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Pesquisa sobre usuárias de crack é apresentada no Ministério da Cidadania

Rodrigo Grassi-Oliveira abordou estudo do grupo interdisciplinar de Neurociência Cognitiva do Desenvolvimento

17/06/2019 - 10h47
Pesquisador Rodrigo Grassi-Oliveria, em pé, com microfone na mão, junto a uma bancada de madeira, apresenta pesquisa sobre crack

Pesquisador Rodrigo Grassi-Oliveria apresentou pesquisa em Brasília / Foto: Arquivo Pessoal

O estudo Alvos de proteção à mulher usuária, realizado desde 2010 pelo grupo interdisciplinar de Neurociência Cognitiva do Desenvolvimento (DCNL), da Escola de Medicina da PUCRS, mostra dados coletados com 1.344 usuários de droga, no Rio Grande do Sul. Destes, 546 eram mulheres consumidoras de crack. Elas apresentaram uma taxa de HIV de 20%, percentual consideravelmente mais alto que a média da população geral, que é de 0,8%. Os resultados foram apresentados, no início de junho, pelo professor do curso de Medicina e pesquisador do Instituto do Cérebro do RS, Rodrigo Grassi-Oliveira, que foi convidado a participar do Seminário Intersetorial de Políticas Sobre Drogas, no Ministério da Cidadania, em Brasília.

Conforme Grassi-Oliveira, “a rede precisa levar em consideração que a doença da dependência química é mais grave nas mulheres porque, de acordo com o estudo, elas consomem mais pedras por dia, sofrem mais na desintoxicação, geralmente são vítimas de abusos sexuais e carecem de estratégias de planejamento familiar e serviços específicos”, destacou.

Cada uma das mulheres tem de dois a três filhos, e essas crianças que se desenvolvem nesse contexto vulnerável também são alvo da preocupação dos pesquisadores. “Com as crianças se desenvolvendo nesse contexto, estimamos que eles sofram maus tratos, como negligência na primeira infância. Para evitar que eles virem os próximos usuários, é preciso focar em prevenção”, enfatizou.

Sinalização para políticas públicas

Ao fim do painel, o secretário de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania, Quirino Cordeiro Júnior, que estava mediando o painel, ressaltou o nível elevado do debate ao unir pesquisas com práticas clínicas – importante para a implementação de políticas públicas. “Quanto mais dados, melhor para entendermos as necessidades, para fortalecer o trabalho e para a busca por alternativas concretas para enfrentar essas questões e melhorar os cuidados e os tratamentos”, concluiu.

O Seminário Intersetorial de Prevenção, Conscientização e Combate às Drogas contou com a participação do secretário executivo adjunto do Ministério da Saúde e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Erno Harzheim, gestor geral da Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas, Pablo Kurlander. O evento foi realizado em parceria com os ministérios da Justiça e Segurança Pública, Defesa, Infraestrutura, Educação, Saúde e Mulher, Família e Direitos Humanos.