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Júlio H. Petersen

(Taquara, RS, 1918; Porto Alegre, RS, 2003).
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DADOS BIOGRÁFICOS E CURRICULARES DE
JÚLIO HEINZELMANN PETERSEN

(organizados por Sílvia R. F. Petersen)

As biografias destinadas ao uso institucional geralmente têm um formato muito semelhante ao de um currículo, e talvez essa seja mesmo a forma correta. Esta, no entanto, estará envolvida por afeto e saudade, pois, por uma dessas surpresas que a vida nos oferece, eis que me tocou biografar meu pai, Júlio Heinzelmann Petersen, que faleceu em 9 de dezembro de 2002.

Muitas matérias foram escritas sobre o trabalho que realizou construindo a maior coleção particular de obras sobre o Rio Grande do Sul, e por isso quero começar lembrando algumas passagens de sua vida junto aos livros, pois revelam um pouco de sua amável personalidade. Eu sei que ele ficaria feliz em ser reconhecido, como o faço, por seu amor pela leitura e pelos livros. Teve a sorte ou a sabedoria de, desde muito cedo, encontrar na leitura uma companheira que o acompanhou vida a fora. Pouco antes de falecer, hospitalizado e com dificuldade para ler, ainda assim estava atento para a leitura que os filhos faziam dos jornais e recomendava, com o mesmo entusiasmo de sempre, que guardassem para ele tal ou qual matéria publicada, que seria incorporada a uma das dezenas de pastas, envelopes, arquivos e cadernos onde classificava e guardava as matérias sobre o seu querido Rio Grande do Sul.

Nascido em Taquara em 30 de abril de 1918, seus pais foram João Libório Petersen, um caixeiro-viajante que percorria a zona colonial alemã, e Sílvia Heinzelmann Petersen, dona de casa astuciosa e inventiva, como é comum àquelas que devem dirigir a família nas longas ausências do marido. Meu pai teve uma irmã mais velha, Maria, e uma mais nova, Zélia. Estudou na Escola Elementar de Taquara, onde em 1932 concluiu o curso primário. Foi enviado por seus pais para continuar os estudos no Colégio Nossa Senhora do Rosário, passando desde então a residir em Porto Alegre. Em 1934, completou o Ginásio com menção honrosa.

Desde muito jovem apaixonado pela leitura, esteve mergulhado em todos os romances de aventura de sua época. Lia e adquiria com sua pequena "mesada" os expoentes infanto-juvenis da época: Búfalo Bill, Sherlock Holmes, os romances de aventuras de Karl May, os de capa-e-espada de Michel Zevaco e os "futuristas" de Júlio Verne, sem esquecer O Tico-Tico e O Globo Juvenil, cujos fascículos colecionava cuidadosamente. Talvez sua impressionante biblioteca de livros, revistas, jornais e todo tipo de escritos sobre o Rio Grande do Sul tenha tido origem nesse prazer de adquirir, ler e preservar livros que o acompanhou desde cedo. Mas a história da biblioteca teve inicio quando recebeu do cunhado o livro Voluntários do martírio, de Ângelo Dourado, e então, muito interessado em conhecer os detalhes da Revolução de 1893, deu início à procura de obras que ampliassem o conhecimento sobre o tema. Daí passou ao estudo de outros movimentos armados em que as forças rio-grandenses participaram e aumentou o campo de interesses dentro da História do Rio Grande do Sul, adquirindo livros e outros materiais cuja temática foi se estendendo à literatura, às ciências, imprensa periódica, documentos, fotografias, manifestações culturais de todos os tipos. Enfim, formou uma coleção extensa e democrática, no sentido de que abrigava todos os tipos de publicações, campos de conhecimento e tendências de análise que se referiam ao Rio Grande do Sul.

Pude testemunhar que seu amor pela leitura foi autêntico e sem preconceitos, e embora nos meios intelectuais meu pai fosse conhecido por sua "rio-grandina" e pelas raridades que ela abrigava, tinha tanto entusiasmo em discutir as "filigranas" das numerosas edições do Antônio Chimango, tema que conhecia em profundidade, ou para comentar alguma descoberta que fizera sobre a história de sua querida Taquara, como para percorrer as colunas esportivas dos jornais ou resolver suas palavras cruzadas. E a alusão ao esporte me leva a escrever sobre um outro lado de sua vida pública: o futebol.

Começou a jogar futebol em Taquara, na equipe juvenil do Sport Club Taquarense. Mas como ele mesmo contava, era tão "perna-de-pau" que somente lhe permitiam participar dos treinos e jogos se ficasse como goleiro. Assim, curiosamente, essa foi a razão pela qual veio a ocupar a posição onde sempre iria atuar no futebol.

Em 1937 deixou os estudos para integrar como goleiro a equipe principal do Sport Club Internacional, onde já atuava nos "juvenis". Aí foi colega, entre outros, dos jogadores Guilherme Schroeder ("Risada"), Edmundo Levy, Silvio Pirilo e Oswaldo Brandão, que faço questão de nomear, pois, como o futebol é um esporte coletivo, meu pai sempre insistia em citar companheiros que estiveram a seu lado naqueles anos.

Conquistou o título de campeão – da cidade e do Estado - nos anos de 1940 e 1941. Também em 1937 começara a trabalhar como contínuo na IBM do Brasil, onde permaneceu até 1967, encerrando sua atividade na empresa no cargo de procurador e chefe de escritório da filial de Porto Alegre.

Em 1940, casou com Odete Kelsch Ferraz, minha mãe, que veio a falecer em 1943.

Neste ano, ingressara na equipe do Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense, onde em 1946 conquistou o título de campeão - da cidade e do Estado -, tendo sido companheiro, entre outros, de Clarel Kauer, Breno Stefen ("Geada"), Johnny Luiz Alves, Fortunato Tonely e Sérgio Moacir Torres Nunes. Em 1943, 1944 e 1946 integrou o selecionado gaúcho de futebol.

Durante sua permanência no Grêmio, foi agraciado com o título de "Atleta Laureado", e em 1949, com o prêmio Belfort Duarte, concedido pela Confederação Brasileira de Desportes a atletas que durante cinco anos não tenham sofrido nenhuma punição disciplinar, sendo o primeiro gaúcho a conquistá-lo. Nesse ano, foi autor da publicação Álbum Gremista, com o histórico do Clube, biografias dos atletas e diretorias e resenhas dos jogos do ano.

Casado então com Maria Nancy Canhada, foram os pais de meus irmãos Júlio César, Júlio Carlos e Sandra Regina.

Na década de 1950, deixando a goleira, não abandonou os gramados, pois diplomou-se na Escola de Árbitros da Federação Rio-Grandense de Futebol e como tal atuou por muitos anos na capital e no interior do Estado. Em 1975 foi nomeado Sócio Honorário da Associação Gaúcha de Árbitros e, no mesmo ano, foi laureado pela Federação Rio-Grandense de Futebol, ambas as distinções conferidas por relevantes serviços prestados ao futebol gaúcho.

Sua relação com os livros cresceu nesses anos. Meu pai nunca se considerou um intelectual e muito menos pretendeu dar essa imagem; mas de fato, como poucos, ampliou seu intelecto e sua reflexão com uma vida enriquecida por livros e leituras. Sempre me impressionou profundamente que ele não apenas adquiria livros - como ocorre com tantos colecionadores -, mas conhecia profundamente o conteúdo de seus livros, tanto daqueles cujos temas por si são marcantes, como informações contidas em outros, aparentemente tão áridos como o relatório de um Presidente da Província ou o informe diplomático de uma disputa entre o Brasil e a Argentina sobre uma pequena ilha fluvial. Nos últimos anos de sua vida comecei, com a ajuda de alguns de seus netos, a fazer o levantamento das obras de sua biblioteca, o que nos levava a manusear cada livro, revista ou folheto. Tive então a surpresa de constatar - o que me emocionou muito - quantos desses livros continham uma folhinha com anotações que ele havia feito de acréscimos ao tema, de indicação de obras complementares, correção de erros, etc. O cuidado com os livros fazia com que, muitas vezes, para completar algum exemplar incompleto, ele copiasse à mão, quando conseguia outro volume, as páginas que faltavam. Ou seja, cada livro lhe merecia uma atenção especial, quase como "um filho", sobre o qual tinha perguntas, inquietações e cuidados.

Essa mesma imagem dos livros como filhos aos quais se deve dar liberdade, mas acompanhar com cuidado para que não se "extraviem", eu encontro no empréstimo de seus livros. Conhecido como uma pessoa generosa, que disponibilizava os exemplares de sua biblioteca aos que o procuravam, tinha uma exigência pétrea: o empréstimo de cada obra era anotado pelo próprio interessado em um caderninho mantido para essa finalidade, com a expressa recomendação de que "todos os livros voltassem para passar o Ano Novo com ele", mesmo que no dia seguinte tornassem a ser emprestados.

A relação afetiva que mantinha com os livros fez com que nos seus últimos anos se dedicasse a escrever as histórias curiosas de como adquirira muitas dessas obras, sem esquecer os muitos amigos, livreiros e bibliófilos que participaram desses episódios, alguns deles verdadeiras aventuras. Mas este é apenas um de seus numerosos escritos inéditos. Espírito minucioso e paciente, possuidor de uma invejável memória, elaborou várias bibliografias temáticas, dentre as quais a da Revolução de 1893, um de seus assuntos favoritos. Sobre o Antônio Chimango, realizou uma análise comparada de todas as edições do poemeto e dos comentários, citações e iconografia sobre a obra. Também estava sempre interessado na história de seu lugar de nascimento, Taquara, e não só escreveu sobre o tema como forneceu muitos materiais a pesquisadores locais que estão recuperando a história do município. Apesar de ter desenvolvido tantas pesquisas, por razões que nunca entendi muito bem, pouco publicou de seus escritos, o que em todo caso em nada diminuiu seu interesse pelo trabalho que realizava.

Era impressionante não só sua agilidade mental como sua memória para lembrar fatos, as obras que os mencionavam e o local preciso em que estavam entre os mais de vinte mil títulos nas suas estantes. Esse tipo de conhecimento, entretanto, se perdeu com ele. Acho que meu pai integrou um grupo ou uma geração à qual também pertenceram Pedro Leite Villas-Bôas, Ivo Caggiani, Sergio da Costa Franco e Lothar Hessel, para mencionar alguns dos que mantiveram uma especial relação de conhecimento com a História e a Literatura gaúchas, absolutamente insubstituível e intransferível por seu estilo de trabalho. Nem minha geração nem as mais jovens, pelo tipo de atividade intelectual que hoje desenvolvemos e pelas demandas que a vida acadêmica nos coloca, podemos repetir ou recuperar esse tipo de memória que, lamentavelmente, se perde com a morte de seus portadores.

Seu envolvimento com os livros fez com que participasse, em 1966, com alguns desses companheiros e outros pesquisadores, da fundação do Círculo de Pesquisas Literárias, CIPEL, que presidiu de 1983 a 1986, e cujo Boletim foi criação e divulgação sua.

A impressionante biblioteca que meu pai formou, referência obrigatória para os pesquisadores sobre o Rio Grande do Sul especialmente no que se refere a História e Literatura, foi resultado de mais de sessenta anos percorrendo muitos caminhos na pista de livros e documentos, "garimpando" sebos e coleções, realizando compras e permutas das obras que hoje a integram. As palavras de Carlos Reverbel, escritas na Folha da Tarde de 27-9-1978, sintetizam perfeitamente seu trabalho nesse sentido:

"Há pessoas que terminam virando instituição. O Júlio Petersen faz parte dessa categoria social, formada geralmente por gente fora de série. A sua metamorfose, passando de simples cidadão a uma verdadeira instituição, verificou-se na medida em que foi tomando vulto a sua rio-grandina, hoje a mais opulenta e valiosa coleção particular de livros e documentos sobre o Rio grande do Sul[...]. Aliás, o Júlio fez de sua rio-grandina uma missão, sua maneira de servir a sociedade onde vive."

Após sua morte, a biblioteca foi adquirida pela PUCRS, com muita satisfação para a família, pelo desejo que meu pai sempre manifestou de que o acervo não fosse desmembrado nem saísse do Rio Grande do Sul, pelos laços que ele manteve ao longo da vida com os maristas (durante os anos de 1963 a 1966, foi presidente da Associação de Pais e Mestres do Colégio N. S. do Rosário, APAMECOR) e pela inequívoca competência desta Universidade para conservar a coleção e disponibilizá-la ao público.

O prazer de colecionar livros e pesquisar seus temas favoritos foi acompanhado pelo prazer de fazer amigos, e Júlio Petersen recebia com generosidade e entusiasmo os inúmeros pesquisadores que recorriam à sua biblioteca, cujas obras também eram emprestadas tanto para exposições bibliográficas promovidas por diferentes instituições, como para as inúmeras "gincanas" que movimentavam nossa capital e que volta e meia recorriam aos livros que ele colecionava.

Seu trabalho solidário de bibliófilo, pesquisador e divulgador da História e da Literatura do Rio Grande do Sul o fez merecer várias homenagens, como: Troféu concedido pela Sociedade Taquarense em homenagem a sua trajetória esportivo-cultural. Taquara, 1980; Troféu "Amigo do Livro", concedido pela Câmara Rio-Grandense do Livro, 1992; Troféu concedido pelo Instituto de Letras e Artes - Curso de Pós-Graduação em Letras da PUCRS em homenagem prestada durante o 2º Encontro Nacional de Acervos Literários. Porto Alegre, PUCRS, 1995; Homenagem do CIPEL - Círculo de Pesquisas Literárias a seu sócio fundador, no trigésimo aniversário da entidade. Porto Alegre, 1996; Troféu recebido como homenagem de Taquara a seu filho ilustre. Taquara 1996; Diploma de "Mérito de Grupo", concedido pela União dos Escoteiros do Brasil, por serviços prestados ao movimento escoteiro. Porto Alegre, 2000; Diploma de "Amigo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul", concedido em reconhecimento de seu trabalho em prol da cultura rio-grandense. Porto Alegre, IHGRGS, 2000.

Colaborou na seleção de livros e/ou empréstimo das obras para as seguintes Exposições bibliográficas e arqueológicas: Obras raras sobre a Revolução de 1893. Bagé, 1983; Edições de Antônio Chimango, de Ramiro Frota Barcellos. Cachoeira do Sul, 1984; Obras de Antônio Vicente da Fontoura Xavier. Cachoeira do Sul, 1984; Obras de Lindolfo Collor. Porto Alegre, 1990; "80 Livros Raros". 40ª Feira do Livro. Porto Alegre, 1995; Artefatos indígenas zoomorfos. Exposição do Núcleo de Pesquisas Arqueológicas da UFRGS. 1997; Exposição "História da Literatura do Rio Grande do Sul" (61 livros raros). 46ª Feira do Livro. Porto Alegre, 2000; Exposição de obras de Pedro Leite Villas-Bôas, publicadas e inéditas. 5º Encontro Nacional de Acervos Literários Brasileiros, promoção do Centro de Memória Literária do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS, 2001.

Falar de tanto apego aos livros pode sugerir uma pessoa mergulhada em muitos papéis amarelados, distanciado do mundo ao seu redor. Mas Júlio Petersen foi todo o contrário: teve múltiplos interesses e, sempre animado e de bom humor, soube cultivar muitos amigos, desfrutar os prazeres comuns, as festas familiares, os veraneios, sem esquecer as viagens de carro aos mais perdidos rincões do Estado, onde sua curiosidade e espírito de aventura o levavam. Não me lembro de nenhuma oportunidade em que a leitura fosse tão importante que ele não tivesse tempo para conversar com a mulher e os filhos ou para receber um amigo ou parente. Ou seja, uma das coisas que sempre admirarei em meu pai foi sua capacidade de integrar harmônica e prazerosamente os livros em sua vida, de forma a enriquecê-la e não, ao contrário, encerrá-la em um gabinete ou em um intelectualismo pedante.

Seu amor aos livros certamente foi uma face de seu entusiasmo pela vida, de uma força interior que nunca esmoreceu e sempre fez seus olhos brilharem e sua voz ganhar vibração ao relatar algum projeto que estava realizando ou alguma descoberta em meio a suas leituras. Creio que esta força foi que o ajudou a enfrentar, entre outras duras perdas, as limitações físicas provenientes de um AVC que há alguns anos havia paralisado parcialmente seu lado direito, fazendo com que perdesse repentinamente a independência e parte de suas capacidades motoras. Apesar disso, jamais proferiu uma queixa, tornou-se amargo ou entregou-se à invalidez. Sempre encontrava formas de perseverar na alegria e no otimismo. Continuou escrevendo na sua velha Olivetti, então com o indicador da mão esquerda, registrando tanto os resultados de suas pesquisas e anotações sobre as leituras, como respondendo às inúmeras cartas que recebia ou enviando mensagens aos amigos. Às vezes eu o observava enquanto escrevia e pensava que só um espírito muito forte e movido por grande amor aos livros podia prosseguir apesar de tantas dificuldades, quando o simples ato de colocar o papel na máquina e corrigir um erro tipográfico demandava tanto esforço, o mesmo que para retirar um livro da estante e folheá-lo. Mas sempre fez isso com prazer, um prazer que suplantava as limitações e que fazia também que atendesse com a maior atenção aos pesquisadores que o procuravam. E com respeito a estes, ainda quero fazer um comentário. A biblioteca foi sendo construída por mais de cinquenta anos, com os recursos limitados de um homem que foi jogador de futebol e comerciário, sem fortuna de berço ou verbas institucionais, mas sempre que possível atendeu àqueles que buscavam materiais para suas pesquisas, emprestou exemplares para inúmeras exposições e reedições de obras raras. Sua biblioteca serviu de fonte de pesquisa para centenas de pesquisadores, professores, mestrandos e doutorandos, alunos e estudiosos de todos os níveis, não só de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, como de outros estados do Brasil e do Exterior.

Júlio Petersen foi também autor das seguintes PUBLICAÇÕES:

- Antônio Chimango e suas edições. 1º Encontro de Pesquisadores Cipelistas. Porto Alegre, 1970.

- Sílvio Júlio e o Rio Grande do Sul. In: Cultura Rio-Grandense, v.II, 1981.

- Bibliografia da Revolução de 1893. In: Fontes para a História da Revolução de 1893. Catálogo da Exposição. Bagé: Museu D. Diogo de Souza, 1983.

- Bibliografia da Revolução de 1893. In: Fontes para a História da Revolução de 1893. Anais do Seminário realizado em Bagé, 12-15 de novembro de 1983. Bagé, 1990.

- Santa Cristina do Pinhal/Taquara. Distrito de Santo Antônio ou de Porto Alegre? In: Raizes de Santo Antônio da Patrulha-São Francisco de Paula-Tramandaí. 1992.

- Santa Cristina do Pinhal/Taquara. Distrito de Santo Antônio ou de Porto Alegre? (Parte final). In: Raízes de Gramado. 1995.

- O livro no Rio Grande do Sul. Mostra de livros raros da biblioteca de Júlio Petersen (40ª Feira do Livro). Porto Alegre, Câmara do Livro, 1995.

- A Província de São Pedro do Rio Grande do Sul em seus Almanaques. Correio do Povo, 18-1-1967.

- Serviço postal entre a Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul e a Corte. Correio do Povo, 24-9-1967.

- Taquara: um pouco de sua História. Correio do Povo, 18-6-1971.

- Antônio Fontoura Xavier. Um poeta ilustre e sua obra. Correio do Povo - Caderno de Sábado. 9-6-1979.

- Três precursores gaúchos na defesa do meio ambiente. Correio do Povo- Letras e Livros. 28-8-1982.

- Três antigas revistas agro-pastoris do Estado. Correio do Povo- Suplemento Rural. 4-11-1983.

- Bibliografia da Revolução Farroupilha. In: Trinta Dias da Cultura. Porto Alegre, Instituto Estadual do Livro. 1990-1992; nº 30, 31, 32, 33, 36 e 37.

- Subsídios para a história da imprensa em Arroio Grande. In: Trinta Dias da Cultura. Porto Alegre, Instituto Estadual do Livro. 1991. n° 34 e 35.

- Futebol de Arroio Grande. A Evolução. Arroio Grande. 15-6-1990.

- Príncipe francês em Arroio Grande. A Evolução. Arroio Grande. 15-6-1990 e 22-6-1990.

- Uma penca em Arroio Grande em 1877. A Evolução. Arroio Grande. 22-6-1990 e 29-6-1990.

- Os primeiros proprietários na então vila de Arroio Grande em 1854. A Evolução. Arroio Grande. 20-7-1990, 27-7-1990, 3-8-1990, 17-8-1990, 31-8-1990.


Realizou as seguintes PALESTRAS:

- Antônio Chimango e suas edições. 1º Encontro dos Pesquisadores CIPELISTAS. Porto Alegre, 1970.

- Sílvio Júlio e o Rio Grande do Sul. Segundo Ciclo de Palestras do CIPEL. Porto Alegre, 1980.

- Santa Cristina do Pinhal/Taquara. Distrito de Santo Antônio ou de Porto Alegre? 2º Encontro de Municípios originários de Santo Antônio da Patrulha. São Francisco de Paula, 1991.

- A divina pastora de Caldre Fião. Sessão Especial do CIPEL, 1993.

-Santa Cristina do Pinhal/Taquara. Distrito de Santo Antônio ou de Porto Alegre? (Parte final). 5º Encontro dos Municípios Originários de Santo Antônio da Patrulha. Gramado, 1994.

- A vida e a obra de Pedro Leite Villas-Bôas. Salão de Exposição das Obras de Pedro Leite Villas-Bôas. PUCRS, Porto Alegre, 2001.


Há muitas outras histórias que poderia contar sobre Júlio Petersen, mas vou concluir aqui. Com este texto, pretendi, além de escrever uma pequena biografia, homenagear sua memória e sua vida íntegra, tão bem vivida e que tanta saudade deixou.

Porto Alegre, 7 de setembro de 2008.



Cronologia de Vida


1918 - Em 30 de abril, nasce Júlio Heinzelmann Petersen, em Taquara (RS), filho de João Libório Petersen e de Silvia Heinzelmann Petersen.

1932 - Conclui o curso primário na Escola Elementar de Taquara.

1934 - Conclui, com menção honrosa, o ginásio no Colégio Nossa Senhora do Rosário, em Porto Alegre (RS), para onde os pais o enviaram para dar continuidade aos estudos.

1937 - Deixa os estudos para integrar a equipe principal do Esporte Clube Internacional, de Porto Alegre, na condição de goleiro.

1937 - Começa a trabalhar como contínuo na IBM do Brasil, em Porto Alegre (RS), empresa na qual permanecerá até 1967, exercendo a função de procurador e chefe de escritório da filial.

1940-1941 - Conquista o título de campeão da cidade e do Estado, como futebolista.

1941 - Ingressa no Grêmio Futebol Porto-Alegrense.

1946 - Integra a equipe do Grêmio Futebol Porto-Alegrense, quando esse conquista o título de campeão da cidade e do Estado.

1943-1946 - Integra o selecionado gaúcho de futebol.

1949 - Recebe o prêmio Belfort Duarte, concedido pela Confederação Brasileira de Desportes a atletas que durante cinco anos não tenham sofrido nenhuma punição disciplinar, sendo o primeiro gaúcho a conquistar tal distinção. O título soma-se ao de "Atleta Laureado", recebido anteriormente.

1949 - Publica o Álbum gremista, com histórico do Clube, biografia dos atletas e diretorias, e resenhas dos jogos do ano.

1950 (década) - Deixa a goleira, mas não abandona o esporte, passando a atuar como árbitro, depois de receber o diploma da Escola de Árbitros da Federação Rio-Grandense de Futebol.

1966 - Funda em Porto Alegre (RS), juntamente com alguns professores e pesquisadores, o CIPEL - Círculo de Pesquisas Literárias, motivado pela relação com os livros que começara na infância e que se acentuara com o início de sua coleção de obras sobre o Rio Grande do Sul.

1967 - Publica no Correio do Povo de Porto Alegre, em 18 de janeiro, o estudo "A Província de São Pedro do Rio Grande do Sul em seus almanaques". Nesse mesmo ano, publica também no Correio do Povo, em 24 de setembro, o estudo "Serviço postal entre a Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul e a Corte".

1970 - Publica "Antônio Chimango e suas edições", no 1º. Encontro de Pesquisadores Cipelistas, realizado em Porto Alegre (RS).

1971 - Publica no Correio do Povo de Porto Alegre o estudo "Taquara: um pouco de sua história", no dia 18 de junho.

1975 - É nomeado Sócio Honorário da Associação Gaúcha de Árbitros e laureado pela Federação Rio-Grandense de Futebol, distinções concedidas pelos relevantes serviços prestados ao futebol gaúcho.

1979 - Publica no "Caderno de Sábado", do Correio do Povo de Porto Alegre, em 9 de junho, o artigo "Antônio Fontoura Xavier. Um poeta ilustre e sua obra".

1980 - Recebe o troféu concedido pela Sociedade Taquarense em homenagem a sua trajetória esportivo-cultural.

1981 - Publica o estudo "Sílvio Júlio e o Rio Grande do Sul", incluído no segundo volume da Cultura Rio-Grandense.

1982 - Publica no dia 28 de agosto, na seção "Letras e Livros", do Correio do Povo de Porto Alegre, o estudo "Três precursores gaúchos na defesa do meio-ambiente".

1983 - Organiza uma bibliografia para estudo da Revolução de 1893, em Fontes para estudo da história da revolução de 1893, catálogo da exposição realizada no Museu D. Diogo de Souza de Bagé (RS), sobre esse episódio histórico.

1983 - Publica no "Suplemento Rural" do dia 4 de novembro, do Correio do Povo de Porto Alegre, o estudo "Três antigas revistas agro-pastoris do Estado".

1983 a 1986 - Exerce a função de presidente do Círculo de Pesquisas Literárias - CIPEL, criando o Boletim da agremiação.

1990 - Publica a bibliografia para estudo da Revolução de 1893, em Fontes para estudo da história da revolução de 1893, nos Anais do Seminário realizado entre 12 a 15 de dezembro de 1983, em Bagé (RS).

1990 - Escreve vários artigos para o jornal A Evolução, de Arroio Grande (RS): em 15 de junho: "Futebol em Arroio Grande"; em 15 de junho e 22 de junho, "Príncipe francês em Arroio Grande"; em 22 de junho e 29 de junho, "Uma penca em Arroio Grande"; em 20 de julho, 27 de julho, 3 de agosto, 17 de agosto e 31 de agosto, "Os primeiros proprietários na então vila de Arroio Grande em 1854".

1990-1992 - Publica uma bibliografia para estudo da Revolução Farroupilha, em Trinta dias de cultura, do Instituto Estadual do Livro, de Porto Alegre, nos números 30, 31, 32, 33, 36 e 37.

1991 - Publica "Subsídios para a história da imprensa em Arroio Grande", em Trinta dias de cultura, do Instituto Estadual do Livro, de Porto Alegre, números 34 e 35.

1992 - Recebe o troféu "Amigo do Livro", concedido pela Câmara Rio-Grandense do Livro.

1992 - Publica o estudo "Santa Cristina do Pinhal/Taquara. Distrito de Santo Antônio da Patrulha ou de Porto Alegre", na obra Raízes de Santo Antônio da Patrulha-São Francisco de Paula-Tramandaí. Esse mesmo estudo seria publicado em Raízes de Gramado.

1995 - Recebe do Instituto de Letras e Artes da PUCRS homenagem como bibliófilo, durante o 2º Encontro Nacional de Acervos Literários.

1995 - Realiza-se na 40ª Feira do Livro de Porto Alegre, por solicitação da Câmara Rio-Grandense do Livro, uma mostra de livros raros da biblioteca de Júlio Petersen, para cuja exposição ele organiza um documento intitulado "O livro no Rio Grande do Sul".

1996 - Recebe homenagem do CIPEL - Círculo de Pesquisas Literárias, por sua condição de sócio fundador, no trigésimo aniversário da entidade.

1996 - Recebe de sua terra natal, Taquara, homenagem concedida ao filho ilustre, materializada em um troféu.

2000 - Recebe o Diploma de "Mérito de Grupo", concedido pela União dos Escoteiros do Brasil, por serviços prestados ao movimento escoteiro.

2000 - Recebe o Diploma de "Amigo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul", concedido em reconhecimento por seu trabalho em prol da cultura rio-grandense.

2002 - Falece em Porto Alegre (RS), em 9 de dezembro.