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Projeto testa alternativas para proteger profissionais da Odontologia durante pandemia

Estudo conduzido na Escola de Ciências da Saúde e da Vida recebeu financiamento da Fapergs

19/05/2020 - 13h21
Odontologia, novos equipamentos

O projeto leva em consideração o elevado risco que os profissionais da odontologia estão expostos durante a pandemia. Foto: Bruno Todeschini

Dados do Ministério da Saúde divulgados no dia 14 de maio mostram que mais de 31 mil profissionais da saúde já foram infectados pela Covid-19 no Brasil. Estudos mostram que entre os mais vulneráveis estão os profissionais de saúde bucal, com alto risco de contágio em função do ambiente e da proximidade física com os pacientes. Pensando nisso, um grupo de pesquisadores da PUCRS está testando a eficácia de novos dispositivos que garantem mais segurança e saúde aos profissionais da Odontologia.

O projeto intitulado Eficácia de três protótipos de um dispositivo para redução da dispersão por aerolização em atendimentos odontológicos de urgência em tempos de pandemia de SARS-CoV-2: um ensaio clínico randomizado controlado, foi um dos quatro projetos da PUCRS contemplados no Edital Emergencial Ciência e Tecnologia no combate à Covid-19, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS). 

Coordenado pelo pesquisador Maximiliano Schunke Gomes, da Escola de Ciências da Saúde e da Vida, o projeto leva em consideração o elevado risco que os profissionais da Odontologia estão expostos durante a pandemia. “São altos riscos de infecção cruzada por SARS-CoV-2 durante suas práticas, em razão da exposição à saliva, sangue e outros fluidos corporais, combinados à realização de procedimentos que geram aerolização (lançamento de micropartículas de água, saliva, sangue e secreções, que ficam suspensas no ar) e ao manejo de instrumentais pérfuro-cortantes”, explica o pesquisador.

De acordo com Gomes, medidas adicionais de controle de infecção na prática odontológica são necessárias e vêm sendo sugeridas para impedir a disseminação do vírus da Covid-19 e ajudar a controlar a situação pandêmica. “Devido às características únicas dos procedimentos odontológicos, as medidas de proteção padrão no trabalho clínico diário podem não ser eficazes o suficiente para impedir a propagação do vírus, especialmente quando os pacientes estão no período de incubação, podendo ignorar ou mesmo ocultar que estão infectados”, comenta Gomes.

Em busca de alternativas seguras 

De acordo com Gomes, recentemente, um grupo de cirurgiões-dentistas militares brasileiros propôs a utilização de um dispositivo, confeccionado a partir de uma estrutura de tubos rígidos de policloreto de vinila (PVC) envolvida por camadas de filmes translúcidos de PVC flexível. O dispositivo é ajustado à cadeira odontológica, envolvendo a região de cabeça e tórax do paciente. Assim, o cirurgião-dentista e equipe atuam através de pequenos orifícios confeccionados no filme de PVC, estando, em tese, mais protegidos do contato com partículas oriundas de aerolização. 

A partir destas alternativas que estão sendo implantadas, o projeto proposto pelos pesquisadores da PUCRS visa analisar a eficácia de três protótipos deste dispositivo para redução da dispersão por aerolização em atendimentos odontológicos de urgência, testando a hipótese de que a utilização dos dispositivos reduz a dispersão de partículas em comparação ao tratamento controle padrão. 

Caso os resultados deste projeto confirmem a hipótese de que um ou mais dos protótipos do dispositivo testado seja eficaz na redução da dispersão por aerolização em atendimentos odontológicos de urgência, então esta alternativa de baixo custo poderá ser amplamente utilizada e mesmo aperfeiçoada. Dessa forma, poderá reduzir um importante vetor de contaminação e contribuir para que os profissionais de Odontologia atuem de modo decisivo na prevenção da transmissão do SARS-CoV-2. Além disso, em caso de confirmação da hipótese testada, o dispositivo poderá ser adaptado a outros serviços de saúde, e não apenas utilizado para fins odontológicos.

Maximiliano Schunke Gomes lidera o projeto, juntamente com a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Odontologia Maria Martha Campos, o doutorando Ruy Teichert Filho e a mestranda Camila Baldasso. O estudo será conduzido na Policlínica Odontológica Central, pertencente ao Centro Médico-Odontológico da Brigada Militar do RS. As análises microbiológicas ocorrerão no Centro de Pesquisa de Toxicologia e Farmacologia (Intox/PUCRS).