No acompanhamento da história da língua identificam-se marcos importantes - individualização do português a partir do tronco galego-português nos fins do séc., 16; a difusão da língua no mundo graças ao movimento da expansão (entre os séculos 16 e 17) que fez dela "o primeiro idioma europeu a historicamente assumir o papel de língua de comunicação internacional", segundo Dário Castro Alves; a adoção do português como língua oficial pelos países africanos de colonização portuguesa após a independência.
Nesse percurso, parte-se de um dialeto que, no século 16, tendo-se tornado a língua nacional do reino de Portugal, era falado apenas por cerca de um milhão e meio de pessoas, se espalhou gradualmente por diversos continentes e se tornou no que é atualmente o meio de comunicação oral ou escrito de perto de 200 milhões de pessoas.
O conteúdo lingüístico é particularmente realçado por José Vítor Adragão quando afirma que "a noção de lusofonia correspondente ao conjunto dos espaços geográficos majoritariamente ocupados por lusófonos é, pois, originariamente uma noção lingüística e cobre as normas e as variantes do sistema a que chamamos Português".
Aníbal Pinto de Castro chama a atenção para o sentido cultural, para além do lingüístico, que o conceito de lusofonia encerra, porquanto a língua não se limita a ser veículo de comunicação, ela é "veículo de expressão do fenômeno de aculturação que acompanhou a expansão portuguesa e das novas formas de cultura que desse fenômeno foram nascendo". Portanto, existe uma relação intrínseca entre língua e cultura. O conceito de lusofonia remete a fatos sócio-culturais antes do que a fatos singelamente lingüísticos; designa a comunidade daqueles que podem exprimir-se na língua portuguesa e assim por hábito o fazem. Lusofonia não é um conceito lingüístico, mas antes um conceito social e cultural, cuja invocação é útil sempre que se trate de defender as virtudes da comunicação privilegiada entre povos que estiveram, ou ainda estão, em contato através da língua portuguesa.
Reveladora da carga política é a apropriação da língua do colonizador pelo colonizado para fazer dela um instrumento nacional de unidade - contra o regionalismo e o tribalismo - e simultaneamente de resistência e de libertação, tal como o fizeram a FRELIMO, o PAIGC, o MPLA e a UNITA. Esses movimentos, que já na década de 60 utilizavam a língua portuguesa como veículo de esclarecimento e informação política, por via escrita e na rádio, determinaram que a escolarização nas zonas libertadas fosse feita em português.
Um dos aspectos mais vincados da fonética do português europeu, e que já se notava nos séc. 17 e 18, é a atenuação e progressivo desaparecimento de muitas vogais e mesmo de sílabas de palavras em contraste com o português de África e do Brasil fortemente vocalizado e, portanto, muito mais próximo da língua antiga.
A língua portuguesa se faz presente nos seguintes países: Portugal; na Madeira e nos Açores; Angola; Moçambique; Cabo Verde; Guiné-Bissau; São Tomé e Príncipe; Goa; Macau, Timor-Leste e Brasil. E o que se estuda nessa linha de pesquisa são os sistemas literários dos países lusófonos