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Revista do Globo

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Histórico

A história da Livraria do Globo, em mais de um século de existência, é assinalada pela prodigalidade na produção de bens culturais, além de suas funções específicas junto ao mercado livreiro. Entre outras iniciativas de grande valor, fundou uma excelente casa editora que levou seu nome, Editora Globo; publicou, durante largos anos, o Almanaque do Globo, a revista de circulação interna Preto & Branco, os textos traduzidos de A Novela, a revista com formato de bolso Mistério Magazine, a Tricots de Paris para o público feminino, a popular Revista do Globo e outra inteiramente literária, a Província de São Pedro; fundou, ainda, a primeira agência organizada de publicidade no Rio Grande do Sul, a Clarim Empresa de Publicidade Ltda.

Pode-se atribuir o sucesso que sempre acompanhou os empreendimentos da Livraria do Globo à conjugação de circunstâncias históricas excepcionais. À maturidade de um estabelecimento de livreiros competentes e sensíveis aos anseios de desenvolvimento da comunidade, aliou-se uma geração privilegiada, cujo talento aprimorado na tradição jornalística e acadêmica foi canalizado para projetos quase utópicos, como dar projeção nacional a periódicos editadas no mais meridional dos estados brasileiros, o Rio Grande do Sul, ou transformar uma papelaria em uma grande livraria e casa editora que influiu decisivamente no desenvolvimento da educação, da literatura, da comunicação de massa, da publicidade, das artes gráficas, enfim da cultura do País.

Laudelino Pinheiro de Barcellos

A Livraria do Globo inicia sua trajetória em 1883, em Porto Alegre, quando Laudelino Pinheiro de Barcellos e Saturnino Pinheiro abriram, na Rua da Praia nº 268, a Livraria do Globo sob a razão social L.P. Barcellos & Cia., sociedade logo desfeita, permanecendo Laudelino Barcellos, cujo lema era Urbi et Orbi, como único proprietário.

O estabelecimento comercial foi conquistando as preferências dos porto-alegrenses por sua localização e pela qualidade dos serviços prestados. As atividades de papelaria e venda de livros, já ao final do século, estavam complementadas por serviços gerais de tipografia e, em 1898, a exemplo de outras livrarias, realizava sua primeira experiência editorial, a publicação de um livro por encomenda.

A compra de um linotipo pela Livraria do Globo, em 1909, é o início de uma trajetória centenária de crescimento. Passou, então, a produzir impressos padronizados, serviços de litografia seguindo-se publicações de livros escolares e de literatura (poesias e crônicas), ainda financiadas pelos autores.

Em continuidade à diversificação de seus serviços, as instalações da Livraria do Globo (1915) foram ampliadas com a aquisição de dois prédios vizinhos, fato que revela um projeto consistente de expansão dos negócios: a oferta variada de produtos ligados a atividades comerciais e culturais.

A primeira filial foi aberta na cidade de Santa Maria, em 1918, seguindo-se a contratação, nesse mesmo ano, do artista alemão Karl Zeuner que daria enorme impulso às artes gráficas em Porto Alegre e no Estado. Anteriormente, pela necessidade de divulgar suas iniciativas, a direção da Livraria investira em seu próprio veículo de comunicação com a publicação do Almanaque do Globo (1917-1933), organizado por João Pinto da Silva e Mansueto Bernardi, anuário que oferecia informação e lazer.

Em 1924, foi construído, no local dos primitivos prédios, o edifício que a Livraria hoje ocupa cuja fachada está tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul. A Editora Globo, inicialmente, funcionava no mesmo endereço da Livraria. Em 1947, transferiu-se para a Rua Barros Cassal n.° 82 e 86, onde permaneceu até 1952; mudou-se então para a Rua Sarmento Leite, 224, tendo em 1960 retornado ao primeiro endereço, o da Livraria, até que foi vendida para outra empresa. As oficinas gráficas que atendiam inicialmente a Livraria e a Editora, também, inicialmente, situaram-se no prédio da Rua dos Andradas, tendo se transferindo para outros endereços, como Rua Barros Cassal, Rua Sarmento Leite e, finalmente, para o prédio construído especialmente para tal fim, na Avenida Getúlio Vargas.

O sucesso que acompanhou tais iniciativas já prenunciava a trajetória que, há 120 anos, a Globo da Rua da Praia vem percorrendo em prol da cultura, no Rio Grande do Sul.

José Bertaso

Faz parte desta história, sendo um dos principais protagonistas, José Bertaso que, em 1890, muito jovem ainda, fora admitido como servente-aprendiz de caixeiro, tendo alcançado, em 1902, a posição de chefe da Loja e administrador. Ao se aposentar, Laudelino Barcellos passou a direção da Livraria do Globo a José Bertaso, então conceituado funcionário. Com a morte do fundador (1917), Bertaso, que se tornara sócio, foi confirmado no cargo de diretor da firma que adotou a razão social Barcellos, Bertaso & Cia. Ltda., posição que ocuparia toda a vida. Iniciou-se, então, um novo ciclo na história da Livraria, com sua reorganização em seções: Tipografia, Editora, Fotografia, Cartonagem, Impressão, Litografia, Encadernação e a Royal, para manutenção das máquinas de escrever dessa marca, que eram vendidas pela Livraria.

Até a segunda década do século XX, havia no Brasil, grande carência de literatura européia e norte-americana em língua portuguesa, uma vez que a maior parte das obras que chegavam ao público brasileiro provinham da Garnier (Paris-Rio) ou da Lello (cidade do Porto): algumas traduções como de Dumas Filho (A dama de Paris) ou de clássicos da literatura portuguesa, entre outros, Camilo Castelo Branco, Alexandre Herculano, Guerra Junqueiro. Dos autores brasileiros, principalmente Castro Alves, José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo e Aluísio de Azevedo.

Assim, a Livraria do Globo, por sugestão de Mansueto Bernardi e fiel ao lema do fundador - Urbi et Orbi -, a partir de 1926 obteve a distribuição de grandes editoras européias, além de realizar convênios internacionais para editar e traduzir autores modernos. A obra de estréia, a tradução da biografia Napoleão, de Emil Ludwig, abriu esses espaço que foi ocupado pela Livraria, de forma competente, por mais de meio século.

Com idêntica motivação, nascia em 1929, sob a direção de Mansueto Bernardi e responsabilidade da firma Barcellos, Bertaso & Cia. Ltda., o periódico que concentrou as peças publicitárias da Livraria, a Revista do Globo, com o subtítulo de “Periódico de Cultura e Vida Social”, tornando-se vitrina dos produtos da Livraria do Globo e, mais tarde, da Editora Globo.

Logotipo Clarim

Ao final da década de 40, contava a Livraria do Globo com mais duas filiais, em Pelotas e Rio Grande e aumentava o número de lojas na Capital. Abriram-se escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo, havendo representantes em quase todas as capitais.

É importante acentuar que foi na Livraria que surgiu a primeira agência organizada de publicidade no Rio Grande do Sul, a Clarim Empresa de Publicidade Ltda. Além de novas seções, foi criada uma escola de tipografia. O estudo de línguas estrangeiras no País, pelo método Linguafone, também foi iniciativa da Livraria do Globo S.A. Em conjunto, a Livraria e as empresas associadas possuíam o elevado número de 800 empregados.

Em 1931, a chamado do presidente Getúlio Vargas, Mansueto transferiu-se para o Rio de Janeiro para dirigir a Casa da Moeda. Henrique d´Ávila Bertaso (filho de José Bertaso) que substituíra Mansueto nas funções de chefe da seção Editora, firmou uma posição inovadora na administração.

Henrique Bertaso

Pela leitura freqüente de revistas estrangeiras, percebeu que, em termos empresariais, tudo estava por fazer nos setores que administrava. Empenhou-se na modernização da seção, desde a escolha dos autores a serem publicados até o sistema de distribuição das obras às livrarias. Uma das decisões tomadas foi o lançamento de coleções, sistema de vendas utilizado em todos os países com tradição no mercado livreiro com ótimos resultados.

Em 1936, com o crescimento da seção Editora, Henrique Bertaso convidou Érico Veríssimo, que dirigia a Revista do Globo, desde a saída de Mansueto, e já o assessorava na área da literatura, para auxiliá-lo no planejamento das edições da Casa.

Quando Henrique Bertaso assumiu a seção Editora da Livraria, estava em seus planos publicar coleções para atualizar e tornar mais produtivo esse setor. A publicação de conjuntos de livros que apresentem aspectos em comum é uma resposta dada pelos editores à necessidade de manifestar e organizar a diversificação de suas atividades, além de constituir um forte apelo ao gosto dos leitores para estimular as vendas, pois o leitor que apreciar o primeiro lançamento é incentivado a ler e/ou adquirir as demais obras.

Conforme o Relatório da Diretoria, na passagem dos cem anos da Empresa, o primeiro filão descoberto por Henrique para lançar a nova modalidade de vendas foi o das novelas policiais, com tradução de autores praticamente desconhecidos no Brasil. Dessa forma surgiu com grande sucesso de vendas a Coleção Amarela, de forte apelo popular, tendo como principais autores Edgar Wallace e Agatha Christie. A iniciativa só se consolidou, contudo, com os livros de viagens e aventuras, do escritor alemão Karl May.

Outras coleções foram organizadas, oferecendo aos leitores uma grande diversidade de assuntos e obras de melhor qualidade. À medida que aumentava o interesse dos leitores pelas traduções, crescia o corpo de tradutores e o público brasileiro pôde ler, em português, entre outros, Somerset Maugham, Axel Munthe, Tolstoi, Stendhal, Maupassant, Shaskespeare, Ibsen, Montaigne, Edgard Allan Poe e Marcel Proust.

Em 1942, o setor que nasceu como seção Editora, transformara-se em empresa associada à Livraria do Globo, a Editora Globo que passou a funcionar no parque gráfico da Av. Getúlio Vargas, em Porto Alegre. Nessa década, a Editora adquire projeção nacional e internacional no mercado livreiro, período, em que Érico Veríssimo conquista renome como romancista brasileiro e a literatura regional, que já contava com Darcy Azambuja e Cyro Martins, publicados pela Globo, afirma-se com a edição exemplar de Contos Gauchescos e Lendas do Sul, de Simões Lopes Neto.

De 1949 a 1971, a Editora Globo publicou a Coleção Província. Dela constaram literatura, crítica, ensaio e estudos referentes ao Rio Grande do Sul. Foram publicadas 24 obras.

As coleções infantis da Globo publicaram poucos volumes, mas todos apresentando um esmerado visual e um interessante apelo promocional nas capas dos livros: Coleção Nanquinote, Burrinho Azul e Coleção Aventura.

Entre as coleções de maior sucesso figuram as seguintes:

  • Coleção Globo, composta de obras literárias variadas: romances de aventuras, amor, mistério e crime; novelas antigas e modernas, clássicos, etc.
  • Coleção Universo - Leituras para a juventude.
  • Coleção Nobel, com traduções de obras literárias consagradas pela crítica.
  • Coleção Biblioteca dos Séculos, com obras de cultura geral, que publicava os escritores do passado.
  • Coleção Tucano, uma série de livros em formato de bolso.
  • Coleção Catavento, com livros de literatura em geral.

A maior parte das coleções era composta por traduções de obras literárias clássicas e de literatura popular e regional. A Editora Globo publicava autores nacionais e muito dos rio-grandenses, ao lado de obras técnicas, científicas e de cultura geral que se tornaram um patrimônio da cultura brasileira, tais como o Manual do Engenheiro, a Enciclopédia Brasileira Globo, os preciosos dicionários Globo, a História da Civilização Ocidental de Burns, obras de Pedagogia, Economia, Administração, Química, Lingüística, ou ainda os Livros de Orientação para a Família, obras que fizeram do nome “Editora Globo” sinônimo de cultura e qualidade editorial.

Tais obras eram produzidas em um parque gráfico dos mais modernos, reunindo artistas gráficos entre os melhores do País. Todos os meios foram utilizados para sensibilizar o leitor, tendo como principal veículo a Revista do Globo, que noticiava lançamentos e reedições, entrevistas com autores nacionais e estrangeiros e todos os fatos que tivessem ligação com a vida literária nesse período.

Seu projeto editorial manifestava-se na definição, a cada ano, do programa editorial, cujo registro na Revista do Globo mais recuado é de 1939, ampliando-se significativamente nos anos 40. As obras que compunham essas coleções fazem parte, hoje, das histórias de leitura de várias gerações de brasileiros.

Após a morte de José Bertaso (1948), a Livraria do Globo estruturou-se como sociedade anônima. Em 1956, a empresa dividiu-se, a Livraria do Globo, S.A., constituída pela Livraria do Globo, Oficinas Gráficas e Lojas Globo as quais, desde 1970 até hoje, vêm expandindo o número de filiais no Rio Grande do Sul, e a Editora Globo que chegou a concretizar entre 1975 e 1978, o grande projeto de suas novas instalações no Rio de Janeiro, as quais foram vendidas, juntamente com a Editora, às Organizações Globo, de Roberto Marinho, em 1986.

As obras publicadas e/ou vendidas pela Livraria do Globo SA e Editora Globo, ao longo do século XX, tiveram atuação decisiva no desenvolvimento do mercado editorial brasileiro e conseqüentemente na formação do público leitor. Atingia todas as categorias de leitores: homens e mulheres, crianças, jovens e adultos, oferecendo literatura, conhecimentos profissionais e gerais em diversas áreas, cultura enfim Assumindo posição inovadora, a Livraria teve atuação destacada na consolidação da instituição literária no País, ainda em bases frágeis pelo escasso número de editoras e pela inexistência de uma política de investimentos no mercado editorial e livreiro.

Funções

Quando surgiram as primeiras revistas literárias no Brasil, o meio cultural do Estado ressentia-se da falta de um veículo de promoção e divulgação da literatura. A Revista do Globo, periódico de cultura e vida social, foi a resposta de José Bertaso, proprietário da Livraria do Globo, aos anseios da comunidade. A mais importante das revistas da empresa tornou-se a vitrine da livraria da Rua da Praia, a Livraria do Globo.

A Revista do Globo, assim como a Livraria do Globo, estão ligadas a Porto Alegre e a todo o Estado. Circulou de 5 de janeiro de 1929 até 17 de fevereiro de 1967, contando 941 fascículos e dois números especiais: um sobre a Revolução de 30 e outro sobra a grande enchente de 1941, totalizando 943 fascículos.

Geralmente com 80 ou 90 páginas, destinava-se ao público em geral, até mesmo às crianças; texto e imagem dividiam espaço, mas sempre com muita informação. Chegando aos sábados aos lares rio-grandenses, invariavelmente a cada quinze dias (de 10/01/31 a 28/02/31 foi semanal), durante 37 anos e dois meses, o periódico tornou-se importante veículo de cultura de massa, que divulgava, entre outros assuntos, a literatura e a arte em geral, ao lado de acontecimentos sociais e políticos, moda, humor, cinema e esportes.

Destacado grupo de intelectuais e de artistas fizeram parte do seu corpo de redatores. Aí surgiram e se afirmaram muitas vocações que enriquecem a cultura nacional. A fisionomia da Revista, delineada ao longo de quase quatro décadas, identificou-se a tal ponto com seu contexto social que, de certa forma, pode-se dizer que a história da Revista do Globo se confunde com a própria história do Rio Grande do Sul nesse período. Hoje constitui, portanto, uma das fontes mais ricas para reconhecimento e estudo dos traços característicos do Rio Grande do Sul, em meados do século XX.

As informações sobre a Revista do Globo, a seguir apresentadas sucintamente, sobre a estrutura e os recursos humanos responsáveis por sua publicação, foram colhidas pela pesquisa e armazenadas no banco de dados Catálogo Literário da Revista do Globo. O sistema abrange 65 campos, incluindo os dados de expediente. Assim pode-se identificar os nomes dos que participaram da criação e da construção da Revista, os redatores e a matéria publicada da parte literária, bem como período de atividade e local onde tais profissionais trabalharam. Os dados referentes ao Catálogo da Publicidade, ao Catálogo de Esportes e aos catálogos parciais da área da História não estão aqui incluídos.

Ao analisar tais dados pode-se perceber o trabalho empírico, o aprender fazendo uma revista, vê-la crescer e se projetar no cenário nacional, à medida que a necessidade e a experiência vão moldando os profissionais. Diretores, secretários, gerentes, redatores, funcionários, artistas plásticos, fotógrafos, jornalistas e autores exerceram simultaneamente, ou em momentos diferentes, várias funções, estabilizando-se naquela que se coadunava com suas capacidades e inclinações. Alguns têm passagem rápida por suas páginas; outros, um convívio mais duradouro e até permanente.

Capa da revista n.1, 05 jan. 1929

A Revista do Globo nº 1 traz a data de 5 de janeiro de 1929. A capa alegórica, de Sotero Cosme – sobre fundo negro, a imagem de uma mulher com um globo dourado entre os braços – tornou-se símbolo identificador da Revista. O corpo administrativo da Revista foi-se estruturando ao longo do tempo, criando-se e extinguindo-se funções, muitas vezes acumuladas, com variações em torno de um modelo básico. De todas elas, serão apresentadas, detalhadamente, apenas, diretor, secretário e gerente.

Conforme os dados registrados no expediente do periódico e colhidos na pesquisa, ao todo foram sete os diretores da Revista do Globo: Mansueto Bernardi, Octávio Tavares, Érico Veríssimo, Luiz Estrela, Justino Martins, Henrique D´Ávilla Bertaso e José Bertaso Filho. Oito figuram como secretários: Érico Veríssimo, Luiz Estrela, Henrique Maia, Mário de Almeida Lima, João Freire, Antônio Goulart, Ney Fonseca e Flávio Carneiro. Quatro foram os gerentes: Arnaldo Bard, Henrique Maia, Mário de Almeida Lima e João Freire.

Mansueto Bernardi, o idealizador, lançou a Revista nº 1, de 5 de janeiro de 1929, permanecendo como diretor durante 59 edições, até 11 de abril de 1931, quando aceitou o convite do presidente da República para dirigir a Casa da Moeda. No início do terceiro ano de publicação da Revista, Mansueto estabeleceu a função de secretário e contratou o jovem Érico Veríssimo, cujo nome aparece a partir da 49ª edição, a nº 1, de 10 de janeiro de 1931. Na função de gerente, por poucos meses e seis edições, aparece Arnaldo Bard, do nº 3, de 2 de fevereiro de 1929, ao nº nove, de 11 de maio do mesmo ano. Pela ocorrência de edições semanais nos meses de janeiro e fevereiro de 1931, pode-se concluir que o projeto de Mansueto era mais ambicioso, desistindo dele e voltando à edição quinzenal, antes de transferir-se para o Rio de Janeiro.

Mansueto Bernardi

Com a saída de Mansueto Bernardi, Octávio Tavares assumiu temporariamente a direção, continuando Érico Veríssimo como secretário e permanecendo vago o cargo de gerente. A periodicidade quinzenal foi conservada, não sofrendo mais alterações. O fascículo 60, editado por Tavares recebeu o nº 12, de 25 de abril de 1931, isto porque a numeração ainda reiniciava a cada ano. Tavares permaneceu até a 97° edição (nº 20, de 8 de outubro de 1932), tendo dirigido 38 edições.

Ao final do quarto ano de publicação da Revista do Globo, Érico Veríssimo substitui Octávio Tavares e a 98° edição, de nº 21, de 22 de outubro de 1931, traz seu nome como diretor. Restabelece a função de gerente, figurando como seu titular, em 160 edições da Revista, Henrique Maia, do nº 108, de cinco de abril de 1933 ao nº 232, de 16 de julho de 1938. Durante os anos de 1932 a 1934, o cargo de secretário não consta, reaparecendo somente a partir da edição de nº 148, de 1º de novembro de 1934, com Luiz Estrela.

Do convívio no mesmo ambiente de trabalho e no reconhecimento de interesses comuns voltados para a literatura, resultou uma sólida amizade entre Erico Veríssimo e Henrique Bertaso. Além das atividades na Revista, Érico passara a colaborar na parte literária da seção Editora, participação que se transformou em assessoria, quase parceria, ao deixar a direção da Revista do Globo para se dedicar, ao lado de Henrique Bertaso, à construção do projeto editorial da Globo. Erico Verissimo dirigiu 98 edições da Revista do Globo por cinco anos, até o fascículo nº 195, de 21 de novembro de 1936. Observando-se o jogo dos números, há duas coincidências interessantes em relação às funções desempenhadas por Érico, conforme registro na Revista do Globo: figura como secretário, a partir da 49ª edição, permanecendo no cargo por 49 fascículos; aparece como diretor na 98ª edição, figurando nesse cargo em 98 fascículos.

Em substituição a Érico, o secretário, Luiz Estrela, tornou-se o quarto diretor da Revista. Não contou com secretário, mas conservou o gerente, Henrique Maia. Seu período foi breve, editando 42 fascículos, do nº 196, de 12 de dezembro de 1936, ao nº 237, de 30 de setembro de 1938.

Justino Martins

Após um intervalo de cinco edições (238 a 242), em que a Revista do Globo não registra as funções de diretor e secretário, aparece o nome de Justino Martins como diretor, do nº 243, de 14 de janeiro de 1939 ao nº 433, de 26 de abril de 1947, perfazendo um total de 193 edições. Somente no fascículo de nº 247, de 11 de março de 1939, volta a aparecer o registro de secretário, com o nome de Henrique Maia que acompanhou Justino até o final de seu período na direção (nº 243). Não há registro de gerente.

Com Justino Martins iniciou uma nova fase da Revista do Globo. Dando relevo ao fato jornalístico dirigido ao grande público, acompanha todos os mais importantes acontecimentos internacionais, entre os quais a Segunda Guerra Mundial; ou nacionais, como o fim do Estado Novo, com a saída de Getúlio Vargas da Presidência da República. Ao lado da divulgação do cinema norte-americano, com reportagens, fotografias e da programação dos cinemas da Capital, a publicidade dos produtos da Livraria e da Editora, sob várias formas. Deu, enfim, uma feição moderna à Revista, promovendo-a e distribuindo-a em todo o País. Por sua atuação dinâmica e criativa, consagrou-se como revisteiro.

Henrique Bertaso

Com a saída de Justino Martins que se torna correspondente da Revista na Europa, de onde remetia matéria jornalística variada e atual, voltou aos proprietários da Empresa a direção da Revista do Globo, cujo nº 434, de 10 de maio de 1947, registra o nome de Henrique D'Ávila Bertaso, função que acumulou com a direção da Editora pelos próximos cinco anos, até o nº 562, de 14 de junho de 1952. Ao todo dirigiu 129 edições e, em apenas uma, a nº 514, de 5 de agosto de 1950, aparece secretário, Mário de Almeida Lima. Um ano após assumir a direção da Revista, Henrique Bertaso restabeleceu a função de gerente, figurando nesse cargo, a partir do nº 462, de 10 de julho de 1948, Mário de Almeida Lima, até o nº 509, de 27 de maio de 1950, por 59 edições.

A partir do nº 563, de 28 de junho de 1952, em substituição a seu irmão Henrique, José Bertaso Filho tornou-se diretor da Revista do Globo para o mais longo período de titular dessa função, quase 15 anos, até o nº 941, de 15 de fevereiro de 1967, tendo dirigido 378 edições.

O cargo de secretário da Revista, que ficara vago, voltou a aparecer com João Freire, em apenas uma edição, a de nº 577, de 10 de janeiro de 1953. Seguem-se, como secretários, Antônio Goulart, por 116 edições, do nº 768, de 14 de maio de 1960, ao nº 862, de 26 de setembro de 1964; Ney Fonseca, por nove edições, do nº 885, de 7 de novembro de 1964, ao nº 891, de 30 de janeiro de 1965; Flávio Carneiro, por 33 edições, do nº 893, de 27 de fevereiro de 1965, ao nº 926, de 1º de julho de 1966.

Após intervalo de alguns meses, também a função de gerente é restabelecida com João Freire, cujo nome figura em 418 edições, do nº 523, de nove de dezembro de 1950, ao nº 902, de 1º de julho de 1965.

José Bertaso Filho e Henrique Bertaso dedicaram-se a administrar a Revista do Globo como órgão publicitário para divulgar os produtos da Livraria do Globo e da Editora Globo, tendo delegado ao chefe de redação a definição e a escolha da matéria a ser editada.

O grupo de profissionais que, em conjunto com a administração, trabalhou para colocar, quinzenalmente, aos sábados, a Revista do Globo em circulação, reunia um corpo redacional composto de escritores e jornalistas, além de fotógrafos, artistas plásticos e outros funcionários, dedicados todos a tornar realidade e sustentar, por quase quatro décadas, a publicação de uma revista “de cultura e vida social” no extremo sul do Brasil. Em relação não exaustiva, citam-se os seguintes entre os muitos que fizeram da Revista do Globo um periódico de expressão regional e mesmo nacional.

A Revista do Globo registra, na área ligada à produção da matéria jornalística e literária, inúmeras e variadas funções e respectivos titulares, podendo-se estabelecer a criação e a duração de cada uma delas. Tais registros permitem acompanhar como a Revista foi tomando forma, até encontrar a estrutura que a caracterizou.

Como “Chefe de Redação” figuram Carlos Reverbel (1948), Waldívia Marchiori (1952 a 1956), Flávio Carneiro (1956), Travassos Souto (1956 e 1957). Foram seis os titulares da função “Redator-Chefe”, Abdias Silva (1943), Carlos Reverbel (1948), Nélson Appel de Quadros ( 1950 a 1952) e Limeira Tejo (1960). André Carrazzoni aparece como “Secretário-Redator” (1929 e 1930), Nelson Appel de Quadros (1949 e 1950) e o nome de José Amádio figura em um só fascículo, em 1947. Havia ainda o “Redator de Seção”, com 15 titulares em todo o período de publicação da Revista; os três mais citados foram Antônio Acauã, Ellen Dóris Hirsch e Lineu Martins.

Nas funções “Redação e Reportagem”, figuram 97 nomes, dos quais oito são mulheres. Podem-se citar, entre outros, José Otávio Bertaso, Cid Pinheiro Cabral, Hamílton Chaves, Antônio Goulart, Ellen Dóris Hirsch, Lineu Martins, Cláudio Santos Rocha, Helena Silveira e Joseph Zukauskas.

“Redação e Colaboradores” concentra o maior número de nomes. Exerceram essa função vários autores que eram titulares de outros cargos, como habitualmente ocorria na imprensa. Citam-se Cremilda de Araújo Medina, (1963 a 1967), José Otávio Bertaso (1960 a 1966), Cid Pinheiro Cabral (1962 a 1964), Rui Dinis Neto (1960 a 1967) , Sérgio Jockyman (1966 e 1967), Luís Carlos Lisboa (1961 a 1967), Jaci Pinho (1960 a 1967), Helena Silveira (1960 a 1965), Vera Ferreira (1963 a 1967) e Walter Spalding (1962 a 1965).

A função “Reportagem” apresenta-se com oito titulares, todos com mais de 40 ocorrências, salientando-se Bruno Borba, Rubens Vidal, Rui Vilhena e Waldívia Marchiori. Tal função desdobrou-se na modalidade “Reportagem no Estrangeiro”, de 1950 a 1956. Os mais importantes repórteres foram Sílvio Bento de Oliveira (Hollywood), Jorge Mota em outras cidades dos Estados Unidos, Else Humann (Alemanha) e Justino Martins (Europa).

A Revista do Globo é constituída por textos e imagens. As fotografias e ilustrações ocupam espaço considerável em todos os fascículos, mesmo descartando-se a parte dos anúncios dos patrocinadores. É, portanto, uma das funções mais significativas, variando o número de ocorrências registradas, entre 172, caso de Ivo Barreti e outros, como Dante de Laitano, Josué Guimarães e João Fahrion, com apenas uma ocorrência. Entre os inúmeros fotógrafos profissionais e amadores que tiveram suas fotos publicadas na Revista, citam-se Pedro Flores, Wilson Cavalheiro, Ed Keffel, Dutra & Azevedo, Sioma Breitman, Salomão Scliar, Pedro Flores, Léo Guerreiro, Octacílio Dias e Paulo Carneiro. Ocuparam a função de “Fotógrafo-Chefe”, entre 1948 e 1953, Antônio Ronek, Pedro Flores, Wilson Cavalheiro e Ed Keffel, este com apenas uma ocorrência (1948).

Situação especial era a ocupada pelo “Fotógrafo-Capa”, não só pela posição da imagem no fascículo, como pela necessidade de apresentar um produto mais elaborado que fizesse a propaganda da Revista. Dentre os nomes mais importantes e com maior número de ocorrências, figuram Ed Keffel (119), Gustavo Reno (91), Maranaldo de Oliveira (66) e Tales Farias (46).

A função “Ilustradores” conta com 53 titulares. Como os fotógrafos, os ilustradores ocupavam uma das funções mais sensíveis na Revista e na Editora, responsáveis pela estética das ilustrações, que deram categoria ímpar ao periódico e às edições da Globo. Verdadeiros mestres, fizeram escola como pintores e desenhistas. Merecem referência especial: Fernando Corona, Sotero Cosme, Nelson Boeira Faedrich, João Fahrion, Vitório Gheno, Edgar Koetz, Francis Pelichek, Tarsila do Amaral, Iberê Camargo, Caringi, Herbert Caro, Di Cavalcanti, Paulo Iolovitch, Carlos Scliar e Ernest Zuener. Destacaram-se, ainda, Lia Mendes e Hanna Muller.

Os nomes que figuram como “Ilustrador-Capa”, são quase os mesmos que ilustram os artigos da Revista. A equipe de mestres tem, na capa, seu território de excelência, destacando-se Sotero Cosme, o criador da capa-símbolo da Revista do Globo nº 1 – madona acalentando um globo em seu braços –, cuja expressividade e fascínio perduram até hoje.

De 1965 a 1967, últimos anos de existência da Revista do Globo, surge uma nova seção, Caderno Feminino, e conseqüentemente a função editorial correspondente que teve, apenas, duas titulares, Norma Lopes (1965 e 1966) e Bibi Ludwig (1966 e 1967), em um total de 35 ocorrências. O setor de planejamento foi organizado a partir de 1949, mantendo-se em funcionamento até o último número. Figuram 12 titulares em “Planejamento”, sendo que os mais atuantes foram José Correia, Paulo Iolovitch, J. Tomaz e Lia Mendes.

Compondo mais uma função administrativa, um dos suportes econômicos da Revista está “Publicidade”, que registra 14 titulares entre os anos de 1936 a 1967. Os funcionários que permaneceram por mais tempo nesse setor foram José Ribeiro, Benjamin Thiers Gonçalves Raposo, Rosandir Santos e Laércio de Souza Cavalcanti.

Clicheria” era uma das funções com menos rotatividade, registrando a ocorrência de apenas três titulares: José Cangeri, Carlos Ethur e Amador Moreno; da mesma forma “Impressão”, com Alfredo Furmann, Pedro Gomes e Diogo Rodrigues.

Finalmente, “Relações Públicas”, função que surge na última década, de 1960 a 1967, apresenta dois nomes nessa atividade, então pioneira: Hélio Assis, nos cinco primeiros anos, e Rui Diniz Neto, nos dois últimos.

A promoção e divulgação da literatura, objetivo que está na origem da Revista do Globo, logo cedeu espaço para outras áreas, consubstanciadas em seu subtítulo: “Revista de Cultura e Vida Social”. Mas foi a parte literária da Revista que levou ao primeiro projeto de pesquisa sobre esse periódico, a organização do seu Catálogo Literário informatizado.

Simultaneamente, coletaram-se dados exatos e exaustivos sobre toda matéria publicada que se relacionasse com literatura. Pela extensão do corpus gerado no banco de dados, o trabalho que será desenvolvido sobre a face literária da Revista do Globo, aguarda a conclusão desta edição digital para ser iniciado. A título de ilustração, entre mais de mil autores brasileiros e rio-grandenses com textos literários publicados na Revista do Globo, estão: Carlos Drummond de Andrade, Humberto de Campos, Luís Câmara Cascudo, Nelson Werneck Sodré e Ronald de Carvalho; Eduardo Guimarães, Alcides Maia, Souza Júnior, Manoelito de Ornellas, Olinto Sanmartin, Reinaldo Moura, Ernani Fornari, Lila Ripoll e Erico Veríssimo, Álvaro Moreira, Athos Damasceno Ferreira, Augusto Meyer, Mansueto Bernardi. Entre centenas de artigos de autores estrangeiros traduzidos, ou objeto de textos críticos, citam-se: Maurois, Flaubert, Balzac, Proust, Stendal, Aldous Huxley, Poe, Kipling, Joyce, Byron, Shakespeare, Zweige e Tagore.

Maiores detalhes sobre os profissionais que atuaram na Revista, colaboradores ou autores, já podem, no entanto, ser encontrados em três trabalhos, igualmente produto destas pesquisas, duas dissertações e uma tese apresentadas no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Letras da PUCRS: Página de Rosto: uma amostra do potencial literário da Revista do Globo, de Valdíria Thorstenberg (1998); A Interface Literária Revista do Globo/Editora Globo, de Fabiana de Souza Fraga (2004); e A Publicidade na Revista do Globo: intercorrência da Literatura na construção do discurso publicitário sul-rio-grandense, de Maria Helena Steffens de Castro (2002), respectivamente.

sala da Direção da Revista do Globo era freqüentada por escritores e intelectuais gaúchos que aí debatiam os acontecimentos mais significativos em todas as áreas. Tornou-se também a sala de visitas de pessoas ilustres que chegavam a Porto Alegre, políticos, artistas, escritores, atletas, sendo o episódio devidamente registrado em entrevista exclusiva com farto material fotográfico. Entre outros Pablo Neruda, Álvaro Moreira, Jorge Amado, Augusto Meyer, Aurélio Buarque de Holanda, Gilberto Freire, Gustavo Corção, Ciro dos Anjos, Jean-Paul Sartre.

Especial relevo era dado ao Carnaval, quando a Revista apresentava-se com sugestivas capas ilustradas. Da mesma forma, as edições de dezembro imprimiam algumas páginas coloridas e artigos dedicados ao público infantil. Nas datas importantes para os municípios do interior do Rio Grande do Sul, uma ampla reportagem divulgava dados econômicos, culturais e sociais dessas comunidades. Em 15 de fevereiro de 1967, com o fascículo nº 941, a Revista do Globo repentinamente deixa de circular, sem que qualquer informação sobre problemas com a Empresa tenha sido veiculada nos últimos números ou explicação no derradeiro.

A Revista do Globo, em edição digital, constitui, hoje e para as gerações futuras, espaço privilegiado para o estudo dos traços característicos do Rio Grande do Sul – do campo e das cidades – cuja identidade cultural ajudou a construir, oferecendo-lhe o contraste com a cultura de outras regiões do País e de outros povos.

Seções

Fruto do crescimento da Livraria do Globo, a Revista do Globo não poderia deixar de divulgar, principalmente e de diferentes maneiras, as obras da sua editora, a Editora Globo, que começara com singelas impressões nas dependências da Livraria, na Rua dos Andradas, até a publicação de best-sellers das literaturas nacionais e estrangeiras, bem como coleções voltadas à engenharia, mecânica, culinária, dicionários e enciclopédias. Para tal serviu-se das seções literárias das quais destacaram-se: GUIA DO LEITOR – ESCRITORES E LIVROS – FEIRA LIVRE – LITERATURA – LITERATURA E ARTE – VIDA LITERÁRIA – LITERATURA HOJE – LIVROS E AUTORES – LIVROS NOVOS – AS ÚLTIMAS EDIÇÕES DA LIVRARIA DO GLOBO – REGISTRO DE LIVROS – LIVROS A APARECER - OS LIVROS DA QUINZENA –– LEIA ISTO.

Nessas seções circularam muitos títulos sendo estudados aqui apenas aqueles que diziam respeito às literaturas nacionais e sul-rio-grandenses, constatando entre eles obras pertencentes às seguintes categorias literárias: “romance”, com maior número de ocorrências, seguido por “poesia”, “conto”, “novela”, “literatura infantil”, “crônica” e “ensaio”.

A partir do estudo das seções literárias, foi possível estabelecer alguns cruzamentos de dados constantes no catálogo da Revista que oportunizaram identificar a periodicidade das mesmas, os títulos e autores citados em cada uma e a categoria literária correspondente às obras. Resultaram os seguintes dados:

Tinha como estratégia de divulgação a logomarca “Livraria do Globo” e circulou durante sete anos na Revista do Globo, de 1944 a 1951 e de 1953 a 1960, totalizando 261 registros de obras literárias nacionais e sul-rio-grandenses publicadas. Nesse período destacaram-se os seguintes títulos: O tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, Onde o céu começa, de Maria Luiza Cordeiro, e A volta do gato preto, também de Érico Veríssimo, na categoria “romance”; em “poesia” apareceram Minuano, de Lauro Rodrigues, e Antônio Chimango, de Amaro Juvenal; em “conto”, No galpão, de Darci Azambuja, e Contos Gauchescos e Lendas do Sul, de Simões Lopes Neto; em “novela”, A noite, de Érico Veríssimo; em “crônica”, Os invioláveis, de Clio Fiori Druck; em “ensaio”, Letras da Província, de Moysés Vellinho, e Vozes da querência, de Antônio Carlos Machado.

Esta seção tornou-se atraente por possuir textos pequenos e linguagem acessível, destinando-se a informar sobre as novidades literárias lançadas pela Editora. Esteve nas páginas da Revista de 1940 a 1956 e de 1959 a 1963, destacando as seguintes obras: Água funda, de Ruth Guimarães, O arquipélago, Olhai os lírios do campo e O tempo e o vento, de Érico Veríssimo, A quadragésima porta, de José Geraldo Vieira, Rocamaranha, de Almiro Caldeira de Andrada, na categoria “romance”; em “poesia”, Rua dos Cataventos, de Mario Quintana, Mundo Enigma, de Murilo Mendes, e A divina quimera, de Eduardo Guimarães; em “conto”, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, de Simões Lopes Neto, e Histórias incompletas, de Graciliano Ramos; em “novela”, João, de Amadeu Queiroz, e Um rosto noturno, de Reinaldo Moura; em “crônica”, Os inocentes do Leblon, de Genolino Amado; em “literatura infantil” teve-se O livro dos piratas, de Antônio Barata, e O rei do mundo perdido, de Hamilcar Garcia; em “ensaio”, Letras da Província, de Moysés Vellinho.

A seção Feira Livre esteve nas páginas da Revista do Globo de 1938 a 1940, enfatizando obras como: Olhai os lírios do campo, de Érico Veríssimo, na categoria “romance”; em “literatura infantil”, A vida do elefante Basílio, Urso-com-música-na-barriga e Outra vez 3 porquinhos, todos de Érico Veríssimo; em “conto”, Cadeira na calçada e 9 histórias tranqüilas, de Telmo Vergara, e A prodigiosa aventura, de Darci Azambuja.

Atrativa pelos aspectos visuais das molduras e das fotos, permaneceu na Revista a seção Literatura em 1946, em 1958 e 1959 e depois de 1965 a 1967. A Seção Literatura destacou a categoria “romance” com Outono vermelho, de Jorge Martins; como “novela” apareceram Adão e Eva, de Tânia Faillace, João, de Amadeu Queiroz, A noite, de Érico Veríssimo, O poder da carne e Um rosto noturno, de Reinaldo Moura; em “poesia”, Espantalho da esquina, de Valmir Aguiar; em “conto”, Boi das aspas de ouro, de Barbosa Lessa.

Literatura e Arte surgiu em 1955 e manteve-se até 1958, apoiada em recurso fotográfico. Destacou na categoria “poesia” Arcos da solidão, de Pedro Lima; em “conto”, O boi das aspas de ouro, de Barbosa Lessa, Chuva miúda, de Mila Cauduro, e Contos Gauchescos e Lendas do Sul, de Simões Lopes Neto; em “crônica”, Vigília de quarentão, de Telmo Vergara.

Tendo como símbolos a coruja e o livro, Vida Literária apareceu em 1929 e manteve-se até 1934. Destacou obras como: Trem da serra, de Ernani Fornari, em “poesia”; em “conto”, O baile dos capengas, de Telmo Vergara, A guerra das fechaduras, de Ernani Fornari, Juca Ratão, hidrófobo, de De Souza Júnior, Na platéia, de Telmo Vergara, Prelúdios, de Cacy Cordovil, Seu Paulo convalesce, de Telmo Vergara; em “novela” citou O moço que via demais, de Telmo Vergara.

A seção Literatura Hoje, sem muitos recursos icônicos e imagéticos, esteve na Revista de 1963 a 1965, e noticiou os lançamentos e publicações de obras como: Fuga, de Tânia Faillace, na categoria “romance”; em “ensaio”, Letras da Província, Machado de Assis – histórias mal contadas, O Rio Grande e o Prata – contraste, e Simões Lopes Neto, de Moysés Vellinho; em “novela”, Adão e Eva, de Tânia Faillace, e Praça da Matriz, de Heloisa Nascimento; em “conto”, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, de Simões Lopes Neto.

A Seção permaneceu na Revista do Globo em 1931 e 1932 e em 1935 e 1937. Nesses períodos destacou obras como: Um homem taciturno, de De Souza Júnior, na categoria “romance”; em “poesia”, Inquietação, de Sérgio Gouvêa, Outono, de Reinaldo Moura, Poemas de Ângelo, de Hecilda Gussi, Trem da Serra, de Ernani Fornari, e Vovô Musa, de Zeferino Brazil; em “conto”, Fantoches..., de Erico Verissimo, A guerra das fechaduras, de Ernani Fornari, Juca Ratão, hidrófobo, de De Souza Júnior, Prelúdios e A raça, de Cacy Cordovil; em “novela”, A morte em Shanghai, de Sérgio Gouvêa; em “crônica”, Boemia da pena, de Zeferino Brazil.

Livros Novos manteve-se na Revista em 1944, 1945 e em 1949. Destacaram-se as seguintes obras: Indefinível e A missão da beleza, de Marieta Mena Barreto Costa, Mar absoluto, de Cecília Meireles, Minuano, de Lauro Rodrigues, e Mundo enigma, de Murilo Mendes, na categoria “poesia”; em “romance”, Caminhos cruzados, de Érico Veríssimo, Porteira fechada, de Ciro Martins, e Tiaraju, de Manoelito de Ornellas; em “literatura infantil”, Bons companheiros, de Marieta Mena Barreto Costa.

Esta seção, divulgando obras da Editora Globo, apareceu apenas em 1933. Usava o recurso da logomarca “Livraria do Globo” como apelo, citando em “romance” Amores de gente nova, de Raul de Azevedo, e em “conto”, A mulher que virou homem, de Newton Belleza, e A raça, de Cacy Cordovil.

A Seção Registro de Livros apareceu apenas em 1929 na Revista, voltada à apresentação de obras, noticiou com destaque Os poemas de Bilu, de Augusto Meyer, Pompéia ressurgida, de Ernani Fornari, na categoria “poesia”, bem como Juca Ratão, hidrófobo, de De Souza Júnior, em “conto”.

A Seção Os Livros da Quinzena, com apelo também voltado às obras, comentou o lançamento dos romances A moça loira, de Othelo Rosa, Romance antigo, de Darci Azambuja, e Só tu voltaste?, de Tasso da Silveira.>

A seção Livros a Aparecer ocorreu em 1945 como subseção de Escritores e Livros, noticiando os projetos editoriais do romance Caminhos do Sul, de Ivan Pedro Martins e do livro de contos Histórias incompletas, de Graciliano Ramos.

Leia Isto apareceu na Revista do Globo como subseção da Página de Rosto, e apresentou crítica dos romances Desolação, O louco do Cati e Os ratos, todos de Dionélio Machado.

Ao cabo dessa visão panorâmica, constatou-se que a seção de maior destaque foi Escritores e Livros, visto que permaneceu 23 anos na Revista do Globo, ocupando em média duas páginas e destinando-se a divulgar muitas publicações da Editora. O sucesso dessa seção está intimamente relacionado aos apelos visual e lingüístico. O visual por causa das mensagens breves, que atraem a atenção do leitor, pois esse não precisará dispor de muito tempo para ficar informado sobre determinada obra ou autor. Já o lingüístico pode ser associado ao significado do título “Escritores e Livros”, ou seja, esse espaço da Revista foi destinado a apontar pessoas e fatos que constituíram a vida cultural não só do Estado como também do País, chamando, dessa forma, a atenção dos leitores, uma vez que, em alguns casos, buscaram identificação com o objeto ali apresentado ou representado.

Sendo assim, o grupo de empresas da Globo cumpriu o seu compromisso com a formação do público leitor, pois sempre esteve interessado em pôr no mercado obras de boa qualidade a preços acessíveis para proporcionar o desenvolvimento cultural do país, porque sociedade que não tem cultura não tem leitores e conseqüentemente não terá Editoras. Talvez foi pensando nisso que a Globo investiu tanto nas coleções literárias, que tinham como apelo principal o preço baixo, e na diversificação dos apelos visuais e imagéticos das seções literárias da Revista, pois tinha ainda como meta, nas palavras de Mansueto Bernardi, o desejo de “construir uma ponte de ligação mental e social entre o Rio Grande e o resto do mundo”, réplica do lema de Laudelino Barcellos, “Urbi et Orbi!”, da cidade (Porto Alegre) para o mundo.

Publicidade

Na primeira fase da publicidade gaúcha, esta era realizada pelos “catadores de anúncios”, sujeitos autônomos que estabeleciam contato entre os empresários, os profissionais liberais e os meios de comunicação como fornecedores de anúncios, ainda amadores, diretamente aos jornais e revistas.

Na década de 30, era evidente o amadorismo da publicidade, na diversidade do formato dos anúncios, na imprecisão da periodicidade e na variação da sua distribuição nas páginas, aparecendo um anúncio novo no prazo médio de cinco meses. Predominavam os classificados que ofereciam serviços de profissionais liberais ou de empresas, divulgando apenas nome e endereço. Em 25.792 anúncios catalogados nos primeiros vinte anos, 87,26% são anúncios informativos simples, com uma apresentação-exibição do produto, aparecendo uma média de 60 anúncios em cada fascículo.

O emprego de formas literárias pela publicidade, nos primeiros anos da Revista do Globo demonstra que a mentalidade profissional na área estava ainda em formação, pois os publicitários criavam peças baseando-se no conhecimento de que o espírito humano só se detém naquilo que lhe interessa de modo pessoal, diretamente ligado ao valor que o objeto de sua atenção representa na vida do leitor. O produto inserido em sua história social se transforma então, em um objeto imerso em poemas, fábulas, parábolas e imagens repletas de significação, que só vão ter sua realização plena no consumo, satisfazendo o consumidor, o publicitário e o anunciante.

Aos poucos, os redatores foram aprendendo, com as agências americanas, a fazer publicidade, adotando técnicas comerciais de anunciar. Os produtos eram anunciados menos pelo seu valor intrínseco e mais pelos aspectos relacionados à sedução, ou às idéias de modernidade e conforto. Assim, à medida que a publicidade evoluía e começavam a surgir produtos similares para a mesma função, os contratos de fala se modificavam, na tentativa de neutralizar as formas fixas de anunciar, passando a destacar não mais o produto, mas àquilo que ele prometia como benefício.

Apresentam-se, a título de exemplo, alguns dos inúmeros dados obtidos pelo processo de catalogação a que foram submetidos os textos dos anúncios publicados na Revista, nos primeiros vinte anos (1929 a 1949).

Do total de peças catalogadas, 7.069 são inéditas, sendo que 26,65% não apresentam ilustração. Das ilustradas, 97,53% eram em preto & branco e desenhados a mão (57,30%). Os anúncios inéditos catalogados apresentam 77,97% de textos predominantemente informativos; 10,65% narrativos; 4,72% com testemunho de artistas ou profissionais liberais; 2,97% com histórias quadrinizadas; 1,82% com ações dialogadas; 1,15% com textos humorísticos e 0,71% com textos em verso. O apelo racional é empregado em 95,18% dos anúncios analisados contra apenas 4,82% deles visando ao efeito emocional.

Nesses vinte anos, foram veiculados 3.449 anúncios de estabelecimentos comerciais, sendo que 1299 inéditos. Destes, os mais freqüentes vendiam artigos de vestuário(21,56%); acessórios, como jóias, chapéus, etc (17,17%);variedades (16,40%) e artigos de decoração (10,55%), encontrados nos bazares Bohrer e Bromberg.

Os anúncios de indústrias mais assíduos eram ligados à produção de alimentos e bebidas, com 17,44% dos 407 anúncios inéditos, seguidos de produtos de vestuário (11,30%), material de cozinha e construção (8,57%), confeccionados pelas Indústrias Wallig, Gerdau, etc.

Foram catalogados 16.395 anúncios com enfoque em produtos, sendo 4,340 inéditos. Destes, os mais freqüentes foram relacionados com beleza (22,76%), higiene (17,70%), saúde (16,96%) e cultura, com 6,22%. O campo de anunciantes de serviços registra 1.023 peças inéditas, predominando os que se referem à eletricidade, serviços de advocacia e medicina (34,80%), investimentos (15,74%) e turismo, com 11,53%, oferecendo serviços de hotelaria, excursões, viagens de núpcias, etc.

Aparecem os logotipos em 49,57% dos anúncios e muitos deles não sendo alterados com o passar do tempo, como o das empresas General Electric, Colgate, Ford, Palmolive, Leite de Colônia, etc.

Inicialmente, era raro haver qualquer indicação sobre quem produzia o anúncio, mas por volta de 1934, algumas agências já passavam a assinar a peça publicitária, tais como: Eclética, Pettinati, J.W.Thompsom, Ayer & Son, Standart, Panam, Star, Stapler, Trein, Clarim, Lintas, Interamericana, Mc Cann Erickson, etc.

Na maior parte dos fascículos, a Livraria do Globo usava a contra-capa da Revista para divulgar seus produtos, sendo que a maioria anúncios publicados internamente apresentam a dimensão de 100 cm² a 52 cm², sendo pouco comum a veiculação de anúncios de duas páginas.

As mensagens veiculadas fazem referência a acontecimentos de âmbito universal, como fatos bíblicos, obras literárias consagradas, fábulas, conflitos sociais e familiares, administração econômica e evolução tecnológica, captados e reproduzidos de fatos ocorridos nos anos 30 e 40, aceitos pelo leitor como situações vividas no seu cotidiano.

A seguir os totais de dados fundamentais computados em 20 anos de publicidade (1929-1949), na Revista do Globo:

Preto e Branco ou Cor PB Cor
Inéditos 11.387 499
Total 45.423 1.954

Foto e/ou Desenho Desenho Foto Foto e desenho Sem ilustrações
Inéditos 5.274 2.263 468 3.881
Total 20.697 6.436 1.316 18.928

Tamanho 1 pág. 2 pág. Meia pág. Outro
Inéditos 3.233 1.440 574 6.639
Total 7.738 3.783 1.196 34.660

Total de anúncios
Inéditos Total
11.886 47.377

Dados parciais da publicidade na Revista do Globo de 1950-1967:

Total de anúncios
Inéditos Total
4.817 21.585

Na 2ª fase da publicidade (1950-1967), os anúncios caracterizam-se por:
  • Semelhança com os anúncios atuais;
  • Linguagem simples e direta;
  • Textos curtos;
  • Sedução dos receptores;
  • Aumento do número de anúncios com fotos;
  • umento do número de anúncios coloridos;
  • Utilizar a capacidade de interpretação dos receptores;
  • Aumento do número de logotipos e slogans;
  • Refletir as tradições e os costumes da sociedade;
  • Apelo emocional.