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Pedro Geraldo Escosteguy

(Santana do Livramento, RS, 1916; Porto Alegre, RS, 1989).
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Pedro Geraldo Escosteguy nasce a 14 de julho de 1916 em Santana do Livramento, RS. Aos vinte e dois anos, forma-se médico pela Faculdade de Medicina da Universidade do Rio Grande do Sul. Encerra, em 1980, as atividades como médico profissional, tendo publicado, ao longo desses quarenta e dois anos de exercício, trabalhos técnicos em congressos nacionais e internacionais na sua especialidade, gastrenterologia, e lecionado em vários cursos. Mas, Pedro Geraldo Escosteguy não é, apenas, um médico; ele também é poeta, contista, pintor, escultor. Sua carreira nas artes plásticas tem tanto destaque e brilhantismo quanto a de sua carreira médica.

No quadro das artes literárias do Rio Grande do Sul, destaca-se como membro do Grupo Quixote e pela sua contribuição no processo de ruptura com o passado. Publica livros de poesias, artigos de crítica em jornais e, na Revista O Cruzeiro, os “anticontos”. Essa obra vanguardista dos anos 1960, resulta da brevidade do texto constituído de imagens ricas em cores, formas e sonoridades verbais.

Nas artes plásticas participou dos grandes movimentos de vanguarda dos anos 1960 e 1970 e atuou como um dos mentores da vanguarda tipicamente brasileira, lançando as bases de uma arte relacionada à realidade, à idéia do novo e à participação do espectador. Seu trabalho é reconhecido em âmbito nacional e internacional, tendo participado de várias exposições dentro e fora do país e sendo premiado em muitas delas. Foi o criador de Pintura táctil, que, na opinião de Oiticica, é a primeira obra plástica propriamente dita com caráter participante no sentido político.

Pedro Geraldo Escosteguy morre, em PortoAlegre, a 28 de junho de 1989, deixando várias obras inéditas.

Curiosidades

Pedro Geraldo Escosteguy trouxe uma contribuição teórica e prática para o encaminhamento da vanguarda carioca que se articulou a partir de Opinião 65. Médico e poeta, provido de estudos filosóficos, introduziu no grupo sua impressões dos contatos que tivera com Sartre e Simone de Beauvoir, por ocasião da visita destes ao Rio de Janeiro, e dos estudos das lições de Ccândido Mendes e Hélio jaguaribe, que apontavam novas possibilidades de abordagem dos problemas do ser e da exist6encia, no tempo e no espaço brasileiro.

Pintura táctil, obra criada por Escosteguy como forma de relevo para ser apreendido mais pelo tato e menos pela visão, foi, na opinião de Oiticica, a primeira obra plástica propriamente dita com caráter participante no sentido político.

Pedro Geraldo Escosteguy dedica-se à pesquisa no campo da literatura, da música e das artes visuais vanguardistas, criando uma obra com forte apelo poético que dificulta o estabelecimento do limite entre poesia e prosa e entre arte literária e pictórica.

Frases

“A política, o poder, a economia, a cultura, a ética, a liberdade, o pensamento criador, sempre acolheram suas diretrizes, não pelo simples fato de terem sido codificadas, mas pela ação determinante das essência dialética que confere à vida, da célula ao homem, e do homem ao cosmos, significação de processo.” Vanguarda e autencidade, apresentada em Proposta 66.

“Minhas construções de madeira se assentam numa semântica social onde revelo a perplexidade geral ante a corrida belicista. Em sua execução, mobilizo uma semântica acessível aos meus próprios conhecimentos e possibilidades, auxiliada com o uso da palavra ou da frase, em busca de associações rápidas.” Opinião 65: ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Galeria de arte BANERJ, 1985. p.28

“Assim o ‘anticonto’ me parece como o antidiscurso – não como negativa do acontecimento, mas, e antes de tudo, como descoberta das essências desse acontecimento, nào silogístico e formal, mas ideogramático e simples.” Depoimento de PGE (Cf. ALPGE 01i0572-s.d.)

“Assim o ‘anticonto’ me parece como o antidiscurso – não como negativa do acontecimento, mas, e antes de tudo, como descoberta das essências desse acontecimento, nào silogístico e formal, mas ideogramático e simples.” Depoimento de PGE (Cf. ALPGE 01i0572-s.d.)

Obra e Vida

1916 Nasce a 14 de julho em Santana do Livramento, RS, filho de Domingos Escosteguy e Israelina Escosteguy.

1938 Passa a viver em Porto Alegre e conclui o curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio Grande do Sul.

1939 Escreve a peça teatral dramática “Instinto”.

1940 Casa com Marília Utinguassú.

1944 Torna-se médico voluntário das Forças Armadas Brasileiras.

1947-1950 Dirige o jornal Minuano. Escreve artigos e poesia na seção Relógio de Areia e assina como Rio Claro.

1951 Funda o Departamento de Gastrentorologia da Associação Médica do Rio Grande do Sul.
• Publica Entre Imagens e Canções no Caderno 1 da Coleção Arte no Rio Grande, e Adágio no Caderno 2 da Coleção Arte no Rio Grande.

1952-1960 Integra, como membro assíduo, o Grupo Quixote.

1955 Publica Canto à Beira do Tempo (Edição Quixote).

1956 Participa do volume coletivo Poesia Quixote (Edição Globo) e do recital de poesia Quixote, no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre.

1958 1º Festival Brasileiro de Poesia realizado em Porto Alegre nas dependências da Universidade do Rio Grande do Sul.
• Publica A Palavra e o Dançarino, pela Livraria do Globo, de Porto Alegre, ilustrado por Enio Lippmann.
1960-1962 Passa a viver no Rio de Janeiro. Publica poesias e análises críticas na revista Leitura, do Rio de Janeiro.

1961 Redige a apresentação do catálogo para a primeira exposição individual de Antônio Dias.
• Escreve “anticontos” para a revista O Cruzeiro, no Rio de Janeiro.

1964 XIII Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.

1965 VIII Bienal de São Paulo (categoria Pintura).
Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Proposta 65 - Exposição e debates sobre aspectos do realismo no Brasil, na Fundação Armando Alvares Penteado, em São Paulo.

1966 Mostra Super-mercado 66, na Galeria Relevo, no Rio de Janeiro.
• Coletiva Ponto-de-Vista na Galeria Convivium, em Salvador, na Bahia.
• Coletiva G-4, na inauguração da Galeria G-4, no Rio de Janeiro.
• Evento Vanguardismo Brasileiro, na Universidade de Minas Gerais, em Belo Horizonte.
• Manifestação Aperingue, na Galeria Átrio, de São Paulo.
• Opinião 66, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
• Ciclo de estudos da Arte Brasileira: Galeria Macunaíma, em 22 de maio, juntamente com Ivan Serpa, Rubens Gerchman, Carlos Vergara, Carlos Zilio, Antonio Dias, Antonio Maia, Ligia Clark, Helio Oiticica, Ligia Pape, Roberto Magalhães, Solange Escosteguy, Weslwy Duke Lee entre outros.

1967 Trabalha no serviço de emergência do Hospital da Ordem III de São Francisco da Penitência, no Rio de Janeiro.
IX Bienal de São Paulo, com trabalhos em técnica mista.
XVI Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro na categoria pintura.
• Encontro Tendências da Pintura no Brasil Hoje, no Colégio do Brasil, no Rio de Janeiro.
Nova Objetividade Brasileira, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
IV Salão de Arte Moderna do Distrito Federal-Brasília.
Exposição de Natal, na Galeria Relevo, no Rio de Janeiro.
Exposição Galérie (Multiplos), no Rio de Janeiro.

1968 XVII Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro, na categoria Pintura com técnica mista.
•Evento Arte no Aterro.
• Coletiva na Galeria Cleô, Rio de Janeiro.
I Feira de Arte do Rio, promovida pela Associação Internacional de Artes Plásticas – seção Guanabara do Rio de Janeiro.
Exposição das Bandeiras, na Praça Gal. Osório, no Rio de Janeiro.
• Cria texto e roteiro para o curta-metragem Arte Pública.

1969 I Salão da Bússola, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
II Feira de Arte do Rio, no Museu de Arte Moderna.
• Cria stand modulado para exposição itinerante, denominado Helicóide.
• Delegado da Associação Internacional de Artes Plásticas – seção Guanabara do Rio de Janeiro junto à Comissão Organizadora da X Bienal Internacional de São Paulo.

1970 Apresenta em Milão, Itália, a obra Air.
• É membro do júri da representação brasileira do artista jovem à Bienal de Paris, setor Escultura, no Museu de Arte Moderna do rio de Janeiro.

1971 XX Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro, na categoria escultura.
• Viagem à Europa.
• Expõe na Galeria Gáber, em Amsterdã, e na Galeria Claude Bernard, em Paris, França.

1972 Salão de Acrílico, IBEU, no Rio de Janeiro.
• Semana de Arte Moderna de Curitiba.

1973 XXII Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro, na categoria escultura.
30º Salão Paranaense. Pedro Geraldo Escosteguy é premiado com a série Instrumento.
• Exposição 50 anos de arte brasileira, organizada por Roberto Pontual, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

1975 Salão de Verão, no Museu de Arte Moderna do Rio.

1978 Retrospectiva O Objeto na Arte 60/70, organizada pela Fundação Armando Alvares Penteado, de São Paulo.
• II Viagem a Europa. Visita à Escola de Nice e à Grécia.

1980 Exposição, na Galeria Jean Borghici, do Rio de Janeiro.
• Retorna a Porto Alegre e encerra as atividades como médico profissional após quarenta e dois anos de exercício, tendo publicado trabalhos técnicos em congressos nacionais e internacionais na sua especialidade e lecionado em vários cursos de aperfeiçoamento.
• Viagem aos Estados Unidos e México.

1985 Retrospectiva Opinião 65, na Galeria de Arte do Banerj, no Rio de Janeiro.
• Exposição Caligrafias e Escrituras, promovida pelo Ministério de Cultura e o Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte.

1986 Grava, em disco, poesia Madrugada Primitiva com apresentação de Silvio Duncan. Edição Quixote.

1988 Publica Relatório da Noite, numa Edição Quixote, de Porto Alegre.

1989 Falece a 28 de junho.

1991 Começa a organização do Acervo Literário Pedro Geraldo Escosteguy, gerido pelo Centro de Memória Literária, Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.