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CONSTRUÇÕES TEÓRICAS DO CAMPO LITERÁRIO

Daniela Silva da Silva
PUCRS

      Dizem as teorias da Física que um campo magnético é formado por elementos que se atraem e que estão em movimento. O modificador nominal "magnético", nesse caso, não apenas qualifica o nome "campo". Constitui-se, além disso, em propriedade indispensável à sua condição, natureza e circunstância. É graças ao magnetismo, outro ramo da Física, que os corpos se atraem ou se repelem entre si de acordo com seu grau de afinidade. Não se trata aqui de discutir o ferramental teórico proposto por essa Ciência, mas de utilizá-lo como metáfora para apontar que no Campo Literário de que se vai tratar também há forças agindo umas em relação às outras, conforme grau de parentesco, a favor ou em posição de enfrentamento, umas em dire(oposi)ção às outras. As teorias propostas pela linha de pesquisa Construções Teóricas do Campo Literário exercem sobre esse campo forças magnéticas. Portanto, são delas a responsabilidade pela sua constituição.
      A força inauguradora do Campo é o Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS. A linha de pesquisa Construções Teóricas do Campo Literário é parte integrante desse Programa desde a criação do Curso de Doutorado, na área de Teoria da Literatura, em 1977. Agindo sobre ele e o constituindo está, ainda, a Oficina de Criação Literária. Do magnetismo entre idéias e ações origina a força inauguradora desse Campo que, por sua vez, está inserido em outro mais vasto: a Literatura.
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      A principal atividade desse Campo é fornecer embasamento teórico ao exame de produções literárias em diferentes línguas, como em espanhol, alemão, francês, inglês, dentre outras. É seu objetivo, ainda, a investigação das questões do literário, focalizando os fatores constituintes da Literatura, tanto periféricos quanto centrais.
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      São desenvolvidos estudos sobre a personagem, o tempo, o espaço, o narrador e o discurso, para exemplificar tipos de elementos representativos do grupo de elementos centrais, constituintes materiais de uma obra de arte. No grupo dos periféricos está o debate sobre as questões relacionadas à crítica, seja ela textual, sociológica ou genética. A discussão do Literário a partir da teoria proposta por essa linha de pesquisa também se dá através de temas, os quais apontam em várias direções, uma vez que o Curso trabalha com questões de criação, crítica da obra e recepção.
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      A Oficina de Criação Literária, cujo objetivo é a inclusão de escritores na vida literária, dá conta de representar os debates que envolvem o primeiro item para o qual o essa Linha de Pesquisa se volta. Os alunos admitidos na seleção têm contato com a experimentação narrativa, estudando, dentre outras coisas, o tempo, o espaço, o diálogo e as estruturas que compõem um texto dessa natureza, a fim de evidenciar o arsenal técnico que um escritor deve possuir. Ao estudo crítico compete o exame do processo de concepção das obras literárias pelos seus autores e do próprio texto enquanto resultado desse processo. O terceiro item, a recepção, preocupa-se com o leitor, tanto do ponto de vista interno quanto do externo à obra, avaliando, ao mesmo tempo, o receptor implícito no texto, bem como fatores contextuais que influenciam a leitura do objeto literário e sua circulação na sociedade.
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      São exemplos de trabalhos de pesquisa nessa Linha os projetos desenvolvidos por mestrandos e doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS.
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      Todo o projeto de pesquisa parte de uma hipótese inicial do pesquisador. A busca por essa resposta, em vista disso, depende e é guiada pelo aparato teórico escolhido por ele para embasar o tema a ser discutido e com isso produzir conhecimento. Como modelos teóricos dessa Linha de trabalho são utilizados textos de Sociologia da Literatura, Sociologia da Leitura, Estética da Recepção, Crítica Genética, Crítica Textual e Estudos Culturais.
      Se pesquisar é conhecer, por um lado, por outro, é construir, gerar, discutir, corroborar, refutar. Dessa forma, pesquisar constitui-se num processo de (auto)conhecimento por parte dos indivíduos, bem como deles em relação à(s)comunidade(s) social(is) com a(s) qual(ais) interagem. Pesquisa é interação. Do acordo entre a teoria e a obra de arte também surge um diálogo permanente e perene. Tal diálogo é estabelecido pelo pesquisador, no sentido de conhecer o objeto de estudo com o qual trabalha e de, em contrapartida, dá-lo a conhecer, como se vê, num processo de negociação mútua. A isso se pode denominar processo e é dele que resulta o Campo do qual se está tratando.
      Dessa forma, é o pesquisador uma força ativa e construtora do Campo em questão. São as suas dúvidas, situadas dentro das possibilidades oferecidas por essa Linha de Pesquisa, como o debate acerca da obra, do autor e da recepção, segundo os princípios teóricos aventados, que constrói a teoria que a ampara e dão continuidade ao que foi começado em em 27 de abril de 1977, pelo Conselho Universitário da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Como se vê, muitas são as forças: teóricas, literárias e humanas. Muitas são, dessa forma, as edificações. Conseqüentemente, variada é a arquitetura dos projetos e o design da Literatura que dessas for(ç)mas se alimenta para continuar se desenvolvendo.
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      O ferramental teórico que instrumenta essa linha de pesquisa pode ser representado pelos títulos que compõem a seção "Sugestões bibliográficas".

SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS



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