Acervos:



Roberto Eduardo Xavier

(Rio Grande, RS, 1931; Porto Alegre, RS, 1989).

Roberto Eduardo Xavier nasceu em 6 de abril de 1931, na cidade de Rio Grande, no RS. Filho único do casal Luiz Ernesto Xavier e Laurinda de Macedo, Xavier cresceu sob os cuidados do tio e da mãe, após a morte do pai, por tuberculose, quando tinha apenas 3 anos de idade.

Por morar numa cidade portuária, em plena época da Segunda Guerra Mundial, Xavier manteve contato com marinheiros norte-americanos e, conseqüentemente, aprendeu a língua inglesa. Este fato o credenciou a dominar o idioma, influenciando-o diretamente no exercício da atividade jornalística. O contato com os norte-americanos também o estimulou a escrever uma novela, intitulada O pesadelo de Frau Keller, publicada postumamente, por sua viúva.

Roberto estudou Direito, na Universidade Federal de Pelotas, simultaneamente à sua atuação no jornalismo riograndino. Porém, não chegou a exercer de forma direta sua carreira como jurista, embora tenha atuado no setor, como solicitador da banca de advocacia de Hélio de Araújo Costa, entre os anos de 1951 e 1954. Neste último ano, por conta de uma proposta de trabalho do jornal A Hora, Roberto mudou-se para Porto Alegre, acompanhado de sua mãe.

Em 1958, Roberto Eduardo Xavier casou-se com Fé Emma e com ela viveu até sua morte, 32 anos depois. A união gerou os filhos Luiz Ernesto, no ano de 1960; Emma, em 1964; Ana Lúcia, em 1966; e Antônio Carlos, em 1970.

Xavier atuou durante sua vida como jornalista, relações públicas, publicitário e advogado, além de assumir cargos relativos ao meio ambiente e ao desenvolvimento do turismo no Rio Grande do Sul.

Xavier e o Jornalismo

Xavier iniciou sua carreira no jornalismo, em 1948, como repórter do jornal vespertino Gazeta da Tarde, em Rio Grande. Um ano depois, em 1949, ele ingressou no jornal Rio Grande, ainda na cidade riograndina, como redator. Ali permaneceu nos dois anos seguintes, para então voltar à Gazeta da Tarde, em 1952. Seu reingresso no Rio Grande ocorreu em 1953, ali permanecendo até 1956.

Com somente 20 anos de idade, Roberto já assinava sua primeira coluna, intitulada Mosaicos. Sob o pseudônimo de Bodoque, passava a circular a principal e mais longeva seção de sua carreira. A coluna o acompanhou na Gazeta da Tarde, em 1952, passando pelo Rio Grande, de 1953 a 1956 e, anos depois, pela Folha da Tarde, de Porto Alegre, entre 1959 a 1961.

No período em que permaneceu na cidade de Rio Grande, Xavier ainda escreveu como colunista para o jornal Cruzeiro do Sul, em 1951, na seção Apontamentos de Cinema. Nos anos de 1953 e 1954, colaborou em Cinelândia, jornal gratuito distribuído nas salas de cinema, com a seção Conversa de Domingo, com o pseudônimo de Lorgnon.

Roberto participou, entre outras realizações, da fundação da Rádio Minuano, no ano de 1950, além de exercer a função de chefe de redação na emissora. Cinco anos depois, já vivendo em Porto Alegre, Xavier atuou como secretário do departamento de rádio jornalismo da Rádio Gaúcha e apresentador, ao lado de Amir Domingues.

Em 1954, sua participação no jornalismo deslocara-se para a capital gaúcha, através do jornal A Hora. No periódico, de 1956 a 1957, atuou ao lado de nomes como Josué Guimarães, Lauro Schirmer, Cândido Norberto.

Já experimentado cronista, foi questão de pouco tempo para Xavier possuir sua própria seção em A Hora. Isto aconteceu a partir de julho de 1956, com a coluna Pedrinhas e Pedradas, assinada por Bodoque. Em setembro do mesmo ano, Roberto começou a assinar uma segunda seção, chamada Mala Consular. Com periodicidade semanal, sendo publicada aos sábados, Mala Consular era voltada para assuntos internacionais. Xavier também exerceu as funções de chefe de redação e gerente comercial do periódico, onde permaneceu até o ano de 1957. Em 1956, assumiu também uma função de redator da conceituada Revista do Globo, na qual exerceu o papel de editor, até 1959. No ano de 1957, Xavier foi contratado pela Companhia Jornalística Caldas Júnior, comandada por Breno Caldas.

Sua atuação na Rádio Gaúcha o credenciou a ingressar na equipe fundadora da Rádio Guaíba, no ano de 1957, em um novo empreendimento da Cia. Jornalística Caldas Júnior. Para Roberto, couberam as funções de redator e locutor, mas principalmente a de produtor, tornando-se chefe do departamento de produção da emissora, na qual permaneceu até 1964.

Outro fator de destaque para a carreira de Xavier foi sua nomeação como diretor do Bureau Brasil Sul de uma das maiores agências internacionais de notícias, a norte-americana Associated Press (AP). Xavier tornou-se representante da região sul do país, incluindo Santa Catarina, Paraná e parte da Argentina e Uruguai, pela AP, onde permaneceu até 1965.

Neste mesmo período, a partir de 1960, Xavier participou da administração da Associação Rio-Grandense de Imprensa (ARI), como integrante do departamento cultural, em conjunto com Léo Arruda, Glênio Peres e Ruy Diniz Neto.

No ano de 1963, Roberto teve a oportunidade de trabalhar fora do país, graças a um programa de intercâmbio com jornalistas estrangeiros, patrocinado por jornais norte-americanos e pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. Ele se tornou o terceiro jornalista brasileiro a ingressar neste intercâmbio.

Xavier, as Relações Públicas e a Publicidade

Roberto Eduardo Xavier assumiu o Departamento de Promoções dos jornais e da empresa Caldas Júnior, no final da década de 50. Tornou-se responsável pelo setor que hoje equivale aos departamentos de publicidade e relações públicas de qualquer instituição.

No ano de 1960, Xavier fundou a RP – Relações Públicas Ltda., a primeira agência do ramo no estado. A RP – Relações Públicas teve como objetivo a prestação de serviços de assessoria de relações públicas e comércio de representações. Permaneceu na RP – Relações Públicas, nos seus primeiros meses, visando ajudar na sua estruturação.

Naquele mesmo ano, atuou como assistente do departamento deste setor, junto ao Clube de Diretores Lojistas, onde permaneceu até 1966, assim como assessor da presidência da Associação Comercial de Porto Alegre e da Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul, até 1964, também na área relativa a relações públicas.

Seu ingresso na publicidade teve igualmente movimento importante em 1960, ao ser contratado pela Standard Propaganda S.A., até então considerada a mais importante agência de publicidade do país. Xavier ingressou na filial sulina da Standard, três anos depois da sua criação, como integrante do recém-criado e inédito, no estado, Departamento de Varejo e Relações Públicas. Roberto permaneceu entre os anos de 1960 e 1961 na Standard Propaganda,

Merece destaque, como feitos de Xavier, a campanha publicitária, promocional e de relações públicas da recém-criada TV Gaúcha, projetos elaborados por Xavier ainda nos primórdios da televisão no estado, televisão que, décadas mais tarde, viria a se tornar a RBS TV.

Durante o biênio 1963-1965, Xavier ocupou a posição de vice-presidente da Associação Rio-Grandense de Relações Públicas, em conjunto com Ruy Diniz Neto e Glênio Peres. Ainda no ano de 1963, Xavier foi convidado a integrar a equipe da agência de publicidade MPM Propaganda. Coube a Roberto assumir a criação e a implementação do departamento de relações públicas da MPM, onde logo se tornou chefe do setor.

Em decorrência do trabalho desenvolvido em Porto Alegre, Xavier foi convidado, em 1964, a se mudar com a família para São Paulo, onde, além de criar o setor de relações públicas na agência paulista, assumiu ainda a função de coordenador de filiais da MPM. Xavier ocupou ainda o cargo de monitor das demais filiais da empresa, no mesmo ano. O jornalista deixou a MPM, em 1968, quando retornou para o Rio Grande do Sul.

No período em que Xavier viveu em São Paulo, vale destacar ainda a sua participação como representante do Brasil no Congresso Mundial de Relações Públicas, realizado em São Paulo, no ano de 1967.

Na volta a Porto Alegre, Xavier criou uma indústria gráfica, chamada Cestari, Xavier & Terra, entre os anos de 1968 a 1971, na qual Roberto assumiu a direção comercial. Também a partir de 1968, Xavier tornou-se professor na área de relações públicas da FAMECOS-PUCRS, até o ano de 1970.

Em 1983, assumiu o cargo de assessor da presidência do Grupo Habitasul. Nesta função, Xavier foi responsável pela reestruturação e a administração dos setores de jornalismo e de relações públicas da empresa. Xavier permaneceu na Habitasul até 1985, sendo esta sua última atuação em relações públicas.

Xavier, o Turismo e o Meio Ambiente

Em 15 de março de 1971, Xavier participou da equipe de Governo do Estado, a convite do economista Roberto Pires Pacheco, Em 1972, foi nomeado secretário-geral do CONDEC – Conselho de Desenvolvimento da Comercialização, função que acumulou com a de Diretor do Departamento Empresarial da Secretaria da Indústria e Comércio.

No dia 20 de fevereiro de 1973, Roberto Eduardo Xavier, até então Secretário Estadual de Indústria e Comércio, era anunciado pelo governador Euclides Triches como o novo Secretário de Turismo do Estado. Xavier fizera parte do governo antes mesmo de o mesmo ter assumido, ao ser convocado para integrar a equipe de estudos para a criação da Secretaria de Turismo. Anos antes, a convite do então Prefeito Loureiro da Silva, Xavier integrara o grupo de estudos que elaborou a lei determinando a fundação do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) de Porto Alegre, do qual foi conselheiro, de 1961 a 1965.

Outro importante aspecto em sua gestão foram as construções do Parque da Guarita, em Torres; e do Parque do Caracol, em Canela. Na Secretaria de Turismo, participou da comissão organizadora do Biênio da Colonização e da Imigração, do Sesquicentenário da Imigração e Colonização Alemã em São Leopoldo, no ano de 1974, e do Centenário da Imigração Italiana, em Nova Milano, no ano de 1975, além de outras atividades relacionadas à formação cultural do Rio Grande do Sul neste que foi um dos eventos mais marcantes da história do turismo e da cultura gaúcha.

Como reconhecimento à política externa adotada pela Secretaria de Turismo, Xavier recebeu, em fevereiro de 1974, anúncio do ingresso da Secretaria de Turismo na União Internacional de Organismos Oficiais de Turismo (UIOOT).

O meio ambiente também virou pauta da Secretaria de Turismo e da Secretaria da Agricultura, ao se lançar a Campanha de Arborização do Litoral. Com o objetivo de incentivar o plantio de árvores em toda a costa gaúcha, não só como forma de evitar a desertificação de vastas áreas, como aproveitar o uso da paisagem, a campanha foi dividida em três fases, sendo responsável pelo plantio de mais de 300 mil novas árvores.

Com estas e tantas outras realizações, Roberto Eduardo Xavier deixou a Secretaria de Turismo em 1975.

O ano de 1977 marcou a criação da primeira secretaria do meio ambiente, seja a nível municipal, estadual ou federal, através do comando de Roberto Eduardo Xavier.

Uma das principais realizações da gestão de Xavier foi a criação do Parque Marinha do Brasil, às margens do lago Guaíba, ainda hoje uma das grandes referências para lazer e recreação na cidade.

Prêmios e Honrarias

  • 1974- Medalha “Monumento Nacional ao Imigrante” pela Prefeitura Municipal de Caxias do Sul
  • 1974- Certificado de Conferencista no I Seminário de Promoção e Comunicação Turística do Instituto Brasileiro de Estudos Turísticos
  • 1974- Diploma de participação no Sesquicentenário da Imigração e Colonização
  • 1977- Prêmio destaque do Ano RBS, categoria Meio Ambiente
  • 1978- Medalha Cruz de São Jorge em grau Ouro pela União dos Escoteiros do Brasil
  • 1978- Certificado da Prefeitura Municipal de Porto Alegre pela participação como coordenados da Comissão 4 “Ambiente Urbano/ Recursos Naturais e Sócio-Culturais, no Seminário de Desenvolvimento Urbano de Porto Alegre
  • 1981- Homenagem especial no II Seminário de Propaganda de Gramado
  • 1984- Mérito ADJORI-RS da Associação de Jornais do Interior do Rio Grande do Sul, por serviços prestados ao jornalismo do interior.
  • 1987- Diploma “El Leon de San Marco” como prova de público conhecimento pelo Instituto Veneto per I Rapporti com I Paesi Dell´America Latina
  • 1987- Homenagem da RBS – 30 anos por colaboração com a empresa