15/08/2018 - 11h38 - Por: Jandara Souza - Consultora de carreira

O dilema da escolha profissional

    Ao longo das nossas vidas, fazemos diversas escolhas, porém umas das mais difíceis é a escolha profissional. Já no início da infância ouvimos de nossos pais, professores, amigos e colegas a famosa pergunta: O que você vai ser quando crescer? Desde cedo, carregamos internamente a pressão de escolher a profissão que exerceremos para o resto das nossas vidas. Mas será mesmo que é para o resto da vida?

   Vivemos em um mercado de trabalho dinâmico, em constante modificação. As profissões que existem hoje, talvez desapareçam em dez anos, ao mesmo tempo em que provavelmente muitas outras surjam. O que isso significa? Que não existe uma “fórmula mágica” ou uma “receita de bolo” que garanta que a escolha profissional será certeira e eterna. A escolha profissional geralmente ocorre no período que antecede a vida adulta. Nesse sentido, os jovens precisam lidar com a angústia de escolher uma opção diante um leque amplo de possibilidades. E ao optarem por uma, estarão abrindo mão de outras, certo? Mas o ser humano geralmente não gosta de perder nada, não é mesmo? Na adolescência esse tipo de sentimento é ainda mais intenso, pois a escolha da profissão é uma maneira importante de construir e consolidar a identidade.

  O senso de identidade, entretanto, já vem sendo moldado desde as primeiras vivências, principalmente através da influência dos familiares quando indiretamente enfatizam o quanto seria recompensador se o filho (a) fosse Médico (a), Advogado (a), Jogador de Futebol e etc. Os jovens também se sensibilizam ao escutarem dos amigos qual a profissão escolhida por eles e acabam ressaltando que desejam o mesmo curso por uma questão de aceitação grupal. Contudo, conforme vão se desenvolvendo e se tornando independentes, começam a tomar consciência dos próprios gostos. E, a partir desse momento, é preciso apoderar-se das próprias ideias e opiniões e não mais viver tentando atender as expectativas das outras pessoas. Para isso, existem algumas etapas que podem facilitar a escolha profissional, tornando-a mais prazerosa, menos sofrida e sem cobrança. De que forma?

    Primeiramente, é fundamental que a profissão escolhida faça sentido e para isso é preciso investir no autoconhecimento. O que isso quer dizer? Que é preciso parar e pensar em si mesmo e considerar quais são as suas características, os seus interesses e os seus valores. Aliado a essa reflexão, é importante também pensar sobre o seu futuro, ou qual o tipo de ambiente de trabalho ideal combina com seu estilo. Da mesma forma, vale a pena considerar as atividades que gosta ou não de fazer, no que tem mais facilidade e o que precisa se dedicar mais para aprender.

   Posteriormente a essa imersão interior é válido conhecer o mercado e tomar conhecimento das diferentes possibilidades de cursos e profissões existentes, através de pesquisas exploratórias via internet e/ou contato com profissionais que atuam com essas carreiras. Ao considerar o mercado, porém, é importante manter-se atento aos valores pessoais e sempre levar em consideração se as características desses cursos estão alinhadas com o seu projeto de vida, planos futuros, já que em alguns momentos as pessoas acabam sendo levadas pelo que o mercado oferece, deixando de lado os valores pessoais.

    Essas etapas podem ser seguidas desde o momento em que se escolhe a primeira profissão ou até quando se tem a intenção de realizar uma transição de carreira. Em todas as etapas da vida e da carreira, o autoconhecimento tem papel crucial, pois sem esse recurso é mais fácil cometer deslizes e correr o risco de errar e/ou se arrepender por ter tomado uma decisão por impulso, sem realmente pensar se aquilo tem a ver com o seu propósito.

   Mas afinal, o que é propósito? No livro escrito pelo Mario Sergio Cortella “Por que fazemos o que fazemos”, o autor consegue traduzir em poucas palavras o significado desse conceito. Antigamente, as pessoas não paravam para refletir no que estavam fazendo, simplesmente entravam no ‘piloto automático’ sem pensar se aquilo realmente fazia sentido. Hoje em dia, a maioria das pessoas está em busca desse propósito, porém poucas conseguem entender a sua real definição.

    Resumidamente, pensar em propósito é pensar por que fazemos o que fazemos, ou seja, é refletir sobre o que faz cada um de nós acordar todos os dias de manhã e fazer aquilo que faz, é pensar em algo maior, o que nos move? Qual o legado que gostaríamos de deixar? Como gostaríamos de ser lembrados e reconhecidos? Enfim, a ideia é investir no autoconhecimento através da descoberta do propósito para ter mais assertividade nas escolhas profissionais e da vida. Para finalizar: “Descubra quem você é, e faça disso um propósito”.

 

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