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Teatro profissional retorna à Universidade nos 70 anos de Caio Fernando Abreu

Peça Caio do Céu emocionou a plateia com interpretação de Deborah Finocchiaro e Gustavo Petry

12/09/2018 - 12h09
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Foto: Camila Cunha

A véspera do 70º aniversário do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, celebrado neste dia 12 de setembro, foi a data escolhida para recordar a sua obra e legado à cultura com a peça Caio do Céu. O espetáculo, com direção de Luís Artur Nunes, foi encenado por Deborah Finocchiaro e Gustavo Petry, lotando o Teatro do prédio 40 do Campus e emocionando a plateia que, ao final, aplaudiu em pé a sensibilidade e intensidade que a atriz levou para o palco na sua interpretação. O evento marcou o retorno do teatro profissional à Universidade, que até o início dos anos 2000 contava com o PUCRS Em Cena. A iniciativa integrou a programação da Semana de Letras e Escrita Criativa da Escola de Humanidades. O ingresso solidário garantiu a arrecadação de mais de 400kg de alimentos na parceria estabelecida entre o Instituto de Cultura e o Centro de Pastoral e Solidariedade.

Um tributo a Caio F.

O universo de Caio F. foi exposto com menção às suas obras que tratavam com irreverência a condição humana e a reflexão sobre as relações entre as pessoas. Apesar de ser conhecido por dar um tom mais introspectivo e melancólico a muitas das suas produções, como crônicas, cartas, contos, poemas e textos teatrais, a encenação da peça trouxe seu lado mais vibrante e questionador da sociedade. A música ao vivo, os vídeos projetados e as interações com vídeos e entrevistas contribuíram para aproximar ainda mais o público da história do autor santiaguense, reconhecido internacionalmente pela profundidade de seu trabalho.

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Foto: Camila Cunha

O espetáculo foi seguido de um debate mediado pelo diretor do Instituto de Cultura Ricardo Barberena, com quatro especialistas e estudiosos da obra de Caio Fernando Abreu. Além de Deborah, participaram da roda de conversa Luis Felipe Abreu, doutorando em Comunicação e Informação na UFRGS e sobrinho de Caio F., Amanda Costa, doutora em Estudos de Literatura pela UFRGS, e Fernanda Pinto, doutora em Linguística e Letras – Teoria da Literatura pela PUCRS. Barberena fez algumas provocações aos debatedores solicitando, por exemplo, que procurassem interpretar os dias de hoje pelo olhar de Caio. O sobrinho do autor leu um trecho do conto Aqueles dois, no qual é descrita a relação de grande proximidade entre dois homens no ambiente de trabalho. Eles são expulsos da repartição pública na qual atuam pela intolerância dos colegas, que desejavam ser mais felizes com a ausência de ambos, o que não se confirma. O alerta de Abreu (sobrinho) foi para a necessidade de empatia, pouco vista na atualidade. “Precisamos aprender a aceitar o outro, agir contra as micropolíticas de opressão e discriminação”, asseverou.

Um dos pontos mais valorizados pelos especialistas foi o fato de os concursos vestibulares solicitarem a leitura de obras como Morangos Mofados, um clássico de Caio. Para eles, isso aproxima novas gerações das produções literárias e jornalísticas do autor. “Caio tem uma obra pop, acessível, ideal para a formação de novos leitores”, afirmou Amanda Costa. Já Fernanda Pinto recordou que “Caio tem humor, melancolia e profundidade. Serve para leitores de todas as idades, incentivando debates literários sobre temas de incentivo à diversidade”.

Sobre Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu (1948 – 1996) é apontado com um dos expoentes da sua geração, foi jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro. Seu primeiro conto, O Príncipe Sapo, 1963, foi publicado três anos mais tarde na revista Claudia. Em 1973, se exilou na Europa, onde ficou até 1974, ano em que começou sua prolixa criação literária de mais de 28 livros publicados nas formas de contos, crônicas, romances e antologias. Entre eles, destacam-se Morangos Mofados (1982) e os Dragões Não Conhecem o Paraíso (1988). Seu último romance, Onde andará Dulce Veiga?, 1990, foi adaptado para o cinema pelo diretor Guilherme de Almeida Prado.

Caio ficou popular por seus temas em que fala sobre sexo, medo, morte e, principalmente, solidão. Através de problemas pessoais e situações cotidianas, contestou valores que na época eram pouco discutidos, como aids, homossexualidade e espiritualidade. No acervo digital do Delfos – Espaço de Documentação e Memória Cultural da PUCRS, é possível encontrar diversos objetos, livros, escritos e datiloscritos do autor.

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