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Vulnerabilidade para o suicídio na juventude

Por: Ângelo Brandelli Costa

08/05/2017 - 08h45
Angelo Brandelli

Foto: Bruno Todeschini/PUCRS

A discussão em torno do suposto jogo Baleia Azul levantou a necessidade de abordar o tema da saúde mental de jovens, especialmente no contexto escolar. O que se observou foi a desmedida divulgação de imagens e relatos de situação de vulnerabilidade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) possui um guia para profissionais da mídia no qual pede cautela sobre como são tratados casos de suicídios de forma a evitar situações de contágios.[1] A recomendação da OMS vai ao encontro de evidências na literatura científica que identificaram que a espetacularização de casos suicídio pode levar a um aumento da prevalência desse agravo.[2] No contexto das mídias sociais, em que cada um de nós se torna produtor de conteúdo, tais recomendações se tornam ainda mais importantes. Segundo a OMS, a sociedade deve estar atenta para: não publicar fotografias explícitas ou cartas suicidas; não informar detalhes específicos do método utilizado; não fornecer explicações simplistas; não glorificar o suicídio ou fazer sensacionalismo sobre o caso; não atribuir culpas.

Alguns dados chamam a atenção para a importância do debate sério e comprometido a respeito deste tema. A região Sul é a que apresenta os maiores índices de suicídio do Brasil, 9.3 casos por 100,000 habitantes contra 4.4 – 5.7 por 100,000 habitantes nacionalmente.[3] Além disso, no período de 1980-2000 ocorreu um aumento de 1900% nas taxas de suicídio em jovens de 15-24 anos no Brasil, tornando essa faixa etária a mais vulnerável.[4] O aumento nesta faixa etária também foi maior na região Sul do País.[5]

O suicídio é um fenômeno complexo. Dificilmente pode ser atribuída a uma única causa, no entanto, experiências de violência e discriminação relacionadas à orientação sexual, gênero, deficiência, raça/cor/etnia e status socioeconômico podem atuar como fator de risco. [6]

É por essa razão que a atenção à saúde mental de jovens é fundamental. Familiares, professores e profissionais de saúde devem estar atentos para necessidade de acolhimento desse grupo. O encaminhamento para redes de atenção psicossocial e profissionais de saúde mental, tanto no âmbito público quanto privado, deve ser considerado sempre que necessário. Gestores de políticas públicas, instituições de saúde e de ensino também devem fomentar campanhas e ações na direção da prevenção, identificação e tratamento destas situações.

 

[1] http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/67604/7/WHO_MNH_MBD_00.2_por.pdf?ua=1

[2] Stack, S. (2003). Media coverage as a risk factor in suicide. Journal of epidemiology and community health, 57(4), 238-240. https://dx.doi.org/10.1136/jech.57.4.233

[3] Lovisi, Giovanni Marcos, Santos, Simone Agadir, Legay, Letícia, Abelha, Lucia, & Valencia, Elie. (2009). Epidemiological analysis of suicide in Brazil from 1980 to 2006. Revista Brasileira de Psiquiatria31(Supl. 2), S86-S93. https://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462009000600007

[4] Mello-Santos, Carolina de, Bertolote, José Manuel, & Wang, Yuan-Pang. (2005). Epidemiology of suicide in Brazil (1980 – 2000): characterization of age and gender rates of suicide. Revista Brasileira de Psiquiatria, 27(2), 131-134. https://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462005000200011

[5] Souza, Edinilsa Ramos de, Minayo, Maria Cecília de Souza, & Malaquias, Juaci Vitória. (2002). Suicide among young people in selected Brazilian State capitals. Cadernos de Saúde Pública18(3), 673-683. https://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2002000300016

[6] Costa, A. B., Pasley, A., de Lara Machado, W., Alvarado, E., Dutra-Thomé, L., & Koller, S. H. (2017). The experience of sexual stigma and the increased risk of attempted suicide in young Brazilian people from low socioeconomic group. Frontiers in psychology, 8. https://dx.doi.org/10.3389/fpsyg.2017.00192.