Expor as crianças dessa forma é como regar a planta, "planta infância", com combustível explosivo e não, com água e oxigênio.
Porém é preciso enfatizar a virtualidade associada à tevê, bem como a todas as NTIC, pois, assim como adultizam precocemente, abrem inúmeros possíveis a informações e a uma formação sadia das crianças e adolescentes. A infância, bem como o próprio fenômeno do trabalho infantil, é construída através de práticas que são, ao mesmo tempo, antagônicas, complementares e concorrentes. As lógicas que estão por trás da construção desses fenômenos são necessariamente interdependentes. A tevê, neste sentido, é, ao mesmo tempo, aliada e inimiga da infância.
A tevê permite conhecer outras culturas, outros mundos, os próprios programas infantis, a sofisticação do visual, do estético que traz maior estímulo à criatividade, são provas disso. São inúmeros os aspectos positivos da exposição da criança às informações advindas da tevê, como o estímulo a habilidades cognitivas, visto que esta mediação desenvolve o vocabulário, a visão espacial e o raciocínio matemático, e ainda, o estímulo à criatividade, ao instigar para a resolução de problemas. O acesso ao conteúdo acadêmico, já que são inúmeros os programas (sobretudo de TV fechada) que abordam diversas áreas do conhecimento, permite que estudantes adquiram interesse por esses assuntos.
A TV desenvolve também o comportamento social
43, visto que muitos desenhos e programas despertam a criança para valores da vida em sociedade, tais como a cooperação, a solidariedade e a persistência na realização de tarefas. E, por fim, encontramos os programas que estimulam a prevenção da saúde, com campanhas que promovem hábitos de higiene e o combate a doenças (VANNUCHI, 2003).
Porém, entre os efeitos negativos advindos do uso da tevê, podemos destacar os problemas físicos, decorrentes do sedentarismo que, associados à má alimentação (alimentação precária...), resultam na obesidade, no aumento de colesterol, além de outros problemas como a insônia.
Tal é o tamanho do problema que recente relatório do instituto de medicina dos Estados Unidos sobre obesidade infantil alertou aos pais, anunciantes e à indústria alimentícia a necessidade de se tomar providências, pois:
Aproximadamente 9 milhões de crianças e adolescentes de mais de seis anos de idade são consideradas obesas nos EUA. Segundo o relatório, os pais devem incentivar as refeições saudáveis e a prática de exercícios e devem também limitar o tempo das crianças na frente da TV ou do computador em duas horas por dia, ou menos (OBESIDADE Infantil preocupa os EUA, Zero Hora, 01 out. 2004, p.35) [expressão grifada por nós].
Entre os efeitos psicológicos associados à tevê, destacam-se a tendência à imitação, à submissão, ao isolamento ou à apatia, além do aumento da agressividade e do consumismo e a falta de organização. Além disso, há efeitos negativos que refletem sobre o processo pedagógico, como a diminuição no exercício de pensar e da capacidade crítica, a dificuldade para ordenar o pensamento e estabelecer relações, a tendência a dar respostas estereotipadas, a inibição da curiosidade, a dispersão e a dificuldade de concentração. E, por fim, a falta de iniciativa e interesse por atividades com baixo grau de estimulação externa (VANNUCHI, 2003).
No item a seguir demonstrarei em que medida o acesso à tevê vem estimulando a atividade sexual precoce, ante o novo ritmo de vida que modifica as relações intra-familiares.