Acervos:



Aníbal Damasceno Ferreira

(Erechim, RS, 1933 - Porto Alegre, RS, 2013).

Aníbal Damasceno Ferreira nasceu em Erechim, RS, em 1933. Influenciado pelo pai ator, foi apaixonado por cinema desde criança, quando, com a ajuda do irmão e de um funileiro, construíram um projetor com cilindro de lata e lupas que vinham de brinde em medicamentos de farmácias. Começou sua carreira trabalhando como operador de rádio da UFRGS e, depois, na rádio Farroupilha. Quando foi funcionário do Instituto de Física da UFRGS, comandou um setor dedicado a filmar experimentos. Escreveu contos, ensaios, publicações variadas, e colunas para os jornais Clarín, Folha da Tarde e A Hora. Numa de suas colunas, Idiomas Are a Pushover  “expressões idiomáticas são uma barbada”, escrevia sob pseudônimo e partia das notícias do dia para explicar o significado de certas expressões.

Aníbal também trabalhou para produtoras como a Leopoldis Som e a Interfilms, roteirizando diversos documentários e cinejornais. No início da década de 1970, escreveu três longas: Gaudêncio, o Centauro dos Pampas (1971), de Fernando Amaral, com Paulo José, Dina Sfat e José Lewgoy; Motorista sem Limites (1970) e Teixeirinha a 7 provas (1972), de Milton Barragan, ambos estrelados por Teixeirinha. Desde 1978, foi professor de cinema da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, contribuindo com a formação de várias gerações de jovens cineastas. Seus alunos lembram do professor pelo tom de voz baixo e explicações calmas que, bruscamente, alteravam-se para rompantes dramáticos, com Aníbal subindo nas mesas da sala de aula, no intuito de exemplificar um estilo de enquadramento de câmera ou a dramatização de uma cena.

Sua atuação na cena cultural gaúcha foi de grande relevância, Aníbal, junto com outros idealistas, foi responsável pela criação do Festival de Cinema de Gramado. Leitor voraz, era especialista em Machado de Assis e Nelson Rodrigues. Nos anos 1950, descobriu a obra de Qorpo Santo, tornando-se um grande incentivador dos textos desse autor. “Poucos sabiam quem ele era. Até que, numa época em que passei longo tempo no hospital, lendo muito, deparei com um artigo que o citava. Fui atrás da obra dele e dei de cara com algo impactante. E resolvi propor ao Antônio Carlos Senna, com quem eu já havia trabalhado, que montasse seus espetáculos. Fizemos, juntos, três peças. Quando as levamos ao Rio, o crítico Yan Michalski assistiu e escreveu algo como: os compêndios sobre a história do teatro brasileiro, que em sua grande maioria ignoram Qorpo Santo, um dos precursores do teatro do absurdo, justamente por isso, estão todos obsoletos.”

O filme 3 Efes (2007), dirigido por Carlos Gerbase, foi inspirado em uma teoria do professor Aníbal Damasceno Ferreira, que morreu em 2013, deixando um acervo com mais de mil e quatrocentos livros, um roteiro inédito de longa-metragem e materiais para uso em sala de aula.