Acervos:



Caio Fernando Abreu

(Santiago do Boqueirão, RS, 1948 - Porto Alegre, RS, 1996).

Contista, romancista, dramaturgo e jornalista. Seu primeiro conto, O Príncipe Sapo foi publicado em 1963 na revista Claudia. Em 1968, muda-se para São Paulo para participar da primeira redação da revista Veja. Se exilou na Europa até 1974 quando retornou para Porto Alegre onde começou sua prolixa criação literária. Ganhou vários prêmios, entre eles o Jabuti para Triângulo das águas. O marco de sua obra é a coletânea de contos Morangos Mofados (1982). Seu último romance Onde andara Dulce Veiga (1990) foi adaptado para o cinema.

Cronologia de Vida


1948 - Caio Fernando Loureiro de Abreu nasce no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago do Boqueirão (RS), cidade fronteiriça com a Argentina.

1954 - Com seis anos de idade, Caio F. escreve seus primeiros textos.

1963 - Caio F. se muda para Porto Alegre para cursar o colegial.

1966 - Seu primeiro conto, o Príncipe Sapo é publicado na revista Cláudia. Inicia a escritura do primeiro romance Limite Branco.

1967 - Começa o curso de  Letras e Arte Dramática na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), não conclui nenhum dos cursos. Dedica-se  ao jornalismo.

1968 - Após seleção em um concurso nacional, muda-se para São Paulo para integrar a primeira redação da revista Veja. Recebe menção honrosa do Prêmio José Lins do Rego para o conto Três tempos mortos.

1969 - Recebe o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de escritores (UNEB) para a coletânea de contos Inventário do irremediável .

1970 - Publica pela editora Movimento o livro Inventário do irremediável. Participa da antologia de autores gaúchos Roda de fogo.

1971 - Caio F. se muda para o Rio de Janeiro para ser pesquisador e redator nas revistas Manchete e Pais e Filhos, do grupo Bloch Editores. Ele retorna para Porto Alegre onde é preso por porte de drogas.

1972 - É redator do jornal Zero Hora e colaborador do Suplemento Literário De Minas Gerais. Recebe o prêmio do Instituto Estadual do Livro para o conto Vista que será publicado posteriormente na coletânea O ovo apunhalado.

1973 - Viaja para a Europa onde se sustenta exercendo vários tipos de trabalho como modelo, faxineiro ou lavador de pratos. O livro O ovo apunhalado receba menção honrosa do Prêmio Nacional de Ficção.

1974 - De volta para o Brasil, ele trabalha em Porto Alegre com o grupo teatral Província como ator na peça Sarau das Nove às Onze. Escreve para o teatro. Colabora com diversos veículos de imprensa, inclusive com a imprensa alternativa para Opinião, Movimento, Ficção, Inéditos, Versus, Paralelo, Escrita.

1975 - O livro O ovo apunhalado sofre vários cortes da censura e é reconhecido pela Veja como um dos melhores livros do ano. Sua peça Pode ser que seja só o leiteiro lá fora, primeiramente intitulada Uma visita ao fim do mundo, recebe o Prêmio Leitura do SNT.

1976 - Trabalha como crítico teatral na Folha da Manhã. Participa das antologias Assim escrevem os Gaúchos e Teia.

1977 - Publicação de Pedras de Calcutá e participação na antologia História de um Novo Tempo.

1978 - Muda-e para São Paulo onde trabalha como redator na revista Pop. Participa da Antologia de Literatura Rio-Grandense Contemporânea.

1980 - Recebe o Prêmio Status de Literatura para o conto Sargento Garcia.

1981 - Torna-se editor da Leia Livros.

1982 - Lançamento de Morangos Mofados pela editora Brasiliense.

1983 - Muda-se para Rio de Janeiro para colaborar com a revista Isto é. Publica Triangulo das águas.

1984 - Primeira encenação, com direção de Luciano Alabarse, da peça Pode ser que seja só o leiteiro lá fora, em Porto Alegre, no Clube da Cultura. O livro Triangulo das águas ganha o prêmio Jabuti.

1985 - Volta para São Paulo onde trabalha como editor na revista A-Z. Escreve um roteiro para a série de TV Joana Repórter estreada por Regina Duarte. Morangos mofados é adaptado para o teatro e encenado por Paulo Yutaka.

1986 - Trabalha como redator no Caderno 2 do Estado de São Paulo. Em Porto Alegre a adaptação teatral de Morangos mofados é encenado por Luciano Alabarse.

1987 - Escreve a peça teatral A maldição do Vale Negro em colaboração com Luiz Artur Nunes. Escreve o roteiro da longa metragem de Sérgio Bianchi intitulado Romance.

1988 - Publica Os dragões não conhecem o paraíso. Trabalha novamente como redator  para  a revista A-Z. Lançamento de Mel e girassóis pela editora Mercado Aberto.

1989 - Recebe o Prêmio Molière junto com Luiz Artur Nunes pela autoria do melodrama A maldição do Vale Negro. Publicação do primeiro livro infantil As frangas pela Editora Globo.

1990 - Publicação do romance Onde andará Dulce Veiga? pela Companhia das Letras.

1991 - Em Londres, tradução para o inglês do livro os Dragões não conhecem o paraíso sob o título de Dragons, publicado pela editora Boulevard Books e traduzido por David Treece; em Paris é traduzido sob o titulo: Les dragons ne connaissent pas le paradis, pelas edições Complexe e é  traduzido por Claire Cayron.  Onde Andará Dulce Veiga? recebe o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor romance do ano.

1992 - Mora três meses na França, em Saint-Nazaire, como escritor/residente na Maison des Écrivains et des traducteurs Étrangers (MEET), onde ele escreve a novela Bien loin de Marienbad.

1993 - Realiza leituras de sua obra, em Amsterdam, Utrecht e Haia e na Holanda. Participa, em Berlim, do Congresso Internacional de Literatura e Homossexualismo. Em Milão, lança, em italiano, de Dov’è Finita Dulce Veiga?, pela editora Zanzibar,  traduzido por Adelina Aletti. Representa o Brasil na III Interlit, Encontro Internacional de Escritores, em Erlangen, na Alemanha, junto dos escritores Rubem Fonseca e Sonia Coutinho. Leituras de sua obra em Erlangen, Nüremberg e Berlim. Escreve crônicas dominicais no jornal o Estado de São Paulo.

1994 - Reedição pela editora paulista Siciliano do seu primeiro romance Limite Branco. São lançados no Salão do Livro de Paris: Qu’est devenue Dulce Veiga?, publicado pelas edições Autrement; Bien loin de Marienbad, publicado pelas edições Arcane 17 e L’Autre voix, publicado pelas edições Complexe. Todo são traduzidos por Claire Cayron. Leitura dramática de seu monólogo teatral O homem e a Mancha, no primeiro Porto Alegre em Cena. A partir de outubro torna-se colaborador do caderno Cultura do jornal Zero Hora. Em Amsterdam lança de  Waar zit Dulce Veiga?, traduzido por Maartje de Kort. Participa da 46° Feira Internacional do Livro  de Frankfurt que tem o Brasil como pais-tema. Lança na Alemanha de Waas Geschach Wirklich mit Dulce Veiga?, traduzido por Gerd Hilger. Divulga em sua coluna semanal no jornal O Estado de São Paulo que é portador do vírus HIV. Retorna para Porto Alegre.

1995 - É escolhido pela Câmara Rio-Grandense do Livro para ser  patrono da 41° Feira do Livro de Porto Alegre. Participa da antologia The Penquim Book of International Gay Writing com o conto Beauty (Linda, uma história horrível), traduzido por David Treece. Em maio, é publicada pela editora Sulina a antologia de textos Ovelhas Negras. Em setembro, na Itália, as edições Zanzibar publicam Molto Lontano di Marienbad, com tradução de Bruno Parsico. Reedição do seu primeiro livro de contos completamente reformulado, sob o título Inventario do ir-remediável.

1996 - Em 25 de fevereiro, Caio Fernando Abreu falece em Porto Alegre, aos 48 anos. Ovelhas Negras recebe o Prêmio Jabuti de melhor livro de contos do ano.



Bibliografia do Autor


Inventário do Irremediável, contos. Prêmio Fernando Chinaglia da UBE (União Brasileira de Escritores); Rio Grande do Sul: Movimento, 1970; 2ª ed. Sulina, 1995 (com o título alterado para Inventário do Ir-remediável).

Limite Branco, romance. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1971; 2ª ed. Salamandra, 1984; São Paulo: 3ª ed., Siciliano, 1992.

O Ovo Apunhalado, contos. Rio Grande do Sul: Globo, 1975; Rio de Janeiro: 2ª edição, Salamandra, 1984; São Paulo: 3ª edição, Siciliano, 1992.

Pedras de Calcutá, contos. São Paulo: Alfa-Omega, 1977; 2 ed., Cia. das Letras, 1995.

Morangos Mofados, contos. São Paulo: Brasiliense, 1982; 9 ed. Cia. das Letras, 1995. Reeditado pela Agir - Rio, 2005.

Triângulo das Águas, novelas. Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro para melhor livro de contos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983; São Paulo: 2 edição Siciliano, 1993.

As Frangas, novela infanto-juvenil. Medalha Altamente Recomendável Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil. Rio de Janeiro: Globo, 1988.

Os Dragões não Conhecem o Paraíso, contos. Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro para melhor livro de contos. São Paulo: Cia. das Letras, 1988.

A Maldição do Vale Negro, peça teatral. Prêmio Molière de Air France para dramaturgia nacional. Rio Grande do Sul: IEL/RS (Instituto Estadual do Livro), 1988.

Onde Andará Dulce Veiga?, romance. Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) para romance. São Paulo: Cia. das Letras, 1990.

Bien Loin de Marienbad, novela. Paris, França Arcane 17, 1994.

Ovelhas Negras, contos. Rio Grande do Sul: 2 ed. Sulina, 1995.

Mel & Girassóis (Antologia)

Estranhos Estrangeiros, contos. São Paulo: Cia. das Letras, 1996.

Teatro Completo, 1997

Teatro:

O Homem e a Mancha

Zona Contaminada

Tradução:

A Arte da Guerra, de Sun Tzu, 1995 (com Miriam Paglia).