caracteriza o consumo dessas imagens possui uma função social relativa à economia de libido inerente aos processos de socialização das sociedades de consumo. Nesse sentido, o conceito lacaniano de gozo surge como uma ferramenta teórica valiosa para entendermos que, longe de pensar tal problema a partir do binômio causal prazer/desprazer, deve-se ter em conta uma perspectiva de satisfação/gratificação que transgrida os mecanismos de controle e idealização do “Eu”. Para ilustrar essa perspectiva, parte-se da análise do filme Violência Gratuita e sua refilmagem Funny Games.
04 de novembro
MESA 3 - Documentário: memória, dispositivos, estratégias e representações
SALA - 311
Coordenador: Prof. Dr. João Guilherme Barone Reis e Silva
- O cinema-corpo e a sociabilidade documental
Maria Henriqueta Creidy Satt - Doutora - PUCRS
No prenúncio dos anos 60, as revoluções tecnológicas e os pressupostos conceituais almejados pelas tradições modernas instauram a imagem-corpo na cena documental. De maneiras diversas, construindo um campo rico e tensionado, o corpo do documentarista, seja ele um corpo-câmera (direto norteamericano) ou um corpo que se oferece como imagem diante das câmeras (verdade francês), engendra um processo de comunicação e íntima inter-relação com o outro. Corporeidades que contaminam as formas do encontro,estabelecendo reciprocidades e assujeitamentos no jogo documental. A presente comunicação preocupa-se em pensar os dispositivos de interaçãoempregados pelos documentaristas na configuração de sociabilidades documentais que expressam o estar junto nas imagens e por causa delas.
- Documentário fake: “é tudo verdade”?
Matheus Barbosa Emérito - Mestre - PUCSP
Apesar de tão debatida a questão do caráter ficcional do documentário, o cinema documental continua preso ao conceito de uma representação absoluta da verdade. O presente trabalho tem como objetivo discutir a sua forma mais próxima da ficção: os documentários fake - filmes que utilizam a linguagem do documentário para exibir uma história ficcional. O distinto modo de construção, ainda pouco apreciado pelo meio científico, é analisado como convenção “anti-normativa”, ao predominar a ficção no corpo da não-ficção. Este procedimento de criação é utilizado para exibir de forma criativa um roteiro ficcional - sendo assim uma paródia - ou para propor uma reflexão a respeito do gênero documentário através do trote. Serão analisadas obras de diversos diretores: The War Game (1965), The Rutles: All You Need Is Cash (1978), This is Spinal Tap (1984), Alien Abduction (1998), Opération Lune (2002) e Death of a president (2006).
- O moderno documentário brasileiro e a televisão: herança, negócio e experimentação
Gilberto Alexandre Sobrinho - Doutor - UNICAMP
Procedimentos canonizados no âmbito conceitual do cinema moderno tiveram desdobramentos significativos no documentário brasileiro. Como eixo aglutinador de transformações, o Cinema Novo tornou-se emblema da inflexão, nesse sentido, a tríade composta por filme de baixo orçamento, pesquisa de linguagem e autoria (Xavier, 2002) apontam um percurso inovador e gerador das transformações no filme de não-ficção. Nessa comunicação, serão exploradas as relações entre cinema e televisão, em que a experiência cinemanovista e, sobretudo, a Caravana Farkas, influenciaram a feitura dos filmes documentários no Globo Shell/Globo Repórter, na Rede Globo de Televisão, nos anos 1970. A abordagem privilegia a valorização da encenação como elemento de linguagem, as tensões entre produção independente e modos institucionalizados de realização, o(s) lugar(es) do documentário na formação de uma cultura audiovisual e no imaginário social.
- 40 anos de Jornal nacional: o telejornal revela a realidade brasileira?
Carlos Golembiewski - Doutor - UNIVALI
Esta pesquisa tem por objetivo estudar o papel social do Jornal Nacional, o telejornal mais antigo na Televisão brasileira. Afinal, ao completar 40 anos história, o programa revela a realidade brasileira? Para responder essa pergunta, analisamos três reportagens especiais exibidas no programa no ano de 2004. Elas abordam temas centrais como a Violência, o Desemprego e o Transporte Coletivo. A pesquisa utiliza como referencial teórico os estudos de Michel Maffesoli e as suas noções de Comunicação, Empatia, Imaginário, Cultura e Pós-Modernidade. Diante da complexidade do tema, usamos as subnoções de Âncora (SQUIRRA), Gêneros Jornalísticos (ERBOLATTO), Imagem (BARTHES), Planos de Imagem (CURADO) e Elementos da Reportagem (MACIEL) como forma de complementar a noção de Comunicação.
- Documentário, memória e testemunho
Ana Paula Silva Oliveira - Doutoranda - Universidade do Porto
O objetivo desta comunicação é refletir sobre a relação entre documentário e memória a partir da análise do documentário “Oxalá cresçam pitangas: Histórias de Luanda”(2006) dos diretores angolanos Ondjaki e Kiluanje Liberdade. Ao entender o filme como um modo de tratar a memória social de um grupo, nota-se por meio do entrecruzamento de palavras e imagens, a preocupação em confrontar lembranças e esquecimentos. Como base para esta reflexão serão utilizadas as discussões sobre realizadas pelo sociólogo Michael Pollak (1989) que entende o documentário como um instrumento poderoso para o que chama de “rearranjos da memória coletiva”; pelo antropólogo David MacDougall(1992) que afirma que “o filme ou documentário só pode ser uma representação de segunda ordem, ou melhor, uma interpretação da memória dos sujeitos considerados na história narrada pelo filme” e Walter Benjamim, principalmente no que diz respeito a relação que o indivíduo estabelece entre o acontecimento vivido e o lembrado.
- O processo da montagem no documentário-dispositivo: a experiência do documentário sobre o Conservatório de Música da UFPEL
Guilherme Carvalho da Rosa - Mestre - UFPEL
A pesquisa tem como objeto o processo da montagem na realização de produções audiovisuais documentais que se utilizam da noção de dispositivo (LINS e MESQUITA, 2008; MIGLIORIN, 2005). Este recorte é desenvolvido a partir da experiência de realização de um documentário sobre o Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas, como forma de um projeto de extensão que está sendo desenvolvido pelo curso de Cinema e Animação da mesma instituição. Como caminho metodológico, opta-se pelo cruzamento do empírico, oriundo da realização, com sensibilidades teóricas relacionadas às práticas culturais na condição pós-moderna/contemporânea (HARVEY, 2009; LYOTARD, 2004; BAUMAN, 2005) sob o ponto de vista da produção documental. Embora a investigação esteja em andamento, são interesses da pesquisa a possibilidade ou não do estabelecimento de um protocolo processual para a montagem do documentário-dispositivo e a relativização da intencionalidade discursiva em relação ao material realizado.
MESA 4 - Cinema e televisão: arquétipos, imaginários, apropriações e outros olhares
SALA - 313
Coordenador: Prof. Dr. Carlos Gerbase
- O Star system no cinema contemporâneo
Fabiana Rodrigues - Mestranda - UTP
Tal artigo procura abordar o processo de mitificação de astros e estrelas do cinema contemporâneo traçando um paralelo com o período hollywoodiano de fabricação de celebridades, as quais adquiriram e ainda adquirem fama e sobrevivência graças à constante exposição midiática. Uma das questões discutidas neste trabalho é a nova concepção de star system no contexto pós-moderno. Há uma diferenciação presente na maneira de se fabricar estrelas hoje em relação à fabricação de estrelas de outrora. Essa diferenciação envolve desde a formação das características físicas até as características psicológicas do ator/atriz e que acabam se tornando modelos de referência para um público cada vez mais variado. Para embasar a discussão será utilizado o conceito de indústria cultural à luz de Edgar Morin, Gilles Lipovetsky e Richard Dyer.
- Ser ou não ser brasileiro: apropriações de Shakespeare no cinema nacional
Marcel Vieira - Doutorando - UFF
Esta comunicação tem o objetivo de discutir questões teóricas, estéticas e culturais relacionadas a alguns exemplos de apropriação do teatro de William Shakespeare no cinema brasileiro. Partindo da reflexão de Paulo Emílio sobre nossa “incapacidade criativa de copiar”, pretendemos analisar três exemplos de filmes brasileiros que remetem à peça Romeo and Juliet (1595-96): Romeu e Julieta (1922), de Generoso Ponce, Carnaval no fogo (1949), de Watson Macedo, e Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta (1979), este último um especial televisivo da Rede Bandeirantes, lançado posteriormente em VHS. Nosso intuito é investigar os procedimentos estilísticos utilizados para atualizar os temas e personagens da tragédia shakespeareana dentro de realidades culturais e expressivas da cultura brasileira, enfatizando as estratégias de imprimir retóricas e caracteres nacionais, a partir de uma matriz literária estrangeira.
- O imaginário da ditadura militar na filmografia brasileira
Helena Stigger - Doutoranda - PUCRS
Em 1964, os militares tomaram o poder. No lugar do presidente deposto João Goulart, instalou-se uma junta militar que logo seria substituída pelo primeiro presidente do golpe: Castelo Branco. Assim, iniciou-se um dos períodos mais repressivos da história da política brasileira, a ditadura militar, que se manteve no poder até 1985. E, hoje, assistimos centenas de filmes, programas de televisão e narrativas literárias que asseguram que estas atrocidades não serão facilmente esquecidas. São imagens de tortura, assassinatos, estupros, espancamentos. Assim, o presente estudo visa a investigar dois filmes brasileiros sobre a ditadura militar para compreender o imaginário da representação deste período na filmografia nacional: O bom burguês (Oswaldo Caldeira,1979) e Pra Frente Brasil (Roberto Farias, 1982).
- O diabo me mordeu: uma análise do arquétipo da protagonista feminina pelo olhar de Luiz Fernando Carvalho
Danyella Proença - Mestranda - UNB
O objetivo deste trabalho é apontar traços comuns entre as protagonistas femininas das adaptações literais levadas ao cinema e à TV pelo diretor Luiz Fernando Carvalho, observando como a representação dessas protagonistas remete ao que Gilbert Durand chamou de arquétipo da mulher fatal (1997, p. 104), presente e ressignificado em mitologias de diferentes épocas e contextos. Para perceber como o diretor representa esse arquétipo com os recursos estéticos do audiovisual, buscaremos traçar um fio comum entre Maria Monforte, de Os Maias; Capitu, de Dom Casmurro; e Ana, de Lavoura Arcaica – romances respectivamente de Eça de Queiós, machado de Assis e Raduan Nassar. O feminino discutido aquii aparece em geral como motoro de tragédias, pois fala de mulheres que levam os homens a um turbilhão de infortúnios e por vezes à morte. O que buscaremos perceber é, portanto, como Carvalho atualiza esse arquétipo e como essas mulheres relacionam-se com os protagonistas masculinos das obras analisadas.
- Cineclube Lanterninha Aurélio: a união entre o cineclubismo e as mostras itinerantes de cinema no circuito de exibição periférico
Dafne Reis Pedroso da Silva - Doutoranda - PUCRS
O trabalho problematiza e discute alguns elementos do contexto cinematográfico brasileiro, considerado como base constituinte e geradora de certas condições que configuram o fenômeno pesquisado: a prática dos cineclubes e das sessões itinerantes de cinema, reconhecendo-se que a observação empreendida recai sobre a atuação do Cineclube Lanterninha Aurélio Itinerante, especificamente. A contextualização aqui traçada procura abarcar e definir essas duas atividades (cineclubista e itinerante), além de propor um breve panorama histórico da exibição comercial de cinema no Brasil. Para tal, a trajetória do cineclubismo foi construída com base em textos, assim como documentos do acervo do Lanterninha Aurélio. A discussão a respeito da prática itinerante de cinema foi feita, principalmente, a partir de um mapeamento nos sites de busca da Internet, devido à escassa produção bibliográfica sobre o tema. Dentre os resultados, evidencia-se que essas duas práticas surgiram em decorrência e em reação ao cenário comercial cinematográfico que se instituiu no país, além de fazerem parte de um circuito de exibição periférico.
Dia 05 de novembro
MESA 5 - Cinema: narrativas, tecnologias e imagens
SALA - 311
Coordenador: Prof. Dr. João Guilherme Barone Reis e Silva
- A representação do muçulmano no cinema brasileiro
Ivonete Pinto - Doutora - UFPel
O trabalho pretende indexar os filmes que apresentam personagens muçulmanos, trazendo títulos onde entra em cena a figura folclórica do sultão, como na chanchada Barnabé Tu És Meu (1952), até os mais recentes, como Lavoura Arcaica (2001), onde os sermões do patriarca da família são citados diretamente das suras do Corão. Um levantamento prévio apontou um pequeno número de obras com personagens muçulmanos. A investigação tentará dar conta da razão pela qual o cinema brasileiro não tem se ocupado destes personagens, considerando tratar-se de uma população crescente, com cerca de 1,5 milhão de fiéis no País. Em consequência dos atentados de 11 de setembro de 2001, várias cinematografias passaram a abordar o tema, mesmo que indiretamente (no Brasil, Jean Charles, 2009, é o único exemplo). A invisibilidade desta população no cinema nacional será cotejada com a filmografia que explora outras religiões e dialoga com as linhas de pesquisa baseadas no tripé memória-imigração-orientalismo.
- Corpo, imagem e tecnologia; o que Goya sussurrou para Cronenberg
Ieda Tucherman- Doutora - UFRJ
Consideramos que a vinculação do cinema de Cronenberg com o nosso tempo presente passa por duas constatações: o lugar do corpo e das ciências e tecnologias ligadas à vida, sua administração e transformação nos nossos dias, de um lado, e a influência das imagens médicas nas imagens culuturais do outro. O que aí encontramos é um ácido e radical diálogo com a nossa atualidade, associado a uma aguda percepção da genealogia que a tornou possível. A pergunta que nosso diretor não deixa calar é: até que ponto podemos modificar-nos e continuar sendo humanos? Qual é o limite da nossa humanidade? Questão que talvez envolva a mais grave das decisões políticas que os novos procedimentos biotecnológicos (transplantes, clonagens, etc) tornaram iminente: Somo o último grau da seleção das espécies ou apenas um dos seus degraus, nem o último nem o mais perfeito?
- Tempo ao tempo: organização e planejamento no processo de pré-produção e gravação de um curta-metragem
Flávia Seligman - Doutora - UNISINOS
Este trabalho analisa o planejamento de um curta-metragem e a sua efetivação na gravação, usando como base de estudo a produção do vídeo A última prostituta em Amsterdam (sic), curta-metragem, 15 minutos, gravado em suporte digital, que foi projetado para ser um trabalho de conclusão do Curso de Realização Audiovisual da UNISINOS, produzido pelo aluno André Garcia, dirigido pelo aluno Fernando Hart e orientado, na área de produção, pela Profa. Dra. Flávia Seligman. Para a pesquisa foi desenvolvida uma planilha de prospecção de cada set com devida planificação. Esta planilha foi aplicada nos sets e posteriormente foi feita uma análise mapeando os fatores de eficiência e ineficiência. Este trabalho faz parte de um projeto de pesquisa desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação chamado Fazendo Filmes, que estuda a organização da pré-produção e da gravação tendo como unidades de produção os sets de filmagem.
- Marcas narrativas, estéticas e mercadológicas no cinema gaúcho
Miriam de Souza Rossini - Doutora - UFRGS
A proposta deste artigo é apresentar os primeiros resultados da pesquisa “Convergências entre imagens audiovisuais: marcas narrativas, estéticas e mercadológicas no cinema gaúcho”. O grupo de pesquisadores vem mapeando os trânsitos entre cinema e TV no mercado audiovisual gaúcho a partir dos produtos realizados pelo Núcleo de Especiais da RBS TV, que este ano completa dez anos. São observados os aspectos estéticos e narrativos destes novos produtos, além das estratégias de gestão de produção, que envolvem tanto a equipe técnica quanto a artística para materializar as demandas propostas por estes produtos híbridos. Nosso interesse é perceber se a combinação entre cinema e TV vem produzindo uma maior experimentação estética e uma melhoria na qualidade dos produtos audiovisuais cinematográficos gaúchos, uma vez que os realizadores têm à disposição a infra-estrutura da mais equipada tevê do Estado e espaço garantido para veiculação.
- A humanização do vampiro e o desejo de mais-vida
Sandra Maria Lucia Pereira Gonçalves - Doutora -UFRGS
Partindo-se do pressuposto de que os media são os elementos-vínculo da organização social bem como estruturantes da sociedade contemporânea, pensa-se o midium cinema como um lugar onde poderes podem ser exercidos. A temática é a da finitude humana, o modo como essa em sido articulada (religiâo, estado e ciência). Por meio da representação do vampiro no cinema – Drácula, de Bram Stocker, Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice e Crepúsculo, de Stephenie meyer buscar-se-á pensar as “barganhas” estabelecidas enrte o homem e sua finitude. Por meio da figura do vampiro e suas mutações se irá refletir sobre o desejo humano de mais-vida. Aparentemente a dissuasão do desejo de mais-vida parece ter tido uma trégua em Crepúsculo. Pura aparência. Vive-se o paradoxo do desejo de ser-se humano e imortal. Paradoxo que aflige tanto o vampiro quanto nós. Ser mortal continua a nos definir. Foucault é a base para a caminahda ao indicar a atenção a ser dada às condições de possibilidade dos discursos.
- A rede como “idéia-força” do produtor audiovisual brasileiro
Aletéia Selonk - Doutora - PUCRS
Esta pesquisa pretende expor o conceito de rede, presente entre as principais “idéias-força” dos produtores audiovisuais brasileiros inseridos no período contemporâneo. As “idéias-força” são elementos internos do imaginário que dão alma e vida, num determinado momento, a uma situação, a um fenômeno, a uma entidade. Elas estão em sintonia com a articulação complexa entre o material e o imaterial. A rede diz respeito às relações criadas pelo produtor para sustentar um projeto de produção, desde a sua concepção e viabilização, até a sua realização, distribuição e exibição. O produtor está no centro desta trama que, baseada no imaginário dos realizadores e nas estruturas concretas disponíveis, produz os filmes nacionais que compõem a nossa cinematografia. Com o entendimento deste conceito, estudamos aspectos universais do imaginário do produtor audiovisual, determinantes na compreensão da forma do espaço audiovisual brasileiro e no seu funcionamento dinâmico.
MESA 6 - Perspectivas audiovisuais: linguagem e (re)significações
SALA - 313
Coordenador: Prof. Dr. Carlos Gerbase
- A era proto-videocliptica: origens e desenvolvimento da linguagem
Michele Kapp Trevisan- Doutoranda - PUCRS
A década de 80 assistiu ao surgimento de um formato audiovisual impulsionado pelo avanço tecnológico das mídias e as conseqüências observadas nas linguagens e conteúdos produzidos: o videoclipe. Sua trajetória mostra que ele é um gênero audiovisual criticamente desprezado, muitas vezes conceituado como um efêmero e descartável produto da indústria cultural, ferramenta mercadológica para a promoção da musica pop. Entretanto, Austerilitz (2007) demonstra que ao olharmos para a historia, observando as varias configurações da união entre a experimentação visual e a musica pop, duas das mais influentes formas de expressão da cultura pós-2ª Guerra, percebemos a construção de uma linguagem que veio a proporcionar uma diferente concepção estética de consumo das produções musicais. Nesse sentido, o presente trabalho busca analisar alguns dos antecessores que contribuíram para a formação da linguagem de videoclipe, situados entre a década de 1930 ao final de 1970.
- Uma “TV” pública e educativa no YouTube: a experiência do Ministério Público de Santa Catarina para a distribuição de vídeos institucionais e educativos
Ângelo Augusto Ribeiro - Doutorando - UFSC
Desde outubro de 2008, o Ministério Público de Santa Catarina, MPSC, mantém um canal no YouTube, o maior portal de vídeos da internet, onde disponibiliza vídeos que explicam ao cidadão os seus direitos constitucionais e coletivos, o funcionamento da instituição e as suas formas de atendimento à sociedade. O MPSC foi pioneiro entre os órgãos do sistema de Justiça brasileiro a utilizar o portal de compartilhamento de vídeos de maneira planejada e organizada com o objetivo de orientar e esclarecer o cidadão a respeito de seus direitos e das formas de atuação da instituição, nos moldes de uma TV pública institucional. A experiência demonstra como o ambiente digital de comunicação gera oportunidades para que grupos e instituições criem seus próprios canais de comunicação com a sociedade. Ao mesmo tempo, mostra como a resistência das emissoras em adotar a totalidade dos recursos da TV Digital torna esta mídia vulnerável às mudanças trazidas pela convergência ao ambiente concorrencial.
- A Lista de Schindler: como embalar um produto de sucesso sobre a memória do holocausto para consumo massivo
Adriana Schryver Kurtz - Doutora - ESPM
O trabalho reflete sobre a longa e inabalável hegemonia do proejto audiovisual de Steven Spielberg na conformação da memória do Holocausto judeu. Mais de 15 anos após o lançamento de “A Lista de Schindler” (1993), o cineasta norte-americano segue sendo uma espécie de !curador” do imaginário ocidental acerca do exterm´´inio dos judeus europeus, reafirmando o poder do que se convencionou denominar de indústria cultural. O sucesso de Spielberg é analisado sob a lógica contemporãnea de uma “cultura de consumo”. Assim, a memória das vítima e sobreviventes, bem como a própria história do genocídio de seis milhões de judeus, condenados por Hitler, são embalados – na cinematografia spielbergguiana – para um consumo global que resulta numa inevitável simplificação e naturalização histórica, com consequências funestas para as gerações futuras.
- “Aula com Pipoca” – formação acadêmica para “além da aula”
Helena Sporleder Côrtes - Doutora - PUCRS
O projeto “Aula com Pipoca” oferece aos alunos uma atividade sociocultural pelo contato diferenciado com obras cinematográficas; explora temas não essencialmente ligados a teores disciplinares, e promove a exibição de filmes voltados à ampliação dos horizontes culturais, visando a um redimensionamento e universalização da formação acadêmica. Qualquer tema capaz de levar à reflexão sobre a vida, valores, sobre a responsabilidade de ser parte do mundo, pode servir como indicador para a seleção de um filme. O projeto resulta da parceria entre o Núcleo Empreendedor da FACE e o Grupo de Pesquisa LINCOG. Selecionados os filmes com temas apropriados à formação humana do aluno, o grupo prepara o ambiente (como se fosse uma sala de cinema, com distribuição de pipoca), e passa alguns trechos relevantes, que são analisados por dois professores de áreas diferentes – um diálogo revelador de que o cinema pode articular áreas aparentemente díspares. O filme se torna um estudo dirigido que busca expandir o capital cultural dos envolvidos, num trânsito entre áreas do conhecimento que, quiçá, só a Universidade seja capaz de gera.
- Fantasias?! Uma comédia de situação
Elizabeth Bastos Duarte - Pós-doutora -UFSM
O texto propõe-se a analisar a série Fantasias de uma dona de casa, exibida pela RBS TV, examinando não só o subgênero em que se enquadra, estrutura do formato adotado, estratégias discursivas empregadas, caracterização dos personagens, traços de gauchidade, bem como seu projeto comunicativo – a forma de inserção na grade de programação da emissora, que contraria as normas, ao longo do tempo, estabelecidas pela gramática do televisual, ignorando as preferências e características do público telespectador.
GT PUBLICIDADE E PROPAGANDA
Coordenador: Profª. Dr. Cristiane Mafacioli Carvalho
Dia 3 de novembro
MESA 1 - Poder e imagem de marca
SALA - 207
Coordenadora: Profª. Drª. Cristiane Mafacioli Carvalho
1. “A Hora do Planeta”: poder sobre a vida e a comunicação
Marisa de Mello Luvielmo - Mestranda - FURG
Paula Corrêa Henning - Doutora - FURG
O presente artigo tem como propósito problematizar como os discursos vinculados na campanha publicitária da WWF intitulada “A Hora do Planeta” vem constituindo e interpelando os sujeitos diante da crise ambiental. Para isso, analisa-se três propagandas vinculadas a nível internacional e nacional sobre a problemática do aquecimento global. Conduzindo nosso pensamento ao que Michel Foucault intitulou biopoder, busca-se uma aproximação com o poder sobre a vida e o papel da mídia num período de prevenção e cuidado com o planeta. Tratando-se de um poder massificante que atua no corpo social, o Biopoder gerencia e defende a ordem para o convívio na sociedade. Desenvolvendo saberes sobre a população, seu objetivo maior é criar condições para o prolongamento da vida no plano coletivo. Diante disso, pretende-se investigar alguns discursos do campo das ciências humanas e essa importante ferramenta para constituição de discursos autorizados e legítimos: a publicidade.
2. Percursos na construção de marca: senso comum como elemento definidor
Fernanda Mayer dos Santos Souza - Mestre - FACE/CET-FAESA
Flávia Mayer dos Santos Souza - Mestre - UVV
Visa analisar o processo de construção da marca Chocolates Garoto. Tem como foco, assim, a marca de uma empresa familiar criada em 1929, no estado do Espírito Santo. Para tal, a pesquisa abarca referencial teórico das áreas de consumo e marca. Volta-se para o estudo da marca como elemento de construção social, ou seja, para o processo pelo qual os consumidores passam a conhecer e identificar os produtos, indo além dos aspectos tangíveis. Constitui pesquisa bibliográfica e documental, sendo a última baseada em materiais reunidos no Centro de Documentação e Memória da empresa. Conclui que a marca Chocolates Garoto foi estabelecida pelo senso comum, de maneira que evidencia como as ideias do senso comum em circulação participam e, até certo ponto, são definidoras na construção da marca.
3. O local com imagem global: um estudo sobre o papel da marca na Globalização
Priscila Azeredo da Silva - Mestranda - UFF
A proposta deste trabalho é compreender o papel da marca no mundo globalizado e sua influência em nosso cotidiano. O foco deste estudo estará na década de 90, quando a tônica das empresas deixa de ser os bens de consumo para privilegiar a “ imagem”. Para ilustrar esta proposta, utilizaremos como estudo de caso a marca Kibon. A escolha desta marca se deve ao fato dela estar sobre o domínio de uma grande corporação - a Unilever - e por garantir a esta uma posição estratégica na relação entre cultura local e o mercado global.Neste sentido, pretendo averiguar como a marca foi um dos elementos utilizados pelas grandes corporações para se expandirem por todo o planeta através do local.
4. O papel da publicidade na constituição e projeção da identidade corporativa: um estudo das práticas de branding da grife mineira Patogê
José Coelho de Andrade Albino - Doutorando - PUC Minas
Luiza Magalhães Oliveira - Mestranda - PUC Minas
Este artigo objetiva compreender o papel da publicidade no processo de constituição e projeção da identidade corporativa da grife mineira Patogê. Nos estudos empreendidos sobre identidade, adotou-se como referencial teórico a segunda corrente do branding, que tem como expoentes Gioia, Schultz, Corley e Hatch. Nas análises acerca da publicidade, utilizou-se a abordagem dos Estudos Culturais, ressaltando os autores Stuart Hall, Martín-Barbero, Escosteguy e Piedras. A Patogê foi eleita como objeto empírico por fazer uso intensivo de publicidade, além de ter promovido, recentemente, o reposicionamento de marca. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de caráter descritivo e adota o método de estudo de caso único (YIN, 2005). Os dados foram coletados por meio de entrevistas em profundidade com o estilista e os proprietários da empresa, assim como foi feita análise de discurso de campanhas publicitárias. Por compreender a natureza da publicidade como fluxo (PIEDRAS, JACKS, 2005), priorizou-se a análise do conjunto dos anúncios e não de peças isoladas. A pesquisa adota, portanto, uma perspectiva teórico-metodológica baseada no construcionismo social.
5. Os valores simbólicos que atribuímos às marcas, influenciados pelas campanhas publicitárias
Giovanna Chaves Parisotto - Mestranda - UEL
O objetivo deste trabalho é refletir sobre a importância das campanhas publicitárias para atrair fieis compradores, usando de mensagens e imagens com significantes intencionais, para gerar os significados desejados, favoráveis ao consumo. Na moda, a linguagem publicitária é utilizada, de forma favorável, para despertar o desejo de consumo pela marca - sinônimo de estética da diferença. A fundamentação também cita o vestuário como uma analogia entre a realidade individual e institucional, apontando a publicidade como a responsável por atribuir valores aos produtos. Os resultados revelam que, para o sucesso de uma marca, a essência do produto deve ser trabalhada na emoção que existe no imaginário coletivo, sendo importante conhecer os valores simbólicos que os consumidores atribuem aos produtos para que possam ser articulados pela publicidade como elementos provocadores ao consumo.
6. As provocações pós-modernas e o planejamento publicitário
João Pedro Allemand - Bacharel - UCPel
Vivemos numa era pós-moderna. Uma afirmação, definitivamente, controversa. Mas ao mesmo tempo, uma reflexão extremamente perspicaz para que se compreendam as intensas mudanças que têm ocorrido nos mais diversos campos. Entre eles, o da publicidade e do consumo. Neste sentido, salienta-se a importância da atividade de planejamento publicitário, devido à sua capacidade de síntese do imaginário coletivo, em que a compreensão do aspecto simbólico existente entre as marcas e as pessoas se dá através de estudos comportamentais, sociológicos e antropológicos. Tornando-se, assim, um instrumento fundamental para a criação de novas abordagens em publicidade, além de vital para o desenvolvimento da área. Exclusivamente bibliográfica, a pesquisa teve como principais linhas teóricas os autores Harvey (2008), Bauman (2000), Giddens (1991), Castells (2006), Lipovetsky (2007), Lannon (2007) e Steel (2006).
MESA 2 - O produto publicitário: anúncios, campanhas e suportes
SALA - 209
Coordenadora: Profª. Drª. Rosane Palacci Santos
1. Granado e Cashmere Bouquet: criatividade em anúncios de revista direcionados às mulheres
Daniela Reis Pedroso da Silva - Mestre e Professora - UTP/UNIFRA
Danúbia Mai - Graduanda - UNIFRA
A utilização de ilustração no layout de anúncios para mídia impressa, em especial aqueles voltados ao público feminino (como a linha de higiene pessoal Cashmere Bouquet), na década de 1950, retorna às páginas de revistas especializadas como abordagem visual da marca de produtos Granado em 2009. Desse modo, como recorte de uma pesquisa cujo objetivo é analisar argumentos de anúncios de mídia impressa direcionados às mulheres, este trabalho se propõe a identificar e relacionar os argumentos verbais e não-verbais das peças selecionadas. Considerando uma pesquisa qualitativa (de caráter exploratório), são utilizadas como referência as categorias apresentadas por Roland Barthes - como a pose, os objetos, a trucagem e as cores - para análise das peças. A construção teórica abarca também os autores que trabalham a criatividade em propaganda e publicidade, prioritariamente aqueles que discutem a adequação das peças aos grupos sociais.
2 . Calhau ou publicidade auto-referencial? Apontamentos sobre anúncios publicitários do jornal Diário Gaúcho
Sandra D. Depexe - Mestranda - UFSM
Márcia Franz Amaral - Doutora e Professora - UFSM
Este artigo discute até que ponto um anúncio calhau é apenas um recurso utilizado para cobrir um espaço não comercializado e quando passa a configurar-se como elemento que referencia e constrói o meio no qual se insere. Consideramos, para tanto, que o texto e o contexto da mensagem publicitária se inscrevem na produção jornalística como uma auto-referência, em um espaço marcado por determinadas matrizes culturais. Tomamos por exemplo a análise de anúncios calhau veiculados no jornal Diário Gaúcho. Verificamos que ao publicizar qualidades ou propriedades de seu produto midiático o veículo de comunicação põe a prova sua fala/promessa no mesmo instante em que a profere, assim como articula a adequação entre jornalismo praticado e leitor, e o modo como o jornalismo é estampado nos anúncios publicitários.
3. Publicidades de cerveja na tevê: um estudo de caso da Skol
Flavi Ferreira Lisboa Filho - Doutor e Professor - UNIPAMPA
Cristiano Delevati - Graduando - UNIPAMPA
Luis Ari Ferreira Martins - Graduando - UNIPAMPA
Vânio Alderi Machado Silveira - Graduando - UNIPAMPA
Este trabalho busca verificar quais efeitos de sentido buscam produzir as publicidades de cerveja, em especial o comercial da Skol, por este ter tido o maior número de inserções durante a exibição do campeonato brasileiro de futebol 2008. O comercial da Skol se apega a um contexto histórico e social, em que existe na economia nacional um forte aquecimento do mercado imobiliário e da construção civil em geral. O foco principal sem fugir desse contexto está relacionado à questão de um sonho de consumo da grande maioria da população nacional, que é o sonho da casa própria e a geladeira se insere como o sonho da geladeira de skol própria. Constatamos que a ação de entrelaçamento de idéias, e aspirações do publico-alvo é um fator de grande peso imagético e que contribui para a construção persuasiva da idéia central de uma peça publicitária.
4. Mulher e mídia: uma discussão sobre as campanhas publicitárias da marca Dove
Marislei da Silveira Ribeiro - Doutoranda - FATEC SENAC
Este ensaio tem como objetivo analisar a trajetória, a estrutura, as estratégias discursivas e os apelos das campanhas da Marca Dove no Brasil desde sua origem (1992) até a atualidade. Além disso, busca investigar a representação da mulher nas principais fases da campanha e o modelo feminino dominante. Nesse sentido, foi realizado um estudo sobre a história da pesquisa em publicidade no Brasil, a fim de discutir seu lugar no âmbito acadêmico. O enfoque privilegiado é instigante, pois a temática consolida-se num lugar que permite estudar o gênero feminino, pelos caminhos que perpassam a publicidade na sociedade. Em suma, percebe-se que as mensagens publicitárias enaltecem características que vão desde a ordem econômica nas empresas como nas residências. A primeira para fazer o elo entre empresa e consumidor, a segunda para promover hábitos de vestuário, consumo, higiene, lazer, entre outros.
5. Camiseta, mídia urbana em movimento
Márlon Uliana Calza - Mestre e Professor - UNISINOS/ UNIRITTER
Ao observar as formas multifacetadas das camisetas estampadas, procuro definir e problematizar o conceito de mídia em relação a este objeto, emprestado à área da Moda. Parto do pressuposto que muitas das definições existentes do conceito de mídia, sobretudo na área da Publicidade e Propaganda, demonstram-se genéricas e reducionistas, considerando-se que o próprio campo da Comunicação abarca posições teóricas divergentes quanto aos meios e aos seus objetos de estudo. Ao empreender uma discussão com base no tensionamento de alguns destes referenciais, evidencio especificidades desta mídia, construindo categorias-conceituais relacionadas: ao suporte ; à tecnologia ; à linguagem – reconhecendo aí condições de produção, recepção e circulação social que lhe são específicas. Atravessada por lógicas comunicacionais , m arcada por um forte viés publicitário, a camiseta desencadeia diferentes estímulos à promoção e ao consumo, envolvendo operações de marketing e merchandising observáveis nas ruas.
Dia 4 de novembro
MESA 3 - Discurso, linguagem e representação
SALA - 205
Coordenador: Profª. Drª. Cristiane Mafacioli Carvalho
1. Pistas hipermodernas para alterações contemporâneas da mensagem publicitária
Camila Pereira Morales - Mestranda - PUCRS
Nos últimos anos, juntando-se ao rol das mensagens publicitárias tradicionais, um novo grupo de mensagens começou a aparecer em maior número. Tais mensagens propõem ao público um jogo ou polissemia, rompendo assim, com ideas modernas acerca do fazer publicitário. O objetivo deste trabalho é demonstrar a relação entre essas alterações e um novo contexto definido por Gilles Lipovetsky como Hipermoderno. É necessário esclarecer que a delimitação de um cenário não se faz com o objetivo determinante de encontrar as causas diretas do fenômeno estudado, mas sim de determinar traços que possam compor um quadro no qual essa forma de publicidade encontre sentido. Por fim, concluímos que o jogo e a paratáxe propostos pelas mensagens atuais estão profundamente interligados ao surgimento de um novo tipo de narcisismo hedonista hipermoderno.
2. A publicidade da Diesel através da complexidade e da semiologia
Cristiane Cirimbelli De Luca - Mestranda - PUCRS
O presente trabalho trata de um estudo sobre a publicidade da marca italiana Diesel por meio de uma peça publicitária da campanha primavera-verão 2008 denominada Live Fast . Neste estudo, analisaremos a produção de sentido da publicidade da marca, criada em 1978, em Milão, por Renzo Rosso e Adriano Goldschmeid, seus aspectos verbais e não-verbais e os níveis e aspectos semiológicos e complexos. Para tanto utilizaremos como método o Paradigma da Complexidade, como técnica a Semiologia e a Pesquisa Semiológica, contemplando as categorias Comunicação, com base nos estudos de Edgar Morin, com as subcategorias Imagem e Estereótipo, sob a ótica de Roland Barthes, Mito, Poder, também sob o conceito de Barthes, Sujeito, de Morin, e Pós-Modernidade, de Michel Maffesoli.
3. A semiosfera da felicidade: lampejos e trajetos da marca publicitária no espaço do comércio informal
Jairo Ângelo Grisa - Doutor - ESPM
O estudo trata do consumo de marcas publicitárias no comércio informal, ambiente desde onde se inicia a construção de sentidos de felicidade. Busca-se formular um “tempo/lugar” que se funda na relação marca-receptor, intentando traçar um espaço de encontro enquanto síntese do entendimento da comunicação como suporte e da comunicação como processo sócio-cultural. A integração da Semiótica da Cultura aos Estudos de Recepção em Comunicação, ou vice-versa, fornece o aporte. Dentro dessa perspectiva, revela-se sentidos de felicidade disparados tanto pelo suporte marca e pelas traduções processadas para que se efetive tal consumo simbólico no camelódromo – via semioses específicas –, quanto pelos consumidores de bens à disposição neste ambiente – via semioses da recepção. Objetiva-se, com isto, traçar sincrônica e historicamente a construção do signo felicidade associado ao consumo no comércio informal. Procede-se a investigação empiricamente por abordagem fenomenológica e discursivo-reflexiva. O estudo se conclui com um panorama genérico, a semiosfera da felicidade, que, na relação entre as semiosferas da marca no camelódromo e da recepção, aventa a possibilidade de extrapolar as clássicas noções de fetiche, prestígio e prazer associadas aos processos de consumo.
4. A classe operária não vai ao paraíso: a desaparição do trabalhador na produção representada pela publicidade
Vander Casaqui - Doutor - ESPM
O artigo se propõe a discutir a produção publicitária contemporânea, em suas formas de representação do mundo do trabalho. A esfera produtiva é analisada a partir das estratégias de publicização das marcas de bebidas: Guaraná Antarctica (o filme “Segredo”); cerveja Antarctica Sub-Zero (filme de lançamento do produto); e cerveja Bohemia ( site “Fábrica Bohemia”). Em comum, os três casos selecionados apresentam linhas de produção em que os trabalhadores da fábrica estão ausentes. Nossa questão é: quais os significados dessa desaparição do operário do universo simbólico das marcas anunciadas? O desenvolvimento do estudo se dará a partir do quadro teórico referente aos sentidos do trabalho e do consumo, e na aplicação ao corpus das contribuições de Bakhtin para a análise da significação, da interdiscursividade e dos processos de tradução na esfera da linguagem publicitária.
5. A publicidade e a construção de identidade do adolescente
Ana Carolina Fagundes de Oliveira Alves - Mestre - UEL
A publicidade bem-sucedida tem a capacidade de associar produtos e serviços a valores e estilos de vida almejados por seu público-alvo, levando ao consumo de bens cujo objetivo não é satisfazer (somente) necessidades materiais – alimento, abrigo ou proteção, mas principalmente satisfazer necessidades de identidade do sujeito. No caso específico de publicidade para adolescentes, que estão em um momento essencial de construção de sua identidade, nos perguntamos se essa prática não conduziria estes jovens a um comportamento de consumismo excessivo, associando o processo de individualização principalmente ao desejo de adquirir bens, em detrimento de outros comportamentos. Para esta reflexão, nos fundamentamos no conceito de consumo simbólico e examinamos campanhas veiculadas em revistas do seguimento teen.
MESA 4 - Juventude, corpo e gênero
SALA - 207
Coordenador: Prof. Drª. Rosane Palacci Santos
1. Consumo, imaginário e imagem: leituras e interfaces de gêneros
Flávia Mayer dos Santos Souza - Mestre - UVV
Flávia Meneguelli Ribeiro - Mestre - UVV
Maria Cristina Dadalto - Doutora - UVV
Este trabalho visa analisar o consumo feminino e a emergência das novas narrativas publicitárias para este segmento. Tendo como suporte um referencial teórico-metodológico fundado na sociologia do imaginário, nas teorias socioculturais do consumo e na teoria da imagem, busca avaliar a representação de gênero expressa em campanhas de produtos voltados para um segmento de classe mais sofisticado na sociedade brasileira. A análise será baseada na leitura da imagem de anúncios para a campanha de lançamento da coleção Verão 2010 de calçados e acessórios da Arezzo. Conclui que os anúncios da Arezzo trazem as marcas da nova posição ocupada pela mulher no século XXI, que venceu no mercado de trabalho e é vitoriosa na posição que ocupa na família. Nesse sentido, a campanha sugere um casal homossexual feminino representando o máximo da independência da mulher, o que revela, assim, o poder feminino na atualidade.
2. A publicidade e propaganda como representação GLBT e estratégia de mercado GLS
André Iribure Rodrigues - Doutor - UFRGS
Este texto aborda a visibilidade, em contexto mercadológico e político, das minorias sexuais. Essa parcela da sociedade é definida pelas homossexualidades variantes de modelo hegemônico do gênero e da sexualidade. Enquanto parte representativa de novas configurações sociais está sob a tensão entre uma representação política e uma segmentação de mercado. A discussão sobre a representação política GLBT e a lógica do mercado GLS na publicidade e propaganda se faz necessária, pois coloca em cena um ator social que reivindica inclusão social. A representação de parcela minoritária nas relações de poder em contexto social específico ocorre no sentido político emancipacionista com base na noção de diversidade sexual, motivadora das discussões provocadas pelo movimento homossexual. As estratégias de inclusão mercadológica e de inclusão social revelam as relações de poder em tensão com modelo hegemônico heterossexual.
3. O corpo vigiado na publicidade brasileira
Selma Felerico - Doutoranda - ESPM/SP/ FAAP
Este artigo é o resultado parcial de um estudo sobre o imaginário do Corpo Feminino na publicidade impressa no período, de 2006 a 2009. Baseado nos conceitos de poder, de controle e apropriação do corpo de Michel Focault em Vigiar e Punir (1987) são feitas reflexões sobre as significações corporais do processo identitário da mulher. Além do referencial teórico, há também um levantamento documental composto por anúncios de produtos/ serviços voltados para a transformação do corpo feminino, tais como cosméticos, medicamentos e cirurgias plásticas que evidenciam novas representações do corpo feminino. O texto busca responder as seguintes questões: O que estaria levando a sociedade a se preocupar excessivamente com o seu próprio corpo? Qual a imagem que as mulheres têm de um corpo ultramedido? Qual é o papel da propaganda para elaborar traços que legitimam o corpo e mudam os valores e o comportamento das mulheres?
4. Discutindo a pedagogia da publicidade: um estudo sobre cultura jovem e consumo
Saraí Schmidt - Doutora - FEEVALE
Este estudo coloca em discussão o crescente consumo jovem a partir da reflexão sobre oficinas de Mídia e Educação desenvolvidas em escolas públicas com orientação de acadêmicos e professores de Comunicação Social. O foco de análise é feito a partir de um conjunto de propagandas veiculadas em revistas voltadas para o público jovem e a discussão sobre a experiência da universidade na realização de oficinas que visam potencializar a argumentação crítica em relação aos ensinamentos da mídia. Tendo como referência teórica os estudos de Zygmunt Bauman, Beatriz Sarlo e Naomi Klein, são desenvolvidas análises que colocam em relevo as relações entre publicidade, consumo e juventude. O estudo contempla a análise de depoimentos de acadêmicos, estudantes da rede pública e professores do curso de Publicidade e Propaganda. A pesquisa aposta na pertinência de envolver e comprometer a universidade na discussão sobre a pedagogia da mídia e em especial sobre os ensinamentos da Publicidade sobre a cultura jovem.
5. A Turma da Mônica Jovem: uma representação do adolescente brasileiro e de seu comportamento de consumo
Rosane Palacci Santos - Doutora - PUCRS
Lançada em agosto de 2008, a Turma da Mônica Jovem, mostrou a algumas crianças que a personagem e sua turma cresceram. Como muitas marcas que tentam acompanhar o crescimento de seu público alvo, a Maurício de Sousa Editora juntamente com a Panini Comics lança mão de uma estratégia de mercado para continuar junto a seu público. O que leigamente pode ser entendido como bom ou mau, neste trabalho é tomado como objeto de estudo sobre a representação da adolescência e mais especificamente a forma como é referenciado o comportamento do adolescente da contemporaneidade e os objetos de consumo deste grupo. Através de uma análise de conteúdo das edições 1 a 10 da Turma da Mônica Jovem pretende-se, neste estudo, lançar luz sobre uma representação da adolescência via um meio de comunicação importante dirigida a pré-adolescentes. E a partir disso, problematizar sobre a construção de identidade e o papel dos meios de comunicação neste processo de crescimento dos sujeitos.
Dia 5 de novembro
MESA 5 - Prática e ensino da publicidade
SALA - 205
Coordenadora: Profª. Drª. Cristiane Mafacioli Carvalho
A crise de identidade das agências de publicidade gaúchas
Iara Silva - Doutora - ESPM/RS
Mariângela Toaldo - Doutora - ESPM/RS
O trabalho tem como objetivo traçar um panorama da evolução das agências no mercado publicitário Gaúcho. Aborda-se o papel da agência na definição das estratégias de comunicação para os seus clientes, a formação dos profissionais, os serviços oferecidos, o relacionamento com o cliente e os questionamentos do mercado publicitário contemporâneo. Parte-se dos referenciais de Perez e Barbosa (2008), Gomes (2003), Lupetti (2003), Giacomini Filho; Licht (2006), Sampaio (1999). Desenvolve-se uma pesquisa exploratória, qualitativa com profissionais de agências – gestores responsáveis diretamente pelo atendimento e planejamento– e alguns de seus clientes. Percebe-se uma crise de identidade das agências gaúchas: os anunciantes demandam cada vez mais serviços e acompanhamento constantes; as agências dispõem-se a satisfazê-los, mas o custo altera-se. Têm-se clientes não totalmente satisfeitos e agências questionando-se sobre a identidade que devem assumir no contexto contemporâneo.
2. This Is Not a Game or is it? Reflexões acerca do paradoxo TINAG versus CONAR
Thaiane Oliveira - Mestranda - UFF
Os objetos a serem explorados nesta pesquisa são os games publicitários que buscam simular a realidade para atrair o ciberpúblico do concorrido mundo digital. A premissa básica destes tipos de games é o TINAG (This Is Not A Game), ou seja, o fingir que o jogo faz parte da Realidade Concreta a fim de que o jogador possa sentir-se imerso na trama. Contudo, esta primordial regra do TINAG entra, paradoxalmente, em conflito com a legislação vigente nas instâncias da comunicação publicitária. Trata-se de uma consideração primária regida pelo CONAR na qual a propaganda deve ser clara sobre seus objetivos e se apresentar como tal para a sociedade. Para tanto, o objetivo central desta pesquisa é a de desvendar como que estes gêneros de games se posicionam diante deste paradoxo TINAG Versus CONAR, através de entrevistas com os puppetmasters de games brasileiros, tendo como foco reflexões acerca da representação, simulação e simulacro presentes na transição entre as realidades virtuais e concretas.
3. A Era dos Barbudos: de como os criadores publicitários de esquerda viveram as lides da publicidade, no Brasil, a partir dos anos 60, entre a ditadura militar e o capitalismo
Graça Craidy - Doutoranda - PUCRS
A partir dos anos 60, a expansão da indústria de bens manufaturados e simbólicos no Brasil e a aposta no capitalismo pela ditadura militar geraram uma demanda por experts em criação publicitária. O mercado da propaganda, ainda pouco profissionalizado e carente de talentos, recrutou seus novos criadores - principalmente redatores – no Jornalismo, nas Ciências Sociais, no Direito, na História e na Literatura. Alguns desses profissionais, com forte politização e claras posições de esquerda, embora conflituados internamente por suas crenças socialistas, trabalharam para a ditadura e para o capitalismo como dedicados e inclusive premiados criadores publicitários, destacando-se, também como líderes da sua categoria, na posição de presidentes do Clube de Criação de seus estados. Esta investigação procura compreender o imaginário desses criadores publicitários, buscando relacionar suas escolhas e atuações profissionais feito uma terceira via, que abarca contradições e aceita uma nova forma de racionalidade, a ordem de realidades do imaginário apregoada por Gilbert Durand (2004).
4. Um novo sistema de comunicação de doação de sangue
Silvia Terra Ludwig - Doutoranda - PUCRS
O artigo destaca a relevância da utilização de um novo sistema de comunicação da doação de sangue, para incentivar a participação das pessoas, de forma a inserir novas atitudes. Aborda-se inicialmente o modelo de doação de sangue vigente no Brasil e suas conseqüências. Após, apresenta-se os aspectos culturais, a comunicação e a mídia, sob diferentes visões entrelaçando com a doação de sangue. A partir destes aspectos, evocam-se premissas para a efetividade das campanhas de doação de sangue nos meios de comunicação, trabalhando com a idéia de que, como se trata de um problema de saúde pública torna-se necessário refletir sobre a contribuição que estratégias multimídia, internet e redes podem trazer para as campanhas de doação de sangue no Brasil.
5. Duas propostas para pensar o ensino em publicidade
Milena Carvalho Bezerra Freire de Oliveira Cruz - Bacharel - UFSM
Juliana Petermann - Mestre - UFSM
A intenção deste trabalho é refletir acerca das práticas e saberes que orientam a formação do profissional da publicidade. Parte-se do princípio que existe, na construção da identidade do publicitário, o estereótipo de um sujeito mais alinhado às práticas do que às formulações teóricas. Assim, a primeira proposta pretende debater de que maneira esta imagem é construída e como acaba por interferir na formação e atuação profissional e acadêmica destes sujeitos. Ainda, sugere refletir se a academia contribui esta constituição. Além disso, identifica-se uma certa superficialidade teórica nas bibliografias adotadas nas graduações em publicidade – tidas como relatos descritivos das práticas profissionais, isentos de um posicionamento reflexivo. Com isso, a segunda proposta debate sobre como a academia pode incluir em sua atuação, a ruptura com tais estereótipos sociais e teóricos e contribuir com a formação múltipla e humanista de publicitários como sujeitos ativos e críticos socialmente.
6. O projeto político pedagógico na educação superior: um estudo de caso do P.P.P do Curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda da Universidade da Amazônia-Unama
Danuta de Cássia Leite Leão - Especialista - UEPA
O Projeto Político Pedagógico é a direção, a orientação, o caminho que a Universidade possui para desenvolver suas ações de formação acadêmica, o Projeto Político Pedagógico do Curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda de 2008 é o objeto de estudo deste trabalho que se caracteriza como Estudo de Caso. Esta monografia foi organizada em 5 capítulos. O primeiro capítulo discorre a trajetória metodológica que se trilhou na pesquisa; o segundo capítulo faz uma conceitualização do que é um Projeto Político Pedagógico no discurso científico; o terceiro capítulo fala sobre a Comunicação Social, conceitua a Publicidade, investiga sua mensagem persuasiva e a Publicidade no Brasil; o quarto capítulo discute a realidade do Curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda da UNAMA; o quinto capítulo traz uma análise do Projeto Político Pedagógico do Curso de Publicidade da UNAMA analisando os objetivos do curso e a estrutura curricular.
MESA 6 - Publicidade e novas tecnologias
SALA - 207
Coordenadora: Profª. Drª. Rosane Palacci Santos
O metaverso e a sua relevância como mídia digital
Ana Elisabeth Iwancow - Doutora - UNISINOS
Máximo da Silva Crespo - Bacharel - UNISINOS
Em um mundo tão competitivo de produtos e marcas, no qual as experiências destinadas aos usuários necessitam ser diversificadas; a convergência das mídias torna-se fundamental para o processo comunicacional. No campo virtual, a ideia 2.0 exige a colaboração não apenas do moderador, mas sim do usuário comum, em benefício do crescimento do grupo e no avanço do conhecimento sobre o que está em questão. A partir disso, a pesquisa trata o Second Life (Metaverso) como uma potente mídia digital a ser utilizada na comunicação e em estratégias de marketing por empresas reais, dentro do ambiente virtual. Nosso referencial teórico está alicerçado em três bases e seus respectivos pensadores: mídia digital - Jenkins, Lemos, Levy; metaverso - Rymaszewski e Damiani; e, análise semiótica - Barthes, Flusser, Bystrina, Baitello e Machado. Desta forma, comprovamos que o Metaverso pode, a partir de estratégias coesas, criar laços de aproximação entre clientes e marcas reais, a partir de seus resultados.
2. O celular como ferramenta publicitária: o mobile marketing
Ana Graciela Mendes Fernandes da Fonseca - Mestranda - UFMT
Juliana Abonisia - Doutora - UFMT
Com o advento da tecnologia e a consequente criação e difusão das chamadas Novas Tecnologias de Comunicação e Informação, ou Novas Mídias, como é denominada no mercado publicitário, percebe-se uma mudança de paradigma no que tange a comunicação e publicidade na contemporaneidade com a inserção de novos formatos e meios para divulgação nas campanhas publicitárias. Nesse caso, o telefone celular apresenta-se como instaurador desse processo, à medida que novas funcionalidades e serviços foram agregados ao aparelho, possibilitando novas formas de comunicação. A partir disso, agências e clientes começam a enxergar o celular como uma nova ferramenta para as campanhas, nasce o que foi denominado de Mobile Marketing . Dessa forma, o presente trabalho busca apresentar e fazer alguns apontamentos a respeito dessa nova modalidade em relação à mídia tradicional (tv, rádio, outdoor) no contexto contemporâneo. Foram utilizados como base, referenciais teóricos e materiais disponíveis na Internet.
3. Desafios do mercado publicitário frente à televisão digital interativa
Ane Cristine de Aguiar - Mestranda - PUCRS
A publicidade e a televisão brasileira sempre firmaram uma importante parceria, que garantiu por muitos anos benefícios para ambos. Todos os avanços tecnológicos que ocorreram com o veículo, provocaram alterações significativas no trabalho das agências de publicidade. Com a implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), os publicitários terão que adaptar-se a mais uma mudança e aprender a trabalhar com as inúmeras possibilidades geradas pela interatividade. Novos caminhos deverão ser traçados com o objetivo de garantir a fidelidade de um público consumidor que passa a ter a opção de assistir, ou não, a um comercial na televisão interativa. Esta pesquisa pretende analisar a transição da televisão analógica para digital, destacando a importância do veículo e os desafios do mercado publicitário frente às novas opções que a tecnologia digital proporciona.
4. Driblando o interlocutor: informação e propaganda no espaço virtual
Angela M.O. Girardi - Mestre - ESPM/RJ
Bernadete de Lourdes S. Do Prado - Mestre - ESPM/RJ
O presente trabalho é uma reflexão sobre Propaganda na WEB e as estratégias discursivas empregadas pelos anunciantes para captar a atenção e a adesão do público em forma de comunicação interativa dentro das convenções da linguagem publicitária na era digital. O objetivo é explicitar os processos de significação presentes em diferentes tipos de propaganda veiculados nessa mídia, como pop-ups e banners, sob a ótica da Análise do Discurso. Este material tende a ser fortemente controlado retórica e ideologicamente, em função da cultura das instituições e da imagem pretendida, da sintaxe exigida na construção de um discurso virtual e das novas estratégias de leitura desenvolvidas pelo usuário da internet. O estudo deve revelar como se dá a ação persuasiva desse material, além de revelar o jogo das imagens envolvidas no processo de comunicação pela introdução de um discurso não autorizado e não desejado pelo interlocutor.
5. Publicidade digital: a produção através de ferramentas como a interação e o entretenimento
Hélen Silva de Albernaz - Bacharel - Pós-Graduanda/MBA - UCPel
No contexto atual em que a publicidade precisa se expandir e encontrar novas formas de atrair o público, a internet emerge com suas possibilidades. Silva (2003) explica que é o charme e o humor do cotidiano que embalam os produtos que estão na mente do consumidor que utiliza as novas mídias. A partir disso, nasce a necessidade de q uestiona r mos se o publicitário vê o entretenimento como uma forma de fazer publicidade digital, se a interação é explorada com este fim e se o uso dos elementos interativos são planejados. Através de uma discussão teórica e posteriormente uma pesquisa qualitativa, por meio de entrevistas em profundidade, podemos observar que os publicitários vêem o entretenimento como uma forma eficiente de fazer publicidade na internet e consideram que este entretenimento é planejado. Eles também associam o entretenimento diretamente à interação, esta como uma ferramenta que pode mobilizar o usuário na comunicação persuasiva via internet, inclusive tornando-o produtor.
6. Estratégias publicitárias na web 2.0
Michelle Sprandel - Mestre - UNC e SENAC/SC
O propósito deste artigo é analisar e demonstrar aspectos estratégicos da publicidade na web 2.0. As características estratégicas na web se diferem das características estratégicas dos outros meios como televisão, jornal, revista, rádio e mídia exterior. A web permite a interação do consumidor com a publicidade, diferentemente das mídias tradicionais. A principal característica é que a web é mensurável, enquanto nos outros meios têm-se apenas estimativas de audiência. O que de fato, altera os tipos e as formas de estratégias publicitárias, no que diz respeito, a interatividade e as ferramentas disponíveis na web 2.0.
7. Inspirar, informar e envolver a partir do entretenimento aliado às novas tecnologias
Tatiane Bodaneze - Bacharel - UNOCHAPECÓ
Quando o entretenimento se une às novas tecnologias, a construção publicitária perante a sociedade assume novos formatos. Percepções de autores como Henry Jenkins e Scott Donatton retratam a importância de gerar entretenimento com conteúdo e inserir na publicidade elementos dele próprio, como o cinema e a música. Assim, a linguagem publicitária de campanhas institucionais virais passam por uma transformação no momento de construção da mensagem para persuasão do seu público. Lorenzo Vilches retrata este processo como a migração digital. O artigo aborda estes elementos conceituais, apresentando exemplos contemporâneos de campanhas institucionais virais construídas a partir do entretenimento, como campanhas da ONG Taking It Global e o Manifesto Kuat.
GT COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL E RELAÇÕES PÚBLICAS
Coordenadora: Profª Drª. Cleusa Maria Andrade Scroferneker
Dia 03 de novembro
MESA 1 - Comunicação Organizacional
SALA - 208
Coordenadora: Profª Drª. Cleusa Maria Andrade Scroferneker
Comunicação organizacional: interações complexas com a pragmática lingüística e a cultura
Anely Ribeiro - Doutoranda -UFPR
A investigação apresentada nesse trabalho tem o propósito de continuação e aprofundamento a respeito dos aportes teóricos que tratam das interações com vista às conexões entre os estudos da/sobre a pragmática lingüística, a competência comunicativa implicada com a competência cultural, o contexto e o processo da comunicação organizacional. A abordagem é sem tendência às respostas definitivas, fragmentadas, redutoras e/ou disjuntoras. Visa à discussão teórica, cuja natureza é de cunho bibliográfico. A pesquisa está ancorada no paradigma da complexidade, o qual possibilita interpretação das perspectivas teóricas em estudo sob a premissa dos saberes complementares, interdependentes e multidimensionais na relação dos estudos sobre/da comunicação organizacional com a antropologia, a sociologia, a filosofia, os estudos lingüísticos, dentre outros.
O Paradigma relacional como proposta metodológica para apreensão do fenômeno da comunicação no contexto organizacional
Fábia Pereira Lima - Mestre - PUC Minas/Fabrai-Anhanguera
O artigo apresenta uma proposta metodológica para os estudos de comunicação organizacional interessados em superar a abordagem linear de análise do fenômeno, tentando apreendê-lo a partir de sua natureza complexa e dinâmica. Para isto, adota o paradigma relacional como perspectiva analítica que incorpora a análise dos (e a mútua-afetação entre) interlocutores e suas estratégias de interação, da materialidade simbólica que os coloca em relação e os possibilita construírem sentido, e do contexto em que a interação acontece. Assim, o discurso destes atores em torno de questões de interesse coletivo emerge como ponto de partida para análise dos encontros comunicacionais entre estes atores sociais, já que essas questões públicas exigem posicionamentos e estes são apreendidos essencialmente através dos discursos, que viabilizam a comunicação. É o aspecto dinâmico da comunicação que permite a permanente atualização não apenas dos discursos, mas dos interlocutores e dos contextos das interações, ou seja, a própria renovação da cultura e da sociedade.
Intervenção Apreciativa: um facilitador de Campos de Ressonância Mórfica?
Myriam Cadorin Dutra - Doutoranda - PUCRS
O trabalho constitui-se num estudo em torno da relação entre Comunicação e Trabalho, na qual o sujeito e sua forma de linguagem, e não o processo de trabalho, são o ponto de articulação. De construção transdisciplinar, apresenta um projeto de pesquisa que objetiva investigar, buscando evidências, em que medida a Intervenção Apreciativa desenvolvida em equipes numa empresa pode possibilitar a formação de Campos de Ressonância Mórfica. A Intervenção Apreciativa, como metodologia de viabilização estratégica, constrói entendimentos coletivos, em função da dinâmica de interações propositivas que é capaz de instituir. Dessa dinâmica podem emergir relações interpessoais - por conversas de, no e sobre o trabalho - que sustentam a Competência Coletiva e produzem evolução entre grupos aparentemente distanciados entre si. Nessa configuração o olhar de pesquisa se volta para evidências possíveis da presença de comunicação por ressonância, formadora de Campos Mórficos.
Bem-Estar da Comunicação Organizacional ao Espaço Comunicacional: Estudo de Caso: Shopping Center Iguatemi De Porto Alegre
Ana Regina de Moraes Soster - Doutor - PUCRS
No trabalho de pesquisa desenvolvido na tese de doutorado em Comunicação Social , pela PUCRS, na qual o tema era “A Complexidade Comunicacional nos Espaços de Relação do Shopping Center Iguatemi de Porto Alegre – Um Estudo de Caso” analisamos a complexidade da comunicação organizacional realizada por este Shopping, com seu público, através dos diferentes conceitos articulados pelo grupo. Neste momento, priorizamos o conceito de Bem-Estar, tomando-o como categoria de análise para compreender a complexidade das articulações resultantes. A comunicação organizacional desenvolvida pela Iguatemi Empresa de Shopping Centers (IESC), ao extrapolar os limites do Shopping Center Iguatemi de Porto Alegre, estendeu-se para o entorno, configurando na cidade de Porto Alegre, um espaço comunicacional, balizado pelo conceito de Bem-Estar. Neste contexto cidade e Shopping formam um conjunto indissociável, simultaneamente parte e todo, articulados pelos processos comunicacionais.
As construções de sentidos dos ritos de alimentação compartilhada com estratégia de comunicação organizacional.
Rudimar Baldissera - Doutor - UFRGS
Junio Esteves de Souza Junior - Bacharel - UFRGS
Considerando-se o caráter simbólico do rito alimentar compartilhado, sob o Paradigma da Complexidade (Morin), estuda-se sua atualização como processo de construção e disputa de sentidos (comunicação) no âmbito das relações organizacionais. Afirma-se que os ritos alimentares e seu caráter simbólico (particularmente, sua perspectiva de ser agregador e os sentidos de compadrio e amizade) são acionados na comunicação organizacional como estratégia para a consecução de objetivos. Infere-se que os ritos de alimentação compartilhados são materializados com diferentes propósitos organizacionais, tais como: gerar aproximações, simpatia, cooperação; estabelecer diferenças hierárquicas ou neutralizá-las; dissimular e/ou distrair a alteridade; persuadir; blefar. Como estratégias de comunicação, exigem o domínio dos códigos culturais da alteridade para que seu emprego se traduza em melhores resultados de comunicação.
Comunicação Organizacional Integrada: Campanha Compro O Que É Nosso
Severino Alves de Lucena Filho - Pós-Doutorando - UFPB
Relato do estudo de caso, de uma campanha de comunicação organizacional integrada realizada pela Associação Empresarial de Portugal- AEP, tendo como foco em um conjunto de ações comunicacionais para promover o consumo de produtos produzidos em Portugal. No atual contexto as organizações portuguesas vêm assumindo novas faces no âmbito empresarial adotando campanha de comunicação usando o sentido de pertencimento como apelo para incentivar o consumo dos produtos luso e fortalecer as relações com os seus públicos. As ações de comunicação organizacional foram plasmada em: campanha de publicidade,de relações públicas e de marketing, com suporte das mídias massivas e ações de comunicação dirigida durante o verão.
Dia 04 de novembro
MESA 2 - Comunicação Organizacional e Novas Tecnologias
SALA - 208
Coordenadora: Profª Dr. Claúdia Peixoto de Moura
Estratégias digitais de comunicação organizacional: possibilidades e limitações do metaverso Second Life
André Quiroga Sândi - Doutor - CESNORS/UFSM
É inegável a diversidade de tecnologias que utilizam a internet como suporte, entre estas o Second Life . O metaverso propiciado pelo programa movimentou o cenário das organizações em busca por “novos” espaços no mundo on-line . Este trabalho busca entender, através de cenários propostos por Weissberg (2008), as variadas estratégias organizacionais utilizadas no Second Life para se destacar no meio digital, cada vez mais disputado, marcado por intensa concorrência.
A Construção da Imagem e Relacionamentos das Organizações através das Tecnologias da Informação e da Comunicação e das Redes Sociais na Internet
Margareth de Oliveira Michel - Mestre - UCPEL Jerusa de Oliveira Michel - Especialista - SEST/SENAT Larissa Rilho Munhoz - Bacharel - UCPEL
O trabalho analisa a mudança que aconteceu com os meios de comunicação à medida que os mesmos foram apropriados pelas TICs - Tecnologias da Informação e da Comunicação sendo transferidos para a Rede e com o surgimento das Redes Sociais na Internet. Essa nova realidade transformou a forma e o jeito de comunicar nas Organizações, e a investigação tem como objetivo conhecer as mudanças que a Comunicação Digital provocou, verificando como se dá a construção da Imagem e dos relacionamentos das organizações com seus públicos através das Redes Sociais na Internet. O uso da Internet e suas tecnologias de informação e comunicação pelas organizações ou empresas têm grande valor na qualidade da comunicação entre a sociedade participante direta ou indiretamente na Organização, colabora com o relacionamento do público interno e do público externo, o que é percebido através da abordagem das redes existente na Internet, uma vez que permite observar os grupos atuantes a partir de suas interações.
A experiência das redes sociais virtuais e a transformação dos receptores em emissores: o case da My Starbucks Idea
Helenice Carvalho - Doutor - UFRGS
Cinara Moura - Graduanda - UFRGS
Mariana Oliveira - Graduanda - UFRGS
O artigo se propõe a discutir a relação que tem se formado entre as organizações e seus públicos, a partir das interações sociais possibilitadas pela web 2.0. Considera questões relativas ao capital social adquirido dentro e fora do ambiente internet e aborda uma questão bastante relevante na atualidade que é a transformação dos receptores em também emissores, ou seja, como públicos, até então considerados receptores, adquirem relevância à medida que se tornam simultaneamente produtores e emissores de conteúdo. Propõe uma análise de processos em que fica evidenciado o caráter emancipatório da comunicação, trazendo como exemplo o case da rede social virtual My Starbucks Idea, da marca de Cafés Starbucks, que viabiliza a expressão dos clientes em relação à organização.
Web 2.0: a cauda longa da agenda setting
Silvana Maria Sandini - Mestranda - PUCRS
O artigo discorre acerca da veloz comunicação, que percorre as vias da Internet, considerando a hipótese de agenda setting e o duplo fluxo informacional . Os segmentos que não têm acesso ao sistema industrializado de comunicação criam sistemas próprios. Mas talvez nenhum sistema difusor de informação possa ser comparado à Internet, se considerarmos alcance e popularização. Ela tem o poder de propiciar ferramentas para que potenciais líderes de opinião , que não têm acesso aos tradicionais sistemas industrializados de comunicação, busquem informações, divulguem suas idéias e sejam ouvidos por milhares de pessoas. A partir da pesquisa realizada, observamos que, de forma metafórica, estes recursos formam a própria Cauda Longa do agendamento, proposto pelos meios de comunicação de massa. Assim, líderes de opinião contemporâneos, mesmo sem acesso aos meios de comunicação de massa, podem ver, na Internet, a sua capacidade de agendar temas, junto aos usuários, ampliar-se exponencialmente.
Uma reflexão sobre Portais Institucionais a partir da Teoria Cognitiva
Ana Isaia Barretto - Mestranda - PUCRS
Com base nos estudos sobre Teoria Cognitiva, procura-se relacioná-la com os Portais Institucionais. Acredita-se que a grande hipótese cognitiva está na noção de representação, onde os estímulos trazem impactos nos receptores. A partir de uma análise introdutória, realiza-se uma abordagem considerando os efeitos cognitivos que os portais escolhidos trazem para os seus diversos públicos. São considerados os portais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), ambos de Santa Maria, Rio Grande do Sul. A opção, por essas duas instituições, foi embasada na quantidade de alunos matriculados em diversos cursos e sua participação efetiva na comunidade.
O impacto do estudo do corpo na formação do comunicador e em novas práticas empresariais
Simone Ribeiro de Oliveira Bambini - Mestre - FAAP
No Brasil, os cursos de comunicação social tendem a ignorar o papel do corpo humano nas relações comunicacionais. O campo está formado sem considerar a relevância do corpo humano nessas relações. As consequências dessa postura epistemológica são hoje muito claras e podem ser percebidas em todas as instâncias do processo comunicacional. A identificação desse quadro foi o agente propulsor de uma pesquisa, aqui relatada na forma de dissertação, que identificou a urgência em propor a modificação da atual formação do futuro profissional de comunicação para que novas práticas de comunicação possam surgir. Para tratar dessa questão, a pesquisa focou o que sucede com a comunicação interna nas empresas.
MESA 3 - Comunicação no contexto das Organizações
SALA - 209
Coordenadora: Profª Drª. Elaine Machado
A comunicação como meio de ampliar o conhecimento organizacional
Tassiara Baldissera Camatti - Mestre - UCS
A comunicação organizacional torna-se complexa à medida que é entendida enquanto um processo interativo entre indivíduos, efetivado por relações de troca. Visando elucidar formas de ampliar esses processos relacionais e entender como as organizações assimilam, evoluem e inovam a partir desse contexto complexo e dinâmico, propõe-se a efetivação da comunicação como meio estratégico de valorizar os indivíduos e seus universos de conhecimento, na construção do conhecimento organizacional. Sugere-se assim, novas formas de efetivar a comunicação organizacional baseada no conhecimento.
O Papel da Comunicação na Promoção da Gestão e Geração do Conhecimento Organizacional
Josefina Maria Fonseca Coutinho - Doutor - UNISINOS
Gerar e gerir o conhecimento existente na organização é o desafio de qualquer empresa. Ação complexa, pois o saber está nas pessoas. Portanto, faz-se necessário desenvolver uma cultura de compartilhar conhecimento, por meio de um ambiente de participação, cujos elementos são o sentimento de cumplicidade e de confiança, passando a sensação de que a empresa não é propriedade de um elemento, mas de todos. É nessa perspectiva que se pretende discutir o papel da comunicação, visando que as organizações reflitam a respeito do modo de produzir, compartilhar, manter e gerir o conhecimento, a partir de um estudo de caso realizado em empresa do ramo industrial.
Os Contratos de Leitura em organizações do Terceiro Setor
Elisângela Carlosso Machado Mortari - Doutor - UFSM
Patrícia Franck Pichler - Graduanda - UFSM
O texto pretende mapear os conceitos que circundam a análise dos discursos, focando para a construção dos contratos de leitura e a negociação inerente ao processo de comunicação estabelecido entre organizações do terceiro setor e os sujeitos representantes e representados por este. Para isso, segue-se um percurso que inicia na lingüística, e percorre através da abordagem discursiva, os embates da produção e da circulação de textos em organizações do terceiro setor. Enfatizando os estudos sobre reconhecimento e produção de sentidos mapeados em editais para o terceiro setor, volta-se para a enunciação a fim de chegar aos seus dispositivos, os contratos de leitura. A análise está centrada em trechos retirados de editais de projetos elaborados e emitidos por instituições públicas e privadas, como forma de exemplificar a teoria revisada. A conclusão que se chega é que as regras para participação dos benefícios decorrentes da abertura dos editais são acordadas antecipadamente a sua abertura o que decorre no estabelecimento prévio entre as organizações do terceiro setor e as instituições de fomento.
Cooperativas de economia solidária: serão organizações espetaculares?
Caroline Delevati Colpo - Doutoranda - PUCRS
Uma organização pode ser vista como uma entidade social em busca de interesses coletivos com fins sociais, ou pode ser vista como uma organização de processos administrativos com fins econômicos. As cooperativas de economia solidária são entendidas como organizações , permeados pelos princípios de solidariedade, com fim social. Baseado nestas considerações, esta reflexão questiona, com base no paradigma da complexidade, se estas cooperativas de economia solidária podem ser vistas como organizações espetaculares, a partir do momento que apresentam um distanciamento entre a sua gestão de organização com fim social e a sua imagem criada para manipulação simbólica. Por espetacularização das organizações entende-se um mundo onde as relações entre as pessoas são mediadas por imagem, no qual o espetáculo cria uma auto-representação do mundo que é superior ao mundo real da organização. Ou seja, as cooperativas de economia solidária de fato se sustentam com base nas suas estruturas de solidariedade ou emitem uma imagem atraente de representação social?
Ouvidoria como Estratégia de Comunicação Organizacional em Instituições De Saúde
Raquel Martins - Mestranda - PUCRS
As organizações vivem em constante relação com seus públicos, que de várias formas se relacionam com a organização. Uma comunicação efetiva e permanente desempenha papel importante no gerenciamento das organizações, seja qual for o segmento. Nesse sentido, a comunicação constitui-se num esforço estratégico, agregando valor e facilitando os processos interativos e as relações com os públicos, sempre com o intuito do fortalecimento e reconhecimento da Identidade e Imagem Organizacional. Dentro deste contexto o artigo busca compreender a relação entre o dizer e o fazer nos ambientes organizacionais. Aborda a atividade de ouvidoria na área da saúde, em especial hospital, onde identifica-se falha na comunicação entre os profissionais e seus clientes (pacientes e familiares). Será apresentada a definição de termos como identidade, imagem, comunicação, ouvidoria e públicos. Desta forma pretende-se trabalhar o entendimento sobre como a ouvidoria pode facilitar o processo de comunicação.
Una Visión del Corporate desde la Gestión Pública :Las empresas del Estado en la Revolución Bolivariana
Agrivalca R. Canelón S. - Mestre - UCAB - Venezuela
En el marco del creciente proceso de estatización de empresas registrado en Venezuela a lo largo de los últimos tres años, la ponencia intentará emprender un deslinde de los principales retos planteados de cara a la gestión de la comunicación organizacional en el ámbito específico de la Administración Pública. Atendiendo a este planteo, se partirá de la acotación del caso de las empresas venezolanas (re)instaladas en la órbita de la propiedad pública merced un proyecto político alternativo que profesa la economía social. A este amparo, se consentirá en una relectura de las nociones de Imagen, Reputación, Responsabilidad Social, Transparencia y Gobierno Corporativo, constituyendo estas últimas un puntal de carácter estratégico con vistas a las relaciones con los stakeholders dado el rango constitucional conferido en Venezuela desde el año 1999 al derecho a la información sobre la gestión pública, amén de la creación de condiciones legales para el ejercicio de la contraloría social.
Dia 05 de novembro
MESA 4 - Comunicação no contexto das Organizações II
SALA - 208
Coordenadora: Profª Drª. Claudia Peixoto de Moura
Comunicação e Complexidade na Gestão Educacional
Rosângela Florczak - Mestre - ASCOMK
A busca por compreender o lugar da comunicação na gestão das organizações educacionais promove a interlocução de três importantes campos do conhecimento: as ciências administrativas, as ciências da educação e as ciências da comunicação. Pesquisa desenvolvida no espaço das organizações educacionais privadas do Rio Grande do Sul evidenciou ser possível avançar na compreensão das imbricações entre as três áreas, entendendo aspectos da configuração atual do terreno da gestão nas organizações educacionais como espaço de tensões e apontando o potencial da comunicação no desenvolvimento de novos paradigmas de gestão. Ao encontrar interfaces possíveis, antagonismos evidentes e, principalmente, alinhavar as complementaridades entre as três áreas, é possível tecer junto a multidimensionalidade que evidencia contribuição essencial da comunicação no desenvolvimento desses novos paradigmas, a partir da transcendência da perspectiva instrumental e da abertura para a perspectiva relacional.
A Percepção da Identidade e Imagem de Instituições de Ensino Superior: um estudo a partir do relacionamento institucional
Camilo Catto - Doutorando - PUCRS
Nesse estudo a percepção será entendida como um processo complexo (LURIA, 1981), pelo qual as pessoas escolhem, organizam, interpretam, processam e reagem às informações do mundo que as rodeia (SCHERMERHORN, HUNT & OSBORN, 1999). A sua relevância para a formação da identidade e imagem vai além de um mero processo cognitivo, mas impacta também na interação dos indivíduos com o mundo e como esses objetivam o mundo e as instituições ao seu redor a partir dos relacionamentos que mantém (BERGER e LUCKMANN, 2008). Sendo assim, esse estudo busca analisar, a partir do relacionamento que uma Instituição de Ensino Superior – IES de Curitiba mantém com seus alunos, de que forma a percepção auxilia na formação de sua identidade e de sua imagem percebida pelos alunos. Para isso será realizada uma pesquisa em duas etapas, uma qualitativa exploratória e outra quantitativa a fim de mensurar empiricamente as variáveis em estudo.
A Comunicação Interna em Universidades no Rio Grande do Sul
Cassiana Maris Lima Cruz - Doutoranda - UPF
O presente artigo tem por objetivo apresentar os resultados parciais da pesquisa realizada junto a gestores de comunicação em quatro universidades do Rio Grande do Sul, sobre o significado atribuído à comunicação interna nas Instituições, tendo como referência a análise dos canais de comunicação, dos sistemas de informações e da ouvidoria. Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório-descritivo, adotando a estratégia de casos múltiplos (YIN, 2001). Conforme o discurso dos gestores a comunicação e a comunicação interna assumem o sentido de promover o diálogo entre os atores sociais para que exista a compreensão da informação. No entanto, pode-se perceber o caráter unilateral da comunicação, uma vez que espaços para interlocução não são considerados, podendo-se questionar o próprio significado de diálogo neste cenário. Constatou-se, também, a utilização de canais formais de comunicação; a falta de clareza quanto o significado de sistemas de informação e a importância da ouvidoria como canal de comunicação.
A formação de uma cultura empreendedora no contexto das agências de comunicação
Tiago de Oliveira Mainieri - Doutor - UFGO
O artigo propõe analisar a perspectiva empreendedora e o crescimento do mercado das agências de comunicação. Dos profissionais dedicados às suas próprias agências de comunicação exige-se um perfil marcado pela inovação, criatividade, senso de oportunidade e flexibilidade; características consideradas essenciais aos empreendedores. Diante disso, é pertinente uma discussão onde se destaca a formação de uma cultura empreendedora nesse contexto. O artigo apresenta, ainda, resultados de uma pesquisa realizada junto aos sócios-proprietários das agências. As agências de comunicação revelam um importante segmento do mercado das RP e da comunicação organizacional, desempenhando papel fundamental para a consolidação dos objetivos do empreendedor.
Assessoria de Imprensa na Perspectiva Crítica e Deliberação
Basílio Alberto Sartor - Mestrando - UFRGS
O trabalho propõe uma reflexão sobre assessoria de imprensa na perspectiva das teorias críticas da Comunicação. Analisa o modo pelo qual os procedimentos de assessoria servem a interesses corporativos/estatais no processo de construção de visibilidade e imagem-conceito de indivíduos/organizações. Sustenta que essa área da comunicação busca conferir visibilidade midiática aos atores sociais operando segundo a lógica das indústrias culturais – que privilegia o caráter mercadológico do jornalismo em detrimento de seu potencial crítico e emancipatório - e atendendo às demandas das empresas jornalísticas na fase atual do capitalismo. Aponta que, se por um lado coopera para a reprodução do sistema, por outro a atividade também pode servir ao aprofundamento democrático, contribuindo para o processo de deliberação midiatizada.
O lugar da Memória Institucional no Exército Brasileiro
Andréia Arruda Barbosa - Mestranda - PUCRS
As implicações do mundo pós-moderno estão repercutindo no ambiente organizacional, cada vez mais (inter) dependente às variações e alterações no relacionamento com os públicos. Esta complexa realidade de relações sociais e valores efêmeros, onde os quadros de referência que davam certa estabilidade aos indivíduos no mundo social estão abalados, e os sujeitos parecem buscar sentido em tudo o que fazem, evidencia a necessidade de um (re) pensar sobre práticas de comunicação que ressaltem os elementos não transitórios da Identidade Organizacional, estimulando o senso de pertencimento e a partilha de significados. Ancorado pelo Paradigma da Complexidade desenvolvido por Morin, este estudo se propõe a apresentar a Memória Institucional como uma possibilidade de Comunicação Organizacional para (re) construir relacionamentos de valor com os stakeholders , utilizando como caso as práticas de memória realizadas pelo Exército Brasileiro.
MESA 5 - Relações Públicas
SALA – 209
Coordenadora: Profª Drª. Souvenir Dornelles
Proposta de dimensões de relacionamento em R elações Públicas : um estudo com stakeholders
Marley de Almeida Tavares Rodrigues - Doutoranda - FACCAT
A partir da revisão bibliográfica sobre relacionamento em Relações Públicas e em Administração, mais especificamente Marketing de Relacionamento, observou-se que este último possui dimensões de relacionamento estabelecidas e consolidadas por diversos autores. O mesmo não ocorre em Relações Públicas. A despeito da importância que uma definição de dimensões específicas em relacionamento poderia aportar ao estudo e à prática de Relações Públicas, não são encontradas, na literatura pertinente, abordagens que permitam identificar tais dimensões. O presente trabalho propõe uma estrutura de dimensões de relacionamento em Relações Públicas com o objetivo de proporcionar um adequado suporte às decisões dos profissionais dessa área, sobretudo nas ações dirigidas aos stakeholders das organizações em que atuam. A compreensão e o gerenciamento de ações específicas segundo cada dimensão pode aprimorar e reforçar o relacionamento das organizações com esses públicos de interesse.
A Contribuição da Teoria dos Jogos para a compreensão da Teoria de Relações Públicas: uma análise da cooperação
Ana D´Amico - Doutor - ESPM
O objeto de estudo deste trabalho é a cooperação , enfocada sob o olhar da Teoria dos Jogos e da teoria de Relações Públicas. O problema de pesquisa resume-se em : como a Teoria dos Jogos contribui para a compreensão da teoria de Relações Públicas, tendo como elemento de ligação a cooperação e, mais especificamente, a Teoria da Cooperação . Sob essa perspectiva , o objetivo geral é verificar se os princípios da Teoria dos Jogos , mais especificamente os da cooperação e da Teoria da Cooperação , podem propiciar contribuição teórica a Relações Públicas. A metodologia utilizada é a abordagem qualitativa com técnicas de coleta de dados , de dinâmica de grupo e de observação não-participante, com análise de dados por meio da Análise Textual Discursiva. O estudo das duas teorias identificou as contribuições que a Teoria dos Jogos pôde trazer à Relações Públicas e ao estabelecimento das correlações existentes .
O campo profissional de Relações Públicas e a construção da imagem de um novo Brasil no período da Transição Democrática: Uma análise através da perspectiva da Pesquisa Histórica (1983-1984)
Gisele Becker - Doutor - FEEVALE
Carla Lemos da Silva - Doutoranda - UNIVATES
Este estudo busca analisar o papel do campo de Relações Públicas, associado a mídia impressa, na construção de uma imagem positiva sobre o Brasil no momento de Reabertura Política (1984-1985). A partir da Campanha Diretas Já, construiu-se um discurso midiático em torno do cenário de esperança, através do qual o futuro do país poderia ser dirigido por um presidente civil. Deixávamos para trás os anos de Ditadura Militar. Neste sentido, busca-se analisar a interferência (ou não) do campo de Relações Públicas na formação desta imagem do país em um período onde se fazia necessário um comprometimento tanto dos poderes públicos quanto da população em geral, da mudança dos rumos da Nação. Para tanto, utilizaremos a metodologia da pesquisa histórica construindo uma análise a partir da Revista Veja nestes anos de transição democrática. Além da consulta de mídia impressa, a metodologia também será constituída de pesquisa oral com profissionais de Relações Públicas atuantes no mercado.
Relações Públicas na Comunicação Pública: alguns apontamentos frente ao contexto contemporâneo complexo e midiatizado
Jaqueline Quincozes Kegler - Doutoranda - UFSM
Maria Ivete Trevisan Fossá - Doutor - UFSM
Pretendemos relatar aspectos da pesquisa “COMUNICAÇÃO PÚBLICA E COMPLEXIDADE: uma perspectiva das RP como sujeito comunicacional e estratégico no cenário da midiatização”, que analisa quais os desafios dos profissionais de RP que atuam na Comunicação Pública (CP) dos Poderes Legislativos do RS (2006), com mais de 25 mil eleitores, possuem frente ao contexto midiatizado. Possui como base teórica Morin (2006), Matos (1998), Brandão (2007), Sodré (2002), Véron (1997) e Fausto Neto (2006). Ao refletir sobre os limites da práxis de RP nos Poderes Legislativos, podemos identificar dimensões para RP como processo comunicativo estratégico que viabilize a CP no espaço midiatizado caracterizado pela complexidade. A investigação indica que os desafios frente à complexidade do processo de midiatização se apresentam para os profissionais, para o campo acadêmico e para as instituições, de forma que a CP é emergente e os desafios são interligados, por isso, a necessidade do “tecer juntos”.
Comunicação pública e a sustentabilidade dos relacionamentos: Projeto Comunicação e Atendimento ao Cidadão
Vera Regina Serezer Gerzson - Doutor - UFRGS
Karla Maria Müller - Doutor - UFRGS
O artigo reflete sobre a sustentabilidade dos relacionamentos das administrações públicas com os cidadãos através de estratégias e instrumentos de comunicação planejados, executados e avaliados para consolidar a imagem institucional. A partir do relato de práticas desenvolvidas pelo Projeto Comunicação e Atendimento ao Cidadão da Prefeitura Municipal de Canoas/Brasil, evidencia-se a importância dos processos comunicativos na gestão dos relacionamentos públicos e no compromisso com o interesse coletivo.
GT TURISMO, IMAGINÁRIOS E COMUNICAÇÃO
Coordenadora: Profª. Drª. Marutschka Martini Moesch
Dia 03 de novembro
MESA 1 : Turismo e Comunicação
SALA : 301
Coordenadora: Profª Susana Gastal
Empreendendo imaginários
Liane Port - Mestre - UFRGS
Turismo é sonho, encantamento, prazer, aventura, descoberta e ser vivida, no hotel, na pousada, na trilha, na montanha. Em torno do lúdico, são erguidos empreendimentos que contém, em suas entranhas, sonhos a serem capturados por Vossa Excelência: o turista. Empreendimentos capazes de provocar deslumbramento, relax, descanso, aventura, emergem de empreendedores, proprietários de patrimônios em forma de parques temáticos, estâncias climáticas, meios de hospedagem, centros de convenções, capazes de traduzir campos semânticos que transitam do sofisticado ao rústico, permitindo aventuras para todos os gostos: do simples, confortável, tranqüilo, silencioso ao extravagante e extenuante. É o empreendedor que traz, através de atos de comunicação, a inspiração que pretende engendrar para os sonhos do turista: gestos, palavras e expressões faciais precisam dar conta de comunicar o tipo de emoção e encantamento dos empreendimentos que são erguidos ao turista.
As evidências do processo de empresariamento urbano em porto alegre: estudo de caso bienal do MERCOSUL
Luis Gustavo Silva - Mestre e Professor - UFRGS/PUCRS
Este trabalho teve como objetivo investigar o papel da Bienal do Mercosul – uma exposição bianual de artes visuais realizada em Porto Alegre , com participação de países da região – como expressão parcial do processo de empresariamento na administração urbana da cidade, de forma a dar uma contribuição para o entendimento de seu significado no bojo das políticas urbanas locais de gestão cultural e turística. O estudo investigou, com base nas primeiras seis edições da Bienal, a sua relação com três indicadores principais do processo de empresariamento urbano: (1) a parceria público-privada, focalizando o papel do poder público local na captação de financiamentos externos, investimentos e na criação de novas fontes de empresariamento; (2) o papel dos atores estratégicos na criação da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, entre os quais políticos, empresários, curadores e artistas plásticos; (3) as intervenções relacionadas à promoção da imagem da cidade. A análise desses indicadores mostrou que apenas dois deles, a parceria público-privada e os atores estratégicos, tiveram um papel significativo na Bienal do Mercosul para associar a cultura e o turismo à promoção da cidade no cenário internacional. Neste sentido, os resultados do estudo permitem considerar a Bienal do Mercosul e a sua Fundação como expressões parciais do empresariamento urbano na administração da cidade.
A influência do capital econômico e social na escolha dos alimentos e na percepção da hospitalidade
Manoela Carrillo Valduga - Mestre e Professora - UCS/PUCRS
O presente resumo apresenta a problemática da influência do capital econômico e cultural na construção social do gosto, assim como na percepção da hospitalidade dos sujeitos. De acordo com Bordieu, o capital econômico diz respeito à quantidade de bens, mercadorias ou dinheiro que os sujeitos possuem. O capital cultural é medido de acordo com a posse de determinados conhecimentos e da familiaridade com produtos culturais. O mesmo é adquirido por meio da imersão no habitus . A hospitalidade pode ser entendida como uma dádiva e não um contrato comercial, que é exercida através de um ato humano, com pessoas que estão deslocadas de suas casas. A coleta de dados foi realidade em uma universidade privada do sul do Brasil, no Estado do Rio Grande do Sul, com em torno de cinqüenta colaboradores pertencentes a diferentes classes sociais e habitus . Buscou-se averiguar se essa diferença influencia no momento da escolha dos alimentos no café da manhã consumido em hotéis, se os alimentos consumidos em suas casas são os mesmos que consomem em um hotel, o que essas pessoas acreditam que possa tornar um café da manhã hospitaleiro, ou seja, sua percepção de hospitalidade, e se o mesmo tem importância na hora da escolha do meio de hospedagem. Como resultado, infere-se que a teoria de Bordieu não se aplica no Brasil, atualmente, e o capital econômico e cultural dos funcionários da Universidade localizada na região Sul não faz diferença no momento da escolha dos alimentos, que irão consumir no café da manhã dos hotéis, e nem no conceito de hospitalidade dos mesmos.
São paulo e o imaginário- um estudo do simbólico
Celia Maria de Moraes Dias - Doutora - USP
Iara Maria da Silva Moya - Mestre - Anhembi Morumbi
As cidades tem se mostrado, cada vez mais, como poderoso fator de atração de turistas. Este trabalho é sobre a cidade de São Paulo, principal centro empresarial do país e geradora de produtos e serviços turísticos voltados ao nicho de negócios. Se busca compreender, a partir de seus principais símbolos, marcos, monumentos, música-tema, sua situação peculiar que, devido ao impacto de uma rápida transformação do cenário econômico, vem apresentando, simultaneamente, a decadência e a pujança. Faz-se uma breve análise comparativa com o Cristo Redentor, símbolo principal do Rio de Janeiro, cidade que, diferentemente desta, posiciona-se como um expressivo destino de lazer. Pretende-se efetuar um estudo de campo, apresentando os principais símbolos de São Paulo a moradores e turistas, visando apreender e discutir os aspectos identitários e relativos à percepção da hospitalidade na cidade.
Dia 04 de novembro
MESA 2 - Turismo e Imaginários
SALA - 301
Coordenadora: Profª Marutschka Moesch
Relatos de viagem à luz do nomadismo e do turismo: uma análise das narrativas em três momentos históricos distintos
Rebecca Cisne - Mestranda - UCS
Ana Carolina Oliveira - Mestranda - UCS
Os relatos de viagem são um importante meio de comunicação no turismo. A partir deles, o sujeito turístico constrói imagens e imaginários sobre os lugares relatados, criando expectativas e gerando desejos de viagem. Com o objetivo de averiguar as mudanças que possam ter ocorrido na narrativa de viagens, escolheu-se três relatos de momentos históricos distintos: de Marco Pólo, na conquista pelas Índias, na antiguidade; de Debret na fundação da Academia de Belas Artes-RJ, na modernidade; e de Zeca Camargo nas visitas aos patrimônios da humanidade, na contemporaneidade. Para tanto, realizou-se revisão bibliográfica acerca do turismo e da história do turismo à luz do nomadismo, com bases em teóricos do turismo e Maffesoli (2001), e do sujeito, segundo Morin (2002), além de pesquisa documental sobre cada uma dessas viagens relatadas.
O Caráter Hospitaleiro na Comunicação Virtual: Educando o Sujeito Turístico
Ronaldo Mendes Neves - Mestre e Professor - UFRN
A incessante evolução do movimento turístico mundial tem gerado os mais variados impactos e afetado a humanidade no sentido econômico, social e ambiental em diferentes localidades do globo. A hospitalidade ofertada à sociedade contemporânea está cada vez mais representativa no imaginário do consumidor do espaço virtual e, a prestação desse serviço, o ato de acolher o visitante estabelece o vínculo humano caracterizado na reciprocidade das relações sociais. O avanço das novas tecnologias da informação e dos meios de comunicação revela uma necessidade insaciável do consumidor contemporâneo: a ubiquidade. Assim sendo, a comunicação virtual e a mídia são instrumentos fundamentais para educar e aprimorar o caráter hospitaleiro no sujeito turístico e nos serviços prestados ao cidadão. Adota-se um critério analítico descritivo sobre a hospitalidade e a comunicação para propor uma reflexão educativa nos deslocamentos virtuais efetuados entre visitantes e visitados.
Para os que viajam: turismo na revista do globo
Susana Gastal - Doutora e Professora - PUCRS
Luciana de Castro Neves Costa - Mestranda - UCS
Os dados aqui apresentados são resultados parciais de uma pesquisa mais ampla, que objetiva traçar a construção do campo do Turismo no Rio Grande do Sul, ao longo do século XX. A construção teórico-metodológica aproximar as noções de sistema simbólico, campo e habitus, em Pierre Bourdieu (1983) e a teoria do texto, conforme Roland Barthes (1988). O presente artigo destaca a secção Para os que viajam , publicada em onze edições da Revista do Globo, entre setembro de 1929 e julho de 1930. A secção trazia como título “Turismo, grande e interessante problema a resolver. Campanha da Revista do Globo”. Analisadas todas as edições, o texto apresenta o turismo sob o discurso de sua importância econômica, dedicando especial atenção aos transportes, deixando implícito o apoio ao governo Getúlio Vargas, que apresentava à Assembléia dos Representantes o seu plano geral de viação.
O negócio do turismo na mídia: uma análise das revistas da Editora Abril
Alexandra Gonsalez Martin - Mestre - UMESP
Esse trabalho examina a relação da Comunicação com o Turismo discutindo a importância dos produtos de comunicação junto ao negócio do turismo no Brasil. Tem como corpus da pesquisa o Núcleo de Turismo da Editora Abril, formado pelas publicações Guia 4 Rodas , revistas Viagem e Turismo e National Geographic Brasil , e o portal de viagens www.viajeaqui.com.br . Investiga o setor de turismo na economia brasileira, o crescimento e a consolidação do mercado editorial neste segmento. Discute o papel do Cluster na área de Turismo e seus efeitos no Jornalismo. Avalia os processos de produção das publicações selecionadas, o caminho das informações compartilhadas pelos profissionais envolvidos e o impacto dessas informações nos públicos-alvos de cada veículo. Faz ainda uma reflexão sobre os limites entre Jornalismo e Publicidade em mídias segmentadas dentro de um Cluster.
Enumerando encantos mil: afirmação do imaginário do rio de janeiro como cidade maravilhosa
Mariana Zibordi Pelegrini - Mestranda - UERJ
O imaginário do Rio de Janeiro como Cidade Maravilhosa é uma construção que se iniciou em meados da década de 20 e 30, mas que perdura até os dias atuais. Nesta época, a cidade havia emergido diante de um processo de valorização de sua imagem nacional e de suas estruturas urbanas. O seguinte artigo inaugura uma pesquisa que busca relacionar a participação da mídia na edificação dos imaginários da cidade. Para tanto vamos nos reportar a análise do primeiro volume da revista do Departamento de Turismo intitulada “Cidade Maravilhosa”, publicada em junho de 1936. Este periódico era distribuído no Brasil e exterior e tinha propósito de ser um “retrato do Rio de Janeiro”. Guiando-nos pelos conceitos de Imaginário, traçados por Lucrécia Ferrara e Maffesoli, buscamos entender esta relação de geração de sentido com a materialidade da cidade, bem como suas fontes de retroalimentação midiáticas.
Dia 05 de novembro
MESA 3 : Turismo e Cidades
SALA : 322
Coordenador: Prof. Luis Gustavo da Silva
Patrimônio e turismo urbanos: quando a atratividade solicita metodologias de usos do patrimônio ancoradas na possibilidade de espaços de sociabilidade produzidos na sua dimensão plural e política
Priscila Gayer - Mestre - UCS
Por meio desta discussão teórica busca-se compreender o papel da dimensão política do simbólico que envolve as diferentes formas de apropriação do patrimônio, em especial as práticas que o atrelam ao Turismo. Para isso, há uma retomada do conceito de patrimônio, entendendo que a sua constituição é produto da disputa entre os diferentes olhares que o concebem, o reapropriam e o reinventam desta ou daquela forma. Considerando que o Turismo Cultural surge no século XVIII, estando estritamente relacionado à supervalorização da história e à exaltação do patrimônio, ainda hoje o bem patrimonial compõe o conjunto das instâncias consideradas como atrativo turístico. Impera na intersecção entre turismo e o patrimônio os valores românticos que envolvem as práticas inerentes. Aí, adentra-se no campo político do processo de conformação patrimonial associado ao Turismo e à produção do Espaço Urbano. Por fim, discutindo as forma de apropriação, usos e contra-usos do patrimônio, assim como mergulhando na reflexão acerca do campo político do simbólico que envolve as práticas e que corta a materialidade do espaço urbano e das relações cotidianas que por ele circulam e o significam, levando ao questionamento acerca das tessituras das representações sociais que no bojo das disputas simbólicas do processo em questão são conformadas e que legitimam, por vezes, seja no campo das autoridades ou das táticas que as tornam críveis (Michel de Certeau), determinada funcionalidade do patrimônio.
Informações turísticas e cultura local: um estudo sobre material publicitário na construção do imaginário da cidade
Valdir Jose Morigi - Doutor - UFRGS
A velocidade das trocas de informações entre as culturas, impulsionado pelos avanços científicos e tecnológicos e pela comunicação é a marca do mundo contemporâneo. O artigo analisa a produção de informações culturais ligadas às atividades turísticas, tendo como foco as relações entre informações turísticas e a cultura local, a partir da análise do material publicitário (folders, folhetos turísticos, calendário de eventos entre outros), divulgado pela Coordenação de Turismo da Prefeitura do município de Estrela/RS, durante primeiro semestre de 2009. Neste estudo, identifica quais as informações sobre a cidade e sua cultura são destacados nos materiais publicitários. Verifica qual o papel dos profissionais de turismo como geradores destas informações. Conclui-se que a cultura local se constitui uma das fontes de informação utilizadas para a produção das informações turísticas do município, principalmente os eventos culturais e as características identitárias e do imaginário da cultura alemã.
O fomento do turismo local: o meio técnico impresso como recurso potencial – algumas constatações
Flávio Paim Falcetta - Doutor - PUCRS
O presente artigo tem como foco principal discorrer sobre o fomento do turismo em municípios do estado do Rio Grande do Sul com base nas formas promocionais registradas [observadas] em um periódico de marcante atuação no território em análise , acrescentando a incorporação de algumas cidades de Santa Catarina, sobretudo as localizadas próximas à região de fronteira entre os estados . O desenvolvimento do turismo , objeto da discussão , passa pela maturação da(s) atratividade(s) que o local apresenta, considerando-a(s) como um vetor capaz de impactar os visitantes, ou não-residentes. Logo , configura-se um espaço de consumo dos “ produtos turísticos”, ou seja, o território é consagrado como um destino turístico. A partir dessa referência procura-se desvendar a possibilidade de localizar nos municípios , vistos de forma isolada, e na região , em sua totalidade , a existência , de fato e de direito , de um ambiente apropriado para a consolidação da prática turística ou que tenha os requisitos que o capacite para viabilizar a atividade .
Comensalidade, comunicação e hospitalidade em festas de casamento
Bruna Delchiaro Nieble - Mestranda e Professora - UAM
O objetivo principal deste trabalho, parte do desenvolvimento de minha Dissertação de Mestrado em Hospitalidade na UAM, SP, é refletir sobre o papel da comensalidade em festas de casamento, tendo em vista sua importância como meio de hospitalidade nesse tipo de evento. O trabalho encontra-se em desenvolvimento e foi feito inicialmente um levantamento bibliográfico sobre família, casamento, comensalidade e festa. Na próxima etapa serão realizadas entrevistas com pessoas da classe média que casaram nos últimos cinqüenta anos na cidade de São Paulo. As entrevistas serão transcritas e se poderá concluir quais foram as mudanças na maneira de alimentar e entreter pessoas nestas festas. Foram realizadas algumas entrevistas-piloto e observou-se que apesar da tendência à migração da hospitalidade doméstica para a comercial, ainda se encontra o resgate de algumas tradições, como por exemplo, a preocupação com o alimentar do convidado, bem como a maneira de comunicar o evento.
A Festa nacional da uva nas falas da comunidade de Caxias do Sul/RS: o discurso para além das palavras
Adriana Schleder - Mestranda - UCS
A Festa Nacional da Uva é realizada em Caxias do Sul/RS desde 1931, sendo, nestes termos, uma das mais antigas do país. Criada para celebrar a colheita e qualificar o potencial agrícola local, ao longo de sete décadas viu agregar-se ao evento o compromisso com a difusão do lado industrial e turístico da cidade, sofrendo, por esta razão, menor participação da comunidade local. Na década de 1990, houve a preocupação por parte dos organizadores em reaproximar a comunidade da Festa, com certo sucesso. O presente artigo investiga as representações sociais na comunidade local sobre a Festa, a partir dessa mudança, compilando e analisando os depoimentos de leitores do jornal local Pioneiro, sobre o evento, registrados na Coluna de Opinião, durante as últimas oito edições da Festa da Uva. Os resultados revelam dois grandes campos de representações sociais a respeito da Festa e indicam que as resistências diminuíram nas últimas edições.
GT COMUNICAÇÃO E CULTURA
Coordenador: Prof. Dr. Antonio Hohlfeldt
Dia 03 de novembro
MESA 1 - Expressões imagéticas
SALA - 303
Coordenador: Ms. Vitor Necchi - PUCRS
- Quadrinhos e ideologia
Artur Rodrigo Itaqui Lopes Filho - Mestre - UNISINOS
Pensar as histórias em quadrinhos como instrumentos de propagação de valores ideológicos nos dias atuais é resgatar uma antiga batalha com essa indústria do entretenimento. Distante de promover um estado de “guerra”, o presente trabalho objetiva propor uma discussão – unindo filosofia e comunicação –, acerca da questão ideológica presente nas páginas das HQ’s (mesmo que de forma inconsciente), desvelando uma gama de valores agregados as inúmeras histórias em quadrinhos, “negadas” devido a uma compreensão “nebulosa”, e porque não viciada, que temos hoje referente à ideologia; algo que afasta de nossas consciências o fato de que toda forma de se pensar um modelo de sujeito social corresponde a um ideal (seja ele bom ou mal). Sendo assim, o presente trabalho pretende mostrar como a ideologia nunca deixou as páginas das HQ’s, expondo aquilo que Superman, Capitão América, Mafalda e outros nos comunicam e, por assim dizer, esperam, que nós leitores, venhamos a nos tornar.
- O processo comunicacional do grafite
Clarissa Daneluz - Mestranda - UNISINOS
Neste trabalho problematizo o processo comunicacional no terreno das manifestações de grafite, observando a presença de dispositivos, especialmente tecno-midiáticos, no percurso criativo do artista Bruno Novelli. Procuro dar especial atenção para a inter-relação entre ferramenta e linguagem durante tal percurso.Os procedimentos metodológicos, ancorados na crítica genética e na aplicação do método cartográfico, proporcionam que sejam destacados alguns documentos de processo de Novelli – tais como, esboços em caderno de rascunho, sketchbooks; imagens de making off de trabalhos e intervenções urbanas etc. Através desses materiais, é possível refletir também sobre a utilização dos vestígios do tempo e da percepção de experiências estéticas cotidianas na trajetória criativa-comunicacional deste artista.
- A contra-estratégia na construção do estereótipo: Análise de charges sobre a morte de Michael Jackson
Fabiano Maggioni - Mestrando - UFSM
O presente trabalho teve por finalidade investigar se houve estratégias de produção de estereótipos positivos em relação à imagem de Michael Jackson após sua morte. A análise baseada na teoria de contra-estereótipo de Stuart Hall foi feita em charges publicadas no dia 27 de junho de 2009, no site Charge Online. O trabalho aborda conceitos de formação cultural, formação do ídolo, identidade e diferença, tipos e estereótipos, além de contra-estratégia na formação de estereótipos. A partir da análise percebe-se a existência de um contraste muito grande entre o estereótipo formado antes da morte do cantor e o que foi observado nos desenhos pós-morte, demonstrando assim que houve tentativa de reverter significados do estereótipo construído até então de Michael Jackson.
- A interdição das imagens: A construção do outro pelas charges de Maomé
Maria Luisa Hoffmann - Mestranda - UEL
Alberto Klein - Doutor - UEL
Este artigo analisa a construção do islã como imagem invertida do Ocidente através da publicação das charges de Maomé em um jornal dinamarquês em setembro de 2005. A associação do profeta islâmico com o terrorismo em imagens é discutida à luz de pressupostos teóricos da semiótica da cultura e de autores como Vilém Flusser e Norval Baitello Júnior. As caricaturas satirizam crenças e preceitos da religião islâmica, ironizam o ícone de uma crença, além de infringir seu código de conduta que não permite representações do sagrado. Os meios de comunicação institucionalizaram o iconoclasmo midiático e, por meio dele, expressam suas convicções, opiniões e ideologias. Ao associar o islamismo e os países islâmicos ao poder repressor e ao terrorismo, a mídia apresenta o outro como o oposto, que deve ser temido e evitado. Transmitir imagens da destruição dos símbolos do islã dificulta a compreensão das complexidades culturais que envolvem a religião, geram discriminação e fortalecem preconceitos.
- Che Guevara: A mídia como potencializadora do mito
Juan de Moraes Domingues - Mestrando - PUCRS
Ainda que a percepção imaginária em relação a Che Guevara tenha passado por diversas releituras nas últimas quatro décadas, o mito do revolucionário permanece. A despeito de tantas mudanças sociais, culturais e políticas, o mito não só resiste como é pauta permanente de jornais, revistas, livros e filmes. O rosto de Che Guevara está estampado em camisetas, bottons, bonés, biquínis. Objetos com a figura do mito estão à venda nas ruas das grandes cidades da América do Sul, da Europa, da Ásia e até dos Estados Unidos. Por ironia, o símbolo da revolução socialista se transformou em ícone de consumo do sistema capitalista que ele tanto combateu. Como o mito do revolucionário se mantém forte mais de 40 anos depois de ser assassinado na Bolívia? É possível que haja dezenas de respostas para a pergunta. No entanto, em um processo permanente de retroalimentação, ao menos quatro variáveis atuam para o fortalecimento do mito de Che: a variável ideológica, a de consumo, a imagética e a midiática.
MESA 2 - Leitura de revistas
SALA - 304
Coordenadora: Profª. Drª. Paula Puhl
- A mulher atual nas páginas da revista Cláudia
Gabrielle Vivian Bittelbrun - Mestranda - UFSC
Pretende-se analisar a construção corporal, bem como as posturas e comportamentos atribuídos à mulher brasileira contemporânea, tendo como suporte a análise do conteúdo da Revista CLAUDIA. Admite-se que exemplares, dos últimos anos, de um meio jornalístico como CLAUDIA, que já consolidou credibilidade e notoriedade no mercado editorial do Brasil, podem retratar questões psicológicas, econômicas e antropológicas referentes ao universo da mulher contemporânea brasileira, destacando o papel da beleza nesse processo. Para tanto, conta-se ainda com o apoio em obras bibliográficas consideradas indispensáveis como fundamentação do estudo do gênero e do contexto social no qual a figura feminina está inserida.
- Comunicação e moda: Um estudo semiológico da revista Cláudia
Samara Kalil - Mestranda - PUCRS
As revistas femininas existem no Brasil desde o século XIX, e surgiram em paralelo ao aparecimento da Imprensa no país. No entanto, foi somente nos últimos dez anos, com a implantação de cursos de graduação com enfoque na Moda, que as publicações científicas sobre o assunto, como livros e trabalhos acadêmicos, tomaram força. Apesar de já existirem registros sobre o segmento da Moda, dentro dos estudos sociais de Comunicação, ainda é bastante difícil compreender o fenômeno sob essa perspectiva. Assim, a fim de colocar em prática análises sobre a Comunicação e a Moda, tendo em vista a capacidade de diálogo que ambas podem estabelecer, propusemo-nos a lançar um olhar sobre imagens e textos de Moda, veiculados em reportagens da Revista Claudia nos anos 1988, 1998 e 2008. O método que utilizaremos será a Dialética Histórico-Estrutural, tendo, como técnica metodológica, a Semiologia barthesiana. As categorias de análise, que nos ajudarão, são: Fotografia, Cultura, Poder, Mito e Socioleto.
- A identidade feminina na recepção de moda em revista: Uma proposta teórico-metodológica de investigação
Daniela M. Schmitz - Doutoranda - UFRGS
O texto apresenta a perspectiva teórico-metodológica edificada na pesquisa de mestrado em que investiguei a recepção dos editoriais de moda da revista Elle – publicação da Editora Abril – considerando os usos, sentidos e apropriações realizados por leitoras residentes em Porto Alegre e sua relação com a identidade feminina. Para dar conta da problemática, trabalhei com os conceitos de recepção, mediações, apropriação e consumo e elegi três chaves principais de compreensão da mediação da identidade feminina: a relação da mulher com o corpo, o papel profissional feminino e a trajetória de vida ligada à feminilidade. Acerca das estratégias metodológicas, construídas a partir de uma perspectiva multimétodos, articulei um conjunto de procedimentos que incluíram histórias de vida, observação, entrevistas em profundidade e leitura compartilhada dos editoriais de moda da revista. Como resultados, aponto para as relações que se estabelecem entre a identidade feminina e o consumo da moda em Elle.
- Estilo de vida: Comportamento e cultura como construção do jornalismo na revista Vogue
Débora Elman - Mestre - Faculdade de Tecnologia do SENAC/RS
O presente artigo está inserido na perspectiva construcionista, que considera o poder do jornalismo na construção da realidade. As reportagens de perfil da revista Vogue são o foco deste trabalho, que relata quais estilos a revista institui como modelos de ser e viver do sujeito contemporâneo. A amostragem reuniu 12 revistas, do período entre janeiro e dezembro de 2006. Foram analisadas 102 reportagens do subgênero perfil jornalístico, com o objetivo de constatar quais os modelos que a revista Vogue constrói, tomando como referência categorias (estilos de vida Inovador, Tradicional e Vanguardista) preexistentes e exteriores ao jornalismo, ligadas ao referencial teórico da pesquisa, para nortear a busca dos principais sentidos representados nas matérias. A Análise de Discurso serve como suporte metodológico. Os estilos de vida encontrados na revista são representados pelas marcas discursivas que permitem evidenciá-los e demonstram a freqüência com que são reiterados por Vogue, relacionando aspectos culturais e comportamentais .
- O corpo feminino como registro histórico: Representações da mulher no altar e seu discurso não-verbal
Priscilla Mansano - Mestranda - UERJ
O presente artigo objetiva buscar as representações da mulher no casamento, destacando o discurso da imprensa direcionado às noivas. Em uma sociedade como a nossa que vive de aparência, onde o que se consome é imagem, a imagem da noiva é moda, mas não é apenas moda como tendência de consumo capitalista, mas como influência de costumes, como transgressora de valores. Os corpos femininos e suas vestimentas (ou ausência delas) são, portanto, representações de uma realidade. As mensagens não-verbais refletem as mudanças não apenas da figura feminina como também da sociedade como um todo. O objetivo principal é analisar o corpo da noiva na imprensa e o discurso dirigido a ela buscando o resgate histórico deste segmento, através da revista Figurino Noivas a partir de 1968. A idéia é demarcar as diferenças na sociedade e no papel da mulher brasileira, buscando estabelecer um(s) padrão(s) do discurso do jornalismo e responder: Quem era a noiva há 40 anos?
- Gênero e corpo nas representações de uma revista (masculina) de surfe
Rafael Fortes - Doutor - UFF
O artigo analisa as representações relativas a gênero e corpo tendo por objeto a principal revista brasileira de surfe – Fluir – e por recorte temporal os anos 1980. Os diversos tipos de representação midiática tiveram e têm notável papel na disseminação de sentidos ligados ao surfe, modalidade esportiva plástica e estética por excelência. Na medida em que possui forte componente visual e fala sobretudo para o público interessado, a mídia revista ocupa um lugar privilegiado na discussão e estabelecimento de padrões de consumo, referência e identidade. Através de textos e imagens, o olhar lançado por Fluir sobre homens e mulheres guarda diferenças de tratamento e estabelece uma divisão de papéis: os primeiros, ativos, surfam no mar, ao passo que as mulheres, passivas e de biquíni, assistem da areia. Analisa-se, portanto, o papel da revista ao construir lugares e naturalizar divisões que, na verdade, são produzidos socialmente.
MESA 3 - Nosso continente
SALA - 305
Coordenador: Prof. Dr. Antonio Hohlfeldt
- O olhar sobre a população de rua em um veículo de comunicação comunitária
Natália Ledur Alles - Mestranda – PUCRS
Considerando que as representações presentes nos meios de comunicação colaboram para a construção da realidade ao influenciar o modo como ela é percebida, este artigo tem como intuito identificar as representações sociais sobre moradores de rua elaboradas no jornal Boca de Rua. O veículo de comunicação comunitária, fundado em 2000, possui a peculiaridade de ter todos os seus textos produzidos por pessoas em situação de rua da cidade de Porto Alegre, com o auxílio de uma ONG. A partir da ideia de que população de rua não encontra espaços para manifestar-se nos meios de comunicação hegemônicos, interessa perceber de que forma retratam seu grupo social quando lhes é permitida a participação no processo produtivo de um jornal. Baseando-se na teoria das representações sociais, conforme proposta por Serge Moscovici, este trabalho utiliza o procedimento metodológico da análise de conteúdo para estabelecer as categorias representacionais presentes na Boca de Rua.
- Identidade e diferença na Tinga
Jeison Leandro Rückert - Mestrando - ULBRA
“Sou da Tinga!” O presente trabalho pretende problematizar essa identidade assumida com ardor por muitos moradores do bairro Restinga de Porto Alegre. Trata-se de uma análise a partir de Kathryn Woodward, Tomaz Tadeu da Silva e Stuart Hall, com os conceitos de identidade e diferença. Partindo de uma perspectiva não-essencialista, será observada a construção histórica da identidade da Tinga, focalizando características comuns e diferenças em relação ao Centro; a forma como essa identidade é representada, fixando-a ou subvertendo-a; e que tipos de posicionamentos e interações são hoje assumidos pelos moradores do bairro. Conclui-se que a identidade da Tinga continua tendo forte valor no bairro, sendo também reforçada por alguns grupos da comunidade, ao mesmo tempo em que é transformada e ressignificada por desafios atuais.
- Cultura de periferia na cena midiática
Guaciara Barbosa de Freitas - Doutoranda – UNISINOS
A partir de programas televisivos cuja periferia é o tema gerador, o presente artigo analisa como a utilização de elementos da cultura de massa e das técnicas de comunicação midiática, por parte dos atores sociais “periféricos”, resulta em produções qualificadas e difundidas como “cultura da periferia”. Observo o discurso da mídia hegemônica estruturado em tais programas, para caracterizar os tipos de periferia que asseguram certa visibilidade midiática. Por outro lado investigo as marcas de uma cultura das mídias presentes nas falas dos protagonistas da cena periférica que toma o “centro”. Lido com as concepções sobre meios e mediações, de Martín Barbero, e com os estudos de consumo cultural do autor Garcia Canclini, para discutir até que ponto ações e fenômenos apresentados como cultura da periferia refletem uma interação com demandas ou fenômenos comunicacionais da grande mídia.
- Anomie et tragédie dans les sociétés latinoaméricaines
Daniel Gutiérrez Martínez – Doutor - Colégio Mexiquense
L'Anomie comme concept central de la sociologie explicative a voulu montrer les conséquences des comportements dits hors la norme dominante. Or, l'Anomie peut être étudiée aussi pour comprendre les stratégies et actions des groupes et sujets pour contourner cette norme dominatrice et réactiver les formes d'association et socialité propre au groupe. L'Amérique Latine est un observatoire privilegé en ce sujet, et on essaiera de présenter dans cette communication les divers formes informelles (hors normes)qui se présentent de manière quotidienne dans le domaines culturelles, politiques, economique et sociale de la région. Ces actions trouvent sa racine dans une athmosphére tragique du monde propre à la socio-histoire du continent latin et qui trouvent actuellement tout son sens dans un monde dit postmoderne.
- Estratégias transmetodológicas para problematizar a comunicação na América Latina
Alberto Efendy Maldonado - Doutor - UNISINOS
Os processos de comunicação na América Latina passam por um conjunto de reconfigurações profundas; por uma parte, constata-se que os modelos de mídia comercial generalista vêm apresentando limitações expressivas para atender as demandas de produção, circulação e consumo de bens culturais em nossas sociedades. Em processo paralelo, comprova-se que as alternativas midiáticas digitais têm aberto um vasto campo de criação comunicativa, que possibilita a geração de produtos expressivos da diversidade cultural, do intenso fluxo simbólico e das transformações sociopolíticas que acontecem na região. Este texto tem por objetivo esclarecer as relações metodológicas entre essa realidade complexa e as necessárias estruturações metodológicas para pesquisá-la.
MESA 4 - Juventude e infância
SALA - 306
Coordenadora: Profª. Carolina Fossatti
- Juventude e mídias digitais: Movimentos sociais juvenis e uso das tecnologias comunicacionais no exercício do cidadão
Daniel Barsi Lopes - Doutorando - UNISINOS
Analisamos as relações entre os movimentos sociais juvenis e o exercício cidadão, percebendo como as mídias digitais podem auxiliar neste processo, quando abrem diversas possibilidades dos jovens atuarem na sociedade contemporânea mais do que como espectadores, mas, também, como produtores de conteúdos midiáticos, a partir das constantes mutações das tecnologias comunicacionais e das facilidades de acesso, que lhes são cada vez mais abertas. Para dar conta disto abordamos alguns conceitos acerca da juventude, especialmente a pluralidade que marca este segmento; dissertamos sobre os grupamentos urbanos e a reconfiguração do político; e discutimos sobre os receptores-produtores midiáticos juvenis e sua atuação nos novos movimentos sociais.
- Identidades juvenis femininas na mídia contemporânea
Eliane Vargas de Campos - Doutora - ULBRA
A juventude tem sido, na atualidade, alvo de inúmeros investimentos (econômicos, sociais e culturais) com vistas a sua inserção no mercado consumidor. A fim de compreender como os jovens são interpelados pelos discursos que os incentivam ao consumo, este artigo tem como objetivo analisar, em anúncios veiculados em revistas direcionadas ao público jovem feminino (de 15 a 29 anos), como se dá o incentivo ao consumo dos produtos anunciados. Para tanto, foram, em um primeiro momento, identificados os produtos veiculados em tais anúncios e, logo a seguir, descritas as estratégias comunicacionais neles presentes. A análise das mensagens presentes nos anúncios selecionados foi realizada com base na análise de conteúdo e o referencial utilizado foi o dos Estudos Culturais, a partir de suas correlações com a construção de identidades juvenis.
- Influência e consumo: Notas sobre as representações na infância na revista Veja
Paula Deporte de Andrade - Mestranda - ULBRA
Inscrito na vertente pós-estruturalista dos Estudos Culturais, busco realizar um cruzamento entre os campos da Educação e da Comunicação. Entendo a cultura como central na sociedade, no campo dos Estudos Culturais buscamos problematizar as práticas sociais historicamente constituídas e naturalizadas. A partir desta visão, os meios de comunicação são vistos como artefatos produtores de cultura porque eles trazem discursos e significações que operam nas malhas sociais. Neste artigo, especificamente, aprofundo a questão da revista tanto como meio de comunicação quanto artefato produtivo culturalmente na sociedade. Trago, através das imagens publicadas na Veja, um breve histórico de como a representação da imagem da infância foi se deslocando nos últimos anos para atender os interesses do capitalismo e, convocar a sociedade para o consumo. Como referencial utilizo, entre outros Baumann e Kellner.
- Contestação ao consumismo: A trajetória da cultura jovem nas páginas da revista Veja (1968-2006)
Paulo Cirne de Caldas - Doutor - PUCRS
O texto sugere uma reflexão sobre como a revista Veja trata com a questão da juventude ao longo de sua história. Focalizamos aqui duas de nossas hipóteses, que partem da identificação dos jovens com a militância política e o movimento hippie para uma outra, na qual temos a influência de um modelo de integração exigido pela sociedade de consumo. Essas hipóteses foram desenvolvidas na nossa tese de doutorado (PUC/RS) e estendidas até 2008, intitulada “Da contestação ao consumismo: a trajetória da cultura jovem nas páginas da revista Veja (1968/2006)”. Alguns autores, como por exemplo Muniz Sodré, contribuem para uma análise crítica sobre como a história do jovem foi contada pela Veja. Concluímos que o jovem aparece moldado de acordo com o modelo de integração exigido pela sociedade de consumo. A juventude de baixa renda, aí, é contraposta ao seu ideal de sujeito: a juventude consumista da classe média.
- O corpo é espetáculo: As personas e a estética contemporânea
Júlio César Sanches - Graduando - UFRB
Renata Pitombo Cidreira - Doutora - UFRB
Esta comunicação apresenta algumas reflexões sobre o conceito de Barroquização do mundo contemporâneo apresentado por Michel Maffesoli, em seu livro, No fundo das aparências. A partir dos pressupostos teóricos de uma barroquização do mundo na pós-modernidade, refletiremos sobre o papel das personas e da teatralidade de um corpo social e suas implicações nas identidades culturais. A partir disso, compreendemos que os meios de comunicação de massa são agentes primordiais para a mediação e consolidação de valores hedonistas e narcisistas, sendo eles, apresentados como elementos exponenciais da aparência na contemporaneidade, que denominam o corpo num espetáculo cotidiano, atribuindo às identidades contemporâneas uma reprodutibilidade técnica corporal.
Dia 04 de novembro
MESA 5 - Políticas e processos culturais
SALA - 304
Coordenadora: Profª. Drª. Aline Strelow
- Aventura autoral
Nara Marques - Doutoranda - UFSC
As mudanças no suporte da escrita vêm alterando os rumos do mercado editorial e as posturas políticas e éticas da autoria. A escrita digital abala as bases, nem tão sólidas, que a autoria encontrava no jornal e no livro. Algumas destas mudanças não são facilmente aceitas pela tradição de autorias identificadoras, que esqueceu categorias históricas e culturais como a coletividade e o anonimato. Este estudo pretende problematizar algumas políticas do presente a partir de uma história da autoria que valorize as passagens da escrita pelas eras manual, mecânica e digital. Essa história envolve os primeiros livros, as figuras do auctor (autor), do auctoritas (editor), do scriptor (copiador) e do commentador (revisor e crítico) medievais, as primeiras edições teatrais e de livros de orações, o folhetim, a especialização das práticas de escrita, os gestos próprios às novas mídias e ao suporte digital e a aventura autoral do fim dos editores (em blogs de escritores e escreventes).
- Mediatización y (trans)subjectividad en la cultura tecnológica. La doble faz de la sociedad mediatizada
Eduardo A. Vizer - Doutor - Universidad Nacional La Pampa
O texto relaciona informação e comunicação, estructura e processo social, propondo três dimensões do processo de comunicação, à luz dos conceitos de abdução e processos indiciais de Peirce. Também associa dimensões comunicacionais com categorias de análise social, seguindo o desenvolvimento (a)sistemático de um paradigma socio-comunicacional conforme proposições de I. Lakatos.
- Musealização do conhecimento científico
Cecília C. B. Cavalcanti - Doutoranda - UFRJ
Este trabalho pretende examinar a musealização do conhecimento científico, integrando os museus na rede de comunicação. Na nossa atualidade, observamos que há novos arranjos midiáticos, onde se inscrevem campos da problemática da vida e do corpo que produzem novas lógicas metafóricas, percepções e memórias, com base nas perspectivas geradas pela biologia e tecnologias de comunicação. Na segunda metade do século XX, nos parece que se tenha produzido um incremento da musealização e da memória imaterial, a partir de objetos e fenômenos da ciência e da técnica, onde os museus tornam-se ambientes cada vez mais híbridos, a partir da utilização de várias linguagens, como jornalismo, publicidade, arte, arquitetura, metodologia e interatividade.
- Crítica da economia política e culturalismo
Marco Schneider - Doutor – UNISUAM
O objetivo desse trabalho é debater a noção de consumo como espaço de produção de sentido, com ênfase nas práticas de consumo cultural. Metodologicamente, partimos da centralidade mediadora das indústrias culturais nessas práticas, em conexão com o conjunto mais complexo de mediações que constitui a totalidade social. Nesse complexo dinâmico de mediações, porém, nem todas possuem o mesmo grau de determinação, sendo portanto hierarquicamente articuladas. Nossa hipótese de trabalho é que a economia ocupa uma posição destacada nesse complexo hierárquico de mediações. Trata-se assim de discutir alternativas a certa abordagem estritamente culturalista do consumo, inspirada na Antropologia ou no campo da Teoria Literária, que corre o risco de perder de vista as necessárias articulações entre o consumo cultural e as determinações econômicas que, em grande medida, embora não exclusivamente, configuram seus limites e potencialidades.
- Políticas culturais e cultura midiática no Brasil contemporâneo
Taiane Fernandes - Doutoranda - UFBA
No Brasil contemporâneo o principal circuito cultural é a mídia. O alcance da TV, rádio, cinema e, gradualmente, da internet confirma essa assertiva. A produção, a difusão e o consumo cultural brasileiro se concentram nestes veículos de comunicação de massa desde 1970, quando o regime militar respaldou a instalação da indústria cultural no país. Do circuito cultural escolar-universitário passamos ao circuito cultural midiatizado. Embora esta configuração seja hegemônica, as culturas midiáticas são foco limitado das políticas culturais brasileiras. Restaurada a democracia, o estado relegou ao mercado as decisões sobre a cultura. A partir de 2003, com a reformulação do Ministério da Cultura, surgiram as primeiras políticas voltadas para a democratização da produção e acesso à cultura midiática. Mas os esforços ainda são mínimos, faltam o reconhecimento da transversalidade da cultura, conectando políticas de cultura e de comunicação, e a garantia do interesse público sobre o comercial.
- Discurso nuclear e imaginário social: Representações e controvérsias do programa Nuclear Brasileiro
Graça Caldas - Doutora - UNICAMP
Maria Conceição da Costa - Doutora - UNICAMP
O artigo traça inicialmente um cenário do Programa Nuclear Brasileiro desde a criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), em 1949. Faz uma reflexão sobre a decisão da construção da primeira usina, Angra I, no governo militar de Costa e Silva (1969), discute as controvérsias do discurso nuclear entre diferentes atores sociais: governo, empresários, políticos, cientistas e sociedade civil, a partir do início do funcionamento da primeira usina em 1985, no governo Sarney. Analisa a divulgação científica sobre a retomada do Programa no governo Lula, em 2006 e sua inserção no Plano de Ações 2007-2010 “Ciência, Tecnologia e Inovação” do Ministério de Ciência e Tecnologia 2006. Examina as articulações, configurações e representações do fenômeno nuclear no imaginário social a partir de sua disseminação em diferentes mídias e suportes tecnológicos. Discute as contradições e as manipulações presentes nos múltiplos discursos sobre os riscos e a segurança nuclear no espaço público midiatizado.
MESA 6 - Televisão
SALA - 303
Coordenadora: Profª. Drª. Paula Puhl
- A midiatização da narrativa histórica em minisséries exibidas pela Rede Globo
Michelli Machado - Doutoranda - UNISINOS
O artigo busca fazer uma retrospectiva da trajetória das minisséries televisivas brasileiras baseadas em temas e personalidades históricas produzidas e apresentadas pela Rede Globo. Esses apontamentos buscam perceber como ocorre a construção de séries de ficção baseadas em realidades históricas. A premissa que norteia essa reflexão é de que as releituras da história feitas pelas minisséries funcionam como dispositivos de midiatização mediadores entre o histórico e o contemporâneo. O eixo central sob o qual esse texto se firma é a midiatização das narrativas históricas nas minisséries, no entanto, o mesmo, ainda propõe-se a pensar o papel da televisão na construção dessas narrativas e nos faz refletir sobre a relação entre educação e aprendizagem que essas obras de ficção podem estabelecer.
- Acontecimentos históricos x conflitos amorosos: Quais os fatores que tornam uma narrativa sedutora na TV? O caso da minissérie “JK”
Paula Puhl - Doutora - FEEVALE
Cristina Ennes da Silva - Doutora - FEEVALE
Valesca Soares da Fonseca - Especialização - FEEVALE
Nosso objeto de investigação é a minissérie JK, veiculada pela Rede Globo em 2006, neste artigo interessa-nos analisar as relações existentes entre os acontecimentos históricos e os conflitos amorosos apresentados na minissérie. Busca-se, então, discutir os mecanismos que, agregados a narrativa audiovisual, ampliaram o potencial de sedução dos telespectadores. Assim, como primeiro direcionamento metodológico realizamos uma revisão bibliográfica da temática e, posteriormente, direcionamos os esforços no sentido de realizar um estudo de caso de cinco cenas seletas da minissérie escolhida que, tiveram como foco central os personagens de Juscelino, Sarah sua esposa e Marisa, a amante. Neste sentido, foi notado que a tensão narrativa da minissérie estava apoiada principalmente nas ações amorosas que são destacadas no texto televisivo, enquanto que os acontecimentos históricos são utilizados como elementos de base para situar o espectador no tempo e espaço da história.
- Quatro décadas de telenovela brasileira: A identidade familiar em questão
Lourdes Ana Pereira Silva - Doutoranda - UFRGS
Esta comunicação se propõe a problematizar a construção social das identidades familiares abordando a telenovela brasileira enquanto fonte de articulação da memória nacional. A cultura de ficção televisiva brasileira, em específico a telenovela, constrói e reconstrói mitos de modo que as representações construídas vão se cristalizando contribuindo para dizer o que somos e o que não somos. A perspectiva adotada em relação à família e a telenovela é cultural, na qual ambas são entendidas como lugar onde a cultura se recria cotidianamente. A família ocupa um lugar central na sociedade e fornece sentidos de pertencimento e diferenciação. Seu caráter dinâmico propicia constantes transformações, também por isso a família seja pensada e percebida como base estratégica para a condução de políticas públicas. A família não é uma unidade ou um sistema simples, ela não é homogênea, é um lugar social simbólico e, ao mesmo tempo em que fornece apoio, se utiliza de estratégias de controle.
- Articulações entre gênero, geração e classe social no estudo de recepção da telenovela
Laura Hastenflug Wottrich - Mestranda - UFSM
Lírian Sifuentes - Mestranda - UFSM
Renata Córdova da Silva - Mestranda - UFSM
O presente trabalho tem o objetivo de problematizar as mediações de gênero, geração e classe social na pesquisa de recepção da telenovela. A Teoria das Mediações Comunicativas da Cultura de Jesús Martín-Barbero é tomada como base, sendo a mediação da socialidade enfocada mais profundamente. As relações entre gênero, geração e classe são investigadas teoricamente por meio de revisão bibliográfica e ilustradas com dados obtidos em trabalho de campo realizado em 2007 e 2008. A metodologia utilizada na pesquisa combina a entrevista em profundidade e a observação participante. O grupo estudado mescla jovens rurais, mulheres chefes de família e idosas, todas de classe popular. Os resultados apontam para a importância da articulação das mediações de gênero, geração e classe social para uma compreensão mais profunda do processo de recepção da telenovela.
- Antonia sou eu, Antonia é você: Identidade de mulheres negras na televisão
Lúcia Loner Coutinho - Mestranda - PUCRS
Este projeto de pesquisa tem como objeto de estudo a identidade cultural de mulheres negras através da nova ficção seriada televisiva, especialmente através da série Antônia, que trouxe a mulher negra da periferia como foco principal pela primeira vez na televisão brasileira. Utilizando o paradigma dos Estudos Culturais como referencial teórico, e apropriando-nos do circuito cultural de Johnson para estudar os estágios de produção e texto da série procuramos traçar de que maneira o negro está sendo retratado e se a mulher negra estaria sendo representada de uma nova maneira. Utilizamos, para tanto, autores como Stuart Hall sobre construção de identidades na pós-modernidade e Paul Gilroy sobre a questão da cultura negra na diáspora africana.
- Telenovela e identidades: A representação feminina na novela “Caras e bocas”
Fernanda Coelho da Silva - Mestranda - UFJF
Kelly Scoralick - Mestranda - UFJF
Sabemos que a mídia tem papel fundamental na (des) construção dos estereótipos que circulam na sociedade, bem como, na (re) formulação das identidades. Não se pode negar que, entre os mass media, temos como grande fator de influência sobre a sociedade a narrativa das telenovelas, que ajuda a construir certas identidades de gênero. Auxilia no sentido de formar mentalidades, construir valores e narrar a realidade à sua maneira, interferindo de maneira crucial na construção das identidades. É a representação social das identidades na TV. É símbolo de identificação, tanto individual quanto coletivo. O presente estudo pretende analisar, portanto, como a representação das mulheres na telenovela pode influenciar nesse processo de identificação e projeção das telespectadoras femininas. Para tal reflexão, buscamos analisar como algumas personagens femininas são retratadas em Caras e Bocas, telenovela da Rede Globo.
- Entre a sala e a cozinha: A representação da “nova” masculinidade na TV
Najara Ferrari Pinheiro - Doutora - UCS
Este artigo objetiva analisar o modo como se representam as masculinidades em dois programas da rede de canal aberto brasileira. Parte-se da perspectiva de que a ‘relativa igualdade nas relações de gênero’, na sociedade contemporânea, deixa marcas no e é marcada pelo discurso midiático. O discurso revela os lugares sociais e os papéis/representações de atores sociais (apresentadores, equipe e outros) que circulam nos cenários que abrigam os programas Hoje em Dia (Rede Record) e Mais Você (Rede Globo). A análise, seguindo a perspectiva da representação dos atores sociais (van Leeuwen, 2008) tem demonstrado que os participantes circulam em espaços privados (sala, cozinha), contribuindo para transformar a concepção hegemônica de masculinidade. Emergem daí a ‘nova’ representação de masculinidades na sociedade contemporânea.
MESA 7 - Representações e imaginários
SALA - 305
Coordenadora: Profª. Carolina Fossatti
“A pedra do reino”: Entre heróis e símbolos, parte da cultura popular brasileira
Érica R. Gonçalves - Mestre - UMESP
Este trabalho tem como objetivo analisar a adaptação da obra de Ariano Suassuna, Romance d’A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta, para a minissérie, intitulada A Pedra do Reino, dirigida por Luiz Fernando Carvalho e exibida pela Rede Globo entre os dias 12 e 16 de junho de 2007. Esta análise será realizada a partir da cena da auto-coroação da personagem Quaderna, usando a metodologia proposta por Umberto Eco em “Para uma investigação semiológica sobre a mensagem televisual”, artigo integrante da obra Apocalípticos e integrados, com a qual pretendemos elucidar o uso de signos na adaptação e fidelidade desta com a obra original. Também serão levados em consideração os elementos da cultura popular presentes na obra de Suassuna e como estes símbolos são colocados no imaginário popular.
- As mídias contemporâneas e a cultura popular tradicional: O caso da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto
Aurora Miranda Leão - Especialização - UFCE
“[...] O Cabaçal é um conjunto instrumental constituído de pífano (pifes) e tambores encontrado nos sertões do Nordeste...Como estudioso das manifestações folclóricas e desde longa data dedicado às pesquisas sobre a música do Nordeste, considero o Cabaçal o mais antigo, o mais característico, em suma, o mais importante conjunto instrumental da música folclórica brasileira.” – professor e maestro Aloysio de Alencar Pinto. A pesquisa que começa a delinear-se surgiu do interesse pela cultura popular, tendo como foco a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto. Natural do município do Crato, no Ceará, a banda passou a ganhar mais destaque, sobretudo em eventos patrocinados pelo governo do estado, com o advento de novas mídias (CDs, DVD, internet etc.). Apesar da maior visibilidade do trabalho dos Irmãos Aniceto, eles permanecem vivendo de forma similar (em seu cotidiano) a que viviam antes da publicidade do grupo. Tentar entender o porquê de tal constatação é o que norteia minha pesquisa.
- Identidade cultural e jornalismo na Amazônia
Sandro Adalberto Colferai - Mestrando - PUCRS
O trabalho trata da legitimação de representação identitárias pelos meios de comunicação de Rondônia, em específico o jornal Diário da Amazônia. Este recorte é tomado em suas conexões com o restante da Amazônia, levando em consideração as características de sua ocupação recente, permeada por narrativas míticas e discursos oficiais. A partir da década de 1960 a migração para Rondônia colocou em confronto as visões de mundo de colonos e ribeirinhos, cenário sobre o qual se constitui a sociedade rondoniense. A busca por identificar as representações identitárias legitimadas pelos meios de comunicação de Rondônia como constituidoras da identidade cultural do rondoniano parte das contribuições de autores ligados aos Estudos Culturais: Stuart Hall, com os conceitos de cultura e representação; Néstor Garcia Canclini acerca da hibridização cultural na América Latina; e o Mapa das Mediações de Jesús Martin-Barbero, este base de nosso percurso metodológico, de forma a cobrir a instância da produção.
- O imaginário dos assentados da Amazônia mato-grossense sobre os recursos naturais
Gisele Souza Neuls - Mestranda - UFRGS
O objetivo deste trabalho é compreender como o imaginário sobre a floresta amazônica pode influenciar o uso e apropriação de informações sobre práticas sustentáveis por assentados. Considerando essas informações como peças-chave na busca por ecodesenvolvimento, é importante compreender que aspectos culturais atravessam a sua apropriação. Busco identificar como elementos da formação histórica recente do centro-oeste brasileiro contribuem para um certo imaginário sobre a floresta; bem como em que contexto socioambiental os agricultores estão inseridos. Para isto, realizei entrevistas com seis assentados de Mato Grosso, e, a partir dos seus relatos biográficos, procurei me acercar do imaginário sobre os recursos naturais. As análises apontam que compreender o fenômeno infocomunicacional a partir da cultura e do imaginário pode contribuir com as políticas de ecodesenvolvimento na Amazônia. Os autores utilizados são Gilbert Durand, Castor Ruiz, Fernando Ilharco e Armando Malheiro da Silva.
- Comunicação, cultura e imaginário: Uma proposta metodológica de estudo na filosofia da linguagem
Maria José Rizzi Henriques - Doutora - UNIOESTE
Francismar Formentão - Mestre - UNIOESTE
A concepção dialógica da linguagem e da comunicação engloba a relação vida/cultura, o real concreto, a formação da consciência dos indivíduos e a materialidade sígnica de todas as produções humanas dotadas de valor; descentraliza o sujeito e o reconduz à situação de agente ativo em interação constante e fluída: um sujeito responsivo e responsável. Nessa concepção, a mediação é integrante teórico-prática no plano volitivo-emocional, ético-cognitivo e estético, unindo o imaginário social, o mundo sensível e o mundo inteligível em conteúdo-forma-processo. A filosofia da linguagem apresentada por Mikhail Bakhtin proporciona estudos teórico-metodológicos consistentes das contradições da sociedade e da cultura. Os estudos nessa área são relevantes na elucidação dos processos sígnicos de comunicação, da formação de consciências e da produção humana na cultura, possibilidades da proposta dialógica de Bakhtin.
MESA 8 - Identidades variadas
SALA - 306
Coordenador: Prof. Dr. Antonio Hohlfeldt
- A fé movedora de montanhas e audiência: Igrejas neopentecostais e o mercado radiofônico mundial
André Kron Marques Zampani - Mestrando – TUIUTI
O movimento neopentecostal é um fenômeno religioso moderno que teve na América Latina, principalmente no Brasil, uma grande aceitação popular motivada pelo seu sincretismo e por sua adequação dogmática à realidade brasileira, desde meados da década de setenta, vem ganhando mais projeção e visibilidade nacional e internacional graças à expansiva presença de suas liturgias e teologia em diversos programas de rádio e televisão. Esta vertente religiosa contemporânea se utiliza de práticas proselitistas midiáticas com o intuito de obter audiência e, conseqüentemente, cooptar novos fiéis para o convívio em seus templos. Este artigo busca discorrer sobre as peculiaridades do recente movimento neopentecostal e, posteriormente, analisar sua inclusão e seus impactos no contexto comunicacional e mercadológico cotidiano.
- Ponto de luz: A configuração de identidades através de um produto midiático
Jozéli da Rosa Mônego - Mestranda - UFSM
O trabalho visa examinar as características gerais da religiosidade no Brasil contemporâneo. Contextualizando a forma de atuação midiática dessas igrejas, em particular as neopentecostais, procura compreender seu próspero crescimento, frente às características da sociedade atual. Com tal objetivo, analisa as estratégias e mídias empregadas por essas instituições religiosas, no caso em estudo, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), para interpelar seus fiéis, o que passa pela construção de identidade da própria IURD, via seus prepostos, seus fiéis e aqueles fiéis em potencial, que as mídias convocam. Para tanto, examina em particular um programa de televisão denominado Ponto de Luz.
- Retratos de família: Representações simbólicas da morte na cultura japonesa
Cássia Maria Popolin - Mestranda - UEL
Paulo César Boni - Doutor - UEL
Este artigo resgata uma série de fotografias extraídas do álbum da família Igarashi, de Rolândia (PR), e analisa sua relação com a morte. Para tanto, foi necessário uma imersão na cultura japonesa, para entender seus rituais relacionados à morte e o culto aos mortos. Diálogos e silêncios estão além da superfície fotográfica e revelam histórias latentes do tempo, das circunstâncias, dos objetos e das pessoas fotografadas. Este trabalho propõe um resgate da memória “coagulada” na fotografia que, mesmo em sua aparente banalidade, traz sempre para o presente as marcas indeléveis do destino e extrapola o retângulo de papel. Os métodos utilizados foram a revisão de literatura, o de levantamento das características externas, depois, a análise interna das fotografias, que compõem o corpus documental e a história oral – por meio de entrevistas com descendentes da família Igarashi – importante instrumento para contextualização e elucidação de peculiaridades inerentes à cultura japonesa.
- O videoclipe na escola: Análise e leitura nas aulas de geografia
Carlos Henrique Sabino Caldas - Especialização - UNESP
Cláudio Benito Oliveira Ferraz - Doutor - UNESP
O videoclipe tem despontado como um meio eficiente para a comunicação com os adolescentes, pois sua linguagem é rápida e envolvente, ao mesmo tempo artística e inovadora e pode tomar importância na formação de valores e comportamentos, contudo, algumas questões se destacam na direção de uma maior compreensão do uso desse recurso em sala de aula. Existem videoclipes elaborados para consumidores distintos, oriundos de classes menos privilegiadas e outros para classes de maior poder aquisitivo? O que distingue esses produtos: O conteúdo das imagens, os ritmos musicais, a estética das tramas ou os conteúdos? Como eles são interpretados por esses diferentes consumidores? O objetivo desse estudo é exercitar processos e habilidade de análise de imagem e som a partir do uso do videoclipe em sala de aula, em especial no ensino da geografia.
- Après la modernité: Quelles sciences du social?
Emmanuel M. Banywesize - Doutor - Université de Lubumbashi
Les sciences sociales sont postcartésiennes. Elles sont constituées au moment où l´homme s´est érigé par lui-même em premier et seul véritable subjectum. Etendu-devant-soi, l´homme devenait ce qu´il fallait pensar et ce qu´il y avait à savoir, ce à partir de quoi toute vérité devenait possible. Comme telles, elles ont été portées et fécondées par le paradigme de simplicité. Il est essenciellement disjoncteur et exclusif, parce que sous-tendu par la métaphysique moniste grecque, La logique binaire a été radicalisé par le distinction cartésienne entre la res cogitans et la res extensa. Par ce paradigme, ces sciences ont désenchanté les sociétés humaines, en s´employant à à promouvoir une socialite mécanique. Elles ont aussi contribué à véhiculer um humanisme faussement universel, humanisme dont le défaut est d´avoir rapetissé l´idée de l´Homme, d´avoir campé une conception binaire des sociétés humaines, une conception étroite et parcellaire, partielle et partiale de l´identité humaine. Ainsi, le défi de ce texte consiste à montrer que l´après modernité ou la postmodernité exige la promotion des sciences sociales arrimées au paradigme de la complexité. Les protagonistes de ce nouveau paradigme son notamment Edgar Morin, Valentin Yves Mudimbe, Edward Said. Walter Mignolo, Gilbert Durand et Michel Maffesoli. Il commande l`assomption du binarisme entre le Même et lês Autres (Nous/Autres, civilisation/sauvagerie, etc.). Il opère les conjonctions et le reliances des entités jadis disjointes, l´articulation des unes sur les autres, l´inclusion des unes dans les autres, la reprise et la reconnaissance de ce qui a été nié, banalisé ou exclu du champ du raisonnable, du connaissable, de l´humanité ou de l´histoire. Le nouveau paradigme a l´avantage de contribuer à fonder la mondialité: conscience d´appartenance de tous lês hommes au “ tout-monde” et prise de conmscience des implications sociales, économiques et politiques de cette appartenance au “ tout-monde”.
Dia 05 de novembro
MESA 9 - Imagem, consumo e identidade
SALA - 303
Coordenadora: Profª. Drª. Paula Puhl
- Conseqüências da incidência na esfera midiática da conformatação das identidades contemporâneas: A crise da identidade na pós-modernidade
Fabiano Rocha Flores - Mestrando - UFSM
O trabalho ao qual diz respeito este resumo analisa distintos produtos midiáticos atuais em busca de explicitar o fato (suposto) de que a mídia em geral oferta, à audiência, para identificação (a qual frequentemente se efetiva), diferentes matrizes identitárias construídas, algumas delas, a partir de características contraditórias entre si, portanto mutuamente excludentes. A partir da confirmação do referido panorama, investiga-se a possibilidade de haver uma ligação entre a crescente incidência na esfera midiática da conformatação das identidades contemporâneas e o apontamento (recorrente, em referencial pertinente) de uma situação de crise de identidade do Homem hodierno. Para tanto, para a análise empírica (dos produtos midiáticos), utiliza-se metodologia semiótica, já para a investigação teórica (da relação causal que se está propondo), far-se-á uma pesquisa bibliográfica principalmente nos seguintes referenciais: teorias da pós-modernidade, da midiatização e da identidade.
- Tecnologias comunicacionais e experiências migratórias no contexto da internacionalização do trabalho
Norberto Kohn Júnior - Doutor – FEEVALE
Margarete Fagundes Nunes - Doutora - FEEVALE
As experiências migratórias estão entre os fenômenos marcantes dos arranjos sociais contemporâneos, uma vez que não apenas bens e capitais, mas também as pessoas deslocam-se de uma área para outra do planeta, integrando-se aos fluxos sinérgicos do capitalismo organizado em escala global. À medida que as fronteiras nacionais desintegram-se diante da extensividade global das lógicas mercantis, redefinem-se, para esses sujeitos, em suas vidas cotidianas, os limites espaços-temporais que asseguram a realização das marcas identitárias e de pertencimento. Empiricamente nos referimos às experiências migratórias de trabalhadores da indústria calçadista de Novo Hamburgo e região, que têm migrado, nos últimos anos, para a China. O foco do estudo é a materialidade assumida pelas estratégias e lógicas de usos e apropriações de dispositivos midiáticos associadas aos modos de vivenciar a experiência migratória, refletindo sobre o lugar que as tecnologias comunicacionais ocupam na sustentação dos projetos de permanência desses migrantes em contexto cultural distinto ao do seu lugar de origem.
- África como notícia: Uma discussão sobre imagens da África na mídia brasileira
Astréia Soares - Doutora - FUMEC
Vanessa de Carvalho - Mestre - FUMEC
Luiz Henrique Barbosa - Mestre - FUMEC
O trabalho discute a cobertura da mídia brasileira sobre os países africanos de língua portuguesa, identificando e discutindo imagens de África construídas em diferentes veículos. Observa que estes países são apresentados de maneira reducionista e simplificada: África como um produto a ser explorado; África como locus de estatísticas trágicas e África como exotismo natural e cultural. Estas categorias resultam de uma “cultura noticiosa comum”, que quase nunca interroga as informações originadas das agências de notícias internacionais ou busca fontes alternativas. Os critérios da mídia deixam transparecer diferentes tipos de coações, preconceitos e ideologias que muitas vezes reproduzem um discurso com sotaque imperialista, resquício do colonialismo europeu que chega até nós sem filtro. O trabalho apresenta também como africanos residentes no Brasil recebem as notícias que são veiculadas sobre seus países de origem e seu continente.
- Pirata, mas classe A: Notas sobre o consumo de pirataria de luxo
Carla Gavilan Carvalho - Mestranda - UFMT
Ludmila Brandão - Doutora - UFMT
Este trabalho, se insere no âmbito e minha pesquisa em andamento no Mestrado em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso que se propõe um estudo comparado entre a prática de consumo de produtos femininos falsificados entre classes subalternas e produtos femininos igualmente falsificados, mas considerados de luxo, por se tratar especificamente de marcas de grifes luxuosas, como Victor Hugo, Dolce Gabbana, Louis Vuitton, entre outras, destinado a consumidores das classes média e alta. Para este texto, a principal mercadoria analisada são as bolsas femininas trazidas de São Paulo e comercializadas em Cuiabá. A proposta é abordar a comparação a partir das novas formas de sociabilidade no consumo contemporâneo analisadas por estudiosos como García Canclini e Gilles Lipovetsky. Além da pesquisa documental, este trabalho se apóia em um estudo de campo, com viés etnográfico, que vem sendo desenvolvido tanto no camelódromo de Cuiabá, lócus privilegiado do consumo subalterno, quanto em algumas residências de classe média e alta, onde temos contato com as consumidoras dos “piratas classe A”, como preferimos chamar aqui.
- Fumantes advertidos? Uma pesquisa de recepção da propaganda anti-fumo das embalagens de cigarro
Ana Luiza Coiro Moraes - Doutora - UNIFRA
Lucas Bárbara Guillande - Graduando - UNIFRA
O artigo analisa quatro entrevistas, como primeiros resultados de uma pesquisa de recepção que investiga que efeitos exercem sobre jovens fumantes as advertências do Ministério da Saúde localizadas no verso das embalagens de cigarro. Busca-se, na fala dos entrevistados, as dimensões simbólicas e culturais do ato de fumar, através da análise de questões semi-estruturadas que lhes foram dirigidas. A partir de sua percepção do tabagismo, cientes de seus malefícios, mas por outro lado, seduzidos por seus prazeres, os jovens fumantes — alunos dos cursos de Comunicação Social da UFSM e da Unifra de Santa Maria — constituem–se em fontes privilegiadas para a avaliação crítica do discurso da propaganda anti-fumo do Ministério da Saúde.
- Diga-me com quem andas e te direi o que consomes: A influência da coletividade no processo de compra de móveis para residência
Flávia Menegelli Ribeiro Setúbal – Mestre
Teresa Cristina Janes Carneiro - Doutora - UFRJ/UFES
Este trabalho visa analisar as relações entre a compra de móveis de madeira, retilíneos e seriados, para residência, seus consumidores, grupos de referência e empresas produtoras e revendedoras deste bem. Por meio de estudos sobre o desejo, a subjetividade e o imaginário, busca levantar questões relacionadas ao consumo, no intuito de compreender a influência da coletividade nesse processo. Apresenta pesquisa qualitativa exploratória, utilizando entrevistas pessoais para coleta de dados, cujo universo foi composto pelos clientes de uma rede capixaba de lojas de móveis, selecionados por amostragem não-probabilística, por conveniência. Foram entrevistados 29 consumidores, em cinco lojas da rede. A interpretação dos dados foi feita por análise de conteúdo. Os resultados apresentam características desse consumidor, evidenciando a procura por produtos que agreguem valor ao convívio coletivo, bem como a influência da marca e dos meios de comunicação no processo de compra de móveis.
MESA 10 - Imaginários e comunicação
SALA - 304
Coordenador: Prof. Dr. Antonio Hohlfeldt
- Imaginário do corpo na cultura contemporânea: Mediações entre economia, tecnologia e comunicação
Lucelma Pereira Cordeiro - Mestranda - UFMT
Yuji Gushiken - Doutor - UFMT
Neste artigo analisa-se a narrativa de um imaginário do corpo em grupos sociais populares, tendo como base empírica o documentário “Vaidade” (2002), que expõe a relação de moradores do espaço urbano de Santarém e de um garimpo de ouro na selva amazônica, ambos no Pará, com o consumo de cosméticos. No campo econômico, o setor de cosméticos é um dos nichos de mercado que mais cresce atualmente no Brasil. O documentário atualiza, em meio à diversidade socioeconômica e cultural brasileira, o imaginário acerca a beleza, considerando as relações entre valores locais e o consumo de mercadorias de circulação global. Considera-se, na abordagem das mediações, as relações entre demandas da subjetividade de gênero, a aplicação de pesquisa e desenvolvimento (P&D) na indústria de cosméticos e como estes campos interferem nas práticas de comunicação. A metodologia inclui pesquisa bibliográfica e análise de artefato audiovisual. O modelo teórico de pesquisa é o da comunicação como ciência da cultura. Como suporte teórico, recorre a textos de bibliografia corrente nos estudos em comunicação e nos estudos de cultura contemporânea.
- O nikkei na cultura brasileira: do imaginário na sociedade à pesquisa interdisciplinar
Profa. Dra. Alice Mitika Koshiyama - Docente ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo)
Há duas perspectivas sobre o nikkei na cultura brasileira: a presente no imaginário que se expressa nas manifestações quotidianas sobre o nikkei (imigrantes japoneses e seus descendentes no Brasil) e as constatações que elaboramos a partir de projetos multidisciplinares sobre a vida dessa população que se espalha na Ásia e nas Américas. Nesta pesquisa exploratória do tema apresentamos alguns recortes sobre o que a imprensa divulgou sobre o nikkei no Brasil e descrevemos o primeiro esforço para mapear o nikkei em todos os locais onde ele pode ser encontrado na Ásia e nas Américas, a partir do Projeto Discover Nikkei , que possue um site para coletar informações e depoimentos e veicular a história e a memória nikkei em quatro línguas – inglêsa (a língua básica dos criadores do projeto, nipo-americanos sediados em universidades dos Estados Unidos), japonêsa, espanhola e portuguêsa. O site registra a história e faz a história do tempo presente, na construção da identidade cultural nikkei.
- Mapas imaginários sobre Porto Alegre: A cidade midiática
Nilda Jacks - Doutora - UFRGS
Valdir Morigi - Doutor - UFRGS
Miriam Rossini - Doutora - UFRGS
Márcia Borges - Mestre - UFRGS
Ilza Girardi - Doutora - UFRGS
Enoi Liedke - Mestre - UFRGS
Deisi Silva - Mestre - UFRGS
Eloá Muniz- Mestre - UFRGS
Cida Golin - Mestre - UFRGS
Nara Magalhães- Doutora - UFRGS
Rudimar Baldissera- Doutor - UFRGS
Jonatas Dornelles - Doutor - UFRGS
LizeteDias - Doutora - UFRGS
SandraGonçalves - Doutora - UFRGS
Entre julho e agosto de 2007, os principais meios de comunicação de Porto Alegre foram observados para identificar a cidade que ajudam a construir no imaginário do cidadão. Seguindo a metodologia de Silva (2004), a pesquisa foi divida em três eixos que se entrecruzam, sendo apresentada aqui somente a análise das representações construídas pelos diferentes meios. Aos meios tradicionais foram agregadas análises da publicidade, de cartas enviadas à ZH para o concurso “Minha Capital”, sites sobre a cidade, o Second Life e algumas comunidades do ORKUT que tratam de assuntos relacionados à cidade, além de postais da cidade.
- Communiquer ses rêves: Entre la pratique d´une sociabilité et la révélation de crises sociales et d`angoisses anthropologiques
Patrick Legros – Doutor – Université Montpellier III
Cette communication propose d´apporter un éclarage sociologique sur l´analyse des rêves et des leurs narrations. Après avoir rappelé le contexte de la creation d´une “sociologie” des rêves, par l´intermédiaire du champ de l´ethnologie notamment, sont dégagés les travaux des deux auteurs qui se sont le plus interessés à cet object pour la sociologie: Maurice Hambwachs et Roger Bastide. Le premier terminera très vite son analyse en éloignant le rêve des representations collectives; le second, ao contraire, cherchera tout au long de sa vie à établir cette sociologie en faisant un indicateur de l´affrontement individual facer à une situation sociale problématique et aux conflits de groupe qu´elle implique. Finalement, l´étude sociologique des rêves permet l`analyse des changements sociaux, mieux, selon l´auteur, que celle des „ matériaux” diurnes. Les rêves on tune “ origine sociale” (1972, p. 42), ce que Roger Bastide démontre em analysant um corpus de rêves d´une population noire vrésilienne qui combat, dans as production onirique, l`envahissement du monde blanc. Il se servira ainsi du rêve comme d´un indicateurs des phénomènes d´acculturation et de métissage.
MESA 11 - Representações culturais
SALA - 305
Coordenador: Profª. Carolina Fossatti
- Representações culturais em mídias contemporâneas: Contribuições de Anne-Marie Houdebine-Gravaud
Maria Otilia Bocchini - Doutora – USP
Cláudia Regina Lahni - Doutora - UFJF
O artigo apresenta e debate conceituações de Houdebine-Gravaud sobre as representações culturais das mulheres nas mídias. Como uma das primeiras linguistas preocupadas com o tema da linguagem não-sexista, A.-M. Houdebine-Gravaud foi convidada pelo governo francês para a Comissão de Terminologia sobre a Feminização dos Nomes de Profissões, Títulos e Funções (1984-1986). Na Universidade Paris V, tem aperfeiçoado seu modelo de imaginário linguístico (L’imaginaire linguistique, de 2002) e coordena pesquisas sobre a feminização de termos franceses nas dinâmicas de discursos escritos e de usos orais (La féminisation des noms de métiers en français et dans d’autres langues, de 1998). O artigo aponta contribuições dessas obras para a análise das mídias e para o ensino de jornalismo e editoração.
- Atualizações do Jornal Nacional no audiovisual brasileiro: Em busca de rastros e virtualizações
Karla Caroline Nery de Souza - Mestranda - UNISINOS
O trabalho parte do pressuposto de que o Jornal Nacional - um dos mídias responsáveis pela formação da memória do país e, consequentemente, de uma brasilidade, ou seja, identidade nacional - vai além do horário das 20h15 às 21h, na Rede Globo de Televisão. Ele se atualiza em outros tempos e espaços audiovisuais na medida em que suas virtualidades são utilizadas em filmes, na internet, em vídeos e em outros programas e unidades autônomas de TV. Assim, neste estudo busca-se identificar e analisar as virtualizações e atualizações do Jornal Nacional em meios audiovisuais, a partir dos rastros deixados pelo programa. Como procedimento metodológico, inicialmente realizou-se uma vasta revisão teórica, a fim de caracterizar o objeto de estudo e identificar as virtualidades do Jornal Nacional, inseridas nas intersecções do audiovisual e do jornalismo, para só depois analisar onde e como elas se atualizam na TV, cinema e internet.
- Comunicação intercultural e estereótipo: Uma visão frente a sociedade supercrítica
Polianne Merie Espíndola - Mestranda - PUCRS
Jacques Wainberg - Doutor - PUCRS
Este é um estudo da estereotipia existente na comunicação intercultural. O objetivo é entender a natureza do estereótipo mental e seu papel na comunicação entre interlocutores de culturas distintas, bem como definir estereótipo sob a ótica dos autores pesquisados. Definir estereótipos positivos e negativos e explicitá-los como fator relevante na comunicação intercultural; verificar a relevância do estereótipo na construção narrativa entre culturas; de que forma a cultura e o processo cognitivo influi no processo produtivo do estereótipo. Avaliar a percepção dos intermediadores em relação ao estereótipo na comunicação entre culturas. Para tanto parte-se do conceito de sociedade líquida de Zygmunt Bauman para explicar em que contexto sócio-cultural estamos inseridos, realizando uma analogia com o conceito de ‘supercrítico’ advindo da engenharia. Sociedade contextualizada procura-se desenvolver acerca do estereótipo e as temáticas adjuntas como: identidade, comunidade e coabitação. Partindo das idéias de Walter Lippmann, Bruno Mazzara, Ferdinand Tönnies e autores da psicologia, sociologia e neurociência.
- Hibridação e vídeo dança
Liliane Luz Alves - Especialização - UFCE
O artigo discute que a dança é historicamente híbrida. Observa-se que a forma mais antiga da dança parece ser o Reigen, ou a dança em roda, considerada uma herança dos animais ancestrais. Todas as atividades cruciais foram santificadas com a dança e o canto assim dançava-se pela vida. Podemos assim perceber que a dança também participa do processo de hibridismo e que ela existe desde tempos ancestrais. No entanto, discute-se nesse artigo que os artistas sempre efetuaram a busca por novos suportes para transformar a dança e da aos seus estilos particularidades identitárias. As companhias de dança contemporânea se apropriam da dança e dos vídeos-dança e nesse contexto o hibridismo é bem mais amplo, pois utiliza-se tanto dos recursos rítmicos da dança quanto dos recursos audiovisuais. Pautada nessa reflexão a pesquisa de campo analisa como o vídeo dança apresenta esses elementos de hibridismo em sua elaboração.
- O senhor da dança - Uma análise comunicacional do texto coreográfico
Antônio Norberto de Oliveira Xavier - Mestre - UESC
Este trabalho busca analisar um texto coreográfico, adotando os procedimentos de Roland Barthes em seus estudos de sistemas semiológicos não verbais. Em Elementos de semiologia, de 1964, encontramos a pesquisa sistemática de elementos semiológicos não linguísticos, desenvolvida pelo autor, tendo como objeto de estudo os automóveis, a arquitetura, o mobiliário, a comida e o vestuário. Baseado nos princípios do estruturalismo linguístico, Barthes, em outro texto, determinou o seu corpus de análise – neste caso, utilizando as revistas de moda de uma determinada estação – com o propósito de aí identificar estruturas lingüísticas. Seguindo caminho semelhante ao adotado por Barthes para a análise do sistema da moda, queremos propor a análise de duas coreografias do vídeo/espetáculo Lord of the dance, indicando os elementos de Língua e de Fala, e buscando realizar a construção do Plano Sintagmático e do Plano Paradigmático, a partir da dança.
GT COMUNICAÇÃO E POLÍTICA
Coordenadora: Profª. Drª. Neusa Demartini Gomes
Dia 03 de novembro
MESA 1 - Comunicação e Política I
SALA - 214
Coordenadora: Profª. Drª. Neusa Demartini Gomes
- O espetáculo das eleições vê a tragédia da despolitização
Neusa Demartini Gomes - Doutora - PUCRS
Trata-se de uma pesquisa realizada entre os jovens universitários de quatro universidades gaúchas (uma federal e três privadas), da região metropolitana de Porto Alegre, que vem sendo aplicada há 10 anos para verificar a evolução da cultura política e da cultura cívica de participação cidadã. A entrada da internet, como instrumento de comunicação dos políticos, candidatos e partidos, nas próximas eleições de 2010 mudará o quadro, e ajudará no desenvolvimento de uma motivação à participação política dos jovens?
- O papel da memória na comunicação persuasiva – estudo de caso do genocídio judeu à ditadura militar
Fernando Cibelli de Castro - Mestrando - PUCRS
O presente estudo tem como proposta apontar a conexão entre história, memória e comunicação a partir de dois objetos de estudo, a Memória Traumática do Holocausto e da Ditadura Militar no Brasil, por meio da pesquisa qualitativa, com uso da técnica de análise do discurso. A memória tem dois campos de estudos básicos: sua vertente biológica é objeto de pesquisa no panorama das neurociências. No terreno das humanidades é motivo de preocupação da psicologia, da filosofia e das ciências sociais. Entretanto, o termo memória coletiva, a partir do começo do século XX foi apropriado pelas Ciências Sociais da Psicologia Social. Com efeito, grupos antagônicos tiram proveito dos meios de comunicação, sejam os mass media, seja a mídia segmentada, para travarem suas batalhas pelas versões dos fatos e pelo controle da memória coletiva.
- A política pelo viés da comicidade: a charge da TV como estratégia de editorialização do telejornal
Carlos Renan Samuel Sanchotene - Mestrando - UNISINOS
A pesquisa analisa as estratégias discursivas do humor político através das charges de Chico Caruso que são dinamizadas pelo Jornal da Globo, da Rede Globo de Televisão. O objetivo deste trabalho é verificar como o humor se apresenta e age por meio das charges, de que forma o discurso do humor está representado nas charges e qual o poder da charge no funcionamento de produção de opinião sobre política no telejornal. A investigação compreende a análise do funcionamento desse gênero jornalístico e das estratégias humorísticas, a partir da seleção de 10 charges que compreende o período de maio a julho de 2008. Verificou-se que a charge midiatizada no âmbito da informação serve como uma estratégia de legitimizar a política editorial do telejornal pelo viés da comicidade. O estudo fornece elementos para compreender as dinâmicas do humor e da charge televisiva e, sobretudo, contribui para o entendimento da complexa relação existente entre mídia, humor e política.
- Enquadramento e deliberação nos jornais da cidade: o caso Pontal do Estaleiro, em Porto Alegre
Josemari de Quevedo - Mestranda - UFRGS
O artigo analisa notícias sobre o projeto do Pontal do Estaleiro, referente a terreno na orla do Guaíba, em Porto Alegre. Com regime urbanístico especial conforme Lei Complementar 470, o terreno concentrou intenso debate entre vereadores, Executivo e sociedade devido ao projeto que permitiria edificações residenciais fora de parâmetros ambientais estabelecidos e ter sido votado separado da revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental. A polêmica contou com a cobertura dos jornais da cidade Zero Hora, Correio do Povo e Jornal do Comércio. Em 23 de agosto de 2009, a população votou em consulta pública contra (Não) ou a favor (Sim) da alteração na LC, com o Não vencendo (18.212 votos a 4.362). Dos jornais, foram coletados materiais de cinco períodos da polêmica, sendo selecionada uma matéria de cada jornal e fase para identificação de enquadramentos (GOFFMAN, 1974) das questões em debate e análise, sob a perspectiva da deliberação pública (BOHMAN, 2009; MAIA, 2008), de atores/sujeitos e argumentos que tiveram maior visibilidade. Por fim, são comparados os enfoques das publicações.
- A construção da figura de Fernando Lugo nas revistas semanais brasileiras: em busca de similaridades na abordagem de Época, Isto É e Veja
Rafael Foletto - Mestrando - UNISINOS
O presente texto consiste em uma análise sistemática das matérias publicadas por Época, Veja e Isto É, no tocante a figura do bispo católico e agora presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Observando períodos específicos, de maior intensidade da presença desse ator, buscamos elementos comuns na abordagem realizadas pelas revistas, na construção da figura do chefe de Estado paraguaio. Atentamos para os posicionamentos, pensamentos, sentidos, estratégias mobilizadas pelas revistas selecionadas e a suas relações com elementos históricos, simbólicos e políticos que permeiam o imaginário referente ao presidente Lugo. Procuramos, por meio do diálogo entre dados quantitativos e qualitativos, observar similaridades do conteúdo expresso e implícito das mídias observadas, contribuindo para entender a dinâmica das práticas jornalísticas de elaboração da imagem de um ator político.
- Jogos de Dois Níveis: a importância da midiatização de discursos para a pluralização da política externa
Ivan Bomfim - Mestrando - UFRGS
O presente trabalho procura discutir a influência da midiatização de discursos sobre questões internacionais na definição da política externa. Para tanto, fazemos uso do conceito de Jogos de Dois Níveis (Two Level-Games) de Putnam (1988), no qual ele defende que a existência de um contínuo espaço de negociação entre o Nível I, correspondente às negociações em âmbito internacional, e o Nível II, referente às discussões em escala interna das decisões sobre política externa. Busca-se, por meio da análise do papel da mídia no engendramento de questões relativas à dinâmica política nacional – política internacional, uma aproximação entre os campos da Comunicação e das Relações Internacionais. Para um entendimento mais amplo da questão, faz-se também uma breve discussão acerca da definição do termo “interesse nacional”.
- Perdão leitores: uma análise crítica política na seção opinativa do Coojornal
Veridiana Pivetta de Mello - Doutoranda - PUCRS
Rozana Ellwanger - Graduanda - UNISC
A história do Brasil é marcada por períodos de tensão entre imprensa e governos, como ocorreu com a instauração do Regime Militar em 1964. Em meio à censura e repressão à imprensa nasceu a imprensa alternativa, extremamente crítica ao governo. Nesse período surgiu em Porto Alegre a primeira cooperativa jornalística do país. A Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (Coojornal) foi fundada em 1974 e no ano seguinte lançou o Coojornal. Caracterizado por críticas ao Regime Militar e reportagens polêmicas, o jornal obteve destaque nacional. Através da metodologia Análise de Discurso, observou-se que na seção opinativa Perdão, leitores as críticas políticas eram feitas de forma singular. O objetivo oficial da coluna era analisar a atuação da imprensa. Mas para não confrontar diretamente o Regime Militar, verificou-se que o jornalista Luiz Claudio Cunha introduzia opiniões políticas em textos que à primeira vista apenas avaliavam o trabalho dos demais meios de comunicação.
Dia 04 de novembro
MESA 2 - Comunicação e Política II
SALA - 214
Coordenadora: Profª. Drª. Neusa Demartini Gomes
- De volta ao mundo das idéias: a fetichização do ambientalismo no discurso midiático da sustentabilidade
Isac de Souza Guimarães Júnior - Doutorando - UFF
O fortalecimento do ambientalismo nos anos 1970 questiona o modelo do progresso capitalista e sua cultura de consumo com severos boicotes nos EUA e Europa, impondo desafios à renovação desse sistema, que cria, nos 1980, o termo “desenvolvimento sustentável” como fórmula para “cura” de problemas ambientais dele decorrentes. Incorporado a vários setores, o conceito opera um deslocamento da problemática ecológica do campo político para o mercado, daí sendo apropriado pela esfera comunicacional, sobretudo jornalismo e publicidade que, sob a mesma orientação ideológica, de um lado contribui para a legitimação da nova fórmula, enquanto a outra “esverdeia” uma grande variedade de produtos, numa dinâmica em que o ambiental se torna uma supramarca onde as demais vão buscar identificação com o imaginário consumidor. O que num momento era boicote ao consumismo, a partir daí se revela um estímulo. É essa articulação entre discurso ambiental, mercado e comunicação que este trabalho busca deslindar.
- Propaganda política e ambiental: compartilhamento de postulados
Gino Giacomini Filho - Doutor - USP/UMSCS
Leandro Tadeu Nori - Mestrando - UMSCS
Há um conhecimento geral sobre postulados que guiam e contextualizam procedimentos da propaganda política tais como repetição, contra-propaganda e ameaça, dentre outros. São contribuições vindas especialmente do campo ideológico e que foram enriquecidas por diversas áreas do conhecimento. Supõe-se que postulados utilizados pela propaganda ecológica possam também colaborar com a propaganda política. Nesse sentido, este artigo tem como objetivo mostrar a aplicabilidade de postulados da comunicação ambiental na propaganda política. Trata-se de um estudo exploratório em que o referencial bibliográfico utilizado fornecerá modelos teóricos de postulados da comunicação ambiental, que por sua vez serão investigados a fim de mostrar pertinência para com a propaganda política.
- Contratos de comunicação na floresta
Franscisco de Moura Pinheiro - Doutorando - PUCSP
Quando em campanha pelo Governo do Estado do Acre, na segunda metade da década de 1990, o Partido dos Trabalhadores (PT) fundamentou o seu discurso na questão do desenvolvimento sustentável. Com base no discurso de campanha, ao assumir o almejado poder, em 1999, uma das primeiras atitudes dos novos dirigentes foi criar uma ideologia que pudesse servir de força motriz para as suas ações. Desta forma é que foi criado o neologismo “florestania”, juntando numa mesma palavra os vocábulos “floresta” e “cidadania”. O objetivo deste artigo é tecer considerações sobre os contratos de comunicação usados pelo Governo do Estado, via mídia eletrônica e impressa, para efetiva divulgação e aceitação popular da nova ideologia.
- Planalto Médio gaúcho e o papel da mídia na primeira era Vargas: uma análise do discurso dos jornais locais
Maria Eloísa Cavalheiro - Doutora - UFGD
Dionise Magna Juchen - Doutora - UFGD
Este estudo objeta analisar o papel da mídia na primeira era Vargas. No entanto para a caracterização das relações de poder e as posições tomadas pelo governo federal, e estadual em relação à política adotada no planalto médio gaúcho, analisamos o discurso jornalístico, dando destaque aos jornais locais, O Nacional e Diário da Manhã de Passo Fundo e Jornal da Serra e Noticioso de Carazinho. A imprensa colabora com o pesquisador por ser um veículo de propaganda e porta-voz de partidos, além de ser formadora de opinião em massa. O sentido do discurso jornalístico é determinado pelo contexto, pela posição que o enunciador ocupa nesse contexto e pela sua relação com os seus interlocutores. Pode-se inferir que os jornais Jornal da Serra, O Noticioso e O Nacional procuravam manter-se em uma posição de imparcialidade quanto a apoiar os governos nacional, estadual e municipal, já o jornal Diário da Manhã se constituiu em um instrumento de opinião pública contrário aos interesses de Vargas.
- A cobertura política da mídia no Brasil empodera os cidadãos ou a própria mídia?
Sérgio Roberto Trein - Doutorando - UNISINOS/PUCRS
Desde os seus primeiros conceitos sobre política, Aristóteles se mostrou preocupado com o bem, e o bem na política seria a justiça. O Estado deveria zelar por isso. Nos dias de hoje, a função de esclarecer os cidadãos e zelar pelo bem tem sido, em grande parte, da mídia, que adotou a teoria da responsabilidade social, baseada na idéia de que o público tem o direito de saber. Entretanto, diante de um cenário de constantes notícias e denúncias de irregularidades e corrupção na política brasileira, a mídia não estaria afastando ainda mais os cidadãos da política, em função da desconfiança, da desilusão e da descrença dos indivíduos nos políticos e nas instituições políticas? Esse fluxo contínuo não cria um efeito de enciclopédia de que a política é algo “sujo” e, assim, também provocaria este distanciamento? Para tentar responder as questões, analisou-se 220 capas do jornal Folha de São Paulo para compreender se realmente as manchetes dão um tratamento negativo à política.
- Espetáculos éticos: a defesa da espetacularização da política
Érico Gonçalves de Assis - Mestre - UNOCHAPECÓ
A espetacularização da política institucional foi tratada por autores do século XX, tais como Guy Debord e Robert Schwartzenberg, como signo de decadência das instituições sociais. Embora estas críticas permaneçam em autores contemporâneos – como Wilson Gomes, Joseph Heath e Andrew Potter –, começam também a surgir defesas da espetacularização dos processos políticos, sejam institucionais ou não-institucionais, nos trabalhos de críticos como Stephen Duncombe, Henry Jenkins e George Lakoff. O artigo pretende abordar estes argumentos de defesa, tendo por norte exemplos contemporâneos da política espetacular, tais como a campanha eleitoral de Barack Obama, programas jornalísticos com tom humorístico e o ativismo lúdico-midiático.
- Entre o poder e a mídia: um estudo de caso sobre a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Santo Ângelo
Marieli Rangel - Mestranda - PUCRS
O presente trabalho apresenta um estudo sobre a Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Santo Ângelo, RS, e seus enlaces com a mídia local, eis que um governo democrático (conforme a Constituição Brasileira) tem o dever de prestar contas ao cidadão e interagir com os diversos segmentos da sociedade. Nesse sentido, a Assessoria de Imprensa é a forma mais eficaz para divulgar as ações e tornar transparente uma administração que é pública. É neste contexto que a mídia exerce papel fundamental frente à comunidade em que está inserida, sendo o principal elo entre os contribuintes e os poderes norteadores da vida em comunidade. Muitas vezes, a comunicação recebe pouco foco nas administrações governamentais, o que torna o marketing político e a promoção pessoal os principais objetivos das instituições. O que muitos políticos desconhecem é que a atuação de um profissional frente aos processos comunicacionais está ligada diretamente ao interesse público, à sociedade e à democracia.
Dia 05 de novembro
MESA 3 - Comunicação e Política III
SALA - 214
Coordenadora: Profª. Drª. Neusa Demartini Gomes
- O câncer no palanque: a cobertura fotográfica da Veja sobre a doença da possível candidata a Presidência Dilma Rousseff
Paulo César Boni - Doutor - UEL
Maria Luisa Hoffmann - Mestranda - UEL
As escolhas técnicas e estéticas dos fotógrafos podem direcionar a interpretação de suas imagens. Este artigo analisa o discurso fotográfico da revista Veja na cobertura da doença da possível candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) à presidência, Dilma Rousseff. Por meio da proposta metodológica da desconstrução analítica, e considerando elementos da linguagem fotográfica, é possível apontar a intencionalidade do meio na reportagem abordada. Veja retrata Dilma como vítima e possível trunfo de campanha do partido. A seleção e edição de imagens, previamente planejadas, reforçam a geração de sentido e direcionam, de forma quase imperceptível, a interpretação do leitor. Com isso, ele é condicionado a percorrer o trajeto perceptivo/cognitivo determinado pelo meio e pode ser induzido a pensar como ele. Compreender a produção, uso e implicações das imagens possibilita identificar os artifícios dos media, atenuar seu poder de manipulação e aproximar o leitor da veracidade dos fatos.
- Discurso Eleitoral e imaginário político: hipótese sobre a estratégia discursiva da campanha de José Fogaça nas eleições municipais de 2004 em Porto Alegre
Geison da Cunha Ferreira - Mestrando - PUCRS
Uma característica essencial do discurso eleitoral é a pretensão do mesmo de se tornar hegemônico em um contexto de urgência temporal e pluralidade. Assim, a eficácia de uma estratégia discursiva pode ser avaliada pela tentativa da mesma em, mesmo de forma precária, apresentar-se, para eleitores normalmente muito desconfiados da política, como uma interpretação válida do que está em “jogo” na disputa eleitoral. Sendo assim, pretende-se construir uma hipótese acerca da eficácia da estratégia discursiva do candidato José Fogaça nas eleições municipais de 2004 em Porto Alegre. Para isso, argumenta-se que, ao deparar-se com um forte imaginário construído em torno dos principais símbolos da “administração popular” em Porto Alegre, a candidatura de José Fogaça esforçou-se para desenvolver, a partir do lócus de enunciação de seu discurso (oposição), uma articulação discursiva que incorporasse temas e valores caros ao governo do PT e que se caracterizasse por uma “dialética da conciliação”.
- Comunicação política, hospitalidade nos eventos da campanha para eleição de Barack Obama
Maria Cláudia Setti de Gouvêa Franco - Mestranda - UMESP
O presente texto busca identificar a interferência de novas tecnologias de comunicação na articulação da mensagem dos processos eleitorais a partir da formação e do fortalecimento das redes sócio-culturais nos eventos políticos, tendo como objeto de análise a campanha de 2008 para eleição do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos da América, Barack Obama. A justaposição de diversas fontes feitas em rede resultou em estratégia eficiente, a ponto de tornar-se referência em “inovação” e inspiração para os acadêmicos interdisciplinares e profissionais de comunicação, hospitalidade. O referencial teórico revê as discussões e inovações a respeito da temática e possibilita a compreensão e ampliação do conceito de hospitalidade na política. A coleta de dados utiliza-se de análise de documentos em veículos de comunicação que realizaram a “cobertura” da campanha e da cerimônia de posse.
- Estratégias de marketing político na Web2.0 aplicadas à campanha presidencial de Barack Obama
Riverson Rios - Doutor - UFC
Gislene Freitas Araujo- Graduanda - UFC
A Internet já faz parte da cultura contemporânea, mas muitas pessoas, mesmo a utilizando frequentemente, não sabem o que é Web 2.0 nem como se beneficiar das inúmeras ferramentas que esta plataforma possui. Na primeira geração da Internet, a Web 1.0, havia uma enorme quantidade de informação que muitos poderiam acessar, mas que era emitida por poucos. Com a Web 2.0, os usuários são também criadores de conteúdo. Interação é uma das principais características da segunda geração da Internet, que possui uma maior facilidade para atualizações e armazenamento de dados. Este trabalho analisa as potencialidades da Web 2.0, focando em como elas foram aplicadas às estratégias de marketing da campanha presidencial dos Estados Unidos de 2008, pelo então candidato Barack Obama. Ele não foi o primeiro a fazer uso dessa nova mídia, mas, ao contrário dos outros.
MESA 4 - Comunicação e Política IV
SALA - 308
Coordenador: Doutorando César Steffen - PUCRS
- Midiocracia, uma nova face das democracias contemporâneas
César Steffen - Doutorando – UCS/PUCRS
A ascendência da mídia nas sociedades contemporâneas coloca os canais e linguagens midiáticos como forte operadores dos processos e contatos sociais. Estar na mídia é estar visível a toda sociedade, expondo pautas e negociando demandas. Isto afeta especialmente o campo político e seus fazeres, na medida e que se tornam cada vez mais dependentes e conectados aos canais midiáticos, suas agendas, seus formatos e suas linguagens. Surge assim a midiocracia, uma nova face das democracias contemporâneas.
- Governando com a mídia: a política de comunicação do primeiro mandato do Presidente Lula (2003-2006)
Paulo Fernando Liedke - Doutor - UFSC
A política de comunicação implantada no primeiro mandato do governo Lula no período de 2003 a 2006 envolve uma complexa e ampla estrutura. Alguns aspectos relevantes são descritos neste artigo, demonstrando como a comunicação exerce uma função estratégica no Executivo, que investe não somente em recursos próprios de informação, mas principalmente no aparelhamento técnico e profissional para potencializar seu relacionamento com a imprensa, utilizando a mídia como um agente político para atingir objetivos de governo. A pesquisa aponta as diretrizes utilizadas pelos gestores de comunicação do governo, a estrutura e os principais serviços implantados no trabalho integrado desenvolvido pela Secretaria de Comunicação (Secom).
- A midia como lócus de recrutamento político: as candidaturas para o cargo de vereador na cidade de São Paulo, nas eleições municipais de 2008
Lilian Muneiro - Doutoranda - PUCSP
Merilyn Escobar - Mestre - PUCSP
Ao longo do século XX, a relação entre partidos, candidatos e eleitores tem sofrido mudanças profundas, sobretudo quanto à pluralização de candidaturas e ao lócus de recrutamento. Os meios de comunicação de massa, instâncias de mediação entre a vida política e os cidadãos, abriram novas possibilidades de representação política no mundo contemporâneo. Percebemos que os políticos que mais tem se destacado no Horário Político Eleitoral são aqueles recrutados nos meios de comunicação de massas - as chamadas “celebridades midiáticas” – outsiders na política – que nem sempre tem vínculos com a vida pública. O presente artigo procura examinar a relação da mídia como novo espaço de recrutamento político problematizando com a questão da representação política. Afinal, que interesses defendem e quais seus projetos políticos? O universo de nossa pesquisa analisa as candidaturas ao cargo de vereador na cidade de São Paulo no ano de 2008. Para tanto serão analisadas os registros das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos eleitos e seus projetos com base nas informações disponibilizadas pela Câmara Municipal de São Paulo.
- A deliberação pública e o principio da publicidade
Laerson Bruxel - Doutorando - Universidade de Coimbra
Nos últimos anos começou a ganhar força, no debate acadêmico, o conceito de democracia deliberativa. A idéia central é a de que as principais questões que devam ser objeto de decisão do sistema político também deveriam, antes, passar por um processo de debate público. A troca de argumentos, livre de qualquer tipo de constrangimentos, serviria para ajudar a produzir uma decisão de melhor qualidade. Esse processo se desenvolveria em diferentes espaços da sociedade civil e, acolhido na esfera pública, formataria a opinião que a sociedade tem acerca do tema em questão. A mídia é vista como um desses ambientes em que a deliberação poderia se desenvolver, ter continuidade e/ou ter início. Um dos princípios para uma boa deliberação é o da publicidade (no sentido de tornar público, manifesto). O artigo se propõe a problematizar a relação desse princípio com a esfera de visibilidade midiática, tentando encontrar elementos que possam ver a mídia como um ambiente favorável ou não à deliberação pública.
- Silenciamento no Jornal Nacional
Carmen Abreu - Mestre - UFRGS
O presente texto tem como objetivo pesquisar o silêncio instituído no discurso jornalístico. Observar o silêncio é tarefa complexa, já que ele não está disponível a visibilidade. A proposta é eleger como foco principal o Jornal Nacional. O Brasil terá, em 2010, a sexta eleição presidencial direta e a primeira sem a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (Lula) do Partido dos trabalhadores (PT). Considerada um importante ator político a mídia nos períodos eleitorais demonstra com maior nitidez seu papel através das posições editoriais, nas omissões e nos destaques da cobertura política. A eleição de 1989 marca a nova fase da relação entre a mídia e a política no Brasil. Estudos têm sido realizados ao longo desse período, mas ainda são poucos diante da complexidade que o tema apresenta. Mais escassos ainda são os que elegem a televisão como foco principal. A intenção é dar início a discussão sobre o silenciamento (ORLANDI, 2007).
GT MANIFESTAÇÕES VISUAIS CONTEMPORÂNEAS
Coordenadores: Profª. Drª. Maria Beatriz Furtado Rahde e Prof. Dr. Flávio Cauduro
Dia 03 de novembro
MESA 1 - Imaginários culturais e sociais contemporâneos
SALA - 321
Coordenadora: Profª. Drª. Maria Beatriz Furtado Rahde
- Fotografia, imagem mítica
Ana Taís Barros - Doutora – UFRGS
A procura de um paradigma que servisse de ponto de apoio para o conhecimento sobre fotografia se desenvolver parece ter se resolvido, numa primeira etapa, na ontologia sígnica da fotografia. A partir daí, a discussão se organizou em torno da relação da fotografia com o referente. Hoje, a anterioridade e supremacia do caráter indicial da fotografia, sustentada durante muito tempo por estudiosos como KRAUSS, DUBOIS e SCHAEFFER, tem sido desacreditada. A fotografia é assumida em sua hibridação técnica e em sua desvinculação do referente, o que poderia destituí-la de seu caráter indicial e mesmo sígnico. No entanto, ao se analisar os textos da área, constata-se a presença de uma pulsão fotográfica ligada à foto-índice. Paradoxalmente, é na crença profunda de sua natureza sígnica que se encontra a imagem simbólica motivada (ou seja, mítica e não arbitrada) da fotografia.
- Do videoclipe ao webclipe: criações e popularizações dos produtos audiovisuais contemporâneos
Nísia do Rosário - Doutora - UNISINOS
O texto pretende fazer uma abordagem acerca de linhas de fuga que foram se constituindo a partir do videoclipe comercial até chegar às produções caseiras que, com o advento da internet, alcançaram circulação considerável. Nessa via, busca-se refletir sobre as mutações pelas quais os produtos audiovisuais têm passado nas últimas décadas em função das possibilidades trazidas por recursos tecnológicos, mas, ao mesmo tempo, por especificidades que têm se apresentado na cultura contemporânea. Entende-se que, apesar do videoclipe e da videoarte serem manifestações audiovisuais contemporâneas, de seus formatos, tempos e conteúdos derivaram outras formas audiovisuais, ainda mais atualizadas, que ganharam espaço sobretudo no Youtube e que sofreram transformações, desterritorializações e retorrializações que vão do vídeo à web. O desenvolvimento de tal abordagem se valerá de noções teóricas vindas das audiovisualidades, envolvendo, portanto, videoclipe, televisão, videoarte e contribuições da filosofia com base em Deleuze e Guattari.
- L’image du progrès dans la musique Hard Rock / Métal
Nicolas Bénard Dastarac - Docteur en Histoire - Université de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines – France
Le Hard Rock est un phénomène musical qui est apparu au début des années 1970. Issu du blues et du rock, il se démarque rapidement de ses géniteurs en s’appuyant sur des tempos plus rapides et un son dit « saturé ». A partir du début des années 1980, le Hard Rock se scinde en de nombreux sous-genres que l’on regroupe désormais sous le terme Métal. Depuis les origines du phénomène, les artistes associent à leur concept lyrique, de manière systématique, un visuel marquant que l’on trouve sur la pochette de disque, dans le livret intérieur ainsi que dans l’ensemble du merchandising afférent. Les messages diffusés par les textes, appuyés par l’image, expriment une vision majoritairement négative de l’évolution des société contemporaines. La perception qu’ont les artistes du progrès prend cependant des contours différents. On observe une certaine fascination pour la littérature, la bande dessinée et le cinéma de science-fiction (SF), influence majeure des artistes de Hard Rock depuis la fin des années 1960.
- Google: a retórica imagética de sua marca mutante
Elizete de Azevedo Kreutz - Doutora - UNIVATES
Francisco Javier Mas Fernández - UMAYOR – Chile
O mecanismo de busca na Internet “Google” reflete a estratégia comunicacional contemporânea por meio de sua marca mutante, cujas imagens apresentam uma retórica visual. O presente estudo busca refletir sobre a relevância dessas novas estratégias de comunicação e branding, identificando suas principais características e analisando algumas imagens de sua marca mutante. Para isso, utilizamos o método de estudo de caso, ancorado nas pesquisas bibliográficas e de internet. A escolha foi intencional, posto que a organização é referência em sua categoria. Como resultado, as informações obtidas nos possibilitam compreender essa tendência de comportamento de marca que busca a interação com seus públicos por meio da retórica imagética.
- A Imagem da Saúde na Comunicação: o admirável e o grotesco
Márcia Schmitt Veronezi Cappellari - Doutora - UFCSPA
A imagem possui uma relação ambígua com a saúde. Ao mesmo tempo em que diferentes recursos visuais permitem um avanço tecnológico nos tratamentos do corpo, para a maioria das pessoas a parte interna do ser humano ainda provoca reações negativas. No contemporâneo, a mídia expõe as curas alternativas com destaque, tratando a medicina tradicional como sendo um tipo tratamento demasiadamente técnico e desumano. A exposição detalhada de procedimentos na televisão e na internet permite a visualização do cuidado com o ser humano, trazendo aos leigos aquilo que antes era restrito ao ambiente hospitalar.
MESA 2 - Comunicação Gráfica
SALA - 322
Coordenador: Prof. Dr. Flávio Cauduro e Prof. Roberto Tietzmann – Doutorando PUCRS
- Fluxo publicitário televisivo: uma exploração empírica
Elisa Reinhardt Piedras - Doutora - UFRGS
Rodrigo Rutkoski Olsson - Graduando - UFRGS
Camila Casarotto Martins - Graduanda - UFRGS
Este trabalho aborda empiricamente a noção de fluxo publicitário (PIEDRAS, 2005), entendida como um conjunto multiforme de anúncios (impressos, eletrônicos, interativos) e ações (brindes, marketing viral), que são disseminados através de vários os meios técnicos (massivos, alternativos, etc.) e suportes (de rua, de transito, etc.), num lugar específico e durante determinado tempo. Restringindo-se ao fluxo publicitário televisivo, a estratégia metodológica envolve entrevistas em profundidade e grupos de discussão, visando explorar a recepção dos anúncios pelas informantes (mulheres, adultas, de índices socioeconômicos AB e CD). Como resultados, observamos a construção do fluxo publicitário da recepção a partir das ofertas da produção televisiva, e as intersecções desse processo com as práticas de consumo das informantes, revelando a astúcia de quem consome a imagem, o prazer e a poesia do anúncio sem perder a capacidade de resistir ao processo retórico que leva ao ato de compra.
- Boneca de pano é gente?! A estética contemporânea na visualidade de Emília em O Sítio do Picapau Amarelo
Roberta Mânica - Doutoranda - UNISUL
Neste artigo pretendemos estudar a Comunicação a partir da composição visual contemporânea da personagem Emília, em O Sítio do Picapau Amarelo. O recorte da análise será o episódio em que a boneca passa a escrever suas memórias com o auxílio do Visconde de Sabugosa, assumindo a condição de protagonista. A cena faz parte da seleção de histórias da série Memórias de Emília, exibidas pelo programa infantil, veiculado pela Rede Globo de Televisão, em 2007. Apoiados no imaginário social e na espetacularização da imagem televisiva do moderno/pós-moderno, destacamos sua permanência na pós-modernidade, cenário das principais mudanças na exibição audiovisual. Deste modo, como compreender as interpelações discursivas e ideológicas de uma Boneca de pano a partir de sua configuração estética?
- As noções de representação e efeito do Real em Filmefobia
Virgínia Caetano Baumhardt - Mestranda - PUCRS
Filmefobia é uma obra dirigida por Kiko Goifman e que trata do caráter da representação dentro de uma obra cinematográfica. Esse filme apresenta diversos fóbicos diante de situações que lhes causa aversão e testa suas reações. A principal personagem do filme é a do pesquisador em cinema Jean-Claude Bernardet, que, em cena, coordena as gravações e questiona os fóbicos sobre o que eles sentem quando colocados diante daquelas situações extremas. O artigo realizado propõe-se a analisar o discurso ao qual o filme se propõe. Inicialmente, questiona-se o caráter documental da obra a partir do conceito de "filme de asserção pressuposta", do teórico Noel Carrol. A seguir, analisa-se o conceito de representação na obra sobre o ponto-de-vista dos autores Jean-Paul Sartre e Cristian Metz. A análise é feita a partir das duas definições dos teóricos sobre imaginário. Por fim, Filmefobia é compreendido a partir do esvaziamento do Real proposto pelo filósofo Slavoj Zizek.
- História em Quadrinhos: Visualidade Contemporânea e Narrativa Transmidiática
Elvis Moura - Mestrando - PUCRS
Este texto busca discutir características das imagens contemporâneas que contribuem para a constituição da visualidade pós-moderna, visando estabelecer contrastes entre estilos modernistas das histórias em quadrinhos e daquelas produzidas no final do século XX e início do século XXI, nas mais diversas mídias, relativas ao imaginário e à nova estética que vem se configurando.
- “Le Fabuleux Monde du Luxe” Uma interpretação sobre a evolução histórico-social do Luxo
Cristiano Ranci - Mestrando - PUCRS
O mercado de luxo vem crescendo consideravelmente nas últimas décadas, no Brasil e no mundo. Neste cenário de sofisticação, as marcas de luxo reinam absolutas, disseminando o culto ao luxo como um fenômeno cultural e social, que acompanha a humanidade desde os povos primitivos até as civilizações contemporâneas. O luxo nasce na Pré-História e permeia a vida do homem ao longo de sua evolução. Seu pensamento, em suas primeiras expressões, na Idade Média, constrói-se e desenvolve-se a partir de questões éticas e moralizadoras. Para as escolas filosóficas gregas até o período das Luzes, o luxo então sinônimo de excessos, volúpia e ostentação, não pode senão levar à inquietude da alma, afastando-se da simplicidade da vida, tornando o homem ávido pela busca dos falsos prazeres ostentatórios, consagrando-se como responsável pela corrupção dos costumes, acarretando a decadência de povos e a queda de cidades, momento que culmina com o surgimento das primeiras apologias modernas do supérfluo e da riqueza.
Dia 04 de novembro
MESA 3 - Estéticas contemporâneas
SALA - 321
Coordenadora: Profª. Drª. Maria Beatriz Furtado Rahde
- Criatividade, desenho, desordem
Paulo Horn Regal - Doutorando – PUCRS
A descrição de uma ocorrência gráfica criativa através do desenho livre sempre retrata um incidente, um acontecimento de litígios. O registro gráfico espontâneo é condutor de um processo de busca de ordem em ambigüidades, idéias às vezes dissonantes ou disparatadas, contradições de sentido, turbulências em muitos casos inconscientes e todo tipo de rugosidades inerentes à criação. Há ali um conjunto de algorítimos –mentais, neste caso -, impreciso e instável, que produz aquilo que ainda nenhum computador autoriza: o trabalho criativo de uma prática simbólica mediada pela vida, complexa e contraditória, constituída e consolidada nas memórias do ser e, ainda, como se não bastasse, também escondidas na desordem de seus desejos e manifestações oriundas de profundezas inconscientes inacessíveis. Como ensina Heidegger, “o que ameaça o homem em sua essência é a opinião de que a produção técnica coloca o mundo em ordem, sem ver que, na verdade, essa ordem nivela toda diferença na uniformidade da produção e, deste modo, destrói de antemão o âmbito eventualmente possível de originar uma diferença a partir do ser.” O humano se constitui na contínua criação de um imaginário inscrito materialmente no ser, ele próprio o local da significação, com seu contexto particular e suas indefectíveis memórias, acessíveis conscientemente ou não.
- O design social e a pós-modernidade
Roberta Coelho Barros - Mestre - UCPEL
O presente trabalho tem como objetivo discorrer sobre as imagens representativas do design social. Analisa mais especificamente o design social enquanto fenômeno de comunicação na França, apresentando o resultado da pesquisa realizada com designers franceses em 2008. Com base nas teorias de Michel Maffesoli e através de entrevistas, análise de imagens e pesquisa bibliográfica, estuda as características deste fenômeno na França e a sua relação com a pós-modernidade. Este trabalho identifica, então, as características gráficas pós-modernas presentes no design social, tendo como principal referência o Atelier Grapus, escritório considerado representante do design não-comercial, cuja influência estética é marcante no trabalho de seus sucessores.
- Personagens Femininas dos Jogos Digitais – Imagens e Imaginários
Mônica Lima de Faria - Doutoranda - PUCRS/UFPel
O presente artigo trata-se de um estudo sobre as imagens das personagens femininas dos jogos digitais e o imaginário que elas acarretam. As imagens destes jogos passam a representar um papel importante, a de mediadoras e fomentadoras do imaginário destes jogos e por consequência, dos jogadores. Assim, os jogos digitais seriam uma tecnologia do imaginário, um meio pelo qual imaginários se expressam e se formam. Sendo o idéia do imaginário algo real e coletivo, segundo Rahde (2001), o imaginário é uma forma de mudança, de reapropriações de idéias e fórmulas anteriores, a fim de reconstruir soluções plurais, que convergem numa manifestação iconográfica. Entendendo os jogos digitais como um meio de comunicação oriundo da condição pós-moderna, o estudo analisa visualmente algumas personagens femininas destes jogos que vão desde as primeiras plataformas até as atuais.
- 3 intertextos em J-L Godard: o cinema contempla a pintura
Milene Sacco Sanguiné - Mestre - PUCRS
No século XIII são introduzidos no ocidente os algarismos arábicos, entre eles o zero. Uma verdadeira revolução na percepção do mundo. O nada e o infinito. Com o zero, a pintura inventa a “Perspectiva Aérea” co-irmã do “Plano Geral” feito com a ferramenta do travelling do cinema. Tempo transcorrido, e Badiou nos fala que o cinema não é a sétima arte por ser a última, mas por englobar as anteriores. Dentre elas, a pintura. Esta ansiava por movimento para animar sua narrativa, como se pode observar nas ilustrações de Botticelli para “A Divina Comédia” e mais tarde em “Campo de Papoulas”, de Monet. Mas, se a pintura queria movimento, o cinema de Godard evoca a pintura para dar conta de subjetividade na narrativa de seus filmes. Neste estudo específico, em “Vivre sa Vie”, “Passion” e no Fauvismo em “Nossa Música”. O artigo analisa possíveis janelas de relações intertextuais que se abrem para a expressão de linguagens da pintura como uma espécie de hipertexto pictórico carregado de sentidos.
- La Pietà recriada: da obra de arte à fotografia jornalística
Marina Lorenzoni Chiapinotto - Mestranda - UNISINOS
Na contemporaneidade a iconografia é perpassa a cultura, sob suas diversas instâncias e práticas. A mídia, por sua vez, desencadeia, reflete e acelera esse processo através de imagens que (re)cria a partir da estética que é referência e emblema na memória coletiva e, portanto, faz preservar a cultura humana. Neste contexto, o presente artigo propõe-se a refletir sobre este processo e, como aplicação empírica, faz uma análise da fotografia jornalística publicada na capa da revista Veja (edição de 08 de setembro de 2004) em comparação com a escultura La Pietà, do renascentista Michelangelo. A análise se vale do arcabouço teórico-metodológico da Semiótica da Cultura (vertente russa) para demonstrar o que se denomina iconografia e iconofagia na da cultura midiática.
- Lan Houses: manifestações do imaginário high-tech na periferia
Lawrenberg Advíncula da Silva - Mestrando - UFMT
O presente trabalho pretende demonstrar o modo como o high-tech se expressa nas lan houses da periferia da cidade de Cuiabá, tomando como base seu modo tático de manifestação simbólica, a título de uma prática subversiva e não-estandardizada. O conceito high-tech vem da relação do homem com as tecnologias, a princípio, associado ao grau de potencialidade e sofisticação. É uma palavra da língua inglesa que significa “alta tecnologia”. Com a disseminação da Cultura Digital nos aspectos sociais e econômicos, esse termo adquiriu novos significados, e, não à toa, popularizou-se como palavra de fetiche. O high - tech consolida-se como expressão da experiência estética com as interfaces digitais.
MESA 4 - A construção da identidade
SALA - 322
Coordenador: Prof. Dr. Flávio Cauduro e Prof. Roberto Tietzmann - Doutorando PUCRS
- O imaginário da pós-modernidade e o cenário da vida cotidiana
Maria de Lourdes Valente Reyes - Doutora - PUCRS
O presente trabalho busca relacionar o imaginário da pós-modernidade como elemento de [des]construção das formas dos objetos com design que compõem o cenário da vida cotidiana. Uma vez que a modernidade havia instituído a racionalidade, a objetividade e o utilitarismo como idéias-força, as quais foram utilizadas como substrato para o design dos objetos e as construções materiais em geral, a pós-modernidade vai contestar esta unilateralidade de escolhas, pregando o emocional, a subjetividade e a negação do utilitarismo. Trata-se de uma abordagem compreensiva do design dos objetos na contemporaneidade, a partir do pensamento do sociólogo francês Michel Maffesoli, parte integrante da tese de doutorado intitulada Design e Comunicação: os objetos como formas de religação social, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUCRS, em 2005.
- Design gráfico autoral e comunicação: a experiência espanhola
Lúcia Bergamaschi Costa Weymar - Doutoranda - PUCRS
Por um lado a Espanha, assim como o Brasil, manteve-se isolada historicamente em relação ao forte racionalismo modernista do restante da Europa. Tal condição pode ter sido um dispositivo de produção de subjetividade já que notamos a força criativa e emocional dos designers pós-modernos espanhóis e brasileiros de viés autoral. Por outro lado, ao contrário do Brasil, a Espanha esteve efetivamente presente em todos os “ismos” da arte do século XX: modernismo, racionalismo, funcionalismo, pós-modernismo e minimalismo. Tal condição pode ter permitido a reinvenção de um design que, a despeito de subjetivismos atrelados à gestualidade gráfica, por exemplo, engendra a comunicação de modo tanto emotivo quanto eficaz. Sendo assim, a partir do pressuposto formista proposto por Maffesoli, este artigo analisa a produção de Nebot, Bascuñán, Torrent-Peret, Satué, Gimeno e sobretudo do grande Mariscal, importantes designers espanhóis ditos autorais.
- Sobre o social na comunicação visual
Vera Dones - Doutoranda - FEEVALE
O presente artigo busca um aporte teórico para a reflexão sobre os potenciais da comunicação visual e do design como prática social consciente. Uma das grandes contribuições da Bauhaus foi pensar o design de forma crítica e multidisciplinar, além de promover a construção dos fundamentos e das principais ferramentas do design. Com base neste conhecimento, vem-se desenvolvendo oficinas de desenho com alunos do 2º ano na escola municipal Zozina Soares de Oliveira em Novo Hamburgo (RS), onde os jovens experimentam técnicas de ilustração, caricatura e desenho de quadrinhos, além de projetos voltados para a composição, cor, materiais e conceitos gerais relacionados à forma e ao espaço. Parte-se da hipótese que a prática do design e o envolvimento com a cultura visual entre jovens e crianças favorecem atitudes criativas e um comportamento capaz de resolver problemas. Acredita-se que representem experiências chaves para o desenvolvimento do indivíduo.
- Interpretações de tendências pós-modernas em créditos de abertura cinematográficos
Roberto Tietzmann - Doutorando - PUCRS
Os créditos de abertura de filme são um espaço onde há uma mescla de estratégias comunicacionais entre uma tradição gráfica (vinculada às artes visuais, à tipografia, à ilustração e ao design de superfície) e as especificidades do meio cinematográfico, capaz de dotar de movimento tudo o que representa. Neste contexto técnico-criativo, as sequências de crédito historicamente refletiram as tendências de comunicação gráfica e publicidade em um diálogo que respondia à temática do filme, às tendências de cada momento e as condições de produção. Neste texto buscamos fazer uma ligação entre as características da imagem em sua condição pós-moderna conforme identificada por Cauduro e Rahde (2005) em sua representação cinematográfica nos créditos das duas últimas décadas do século XX e da primeira do XXI.
- A transgressão no discurso visual da Capricho
Camila Bezerra Furtado Barros - Mestranda – PUCSP
Esta pesquisa vislumbra demonstrar como as imagens que transgridem com a ordem compositiva moderna compõem os discursos visuais da revista Capricho no ano de 2008. Propomos uma análise dos elementos visuais do periódico e como estes se tornam importantes argumentos no contrato de comunicação da revista. Expressões imagéticas de aparente transgressão aparecem interpelando o jovem leitor para o consumo de uma determinada atitude de rebeldia, figurativizada na revista. A pesquisa é embasada teoricamente nos estudos de Cauduro(2007, 2006, 2003, 2001), em seus estudos sobre as imagens pós-modernas, de Lara Espinosa(2002), em sua categoria sobre a estética da desordem. Para estudos da composição utilizaremos Ostrower(1983), Donis(2000) e Hurlburt(1999). Além da análise compositiva, faremos a contextualização dessa expressão visual com os estudos do pós-moderno através de Harvey(2003), Lyotard(2000), Bauman(2007, 2008), Lipovestky(2004) e Hall(1999), sobre a fragmentação das identidades.
- A fotografia na construção identitária nas redes sociais: a compreensão do “eu” na virtualidade a partir da foto
Carlos Recuero - Mestre – UCPel
O real como matéria prima da identidade virtual, traz a fotografia construída através do retrato, da pose (mesmo sob correção em aplicativos), uma importante ferramenta para fazer presente o imagético do usuário nas redes sociais. Acreditando ser a fotografia a manifestação corporal “do eu” no virtual, como um avatar que remete à realidade material, e tentando compreender o seu uso no ciberespaço, aplicou-se 216 questionários em usuários de sistemas de redes sociais. Observou-se que a fotografia punge e faz crer ser o particular de cada identidade, o índice do real como uma aura projetada. Assim, a foto dita um dos elementos cruciais para o desenvolvimento de práticas sociais virtuais, atuando como o fascínio de Narciso, um mito que se aponta no espelho d’água; como um signo que mantém relação direta com seu referente expressado na rede de relações virtuais.
Dia 05 de novembro
MESA 5 - Multifaces visuais contemporâneas
SALA - 321
Coordenadores: Profª Drª. Maria Beatriz Furtado Rahde e Prof. Dr. Flávio Cauduro
- A cenografia urbana de Lars Von Trier: intersemiose e desautomatização na direção de arte do cinema contemporâneo
Adriano Charles S. Cruz - Doutorando - UFPB
Neste ensaio, pretendemos refletir acerca da direção de arte no cinema contemporâneo, sobretudo, os elementos cenográficos na produção de sentidos (semiose). Este trabalho faz um recorte da direção de arte na obra do cineasta Lars von Trier, sobretudo, na sua trilogia incompleta Dogville (2003), Manderlay (2005) e Washigton. Nesses filmes, a proposta cenográfica e imagética dialoga com os pressupostos do teatro épico de Bertolt Brecht (1898-1956). Entretanto, tal diálogo não se configura numa tradução automática e literal, mas aponta para uma reconstrução daqueles pressupostos teatrais. Como aporte teórico, utilizamos e ressignificamos o conceito de estranhamento de Chklóvski (1965) e o de tradução intersemiótica de Julio Plaza (2003). Outrossim, desenvolveremos nossa reflexão à luz da semiótica da cultura desenvolvida por Yuri Lotman.
- Da visualidade à visibilidade: Ou do espetáculo à “imagem-devir”?
Laura Fernanda Cimino - Doutoranda - PUCSP
Com as tecnologias do virtual vêm se intensificando as discussões acerca do caráter ontológico e pragmático da imagem que de acordo com seus desdobramentos constroem as idiossincrasias de um olhar moderno ou pós-moderno. Tais deslocamentos desenham distintas espacialidades ao mesmo tempo em que servem à leitura das manifestações da cultura que apreendem determinado espírito do tempo. Nesse sentido, na modernidade, a imagem é compreendida como mero suporte de mediação da forma-mercadoria que inscreve uma cultura do espetáculo. Em contrapartida, a pós-modernidade vai inaugurar a era do simulacro, onde as imagens autoreferentes são mediatizadas pela comunicação em rede, em tempo real e espaço contínuo. Nosso objetivo é, portanto, investigar tais deslocamentos conceituais através de outra matriz epistemológica denominada de visualidade por Lucrécia D’Aléssio Ferrara.
- O Imaginário nas Imagens de Sandman
James Machado dos Santos - Mestrando - PUCRS
O presente artigo trata-se de um estudo sobre as imagens na história em quadrinhos de Sandman e o imaginário que elas acarretam. Eisner (1999) define que a leitura da palavra mais à imagem distingue as HQs como uma linguagem comunicativa própria, que vale da experiência visual comum ao artista e ao público, unindo imagens e textos. Através de sua interpretação, elas trazem um estímulo ao imaginário dos leitores. Mafessoli (2001) o conceitua como “não sendo algo simplesmente racional, mas também imponderável, com um certo mistério de criação”. Rahde (2004) postula que as imagens da modernidade mantinham estilos próprios que quase sempre seguiam os cânones da construção imagística postulados pelos seus respectivos manifestos modernistas. Já na pós-modernidade há um pensamento inclusivista, onde as idéias se chocam, misturam-se, sendo acrescidas ou divididas. Entendendo Sandman como uma história em quadrinhos pós-moderna, o estudo analisa visualmente algumas imagens de seus personagens, bem como algumas composições de páginas.
- Os programas CQC, Big Brother e E24 e o imaginário do real na contemporaneidade
Felipe da Silva Polydoro - Mestrando - PUCRS
O trabalho a ser apresentado tem como objetivo compreender o renovado interesse em torno do tema realidade na contemporaneidade, que se revela em duas tendências observadas em manifestações dos media: 1. A busca de novas formas de se representar o real (ora é uma realidade mais crua, naturalista, ora é a própria realidade objetiva servindo como representação do real); 2. A quebra da fronteira entre realidade e ficção, revelando uma linguagem simulada, conforme o conceito de simulação elaborado por Baudrillard. Serão analisados, neste trabalho, três objetos da televisão: o quadro “Em foco” do programa CQC e os reality shows Big Brother Brasil e E24. O objetivo é compreender, nestes objetos, a forma como o real é representado e definido. Será utilizado o método narrativas do vivido, desenvolvido por Silva (2003) e que se insere no ramo da sociologia compreensiva.
- Da fotografia às inscrições fotográficas no audiovisual
Cybeli Almeida Moraes - Doutoranda - UNISINOS
O artigo pretende abordar, a partir das discussões do filósofo Henri Bergson sobre a potência, e de Jacques Derrida sobre a desconstrução, as mudanças na imagem fotográfica entre o virtual e sua atualização nos dispositivos audiovisuais. Após uma cartografia realizada entre dois sites de compartilhamento de vídeo – YouTube e Vimeo–, observamos a presença de arquivos que ora partem do movimento a parada, ora trafegam no trajeto inverso, servindo-se, no entanto, da mesma potencialidade do que chamamos de inscrição fotográfica: frame imagético ou sonoro que instaura linhas de fuga no fluxo audiovisual. Sob tais inscrições, acreditamos repousar elementos de uma escritura própria a ser investigada para fins do estabelecimento de um tipo de linguagem para o audiovisual.
- Tesis, verdades e videotape: Uma tipologia do olhar sobre o real no cinema pós-moderno
Ana Paula Penkala - Doutoranda - UFRGS
Este artigo pretende discutir a construção técnica e estética do olhar no audiovisual através de uma tipologia de indícios, a qual estou desenvolvendo em minha pesquisa de doutorado. O objeto empírico com o qual irei trabalhar é formado por partes de filmes (assim chamados comercialmente), independente de seu suporte em película, vídeo ou digital; tanto ficcionais quanto documentais. Nesses filmes, busco observar, destrinchar e analisar os indícios do olhar de um sujeito enunciador que se constitui nessas imagens, e nelas marca, técnica e esteticamente, sua subjetividade no olhar sobre o real. Que tipo de real esse olhar constrói? Como e com que efeitos esse olhar é marcado nas imagens? No artigo que se segue proponho, assim, uma discussão a respeito dessa tipologia e da construção desse olhar.
GT TECNOLOGIAS DO IMAGINÁRIO E CIBERCULTURA
Coordenador: Prof. Dr. Eduardo Campos Pellanda
Dia 03 de novembro
MESA 1 - Mídias convergentes, suportes e mobilidade
SALA - 307
Coordenador: Prof. Dr. André Fagundes Pase
- Jogando com a Realidade: breve estudo de situações do cotidiano aplicadas ao universo do entretenimento eletrônico
André Fagundes Pase - Doutor e Professor - PUCRS
As primeiras experiências com jogos eletrônicos foram realizadas na década de 50. Cerca de meio século depois, este universo de entretenimento cria fantasias e coloca o jogador em dialogo constante com contextos renderizados em monitores e telas de TV. Apesar das possibilidades para criação de ambientes novos, uma série de títulos utiliza dados provindos da realidade, colocando o público em situações que emulam o cotidiano e a vivência fora das telas. O trabalho busca registrar uma topografia destes jogos com aplicação de dados da realidade. Em um contexto de cultura de convergência (JENKINS, 2006), o potencial do entretenimento eletrônico para informar é expandido, e não apenas newsgames mas também um game de futebol pode ser plataforma para veicular informação jornalística. Este universo quase real ganha as ruas quando casado com a comunicação.
- Mídia fluida: por uma midiologia renovada
Andréia Denise Mallmann - Doutoranda - PUCRS
A proposta desse estudo é observar a ambiência comunicacional contemporânea no intuito de compreender o que de fato é a mídia nos tempos atuais. A entrada da internet foi fator de alavanca para mudanças culturais e sociais e junto a isso não é difícil observar a expressão “nova mídia” aparecer em debates e trabalhos científicos. Entretanto, essa nova mídia, inserida na cibercultura, na sociedade líquida (Bauman, 2001) carrega consigo desdobramentos muito diferenciados das tradicionais mídias de massa. Como proposta de uma midiologia renovada, acredita-se aqui que essa “nova mídia” não está mais presa à equipamentos ou meios de comunicação. A mídia atual é fluida, líquida e independe do aparato tecnológico em questão. Consequência disso é a derrubada das fronteiras e conceitos. Na mídia fluida, tudo são linguagens, que se adaptam à ambientes variados.
- Convergência digital e comunidade: usos da tecnologia
Valério Cruz Brittos - Doutor e Professor - UNISINOS
Bruno Lima Rocha - Doutor e Professor - UNISINOS
Ana Maria Rosa - Mestranda - UNISINOS
Maíra Carneiro Bittencourt - Mestranda - UNISINOS
Em fase de expansão, a convergência digital está presente em diversos espaços. Dentro do escopo da Pesquisa “Convergência digital: ações com horizonte nas tecnologias e conteúdos de informação e comunicação”, financiada pela Capes, buscou-se compreender os impactos dessa fase transitória na vida cotidiana dos moradores do Bairro Feitoria, na periferia da cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Na primeira etapa da pesquisa, foram mapeados os usos da tecnologia feitos pelos estudantes do Ensino Médio desse bairro. Através de questionário misto, abordando a totalidade dessa população, descobriram-se dados que permitem uma leitura preliminar da realidade pesquisada: mais de 95% dos estudantes têm acesso à internet, em sua maioria residencial ou através de lan-houses; os conteúdos acessados estão majoritariamente vinculados a entretenimento e redes sociais; e equipamentos de captura audiovisual estão disponíveis para mais de 50% dos entrevistados.
- Convergência de conteúdo no Limão.com.br
Maurício Dias Souza - Mestrando - UFSM
O grupo Estado de São Paulo reúne no portal Limão.com.br várias possibilidades de o internauta produzir conteúdo, como blogs, fotologs e wikisites, e de relacionar-se com outros usuários por meio de redes sociais próprias, como o miniblog e as salas de bate-papo. O Limão apresenta conteúdos jornalísticos, de entretenimento e serviços produzidos por equipe própria ou por outras mídias e empresas ligadas ao grupo Estado (Estadão.com.br), O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Território Eldorado, Agência Estado, ILocal e Time Out). A partir de estudo do portal, em especial da home-page, pretende-se avaliar, com base em Jenkins, Salaverría, Negredo, Garcia Avíles e Igarza, os diferentes tipos de convergência de conteúdo presentes em Limão.com
- Tecnologias de Informação e Comunicação no Contexto Rural Brasileiro
Verônica Crestani Viero - Mestre - UFSM
As modificações nos processos de transferência de tecnologias para os agricultores buscaram acompanhar a evolução tecnológica, especialmente o avanço da Internet. Todavia, a adesão às novas tecnologias não ocorre de forma homogênea. Diante disso buscou-se avaliar se sistemas que prevêem o uso da Internet no campo realmente contribuem para a difusão das Tecnologias de Informação e Comunicação no meio rural brasileiro. Para isso realizou-se o estudo de caso de um sistema de monitoramento agrícola on-line, o Sistema Irrigaâ. A coleta de dados deu-se através de entrevistas com produtores rurais usuários do Irrigaâ, nos estados de Goiás e Rio Grande do Sul. A sistemática de aplicação foi face a face. Comprovou-se que as TICs avançam irreversivelmente no meio rural, todavia, este avanço não ocorre de maneira idêntica entre as regiões brasileiras. Além disso, comprovou-se que a problemática da difusão de inovações no meio rural vincula-se às barreiras de conexão e de alfabetização digital.
- Londripost: laboratório de jornalismo online da Universidade Estadual de Londrina
Vitor Hiromitsu Ferreira Oshiro - Jornalista - UEL
Cynthia Harumy Watanabe Corrêa - Doutora e Professora - UEL
O estudo enfatiza o impacto da proliferação de blogs no jornalismo e propõe a criação de um modelo de blog para atuar como laboratório de jornalismo online no curso de Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo, da Universidade Estadual de Londrina/UEL. A pesquisa revisa teorias sobre a origem dos blogs,possibilidades e vantagens do seu emprego na prática jornalística, bem como as potencialidades dos recursos da Web 2.0. O modelo de blog foi elaborado a partir da análise de três blogs por um grupo focal: o primeiro de caráter universitário destinado à formação do profissional, o segundo de um jornalista atuante no mercado e o terceiro referente a um grupo de pesquisa. Como resultado, foi projetado o Londripost, lançado no Intercom 2009, visando servir de espaço estratégico para treinar a polivalência exigida no perfil do jornalista contemporâneo. Portanto, é uma plataforma que precisa ser estudada e explorada por estudantes e professores dos cursos de Comunicação Social no Brasil.
- Ciberespaço: natureza e origens nos estudos da cibercultura
Itamar de Carvalho Pereira - Mestrando - UNB
A proposta do artigo está centrada em uma abordagem essencial e pouco presente no cenário dos estudos da cibercultura: a busca por uma conceituação de ciberespaço e a disjunção desse conceito do aparato técnico da internet. Usualmente, esse enquadramento é dado como equacionado e raramente se faz uma reflexão mais aprofundada sobre as origens e a sedimentação dessa visão de ciberespaço – distinta da visão da ficção científica - nos estudos que tratam de internet. Para tanto, busca-se demonstrar a relevância dessa discussão, fazendo-se valer do que propõe Michael Benedikt, o qual, por sua vez, resgata o conceito ‘Mundo 3’ de Karl Popper. Michael Benedikt propõe a identificação da natureza e das origens do ciberespaço a partir de quatro linhas relacionadas: o mito da história; a história da arquitetura; a história da matemática e a história da tecnologia dos meios de comunicação.
MESA 2 - Cibercultura
SALA - 309
Coordenador: Doutorando Marcelo Träsel - PUCRS
- Réquiem para a Cibercultura: A Teoria da Mídia Alemã e o Futuro dos Estudos de Comunicação e Tecnologia
Erick Felinto - Doutor - UERJ
Após pouco mais de 30 anos de seu nascimento, o termo “cibercultura” parece experimentar uma morte prematura. Concebida no auge do entusiasmo com a revolução das “novas tecnologias digitais” e marcada, desde a origem, por uma indefinição semântica crônica, a expressão vem caindo rapidamente em desuso. Autores como Lev Manovich e Siegfried Zielinski , por exemplo, têm declarado, repetidamente, o caráter “antiquário” do termo. Contudo, durante esse curto período de tempo, a palavra cumpriu o papel de abarcar uma série de fenômenos de base social, comunicacional e tecnológica ligados apenas por frágeis vínculos epistemológicos. Agora, diante do que parece ser o inevitável desaparecimento dessa categoria, o que poderia ocupar o vazio de sua demissão no horizonte da pesquisa acadêmica? O objetivo deste trabalho é oferecer um panorama sistematizado das investigações sobre mídia e tecnologia no contexto da produção científica em língua alemã. Nossa tese de fundo é que muitas das perspectivas mais originais e promissoras referentes ao futuro da pesquisa sobre as novas mídias podem ser encontradas nesse ambiente cultural, infelizmente pouco conhecido nas universidades brasileiras devido às barreiras lingüísticas. A partir de uma exploração dos principais nomes e tendências da medientheorie germânica, pretende-se sugerir alguns caminhos de pesquisa capazes de contribuir para a superação dos dilemas envolvidos no esvaziamento da noção de cibercultura.
- A formação do imaginário tecnológico no Brasil: cibercultura na revista Veja entre 1993 e 2008
Marcelo Träsel - Doutorando - PUCRS
O trabalho traz os resultados de uma pesquisa documental das edições de Veja do ano de 1993 até o ano de 2008, cujo objetivo foi resgatar as matérias referentes aos sujeitos, meios, eixos materiais, às práticas, questões políticas e culturais associadas à cibercultura. Veja é a revista de maior circulação no Brasil e suas temáticas tendem a agendar o debate público e outros veículos de imprensa. O período foi escolhido por coincidir com a abertura do acesso à Internet a públicos sem expertise em informática, evento que marca a passagem de fase da cultura de massas industrial para a cibercultura. A análise do corpus obtido evidencia as problemáticas dominantes da consolidação do imaginário tecnológico no Brasil.
- Arquivo X e a projeção utópica da realidade: o pensamento tecnológico e as novas utopias
Pedro Henrique Baptista Reis - Mestre - PUCRS
Este trabalho é uma síntese da dissertação defendida em março de 2009 que consiste na análise de três episódios da série Arquivo X com o objetivo de revelar as características e nuances, dentro de um objeto da Cultura da Mídia, do pensamento tecnológico e da projeção utópica da realidade através das representações de tecnologias de sublimação do espaço e do tempo e da fantasia de superação das condições humanas. A série, que se baseia em encontros e mistérios envolvendo tecnologia e o sobrenatural consiste numa dupla de investigadores que confrontam suas próprias presunções sobre a realidade e a vida e se equilibra sobre duas distintas premissas: a da superioridade do herói humano e da inventividade e poder que o desconhecido – seja ele alienígena ou tecnológico – tem em assombrar a própria existência humana com fantasmagorias oriundas de mais de quatro séculos de fantasias e pesadelos tecnológicos. O que aqui se apresenta é apenas um recorte da análise realizada em tal pesquisa.
- O imaginário ciborgue na tribo de motociclistas tornadeiros: tecnologia e pós-humano construindo sociabilidade
Karla Azeredo Ribeiro Marinho - Mestranda - UERJ
Este ensaio trata da ilusão cibernética de fusão do corpo e da máquina, por meio do imaginário dos motociclistas que têm sua motocicleta como parte do seu corpo que se funde com o desejo de liberdade, aventura e velocidade. Este imaginário assume outra perspectiva quando os motociclistas se vêem imersos no ambiente virtual em que realidade e simulação se confundem por meio da tecnologia. É sabido que as novas tecnologias da comunicação e informação atuam na construção do imaginário do homem contemporâneo, promovendo uma intensa e dinâmica relação entre o indivíduo e sua própria subjetividade. Felinto (2005) dialoga com Whertheim (2001) ao identificar no discurso dos entusiastas tecnológicos a visão do advento da “vida atrás da tela” como uma nova forma de organização coletiva em torno de um projeto espiritual. Esta visão gnóstica passou a povoar o imaginário do homem pós-moderno pela intensidade com o qual ele se utiliza das novas tecnologias da comunicação, principalmente a Internet. No ciberespaço, o imaginário ciborgue constitui o apogeu da idéia de “liberdade sem fronteiras”, cuja característica é própria do momento atual que, segundo Gumbrecht (1995) é definido como a era pós-televisiva, onde a cultura virtual prescreve novas formas de nos relacionarmos com e no mundo em que vivemos. Deste modo, buscar-se-á refletir sobre a construção de sociabilidade entre os atores presentes nesta tribo (MAFFESOLI, 1984) a partir da materialização do imaginário ciborge no ciberespaço.
- MST e o uso da Internet como esfera pública virtual: o caso da fazenda Southal
Marta H. D. Tejera - Doutoranda - PUCRS
Este ensaio pretende, a partir de um estudo de caso, analisar de que maneira a Internet se mostra como uma nova possibilidade de esfera pública, favorecendo grupos não vinculados às mídias tradicionais e ao Estado e que encontram na rede a oportunidade de manifestar sua opinião e sua versão a respeito de determinados fatos. O caso analisado é o da morte do colono Elton Brum, durante confronto do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e da Brigada Militar, em 21 de agosto de 2010, na fazenda Southal, em São Gabriel (RS) e a apresentação deste fato no site do MST. Partindo deste caso pretende-se discutir de que maneira a rede figura como esfera pública virtual e de que forma as esferas sociais se apresentam na pós-modernidade. Estes novos formatos das esferas sociais, que têm as tecnologias da comunicação como propulsoras, beneficiam movimentos sociais como o MST?
- Mídias sociais como tática para a espetacularização do Eu na sociedade contemporânea
Erika Oikawa - Mestranda - UFGRS
Este trabalho pretende refletir como o indivíduo se apropria das mídias sociais como tática (CERTEAU, 2008) para alcançar fama e visibilidade na sociedade contemporânea. Parte-se do pressuposto de que a espetacularização do Eu, mais do que mera prática narcisista, é uma demanda sociocultural da sociedade atual e um processo para o homem constituir-se como sujeito. Afinal, na era das personalidades “alterdirigidas” (SIBILIA, 2008) - construções de si baseadas no olhar exterior - só existe aquele que se faz visível. Assim, a reflexão sobre mídias sociais nos ajuda a compreender o “modo de fazer” do homem ordinário para tornar “habitável” essa sociedade regida pelo imperativo da visibilidade. Procura-se compreender também as mudanças que a internet provoca na produção simbólica (THOMPSON, 1998) da vida social e na construção dos imaginários individual e coletivo (SILVA, 2006), que se refletem na construção do Eu.
- Repensando as metodologias de pesquisa em Cibercultura no Brasil: mapeamento da área e problemática metodológica do campo
Maria Clara Aquino - Doutoranda e Professora - UFRGS/ULBRA
Adriana Amaral - Doutora e Professora - PUCRS/UTP
O trabalho verifica o estado da arte da pesquisa em Cibercultura no Brasil e traz apontamentos iniciais sobre as metodologias mais utilizadas nos estudos empíricos e a falta de hibridização de métodos online e offline para a análise dos fenômenos e objetos pertinentes ao campo. Partindo de uma discussão conceitual sobre o termo Cibercultura apresentam-se os resultados iniciais de uma análise sobre a produção discente dos programas de pós-graduação em Comunicação brasileiros a fim de mapear a pesquisa em Cibercultura dentro do campo da Comunicação. Observamos, em muitos casos, a falta de ferramentas adequadas e a mera transposição de métodos da pesquisa em comunicação, em geral sem contribuir para uma reflexão epistemológica do campo e sem considerar as peculiaridades dos ambientes digitais em sua relação de contigüidade com o offline. Diante desse quadro, buscamos destacar a necessidade de novos métodos para a condução da pesquisa em Cibercultura dentro da Comunicação.
MESA 3 - Redes sociais
SALA - 310
Coordenador: Prof. Dr. Eduardo Campos Pellanda
- Micromensageiros e conversação na internet: Um estudo de caso da apropriação do Twitter e do Plurk
Raquel Recuero - Doutora e Professora - UCPEL
Gabriela Zago - Mestranda - UFRGS
Jandré Batista - Graduando - UCPEL
O trabalho foca um estudo de caso da apropriação de dois micromensageiros através de um estudo de caso do Twitter e do Plurk. Essas ferramentas permitem que os atores sociais publiquem textos de até 140 caracteres, que são então enviados para outros atores, agindo sobre redes sociais na Internet através da conversação. Para este trabalho, foram mapeadas conversações a partir de cinco redes ego-centradas presentes nas duas ferramentas, posteriormente analisadas em termos estruturais, de conteúdo e de seu efeito na rede social. Viu-se, assim que as conversações estabelecidas nas duas ferramentas são essencialmente diferentes: Enquanto o Twitter parece focado na rede de filiação e nos laços mais fracos, com menos turnos de conversação; o Plurk parece implicar maior número de conversações e de turnos, maior amplitude contextual e um foco maior na rede emergente. Com isso, enquanto as conversações no Twitter parecem focar a manutenção e ampliação da rede social, no Plurk o efeito de clusterização da rede é mais claro, indicando que as ferramentas são apropriadas com funções diferentes pelos atores sociais.
- Fansourcing e a curadoria dos fãs. Estratégias de produção de conteúdo, entretenimento e apropriações dos artistas nas redes sociais
Adriana Amaral - Doutora e Professora - PUCRS/UTP
Este artigo tem como objetivo explorar algumas estratégias de produção de conteúdo de entretenimento por parte dos fãs de artistas independentes e da apropriação e os usos desse conteúdo em uma relação interativa com os fãs-produsers (Bruns, 2007) que atuam enquanto curadores de um acervo de memória digital (Jennings, 2007). Para procedermos a essa análise, num primeiro momento estabelecemos algumas diferenças e semelhanças entre a produção de conteúdo e recuperação de informações por parte do fandom de narrativas e do fandom de música, tendo como base teórica autores como Hills (2002), Baym (2007) e Jenkins (2006). Na segunda etapa, procederemos à questão da economia da dádiva (Barbrook, entre outros) e como ela está interconectada com a economia dos fãs (Gray, Sandvoss e Harrington, 2007) a partir da análise empírica das práticas dos artistas e a relação com seus respectivos fãs em redes sociais como Twitter, blogs, Facebook. Para estudo de caso foram selecionadas a banda NIN, a cantora Amanda Palmer, o cantor Ritchie e o escritor de fantasia Neil Gaiman.
- Blog coletivo como estratégia de Inclusão Social em rede temática sobre
Paralisia Cerebral (PC)
Sandra Portella Montardo - Doutora e Professora - FEEVALE
Este trabalho propõe a análise de uma rede temática sobre Paralisia Cerebral (PC) estabelecida em um blog coletivo. Em artigos anteriores, verificou-se a ocorrência de redes temáticas (Autismo e Síndrome de Asperger, Síndrome de Down e Deficiência Auditiva) em blogs e fotologs, com diferentes tipos de apropriações, inspirada por características das próprias necessidades especiais em torno das quais motivou-se a socialização on-line. Que motivos teriam levado esses blogueiros a empreenderem socialização on-line sobre PC em um blog coletivo? A partir disso, objetiva-se identificar o processo de Inclusão Social (IS) nessa rede, a partir da aplicação de metodologia em duas etapas. A netnografia (Hine, 2005, Kozinets, 2002) é utilizada para a identificação, seleção e obtenção de dados do blog em questão e a Análise de Redes Sociais (ARS) fornece subsídios metodológicos para a análise das trocas que nela se dão.
- A possibilidade da Bacia Semântica Educacional
Candice Habeyche - Mestranda - PUCRS
Apresentamos duas ideias neste texto: a primeira discute a construção do imaginário a partir do conhecimento e das vivências de cada indivíduo, assim como a compreensão/entendimento/percepção das tecnologias do imaginário. A segunda propõe um novo fluxo, de uma Bacia semântica contemporânea, que ocorre nas novas tecnologias, estudada a partir dos weblogs, em especial dos educacionais. Para o diálogo entre o imaginário e o Paradigma da Complexidade de Morin iremos abarcar a discussão sob o viés de diversos autores calcados nos estudos antropossociais de Durand. Iremos aproxima o conceito de Bacia semântica, apresentado por Durand, discutindo a respeito de weblogs, como sendo espaços de diálogo com diversos públicos, neste caso focado nos educadores. Propomos discutir a construção do conhecimento, do imaginário e a compreensão das chamadas tecnologias do imaginário. Criaremos aqui redes de entendimento que tentaremos conectar para compreender as mídias sobre o conteúdo.
- Memes: sob um viés da Pós-modernidade nas redes sociais na internet
Sandra Mara Garcia Henriques - Mestranda - PUCRS
O presente trabalho tem como objetivo propor uma forma de estudo das relações sociais na Pós-modernidade através do memes. Nossa proposta parte do conceito de memes (DAWKINS, 2001) - ideias que são passadas de um cérebro a outro - como uma maneira de compreender como se constroem as redes sociais (RECUERO, 2006) - relação entre atores (pessoas, instituições e grupos) e suas conexões - diante de um contexto onde o a valorização do indivíduo e do cotidiano são os norteadores da sociedade atual. Para tal, desenvolvemos aspectos acerca do referencial teórico sobre a Pós-modernidade, os memes e, posteriormente, justificamos o motivo pelo qual acreditamos que os memes sejam uma forma de observar as redes sociais na internet desenvolvidas no contexto da sociedade pós-moderna.
- O blog do Ombudsman: mutações de uma crítica do conteúdo para uma crítica da forma como conteúdo
Sabrina Franzoni - Doutoranda - UFRGS
Este artigo pretende refletir sobre as mutações sofridas pelo discurso da ouvidoria de impressa, ao deslocar-se do meio impresso para o ciberespaço, tomando como exemplo a “fala” da jornalista Mara Gama, responsável pelo blog do ombudsman da UOL. Parte-se da hipótese de que a alteração do e no discurso do ombudsman, agora denominado de “ouvidoria de notícias”, antes voltado somente para a crítica do conteúdo passa à crítica da forma como conteúdo a partir do deslocamento para a internet. Toma-se como referência as marcas textuais, percebidas nas postagens semanais da ombudsman, como identificadoras dessa mudança. Essa reflexão poderá contribuir para redirecionar o olhar, apontando singularidades nesse discurso inserido no meio virtual, ainda que, nessa teia de sentidos, o mito da objetividade seja permanentemente enunciado para manutenção da credibilidade, alimentando o imaginário de legitimação profissional.
- A Cauda Longa da Informação de Caráter Jornalístico no Twitter
Luciana Carvalho - Bacharel - UFSM
Eugenia Mariano da Rocha Barichello - Doutora - UFSM
A teoria da Cauda Longa (Anderson, 2006) está relacionada ao fenômeno de crescimento do mercado de nichos e do trabalho Pro-Am, tanto em termos econômicos quanto informativos. As tecnologias digitais e a web têm papel fundamental nesse processo, possibilitando que consumidores possam atuar como produtores e distribuidores de conteúdo. Do ponto de vista da informação, há um número cada vez maior de informações de caráter jornalístico sendo colocadas em circulação, tanto por parte da mídia de massa quanto pelo trabalho de consumidores e cidadãos. Microblogs como o Twitter têm ampliado a possibilidade de distribuição direta de informações na web por parte dos consumidores, atuando na eclosão das forças geradoras de Cauda Longa. Neste trabalho, é proposta uma discussão sobre as apropriações informativas do Twitter que o relacionam ao papel de gerador de Cauda Longa.
Dia 04 de novembro
MESA 4 - Mídias convergentes, suportes e mobilidade II
SALA - 307
Coordenador: Doutoranda Andréia Denise Mallmann - PUCRS
- “Só sei ligar e desligar, mas estou aprendendo”: dinâmicas de apropriação e estratégias de domesticação do telefone celular em camadas populares
Sandra Rubia Silva - Mestre - UFSC
O Brasil já ultrapassou a marca de 157 milhões de assinantes de telefonia celular, dos quais mais de 80% usam o sistema pré-pago. A rápida disseminação dos celulares entre a população de baixa renda, embora seja fenômeno recente, influencia fortemente sua vida social, como pude constatar ao longo de onze meses de trabalho de campo em uma comunidade carente em Florianópolis – SC. Para muitos, os telefones celulares, enquanto “Dispositivos Híbridos Móveis de Conexão Multirredes” (Lemos, 2007) representam o primeiro contato com o universo da cultura digital na medida em que atuam como plataforma de convergência de múltiplas funções: câmera digital, SMS, bluetooth, MP3, etc. Utilizando uma abordagem etnográfica, busco analisar aqui as dinâmicas de apropriação e as estratégias de domesticação dos celulares empregadas por jovens e idosos do Morro São Jorge, as quais exigem criatividade para superar limites como os impostos pela baixa escolaridade de muitos dos membros da comunidade pesquisada.
- Critérios de noticiabilidade: as mídias locativas enquanto feedback do sistema jornalístico
Gustavo Buss Cezar - Mestrando - PUCRS
A presente relação espaciotemporal (David Harvey) está modificando-se expressivamente frente à conectividade. Por sua vez, a sociedade em rede passa a receber informações atualizadas a qualquer momento e em qualquer lugar. Dentre as inúmeras implicações oriundas dessa nova relação virtual, observamos as que refletem sobre o jornalismo impresso. As informações na rede articulam-se no espaço de fluxos (Manuel Castells), corrente e instantâneo. O que rompe com a lógica de duração de vinte e quatro horas de uma notícia, característico do jornal impresso. Dentro desta nova perspectiva, propõe-se uma releitura dos critérios de noticiabilidade. Revisitando tais teorias postuladas em um período anterior a rede. Concebendo a redação jornalística sistemicamente (Niklas Luhmann), vemos as mídias locativas como forma de feedback desse sistema.
- O texto opinativo como expressão da subjetividade no blog jornalístico
Silvana Copetti Dalmaso - Mestranda - UFSM
Por trás de todo discurso, há um sujeito. Nos blogs jornalísticos, essa subjetividade pode estar manifestada de modo mais claro nos textos opinativos, que expressam o ponto de vista pessoal do autor do blog. Esta subjetividade se relaciona com a própria definição de blogs que, de acordo com Barbosa e Granado (2004), constituem-se como páginas pessoais onde o autor disponibiliza suas opiniões, versões ou sua visão de mundo. Gomes (2000) afirma que a subjetividade ou o ponto de vista pessoal estão presentes em qualquer discurso, inclusive no jornalístico. A partir dessas concepções, propõe-se investigar como se pode apreender marcas de subjetividade no blog "Brasília, eu vi" do jornalista Leandro Fortes.
- O retorno ao local: do concreto versus virtual para o concreto virtualizado
Mônica Pieniz - Doutoranda - UFRGS
Este artigo objetiva refletir sobre duas grandes fases das apropriações tecnológicas, as quais são representadas pelo ciberespaço e pela era da mobilidade de acesso à web. Toma-se a web como uma mídia alternativa para a manifestações de cidadãos acerca de suas culturas locais ligadas a territórios, as quais estão em constante mudança diante das inovações nas tecnologias digitais. Exemplos empíricos encontrados nesses casos permitem a reflexão a respeito do concreto versus virtual e também do que denominamos de concreto virtualizado. E o concreto virtualizado, por sua vez, reconfigura as formas de significação dos espaços concretos, possibilitando um retorno à cultura local.
- Inclusão audiovisual: Produção e disseminação de Conteúdos para a TV Digital
Mariana Lapolli - Mestre - UFSC
Lorena da Costa - Bacharel - UFSC
Luciano Oschelski - Bacharel - UCPel
Roberto Amaral - Mestre e Professor - UDESC/ UNIPLAC
A inclusão audiovisual democratiza o acesso aos processos de criação e produção audiovisual. Assim, torna-se possível a organização, a exploração e o esclarecimento dos conhecimentos por meio de conflitos que fazem parte de um contexto histórico social ou político, promovendo uma percepção detalhada das situações reais. Ao participar desse processo, as crianças têm a possibilidade de passar de espectadores passivos para espectadores críticos, assim como produtores de conteúdos. Neste contexto, o objetivo deste trabalho é demonstrar como a inclusão audiovisual estimula a produção e disseminação de conteúdos para a televisão. Para isto, realizou-se um estudo de caso com alunos de uma escola municipal de Criciúma (SC). A pesquisa mostra-se relevante, uma vez que com o advento da TV digital discute-se a possibilidade da geração e disseminação de informação, permitindo ao cidadão que sua produção cultural seja registrada e divulgada, diminuindo as desigualdades regionais e sociais.
- Audiovisual e dispositivos móveis
Letícia Passos Affini - Doutora - FAAC/UNESP
O estudo tem por objetivo investigar questões teóricas e práticas envolvidas na
realização audiovisual para veiculação em dispositivos móveis, com ênfase na criação de novos processos narrativos, que considerem a interatividade, mobilidade e portabilidade. Busca questionar as relações entre as TICs considerando a passagem da cultura de massa para a cultura das redes. O novo cenário possibilita uma experimentação de linguagem na produção audiovisual uma vez que os custos de produção são baixos e há espaço para veiculação. Ao mesmo tempo, serão necessários novos agenciamentos políticos e econômicos no processo de ajustamento do mercado ao novo contexto. Pesquisas recentes comprovam a preferência pela internet à televisão por parte dos jovens. Nosso objetivo específico é o de analisar as mudanças que deverão ocorrer no mercado audiovisual, em função da internet, dos dispositivos móveis, liberação do pólo de emissão e produção. Prevendo contextos futuros em relação a padrões estabelecidos atualmente, assim, novos cenários surgirão em relação à grade horária, publicidade, local de recepção, tempo de duração, gêneros, formatos.
MESA 5 - Cibercultura II
SALA - 309
Coordenador: Doutorando Marcelo Träsel - PUCRS
- Sobre a “tecnificação das mãos” (Zuhandenheit): uma leitura do esquecimento do ser na contemporânea era da técnica
Jayme Camargo da Silva - Mestrando - PUCRS
O presente artigo tentará demonstrar o vínculo entre a contemporânea mediação da realidade pela técnica, e a implicação na perda da experiência originária da apreensão dos entes pelo homem. Conjuga contínua, assim, as reflexões do “primeiro Heidegger” (Ser e Tempo), com o Heidegger tardio da crítica à técnica. Heidegger denominou Zuhandenheit (manualidade-do-mundo) o existencial responsável pelo acesso aos objetos da realidade como instrumentos. Ora, a reflexão do segundo Heidegger, elucidou que a técnica se constitui como o princípio epocal do nosso cotidiano. Torna-se (re)corrente o processo de substituição das mãos (mundo prático) por dispositivos tecnológicos de disposição da realidade. A “tecnificação das mãos” implica o não-acontecimento do fenômeno originário de mundo. Acarreta o esquecimento do ser, portanto, na era contemporânea, vez que ao não estabelecer a relação de conhecimento originário dos entes, o homem deixa de operar na compreensão do ser, ou, conhecer os entes verdadeiramente enquanto instrumentos que são.
- Ficção científica e a construção do mundo: o cinema de ficção científica e a construção utópica/distópica de mundo através de nietzsche e heidegger e da relação imaginário/ficção/realidade
Bruno Costa - Doutorando - PUCRS
Jayme Camargo - Mestrando - PUCRS
Pedro Henrique Reis - Mestre - PUCRS
Este trabalho é fruto de colaborações feitas através do grupo de pesquisa de mestrandos e doutorando CINESOFIA nos campos de estudos das representações, cinema e filosofia e se presta, a partir da superação da modernidade e do homem como noção centralizadora, em Nietzsche, e da noção de “fim da história”, em Heidegger, a analisar a criação de mundos utópicos e distópicos na narrativa cinematográfica de Ficção Científica. Pretende-se, portanto, uma análise de um corpo de filmes para, também, perceber-se a projeção utópica do mundo, através da tecnologia, e a fantasmagoria faústica-apocalíptica dessas realizações. Não apenas centrado nas questões tecnológicas, este esforço procurará conjugar essas questões com as noções de imaginário (também este tecnológico) e ficção, trazendo à tona este íntima relação entre a fantasia e projeção e a ficção como forma de conjugação dessas.
- Desintermediação na cibercultura: a dobra entre produtores e consumidores
Lucina Reitenbach Viana - Mestranda - UTP
Com a mediação por computador temos a presença de produtores e consumidores dentro da mesma plataforma de atuação, interagindo diretamente nas redes sociais. O contato entre ambos rompe esquemas organizados de intermediação idealizados pela indústria cultural, quando esta estruturou seu modelo de negócio para permitir a maximização dos lucros numa cadeia de distribuição dominada por ela de ponta a ponta. Apresentando as características das pessoas que se encontram hoje entre os papéis de produtores e consumidores ocupando um espaço de dobra e atuando como ambos, discutem-se as possibilidades de troca a partir da proximidade de universos distintos que se encontram lado a lado a partir de suas identidades ciber-representadas. Partindo do gráfico de adoção de tecnologia proposto por Rogers, discute-se qual é o papel destas pessoas dentro da difusão das novidades propostas por essa aproximação, tendo como base a pesquisa realizada pelo IBOPE com heavy-users de tecnologia de todo o país.
- Comunicação e internet: um estudo dos websites das igrejas universal e internacional da graça
Taís Steffenello Ghisleni - Mestre e Professora - UNIFRA
Viviane Borelli - Doutora e Professora - UNIFRA
O avanço tecnológico aliado à globalização desencadeia uma série de mudanças que necessitam do acompanhamento constante de empresas e instituições que não desejam ficar para trás de sua concorrência. Pensando no papel da Internet hoje e observando a sua utilização pelas igrejas Universal do Reino de Deus e Internacional da Graça no Brasil é que se propôs estudar como acontece a comunicação das igrejas com seus públicos através dos websites na internet. Atualmente, fazer religião significa, também, saber operar por meio de dispositivos midiáticos. Dessa forma, buscou-se compreender, descrever e analisar as estratégias de comunicação utilizadas pelas igrejas. Para isso, inicialmente foi feito um levantamento sobre o conteúdo dos websites para, na seqüência, descrever e analisar as estratégias de comunicação utilizadas em cada website. Por meio de seus websites, as igrejas continuam mantendo contato e ampliam sua abrangência no mercado religioso em busca de novos fiéis.
- Sociedade do Consumo em Rede: Para além do imaginário do consumidor passivo
Dimas Tadeu de Lorena Filho - Mestrando - UFJF
Ângelo Brandelli Costa - Graduando - UFRGS
Um dos conceitos-chave quando se fala em tecnologias digitais da comunicação e da informação parece ser o de interatividade. Ao instituir uma “sociedade em rede”, portanto, a Internet acaba potencializando processos de comunicação que se pode chamar de interativos. Transposta para o campo do marketing, essa realidade se torna ainda mais interessante, na medida em que demonstra o surgimento de um consumidor cada vez mais exigente e participativo. Através da rede, ele se mobiliza não apenas para garantir que suas demandas sejam atendidas, mas também para responder e interferir diretamente no fluxo de comunicação estabelecido entre ele e a empresa. Embora permaneça o imaginário do sujeito passivo, marionete da mídia e da publicidade, percebe-se que a atuação dos consumidores nos ambientes virtuais vai à contramão da pretensa unidirecionalidade da comunicação empresarial. Neste trabalho pretendemos, através de um estudo de caso, investigar como se dá esse processo e quais as implicações diretas do comportamento do consumidor para o planejamento estratégico das empresas.
- Internet e terceira idade - consumo e Efeitos!
Lair Bersch - Mestrando - PUCRS
No presente estudo, buscamos algumas pistas para melhor compreendermos de como estão sendo construídos os novos espaços de cidadania, o ciberspaço, a cibercultura, realizando uma breve revisão histórica e bibliográfica, que norteiam os estudos das novas tecnologias da comunicação, envolvendo a Internet e pessoas idosas. Investigaremos com maior profundidade os hábitos de consumo na Internet por pessoas da Terceira Idade, acima dos 60 anos. O fato constatado que demanda atenção, sob vários aspectos, é, em especial, o nível de inclusão digital desta parcela da população brasileira, representada neste estudo pelos idosos do extremo Oeste do Paraná. Diante do uso da Internet pela Terceira Idade, analisamos o consumo, os efeitos e os impactos proporcionados, considerando a realidade decorrente dos avanços e das inovações tecnológicas do século XXI.
- Nativos digitais e educação intersemiótica
Izabel Goudart - Doutoranda - PUCSP
O argumento central desse trabalho reivindica um educação intersemiótica para os “nativos digitais”, termo cunhado por Prensky (2001) para designar o público que hoje freqüenta as escolas. Pressupõem-se que esses cyber-humanos configuram-se por uma natureza que não estabelece distinção entre o orgânico e o sintético, onde a ordem biológica e técnica encontram-se em completa simbiose mediada por uma semiosfera (Santaella, 2009). Nascidos em um contexto cultural de intensas mudanças nas formas de produzir, distribuir e comunicar mediadas pelo computador e mídias móveis essas crianças e jovens cresceram na cultura do remix (Manovich, 2005), da interatividade e da possibilidade de produzir e misturar linguagens verbais, sonoras e visuais. Nesse sentido, faz-se necessário uma educação que revele formas e possibilidades de formação de pessoas capazes de serem interlocutoras de um entorno de informações em que tudo está mesclado (Barbeiro, 2009). A arte vem sinalizar um caminho.
MESA 6 - Redes sociais II
SALA - 310
Coordenador: Coordenador: Prof. Dr. Eduardo Campos Pellanda
- Culturas juvenis e jogos no Orkut
Andrea Rapoport - Doutora e Professora - UNILASALLE
A análise das manifestações das culturas juvenis no Orkut, a partir do Estudo de Caso das comunidades “Eu adoro ser adolescente” e “Adolescente sofre”, revelou a existência significativa de fóruns de jogos criados pelos membros. Estes jogos tiveram início em 2004, com as comunidades “Como ou não como” (DORNELLES, 2008). Os jogos que se seguiram mantém a mestra estrutura, mudando apenas a temática. Na comunidade “Adoro ser adolescente” o número de postagens nos fóruns de jogos foi de 96% e na comunidade “Adolescente sofre” correspondeu a 44% das postagens. Para aprofundar o entendimento sobre os jogos orkutianos foram pesquisadas comunidades com o nome “Jogo do ADD”, cujo objetivo é adicionar mais pessoas à rede de amigos, da comunidade e diversão. Estes dados corroboram a análise feita por Dornelles (2008) e por Prysthon, Fontanella e Filho (2007) que entendem o Orkut e os jogos orkutianos como um jogo de visibilidade e desejo de exposição, mesmo que sejam aparentemente sem sentido.
- Estudos sobre a conversação híbrida (textual e audiovisual) mediada por computadores a partir da ferramenta de vídeo-resposta no YouTube
Stelamaris de Paula Menezes Tassi - Mestranda - PUCRS
Neste trabalho, pretendo estudar a interação dos atores sociais no YouTube, levando em consideração dois tipos de discurso possibilitados pelas ferramentas disponíveis nessa plataforma: a conversação tradicional via texto e a conversação via vídeos, facilitada pela ferramenta de vídeo-resposta. Nesta etapa do trabalho, apresentarei os resultados de uma primeira análise das conversações textuais e audiovisuais realizadas por quatro interagentes cujos vídeos estão conectados por essa ferramenta. Entre os objetivos da realização dessa análise de conversação mediada por computadores (CMC), estão a busca de respostas para questões relativas à maneira como os atores sociais se apropriam das ferramentas disponibilizadas pelo YouTube e das tecnologias de produção audiovisual, à qualidade das conexões estabelecidas entre eles e à forma como os elementos da linguagem audiovisual influenciam essas relações.
- Twitter: a nova mania da rede
Marcela Costa da Cunha Chacel - Bacharel -UNICAP
Se antes, a internet era utilizada para fins militares e, posteriormente, para fins acadêmicos, hoje, a web ganha proporções surpreendentes. Barreiras geográficas e limites de tempo não existem mais. A instantaneidade e o acesso ilimitado permitem a interação entre pessoas, independentemente de onde estejam. Na verdade, a partir dos anos 90, com a criação da World Wide Web, as portas para a comunicação sem fronteiras se abriram. A tecnologia do virtual começou a ganhar espaço no cotidiano, transformando a sociedade, numa sociedade em redes cuja existência está diretamente ligada às inúmeras possibilidades de comunicação e interação propiciadas pela web. É válido salientar que nesse universo virtual, a cada segundo, uma nova mania surge. Assim como aconteceu com o MSN, o Facebook, o YouTube, entre outros, hoje, o Twitter está na moda. E chega para confirmar que na era da “tecnoinforcultura”, o ciberespaço é onde os homens deixam de ser ilhas e tornam-se membros de “comunidades”.
- A reprodução de territórios concretos no ciberespaço Um estudo de caso de Terceiros Lugares reproduzidos no Second Life
Rebeca Recuero Rebs - Mestranda - UNISINOS
O trabalho apresenta a reprodução e/ou apropriação de Terceiros Lugares concretos (como estádios, praias e casas de festas) no universo virtual Second Life a fim de compreender o motivo de seus participantes criarem e interagirem nestes espaços específicos. Focando o processo de etnografia virtual, a partir de uma observação participante e a realização de entrevistas semi-estruturadas, tentou-se entender como se dá a formação da territorialidade e a sua transposição para o ciberespaço. Acredita-se existir noções simbólicas atreladas à concepção territorial e as suas implicações nas práticas sociais que se dão nestas reproduções. Inicialmente, os dados adquiridos apontam que estes locais trabalham como extensões destes terceiros lugares físicos, reafirmando identidades e territórios caracterizadores de culturas e práticas sociais específicas.
- Blogs e wikis: duas formas de colaboração em redes sociais
Francisco Coelho dos Santos - Doutor e Professor - Université Paris V/UFMG
Cristina Petersen Cypriano - Doutoranda - UFMG
Wikis e blogs fazem parte do mesmo universo, aquele formado por uma rede colaborativa chamada de Web 2.0. Ambos permitem a confluência de interesses diversos em torno de conteúdos comuns, mas o fazem de modos muito diferentes e com objetivos distintos. Wikis são agregadores de agentes em torno de temas/problemas e blogs são espécies de desagregadores. Enquanto os blogs são marcados pela autoria e a pauta é definida pelo autor, os wikis são marcados pela anonimidade da autoria. Tal anonimidade é efeito prático de uma produção colaborativa em que a autoria vai gradualmente desaparecendo como propriedade de um nome em benefício do coletivo. Ou seja, no wiki os participantes da colaboração se portam como um coletivo, no blog o grupo encontra um lugar de diálogo que envolve individualidades. Preservadas as diferenças, ambos colocam em prática formas inovadoras de produção colaborativa que se confundem com a produção de novos modos de subjetividade e de objetividade.
- Quão despreocupado é o sujeito pós-moderno? Identidade múltipla e reputação nas mídias sociais
Sandra Bordini Mazzocato - Mestre - UFRGS
Pesquisas sobre o sujeito pós-moderno apontam para um processo de fragmentação do sujeito (MAFFESOLI, 2005); (HALL, 2000). Este encontra-se em um contexto de misturas, sem protestos e ideais em que as novas organizações sociais e as novas tecnologias o levam em direção a referências híbridas, gostos cruzados e novas escolhas (CASTELLS, 1999). Tal postura pode ser interpretada como falta de preocupação com sua representação em redes sociais. Porém, observa-se na cibercultura pesquisas quanto à utilização das mídias sociais para construção de imagem pessoal. Pessoas se utilizam de códigos embasados em sistema de capital social e formação de reputação para serem reconhecidos em suas redes de contatos (RECUERO, ZAGO, 2009); (ANDERSON, 2008). Assim, surge o questionamento de quão despreocupado é o sujeito pós-moderno? E como este lida a sua identidade múltipla na formação de reputação nas mídias sociais? O presente objetivo é refletir sobre essas teorias com base em observação empírica.
- Processualidades da midiatização da Igreja no portal cancaonova.com
Ana Cássia Pandolfo Flores - Mestranda - UFSM
Eugenia Mariano da Rocha Barichello - Doutora - UFRJ
O artigo propõe uma reflexão sobre as processualidades envolvidas no alastramento midiático para os demais âmbitos do contexto social e na inserção de lógicas de mídia na atuação da Igreja na internet. Tais processualidades são aqui entendidas como afetações entre o campo midiático e religioso, cujas lógicas se contatam de diferentes formas: ora se afetam num processo de hibridização, ora se conservam apenas coexistindo. Com o objetivo entender o fenômeno midiático como uma prática social por reorganizar a forma de atuação da Igreja, este trabalho propõe-se a identificar as lógicas presentes no portal cancaonova.com. A Canção Nova é uma comunidade católica que atua na evangelização através da mídia. As lógicas consideradas no trabalho são a lógica comunicacional midiática, entendida como a lógica da ambiência, e a lógica comunicacional católica, entendida como a lógica da transmissão.
Dia 05 de novembro
MESA 7 - Mídias convergentes, suportes e mobilidade III
SALA - 307
Coordenador: Doutoranda Andréia Denise Mallmann - PUCRS
- O celular como supermídia: consumo, status e sedução
Angela Schaun - Doutora e Professora - UFRJ/ MACKENZIE
Maria de Lourdes Bacha - Pós-Doutora - PUCSP/ MACKENZIE
Fred Izumi Utsunomiya - Mestre e Professor - USP/ MACKENZIE
Mariza Reis - Doutora e Professora - PUCSP/ MACKENZIE
Dados preliminares da Anatel indicam que o Brasil fechou o mês de agosto com 164,5 milhões de celulares e uma densidade de 85,9 celulares /100 hab. Apesar da crise econômica mundial, as adições líquidas nos últimos 12 meses foram de 26,1 milhões de celulares, para o Brasil em 2009 (TELECO, 2009). Em termos internacionais, a telefonia móvel cresce e se populariza rapidamente, “pode-se verificar atualmente um aumento vertiginoso no número de aparelhos celulares em diferentes partes do globo” (PELLANDA, 2009). Para Ahonen (2009), “em 11 anos o celular passou de mero instrumento de comunicação a aparelho de controle remoto para grande leque de atividades e também símbolo de status”. Ahonen (2009) criou a teoria dos 8 C´s para compreender o que ocorreu desde 1979, quando o primeiro celular foi lançado no Japão, pela NTT e onde em 2008, cinco dos dez livros best-sellers foram escritos para celular. Esse artigo se propõe a analisar a teoria dos 8 C´s sob a perspectiva dos fenômenos aqui elencados, além de apresentar revisão bibliográfica sobre o tema.
- Dimensões constituintes da navegação em um produto multimídia
Rafael Tourinho Raymundo - Mestrando e Bolsista CNPq - UNISINOS
Partimos da concepção de linguagem multimídia não como mero aglomerado de elementos (áudio, vídeo, texto e foto), mas como articulação das partes para uma unidade comunicativa. Dadas as possibilidades hipertextuais, não-seqüenciais e rizomáticas de construção, produtos multimídia tendem a constituir-se como fragmentados e a navegação por eles pode se dar por inúmeras vias. Assim, cabe perguntar que fatores contribuem para as escolhas do leitor-navegador no momento da navegação por um produto deste tipo. O artigo problematiza essa questão, tendo como base a observação das navegações de dois estudantes universitários por um mesmo site. Verificamos diferenças substanciais entre as trilhas percorridas. Pretendemos, então, vislumbrar dimensões possivelmente constituintes das navegações, considerando não só a construção do produto multimídia, mas também os sujeitos, dentro de seus contextos sócio-culturais.
- Analisando a trama: percursos da fonografia digital no processo de convergência
Henrique Ramos Reichelt - Mestrando - UFF
O presente trabalho tem por objetivo contribuir para as discussões referentes a reconfiguração da indústria fonográfica (Negus, Herschmann, Vicente), a partir dos efeitos do processo de convergência (Jenkins) pelo qual passa não só o ramo da fonografia, mas todo o setor do entretenimento. Para isso, utiliza-se o estudo de caso da gravadora Trama para analisar as novas práticas de comercialização da música na reconfiguração da indústria. A empresa destaca-se como um dos principais atores do cenário fonográfico brasileiro a utilizar o ambiente digital em suas ações. Atualmente a Trama trabalha com mais de um milhão de usuários cadastrados e segmentados segundo diversos critérios. A análise tem como eixos a estruturação e viabilização econômica da empresa Trama em meio a sociedade em rede (Castells e Rifkin), as estratégias de comercialização empregadas e a concepção de um discurso que a diferencia das demais empresas do ramo da fonografia.
- TV Digital: mudanças de percepção e ação para o novo telejornalista interator
Marliva Vanti Gonçalves - Doutoranda e Professora - PUCSP/UCS
As perspectivas imagéticas contemporâneas para a comunicação e a cultura apontam um caminho para a formatação de novos módulos audiovisuais na TV Digital. A aproximação entre áreas antes diferenciadas devem criar um telespectador com perfil de jogador de games e um telejornalista capaz de transitar transdisciplinarmente. O modelo precisa pensar não só o telespectador como interator, mas o próprio comunicador, levando em conta as características do ambiente digital: imersão, interatividade, transformação, variedade, indeterminismo, potencialização da experiência. Sua linguagem e sua nova maneira de perceber o mundo aproximam-se do roteiro básico de um game: uma boa estória que tangencie as possibilidades, rapidez na tomada de decisões, fluidez de movimentos, nível de atenção focado no interesse, mas exigências de conteúdo multifacetadas. Instituições de ensino e emissoras de televisão devem reinventar-se, buscando formação adequada a um entorno audiovisual mais aberto, fluido e rápido.
- A TV digital como objeto de pesquisa: os movimentos sobre o tema nas investigações do campo da comunicação.
Simone Feltes - Mestranda - UNISINOS
A pesquisa não nasce em si mesma e, no caso dessa pretensão, seria objetada pela falta de contexto. Além disso, o tensionamento das teorias acionadas à montante contribui para desenvolver o campo. Nesse artigo, propomos a “pesquisa da pesquisa” como forma de levantamento dos estudos nos PPGs em comunicação sobre a TV digital, objeto de nossa pesquisa em andamento no mestrado. Como corpus, selecionamos os artigos das oito divisões temáticas do 32º congresso da Intercom, reconhecido foro de relato de pesquisas da área. Dos 998 papers, 33 citam a TV digital no título ou resumo, atestando a relevância atual do tema. Com essa amostra, trabalhamos, principalmente, a relação: relato de pesquisa empírica X elaboração ensaística, assumindo a premissa de que muitos trabalhos são da ordem das projeções. Com o foco em nossa pesquisa que trabalha a recepção da TV digital, selecionamos cinco textos para verificar o lugar do telespectador nos textos, em busca também de pistas para nossa investigação.
- Apropriação e imaginário na cultura dos fãs em tempos de convergência
Stefanie C. da Silveira - Mestranda - UFRGS
A cibercultura é a configuração da cultura produzida pela conexão entre a socialidade e as tecnologias digitais. Esta tecnologia possui um potencial agregador que facilita sua apropriação pelos sujeitos a partir de demandas próprias de cada grupo, o que manifesta um espírito desviante (LEMOS, 2004). O caráter de desvio gera novas finalidades para os objetos midiáticos. Dá-se um emprego não programado da apropriação na Internet, pois a cultura da convergência reconfigura as práticas de consumo cultural. Os sujeitos empreendem-se nestes desvios em busca do estar-junto. O imaginário leva-os a se reunirem pela identificação e atração estética (MAFFESOLI, 1998). Estas características da apropriação podem ser vistas na cultura dos fãs, pois eles compõem um grupo que questiona a experiência tradicional dos produtos culturais e rejeita a distância estética, tentando complementar os conteúdos midiáticos com suas próprias produções disseminadas mais facilmente pela Internet (JENKINS, 2006).
- O Tela-a-tela
Lúcio Siqueira Amaral Filho - Mestrando e Professor - UTP/Celer Faculdades
Uma das principais usabilidades exponecializadas com a web 2.0 é a possibilidade dos usuários construírem seus próprios conteúdos, publicando e compartilhando-os com os outros usuários da rede. Com essa tecnologia digital, os usuários mais integrados com os novos dispositivos tecnológicos podem potencilizar a sua criatividade, construindo vídeos que deixam explícitas a sua capacidade de criação. A partir disso, este trabalho pretende delinear algumas concepções teóricas a respeito dessa viralização de vídeos na rede, onde usuários apropriaram-se de vídeos existentes para criarem suas próprias obras. Para tanto, foi feita uma pesquisa no site de compartilhamento de vídeos YouTube, com o intuito de saber quais os vídeos criados, a partir de outros já existentes, mais visualizados pelos usuários, a fim de ilustrar a discussão apresentada.
MESA 8 - Redes Sociais III
SALA - 310
Coordenador: Doutorando Marcelo Träsel - PUCRS
- Os editores e administradores da Wikipédia: relações de poder e conflito em processos colaborativos na web 2.0
Aline de Campos - Mestre - UFRGS
A Wikipédia figura entre os projetos de maior destaque na atual Web 2.0. No decorrer de sua popularização, mecanismos de gestão da colaboração foram implementados no sentido de proporcionar maior credibilidade ao conteúdo. Assim, colaboradores com histórico ativo na enciclopédia livre, através de votações pela comunidade de editores, adquiriram o status de administradores com acesso a funções diferenciadas dos demais wikipedistas. Neste estabelecimento de graus de hierarquia, o fluxo da construção de verbetes modificou-se, despertando processos conflituosos. Quais são as implicações deste conflito inerente a colaboração e dos aspectos provenientes da relação de poder entre editores e administradores? Para refletir acerca disto, busca-se fundamentação na teoria da sociologia do conflito (SIMMEL, 1955) e da equilibração (PIAGET, 1973) em relação ao estabelecimento de relações hierárquicas no âmbito da colaboração em processos de escrita coletiva.
- O que você está fazendo? - um estudo da socialidade no Twitter
Filipe Speck - Bacharel - UFSC
Nanni Rios - Especialização - UFSC
A partir dos diálogos entre Comunicação e Ciências Sociais - mais especialmente a Antropologia - no estudo da cibercultura, o presente trabalho pretende levantar as evidências de práticas contemporâneas de comunicação na rede de microblog Twitter adotando como referência a obra do sociólogo francês Michel Maffesoli. A pesquisa defende a existência das ideias maffesolianas de socialidade, presenteísmo, tribalismo e nomadismo nas trocas de mensagens pelo Twitter e entende que a tecnologia está criando uma nova sensibilidade para a comunicação e os relacionamentos. Como metodologia de trabalho, o estudo foi dividido em dois eixos. O primeiro - Quem você está seguindo? - constrói o objeto de estudo, tenta definir o sujeito-usuário, e identifica a cultura em redes e a web 2.0 como indícios da pós-modernidade. Na segunda parte - Quem está seguindo você? - são discutidos os conceitos de presenteísmo, nomadismo e tribalismo, bem como as novas formas de socialidade criadas no Twitter.
- O uso jornalístico das mídias sociais
Ana Maria Brambilla - Mestre e Professora - PUCRS
O reconhecimento das mídias sociais como espaços de relacionamento interpessoal já é notório entre jovens brasileiros e pessoas físicas em geral. No entanto, a exploração destes ambientes para finalidades editoriais ainda dá seus primeiros passos. O presente artigo pretende sugerir modos de apropriação de plataformas como Twitter, Orkut, Facebook, YouTube, Flickr, Slideshare, Wikipedia e Delicious no auxílio do trabalho de reportagem, no fortalecimento da veiculação, culminando com o surgimento de demandas diferenciadas na rotina jornalística. Para tal pesquisa serão utilizadas como referencia as obras de Danah Boyd, Raquel Recuero, Dan Gillmor, Juliano Spyer e Peter Leyden, além de observações de casos nacionais e internacionais de empresas jornalísticas que já fazem algum experimento neste cenário.
- Moda e redes sociais na Internet: um estudo da rede LookBook.nu
Daniela Aline Hinerasky - Doutoranda e Professora - PUCRS/UNIFRA
Elisa Vieira Fonseca - Especialista - UNIFRA
O estudo das novas formas de socialidade numa rede social de moda, o LookBook.nu, na qual os participantes constroem perfis para compartilhar fotos pessoais de looks e creditar/eleger os "melhores” foi a proposta da pesquisa. Especificamente, após o mapeamento dos sites de redes sociais de moda, observamos os usos e motivações dos usuários e buscamos compreender como a rede LookBook.nu potencializa (ou não) relações/vínculos e/ou inspira estilos e consumo. Através de entrevistas semi-estruturadas pela internet, foi realizada netnografia com seis membros brasileiros (os três mais ativos e os três menos ativos em número de fotos e votos). Ao evidenciar o LookBook.nu comoum espaço de projeções de identidades e convergência entre pessoas com interesse em informações e imagens de moda, seus processos foram analisados desde quatro eixos: a) as dinâmicas de utilização; b) as interações sociais entre os usuários; c) as estratégias de uso e projeção pessoal; d) as concepções de moda e estilo.
- Blogs como ambiente de interação e os reflexos na linguagem jornalística
Raquel Ritter Longhi - Doutora e Professora - PUCSP/UFSC
Carolina Weber - Mestranda - UFSC
O artigo verifica a reconfiguração da linguagem jornalística nos blogs, através da análise das apropriações dos jornalistas dos recursos da web. Levando em conta as implicações que as novas tecnologias trazem para a prática profissional, o artigo verifica as rotinas jornalísticas, de um lado, e a função do leitor/internauta como alguém capaz de ressignificar os conteúdos, atentando para a relação do profissional com seus leitores. Neste sentido, questiona sobre a emergência de uma nova linguagem, específica do meio. Para observar estas práticas e apropriações, tomamos como estudo de caso o “Blog do Marquinhos”, do jornalista Marcos Espíndola, titular da contracapa do Caderno de Variedades do jornal Diário Catarinense. A fundamentação teórica examina autores como Orihuela, Blood, Matheson, Primo, Recuero, Träsel, Mielniczuk, dentre outros, sobre blogs e jornalismo, interação e interatividade e características dos meios digitais online de comunicação.
- Consumo do rock gaúcho na Internet: um estudo da plataforma Last.fm
Camila Marques - Bacharel - UNIFRA
Daniela Aline Hinerasky - Doutoranda e Professora - PUCRS/ UNIFRA
Levando em conta o cenário contemporâneo da música, realizamos um estudo sobre a plataforma Last.fm, que se auto-denomina “um serviço musical inteiramente gerado por sua comunidade de ouvintes”, por ser uma combinação de rede social, sistema de recomendação e webradio, para verificar os modos como consumidores de um estilo musical, o rock gaúcho, se comportam. Através da aplicação de questionários com 30 usuários, buscamos identificar, de modo específico, quais as ferramentas mais utilizadas e as motivações dos usuários. De modo geral, a partir das experiências proporcionadas nos espaços e ferramentas do site, evidenciamos entre os entrevistados que a maioria possui perfis em pelo menos outras duas redes sociais e só adiciona amigos e/ou conhecidos da vida real. Embora seja evidente que o que os une exatamente o fato de ouvir rock gaúcho, independente da localização geográfica, a tag e a própria rede que propiciam o vínculo, já que é onde se “encontram” para conhecer bandas novas.
- Ana & mia x porcas, baleias e vacas: a obesa nas representações de blogueiras pró-aneroxia/bulimia
Ana Claudia Pereira - Mestranda - UFMT
Ana e mia são os codinomes utilizados na internet para a Aneroxia e Bulimia. Enquanto as doenças têm nomes simpáticos e são tratadas como amigas, as obesas são hostilizadas: porcas, baleias, vacas, inúteis, horrorosas, fracas, são alguns dos termos para adjetivar quem não atingiu a magreza. Este artigo é fruto de uma netnografia sobre blogs pró-Ana/Mia e analisa seus discursos, sob a perspectiva cultural. O enfoque são as representações do corpo como artefato social e o nascimento de uma nova minoria discriminada. Os resultados demonstram como valores, crenças e preconceitos sociais ganham uma nova dimensão quando mediados pelo computador e incorporadas a cibercultura.
- Jornalismo e folksonomia no twitter: análise dos valores-notícia no hashtag #gpciber da #intercom2009
Gilberto Balbela Consoni - Mestrando - UFRGS
A Folksonomia é uma prática presente nos aplicativos Web 2.0 utilizada por internautas para indexar colaborativamente informações para posterior recuperação. No serviço de micropostagens Twitter, os interagentes utilizam marcadores precedidos do caractere sustenido, denominado hashtag, para esta prática. Os hashtags são criados espontaneamente para indexar informações e compartilhar fatos do cotidiano. A cobertura do Grupo de Pesquisa Cibercultura na Intercom de 2009 é um exemplo dessa prática. Ao usar o hashtag #gpciber, os pesquisadores presentes no congresso compartilharam informações com pessoas de fora, que acompanharam à distância as apresentações do grupo pelo Twitter. A cobertura de fatos pelo serviço cresce por parte dos internautas e proporciona outra fonte de informações na web. Mas essas coberturas colaborativas possuem valores-notícia? Neste trabalho, analiso o uso do hashtag #gpciber para identificar valores-notícia em coberturas feitas coletivamente no Twitter.
MESA 9 - Direito Autoral, redes e ciberativismo
SALA - 312
Coordenador: Prof. Dr. André Fagundes Pase
- O direito autoral na internet – novas configurações
Alberto Freire Raguenet - Doutorando - PUCRS
Este trabalho trata sobre a questão do direito autoral dentro do espectro de mudanças que ocorrem no contexto da comunicação mundial. Mais precisamente, aborda uma questão latente sobre o direito à propriedade e a conseqüente troca informal desta que se estabelece diante do uso cada vez mais intenso da Internet. Com isso, uma verdadeira revolução se constitui em todos os processos de troca de informações e com uma aceleração nunca vista antes. Neste aspecto, os direitos autorais entram na pauta dos assuntos abordados em comunicação uma vez que a sua essência de proteção dos valores vinculados aos autores de obras cai por terra e passa a inexistir o seu caráter de exclusividade controlado por parte do detentor da obra. O que está sendo colocado agora não é apenas a problemática da distribuição de material midiático sem controle, mas sim a necessidade de se refletir de uma forma diferente, de se compactuar com o fato de que esta mudança é indelével e que, mais importante de que lutar contra ela é achar e propor soluções que compactuem o antigo e o novo, o análogo e o digital.
- Ativismo em Redes Sociais na Internet: o fluxo de comunicação em dois níveis e o caso #forasarney no Twitter
Gabriela da Silva Zago - Mestranda - UFRGS
A proposta deste trabalho constitui-se em refletir sobre a hipótese do fluxo da comunicação em dois níveis no contexto das redes sociais na Internet. Discute-se, à luz do que se pode observar no Twitter, a hipótese de que nas redes sociais se teria não propriamente dois, mas múltiplos níveis no fluxo da comunicação, em diferentes possíveis combinações entre mídia de massa, líderes de opinião, interagentes em sites de redes sociais e demais indivíduos. As considerações são traçadas tomando por base o que pode ser observado na campanha #forasarney no Twitter. Trata-se de uma ação coletiva de “protesto” político desenvolvida no âmbito da ferramenta que contou com a participação de centenas de usuários, incluindo celebridades brasileiras que possuem perfil no Twitter, as quais, conforme se argumenta neste trabalho, teriam atuado como espécies de “líderes de opinião” na condução do protesto, na medida em que influenciaram outros indivíduos a tomarem parte na ação.
- E-gov: instrumento de gerenciamento do governo do rio grande do sul e sua inserção popular
Margarete Panerai Araujo - Doutora e Professora - PUCRS/FEEVALE
A gestão pública do E-Gov seu relacionamento com o usuário e com a participação popular vêm sendo motivo de novas pesquisas e investigações, pois é um novo conceito, cujo poder transformador concentra preocupações atuais de nossa sociedade. Os governos buscam novas orientações pautadas em programas políticos sob diferentes enfoques, de forma a avançar na construção de conceitos e na formação para cidadania. O modelo de gestão eletrônica adotada no estado do Rio Grande do Sul vem estabelecendo um novo paradigma de serviços informacionais. A metodologia de pesquisa utilizada corresponde às técnicas documentais e exploratórias com uma abordagem qualitativa, ainda parciais. Objetiva-se aqui apresentar algumas bases de reflexão da pesquisa sobre o E-Gov, como política de expressão do compromisso social, e geradora de ações socialmente inovadoras de conhecimento.
- Tecnologias de informação e comunicação, rede científica e mobilização agrícola
Lilian Cervo Cabreira - Graduanda - UFSM
Ada Cristina Machado da Silveira - Doutora e Professora - UFSM
A presente pesquisa busca analisar o acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação em um modelo de monitoramento agrícola on-line patrocinado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento denominado Sistema de Alerta. O estudo problematiza a atividade de monitoramento regional da ferrugem da soja no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul. O sistema é tomado como um projeto de mobilização social com ações de cooperação e colaboração entre uma rede científica e agricultores. Para tanto, utilizamos o estudo de caso como método de pesquisa, o qual se vale de entrevistas com os agentes cadastrados responsáveis pelo abastecimento do site. O estudo problematiza as debilidades metodológicas de alimentação do site no monitoramento da doença e as limitações técnicas de atualização da base de dados do sistema, a qual se mostra insuficiente em relação à dinâmica da ocorrência da ferrugem em alguns estados brasileiros.
- Twitter: democracia e interatividade na produção de notícias
João Cândido Ventura Neto - Mestrando - UERJ
Carla Cardoso Silva - Mestranda - UENF
Carlos Henrique Medeiros de Souza - Doutor e Professor - UENF
Com a eclosão dos blogs na Internet e da facilidade de se manter um diário virtual online, aumenta, a cada dia, o número de pessoas que se beneficiam desta ferramenta, seja para suas escritas cotidianas biográficas, como espaço para literatura e ficção, ou autopromoção. Mas quais os motivos que estão a tornar este ambiente tão atraente nos últimos anos? A “democracia” oferecida pelo Ciberespaço seria uma das maiores motivações para essa utilização? A igualdade de condições do meio de produção pode igualar a produção de uma pessoa comum a um conglomerado de mídia, por exemplo? Mediante uma observação in loco no microblog Twitter, este artigo pretende fazer ponderações quanto a esses questionamentos em uma breve comparação da atuação do G1, portal de notícias da Rede Globo, a maior emissora do país, portanto um conglomerado informacional, e do ‘twitteiro’ Fábio Z., identificado no espaço como Bemcapaz. Para tal observação, tomemos como base diálogos de pesquisadores como Pierre Levy (1996), Raquel Recuero (2009), Manuel Castels (1999), Benardo Kucinski (2005) e André Lemos. |