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Solidariedade é um remédio para a alma de todos

Artigo do professor Francisco Kern, coordenador do curso de Serviço Social da PUCRS

24/03/2020 - 14h31
Professor Francisco Kern / Foto: Camila Cunha

Professor Francisco Kern / Foto: Camila Cunha

A empatia pode ser compreendida como colocar-se no lugar do outro, acolhê-lorecebê-loescutá-lo com o objetivo de compreender a sua situação. O que é a solidariedade a não ser uma profunda relação de empatia? Se ela não for empática, ela é falsa. A compaixão humana caminha neste trilho, não como piedade, pena, misericórdia. Compaixão em relação as outras pessoas, em que sentimos que elas precisam de mim e eu posso ajudá-las. E por que não? Por que temos tanto medo de falar da ajuda hoje em dia? A empatia e a compaixão humana são os alicerces de um verdadeiro pertencimento humano-social que se constroem a partir de múltiplos significados e sentidos. 

Diante disso, temos uma compreensão da solidariedade como um componente primordial da condição humana que se explica e se entende a partir de múltiplas dimensões humanísticas. Ela se expressa e se manifesta quando há uma dimensão intersubjetiva com propósitos reais de tornar melhor a vida de outras pessoas. A solidariedade é o propósito de promover impactos de transformação de vidas e de realidades. 

No momento atual, em que vivemos sob o medo de um vírus invisível aos olhos da humanidade, a solidariedade também se expressa em nos recolhermos em nossas casas para nos protegermos e aqueles que fazem parte da nossa rede de relações primária. Esse é um exemplo prático de solidariedade: quando conseguimos nos reorganizar frente a uma situação invisível, mas que nos provoca muito medo e insegurança. Vivemos e sobrevivemos acreditando numa falsa permanência de que tudo o que fazemos está sob nosso controle. Quando acordamos de um dia para o outro, toda esta permanência que nos provocava uma falsa segurança evapora. 

Ser solidário com as pessoas quando achamos que tudo está organizado é muito fácil. Numa época em que todos temos medo de todos e vivemos a total impermanência de tudo, ser solidário se torna um pouco mais desafiador. É preciso saber se colocar no lugar do outro, entender que o outro talvez necessite muito mais do que eu da última máscara e do álcool gel da farmácia. Solidariedade, empatia e compaixão, uma tríade para compreendermos melhor a nossa condição humana em temos da construção social do medo e do pânico. 

Sobre o autor

Francisco Kern é Coordenador do Centro de Atenção Psicossocial da PUCRS, professor da Escola de Humanidades e coordenador da graduação em Serviço Social. 

Solidariedade traduzida na prática 

O médico da família André Silva, professor da Escola de Medicina da PUCRS, traduziu a solidariedade na prática ao colocar-se à disposição da população para responder dúvidas em relação ao novo coronavírus (Covid-19). “Da semana passada para cá, respondi centenas de mensagens, em diversos canais de comunicação e redes sociais, de pessoas de todo o Brasil e até de Portugal e Cuba, além de confortar pessoas da Itália”, conta Silva. A iniciativa, ressalta o médico, não se trata de consultas online, mas são orientações sobre cuidados gerais, em que momento procurar o atendimento médico e até sobre quais informações são verdadeiras e quais são fake news. “Não é somente uma maneira de ajudar ao próximo, é também uma forma de reforçar meu papel no mundo como médico”, afirma Silva.