Porém, diante do excesso de compromissos, da necessidade de que os pais saiam de casa para trabalhar e das longas jornadas de trabalho, o tempo para o diálogo é reduzido. Prova disso é que, para 30% das famílias brasileiras a televisão representa o principal veículo informativo sendo, para 28%, o principal veículo formativo, e mais, 40% apontaram ser esta a principal forma de entretenimento, pois oferece um conjunto de programações a custo zero. O agravante dessa exposição é que, em mais da metade dos casos investigados, a família não exerce nenhum tipo de controle sobre a audiência televisiva, e não há, em 46% dos casos, nenhum tipo de fiscalização sobre o horário limite para que as crianças assistam televisão (RIO GRANDE DO SUL, 1998).
É preciso levar em conta que a televisão
45 é uma mediação que tem uma penetrabilidade muito maior do que a Internet, devido ao seu menor custo, sobretudo nos países em desenvolvimento como o Brasil, e junto a famílias das periferias da cidade. Neste sentido, a adultização precoce da criança estimulada pela mídia, sobretudo pela TV, cujo acesso é mais facilitado a todos, é permeada por um ponto em comum: a questão econômica. Há uma relação inversa entre o segmento social e o tempo de permanência diante do televisor, e, quanto mais baixa for a renda das famílias e menores as possibilidades de lazer e entretenimento, mais tempo as crianças ficam expostas à televisão. A opção de escolher programas de maior qualidade, tendo em vista o acesso mais restrito a canais fechados fica também prejudicada.
Da mesma forma, quanto mais pobre a família e maior a exposição à violência urbana, tendo em vista o risco de viverem nas periferias das cidades, mais tempo ficam em casa (até para escapar desses riscos) e mais expostas à violência e à erotização apresentada na TV estarão. Ou seja, junto às classes menos favorecidas, a tevê é vista como uma alternativa que reduz os riscos do mundo exterior, como a violência.
Embora agravada pela pobreza material, que está na origem também do desconhecimento sobre a "planta infância", a adultização das crianças hoje, ocorre independentemente de segmento social. Longas jornadas de trabalho e ausência de tempo dos pais para estarem com os filhos é algo comum a todo e qualquer segmento social. E são as novas mediações que, ao complexificarem as relações humanas, aproximam os segmentos sociais, pelo menos no que diz respeito às condições de construção da infância de seus filhos, mesmo que, dialogicamente, mantenham-se as diferenças entre essas condições.